Mas todo mundo que tem filhos e quiser ter novos relacionamentos, talvez tenha que administrar o ciúme de suas crianças ou de seus amores. E para isto acontecer não faz muita diferença se você é "straight" ou homo.
Seus filhos já tem um lugar definido no seu coração, e não sinto que este espaço aumenta ou diminui quando você se apaixona por alguém, o coração parece ser bem elástico, meio infinito, tanto que quem tem vários filhos tem muita dificuldade em definir de qual filho gosta mais.
Além de terem um espaço em seu coração, seus filhos tem um espaço em seu tempo, e acho que é ai que a coisa pega...o coração é elástico, mas o tempo é finito. Um dia tem 24 horas, um fim de semana é um fim de semana...e não volta atrás.
Ao mesmo tempo, quando estamos nos envolvendo num novo relacionamento, e no meu caso lá se vão quase 5 anos, nos entusiasmos e queremos ficar um tempo com esta pessoa, tempo que antes era todo de seus filhos. e ai? Como administrar isto?
Você tem que lembrar que ter filhos foi uma escolha (espero) sua, e que portanto você devia estar preparado para isto, você tem que lembrar que seus filhos - falando friamente - serão seus filhos para sempre, e que aquele relacionamento pode não durar "para sempre".
Laços que unem pais e filhos são totalmente diferentes dos laços que unem companheiros, casos, amantes. Eu disse diferentes, não disse melhores ou piores.
Sei que do lado da pessoa com quem você esta se envolvendo também não deve ser fácil, ela precisa ser uma pessoa especial, porque se você for obrigado a "escolher" entre as crianças e o relacionamento, provavelmente seu amor vai sair perdendo. Ele vai ter que entender algumas dinâmicas de horários, ou vai ter que saber que naquele final de semana não vão poder passar a tarde na Benedito Calixto porque "alguém" tem que estudar matemática.
Mas, se houver amor de ambas as partes, as 3 partes envolvidas, as coisas se encaixam, se a pessoa por quem você está apaixonado entender que seus filhos tem um espaço no seu coração e ele puder abrir um espaço no coração dele - como o meu amor abriu - para seus filhos, isto se encaixa, sem competições, sem conflitos. E com crianças, se você gosta de verdade delas, elas vão gostar de você,vão confiar em você!
Mas, mesmo aplicando todas estas teorias, eu tive umas saias justas, oimportante é ter certeza do amor que você sente pelas pessoas, ao mesmo tempo que temque garantir para as crianças que o amor não vai diminuir, que eles nada perderão com isto, como eu tive que fazer:
- Pai, eu não quero que você namore o F.!
- Mas porque querida? Ele gosta de você!
- Mas eu não quero! Eu não gosto dele!
- Meu amor, no meu coração você tem espaço garantido! E eu também tenho espaço para outras pessoas, cada pessoa do seu jeito. Você não gosta da vovó, da titia, dos primos, da madrinha, você acha que não vai caber mais ninguem no seu coração?
- Humpf!
- Imagina como você vai ficar triste se quando você crescer e gostar de alguem eu disser que você não pode! Se você ficar feliz eu vou ficar feliz, se eu estiver feliz você tem que tentar entender isto.
- Humpf!
- Tenho certeza que nós 3 juntos vamos nos divertir muito!
- Então tá! Vamos tentar!e...ainda bem que está dando certo! E eles se dão super bem!
Mas acho que vai fazer muita diferença se você, e seu amor, estão fora do armário ou não, pelo menos para seus filhos...mas esta questão do armário é papo para um outro post...