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20 de julho de 2017

a PARADA não parou!

Hotel Marriott
Eu não sei vocês mas eu percebi uma "institucionalização" maior das paradas, uma certa maturidade do movimento e das associações que organizam, não só por aqui mas mundo afora... mais visibilidade, mais empresas apoiando, menos conotação governamental na maioria. Muitas cidades, incluindo Sampa City se cobriram de arco iris em lojas, restaurantes, hoteis, empresas, ruas.
DM9 - São Paulo
Entendo isso como um avanço, principalmente em termos de resultado da legislação... a oficialização do casamento, primeiro aqui e depois nos EUA, mas tb em outras partes do mundo, legitima de certa forma muitas coisas... Legitima as políticas públicas pois saímos da "informalidade" e da "invisibilidade" e nos tornamos famílias com garantias de direitos. Legitima nossos filhos nas diversas maneiras como escolhemos tê-los e criá-los. Legitima as empresas terem "verbas" para o segmento LGBTI, para campanhas publicitárias iguais ao dia das mães, natal, páscoa.. mesmo que seja ruim sermos um "mercado". Legitima podermos andar de mãos dadas onde quisermos, se quisermos.  Legitima sentirmos orgulho de quem somos, porque não? Legitima aquele menino da periferia pensar em poder viver sua sexualidade sem medo - mas nem tanto -  pois ainda muitos morrem e sofrem apenas por isso!
Sinto que realmente a oficialização do casamento mudou a parada...

Indianápolis 
Este ano eu não fui na "maior parada do mundo" aqui em São Paulo... aliás me aconteceu uma coisa até engraçada.  Eu e Mr. Jay estávamos de férias, viajando, e "desencontramos" de 3 paradas! Na primeira cidade que fomos, chegamos na segunda e a parada tinha sido no domingo... na de São Paulo ainda não estávamos de volta, e na terceira fomos embora na véspera da parada da cidade em que estávamos!  Confesso que fiquei frustrado... pois se eu tivesse "me atentado" poderia ter participado de ao menos uma delas!

Hard Rock Times Square
É uma pena muitos LGBTI ainda torcerem o nariz para a parada, verbalizando o discurso de que "é só baixaria" e "que não me representa" pois tem muitas drags e caras com pouca roupa (como se não fosse bom issso!kkkk) pois tudo isso, além de muitas outras coisas, é o retrato de uma comunidade diversa, muito alem do padrão "papai, mamãe e filhinhos" que durante muito tempo foi a unica possibilidade e que tanto nos sufocou. Gostamos tanto de dizer que ser homossexual é muito mais do que a discussão de com quem gostamos de transar, mas acabamos definindo tudo como isso! Com aquele monte de caixinhas...

Quem disse que para ser sério não pode fazer oba oba, lançar purpurina, dar piruetas? Seriedade é diferente de braveza, de raiva, de dentes cerrados. Eu faço a minha militância de formiguinha, seja nesse blog, seja lançando um livro sobre uma parte do universo lgbt, seja dando grana de vez em quando para alguma causa que me sensibiliza como a Casa 1.

E você? Percebeu uma mudança nas paradas? O que tem feito pela causa LGBTI?





5 de janeiro de 2014

"gingle bells" e "muito dinheiro no bolso"

Natal e Reveillon são duas datas definitivamente emblemáticas. O natal é celebrada como a data de ficar mais próximo de Deus (no caso dos cristãos) e falar sobre o amor, sobre o perdão, sobre reconciliação.
Já o ano novo é a data da celebração da amizade, da vida; é o momento de fazer planos e promessas, é o momento de deixar para trás os erros e focar no futuro.
Natal com a família reunida, cada um trazendo um prato, aquele esforço em ser simpático com parentes qe não tem "nada a ver" com você. Muita comida.
Reveillon com os amigos, na farra, quem sabe uma grande festa em algum lugar, muitos risos e fotos no Instagram. Muita bebida.
 
 
Eu pessoalmente, como tenho este estilo "family oriented", curto mais o Natal, com suas tradições e maneirismos familiares, curto festa cheia de criança e curto acolher e receber gente que eventualmente ia passar o natal sozinha. 
Já o Reveillon não me entusiasma muito... já passei vários sozinho (ou quase), sem nenhum trauma, pois não considero o dia 1 de janeiro como "o começo" de nada, e nem tenho hábito de fazer balanços e promessas!
 
Este ano foi exatamente como gosto, o natal em família - contando inclusive com a destoante presença de meu Cronos - com aquela bagunça italianada de distribuição de presentes, muita comida, crianças, um ambiente de muito amor. Foi o primeiro natal do Mr. Jay com nossa família, a acho que ele se divertiu muito - além de ter ganhado vários presentes, além de ter, com certeza, aprovado a comilança!! E nem parece ter ficado muito assustado com a bagunça que fazemos.
Mas também foi um momento de muita saudade de meus avós António e Maria, de minha tia Sônia, e de outras pessoas...
Já meu reveilon foi especial, meu primeiro com Mr. Jay, que me proporcionou um belo hotel a beira mar, champagne e, com certeza, ótima companhia! Á dois, bem entendido!
E a filha? Passou o reveillon no Sirena, com amigas... tirando muitas fotos! rsrsrsrs.
 
 
Sei que muitos homens e mulheres gays e lésbicas passam estas datas longe de suas famílias por não serem aceitos, ou se passam em família, não "devem" ou "podem" levar seus namorados e companheiros, o que é um saco!
Mas também sei que muita gente, por diversos outros motivos, também não vai poder estar com as pessoas que gostaria nesta data, ou por morarem distantes, ou por brigas em família que ninguém lembra mais onde começaram, ou até mesmo porque estas pessoas já se foram...
A todos mando meu abraço e um grande beijo!
 
E você curte mais o Natal ou a Passagem do Ano? Aliás, como foi seu natal e seu reveillon este ano?
 
 

4 de outubro de 2013

OK! Eu sou gay, e NÃO vou realizar o sonho de ter filhos!


se está chegando agora clique AQUI para entender o que estava acontecendo

Depois que eu fiz a minha tentativa, que percebi rapidamente que era totalmente desonesta comigo mesmo (e sacana com qualquer mulher), de estabelecer um relacionamento com uma mulher, casar e ter filhos, eu tive que me confrontar com uma outra consequência disto:
- Tenho que abrir mão dos meus sonhos de ser pai...
Pode parecer estranho falar isto hoje, uma vez que o número de gays que querem, e conseguem ter filhos, seja por adoção, seja por inseminação ou barriga de aluguel (até em novela), é muito grande e só cresce.
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:  
- OK, eu sou gay, meu desejo e minha orientação estão definidos, então eu tenho que aprender a viver com isto e ser feliz, e como eu não posso gestar uma criança sem estar casado, sem estar me relacionando com uma mulher, eu tenho que aceitar que não vou ter filhos! E eu posso ser feliz, tem tanta gente que não tem filhos! #só que não!

Então, eu resolvi tocar minha vida, procurar alguém legal para namorar, estabelecer um relacionamento duradouro, viajar bastante, trabalhar e crescer na carreira, me dedicar aos meus trabalhos voluntários,  cuidar da minha família (eu sou o irmão mais velho e na época eu nem sobrinhos tinha). E foi assim que eu fiz!
- Mas puxa vida! Eu queria tanto! 

Namorei bastante, alguns namoros longos, 2, 3 anos, e até via a possibilidade de morar junto, de construir coisas em comum. Mas aquela "pontinha" do desejo de ter filhos estava lá... tanto que eu tive uma segunda "recaída hétero",  (blame on me!) com uma garota que fazia pós graduação comigo na FAAP, mas o sentimento não pintou e eu acabei pulando fora muito antes da tentativa anterior.
E novamente pensei:
- É, realmente, não vai ter jeito, vou ter que me conformar de não realizar este desejo de ser pai!

E continuei tocando minha vida, morei fora um tempo, cresci na carreira, trabalhei bastante, fiz umas loucuras muito divertidas de amor, e para alguns caras que foram importantes na minha vida eu confessei meu desejo de ter filhos, e sempre concordávamos que era uma ideia "absurda" e "impossível de levar adiante".
E foram muitos anos deste jeito, até que ....
Até que, em junho de 1997 (Dori* não tem certeza!)  uma reportagem  do Ângelo Pereira, na revista SUI GENERIS mudou minha vida... mas este vai ser assunto de uma nova série de textos, se quiserem me acompanhar,  para falar sobre meu processo de adoção...ai começou outra fase da minha vida... 
Entrei com o processo de adoção, em 99 minha filha chegou, em 2002 conheci meu ex- marido, em 2012 nos separamos, este ano minha filha vai prestar vestibular para Economia...coisas que já venho contando desde que comecei o blog... em 2005.
O que eu queria com estes último textos, sobre minha vida, especialmente minha vida afetiva como Homem e Homossexual, era dar uma "atualizada" para começar a contar uma nova estória, com meu namorado -  Mr. Jay, que começou em sete de julho deste ano, e vai muito bem....

*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a  desmemoriada amiga do Pai do Nemo! 
Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!

E vc? Em que momento de sua vida está?