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28 de abril de 2017

A água sempre acha um caminho!

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Em arquitetura, em construção, dizemos que "a água sempre acha um caminho"... explicando: em qualquer projeto que se faça, sempre,  você tem que se lembrar da Água! ... se não lembrar que a água tem que escorrer, tem que fluir, tem que ser usada, precisa de um caminho,  amiguinho vai ter problemas. Pode ser a água da chuva, a do esgoto, a do banho, a do manancial natural que tem no seu terreno...
A água parada vai pesar, vai solapar telhados, e se infiltrar nas estruturas! a água represada vai procurar uma fresta, um desnível para ir para um nível mais baixo, contaminar e minar as fundações, a aguá represada quer gerar vida, plantas crescerão de sementes que não se sabe de onde vieram e vão forçar as estruturas,  fungos são plantas, musgos, o bolor corrói as estruturas... as fontes viram rios e cavam seu caminho através do solo! A tal da erosão!

De certa forma a vida é como a água não acha? Nossa vida precisa fluir, precisa achar seu caminho, precisa gerar algo... o apelo é inerente... a água fluir pode ser a sua carreira, pode ser cuidar de quem você ama, pode ser cuidar com esmero e dedicação do seu corpo, estudar algo que te interesse muito, viajar aprender, pode ser cuidar da sua saude, pode ser cuidar de sua solidão, do seu casamento, não existe, na minha opinião, nenhum jeito "errado" ou "pouco produtivo" de fazer sua vida fluir.

Só que muitas vezes não sabemos, não conseguimos descobrir, entender, por que caminhos nossa vida deve fluir, ou porque não conseguimos cumprir os objetivos que julgamos importantes, sem entender porque não conseguimos, ou ás vezes até sabemos os interesses da nossa água mas achamos que eles são menos válidos, não são importantes... a nossa água vital acaba erodindo lugares que não estamos atentos e aquele belo telhado cai porque a água passou por ele e se acumulou nas fundações...

Eu passei por isso, no começo da minha vida pensava que minha água tinha que ser usada no sucesso profissional, carreira, ganhar dinheiro, fazer algo significativo para o mundo, mudar o sistema, criar... mudar, reverter, subverter... E isso me gerava uma grande apreensão, angustia, frustração. Tive épocas que virei dias muitas vezes emendando compromissos de trabalho, de estudo, de entidades e grupos a que estava filiado e que iriam mudar o mundo... descuidando (ou fugindo) de mim mesmo... até que minha avó, uma mulher única em minha vida e que este mês teria completado 99 anos... Sem que eu pedisse, sem que eu nada perguntasse, mas presenciando esse meu processo, me disse uma vez:
"Você tem que cuidar mais de você, se você não cuidar de você, você não vai conseguir cuidar dos outros, se você não tiver seus confortos pessoais, sua saúde financeira, seu coração, seus amigos..."

E quão feliz eu fui em prestar atenção ao que ela disse... foi um ponto de mutação em minha vida, e poucas vezes temos esses pontos de mutação sem muita dor, sem perdas, fui muito sortudo. Mudei de trabalho, desmanchei a sociedade que tinha, me afastei de atividades paralelas excessivas (mas nunca abandonadas de vez), até parei a segunda faculdade que fazia na época (porque eu achava que nunca podia parar de estudar)... fui viajar, mochilei por quase 4 meses - e eu que era uma pessoa que não fazia nada sem mil planejamentos, que levava na mala desde repelente para tubarões até unguento para picada de escorpião, viajei só três camisetas na mochila... numa época sem celulares, computadores portáteis...
Uma vida com menos que procuro levar - sem tantos sucessos como gostaria - até hoje...

Percebi que a minha água flui, fica feliz, com a comunhão, com o outro, deixei de ser "gay" e de certa forma me tornei um "homem homossexual", que além de desejos tinha sonhos. Me permiti me apaixonar, me envolver, vivenciei isso, cuidei mais da minha alma tentando buscar uma forma de comunhão - um Deus dos Homens - que me acolhesse - pena que só encontrei igrejas de homens - mas tb encontrei esse meu Deus interior. 
Mais tarde me tornei pai, e vi um outro caminho da minha água fluir, e seus desvios, e seus frutos e suas ondas e erosões... aprendi a valorizar minha água... e ela continuou fluindo... relacionamentos, conquistas pessoais, novas descobertas, casamento...

E você, já encontrou o caminho da sua água vital? Por onde ela flui?


8 de outubro de 2015

Desafio - coming out day

Dia 11 de outubro, nos EUA, é celebrado o "dia de sair do armário". A ideia é que as pessoas possam discutir a questão da liberdade de expressão, da aceitação, da tolerância com relação a diversidade sexual
Mas porque é tão importante sair do armário, ou ao menos falar sobre isto?
Eu não tenho uma resposta única para isto, mas o que eu sinto é que sempre que temos alguma coisa não resolvida, não bem elaborada, dentro da gente, esta coisa começa a ocupar espaço, começa a tirar energias de outras atividades, começa a ficar bem maior que deveria ser. Não poder falar de nossas afetividades, de nossos sentimentos, acaba por nos trazer angústia, depressão, ansiedade... isto acontece, quando, por exemplo, estamos num trabalho cujo ambiente nos sufoca, ou numa atividade para a qual não nos sentimos preparados.
Eu sei que muita gente que passa por aqui ainda está em vários estados de aceitação, já conversamos sobre isto e muitos ja falaram sobre isto! Me parece que todos concordam que cada um tem seu tempo, sabe o momento certo de fazer isto. Sair do armário é um processo contínuo.  

Eu acredito que cada um que sai do armário, cada pequeno gesto, ajuda outros a saírem do armário, a cada pessoa, que tenha alguma proeminência, que sai do armário, abre-se uma nova possibilidade para outros. Quando a novela sai do armário, quando o telejornal sai do armário, quando um escritor, um ator, um jornalista, se assume, um novo exemplo positivo se mostra, uma brecha se abre nos armários. E não precisa ser "celebridade" para ser proeminente em nossas vidas, basta ser alguém que você conhece, basta ser alguém que tem contato com você, ou alguém que você mesmo admira.
Cada vez que saímos do armário ajudamos outros, ajudamos a ideia de mundo cheio de diversidade, mostramos que não somos só os estereótipos, mostramos que "somos muitos e estamos em todos os lugares". 
A campanha #MINHAFAMLIAEXISTE que foi uma reação ao famigerado estatuto da família, fez  justamente isto, mostrou que as famílias diversas são muitas, com muitos formatos e estão em todos os lugares. Pensando nisto eu queria propor um "desafio" a você! 

Eu te desafio a sair do armário neste fim de semana! Tô falando sério!
Eu não estou falando da grande saída, mas do pequeno gesto, do gesto que mostra que estamos aqui. Aquele gesto que quase passa desapercebido para a pessoa, tal naturalidade fazemos... recentemente eu fiz uma destas:
Lá no curso de História eu cumprimentei uma colega e ela falou:
- "que perfume gostoso você está usando"
E eu:
- " foi meu namorado que me deu" assim... com naturalidade, como qualquer cara hétero comentaria sobre um perfume que a namorada deu... o suficiente para mostrar que temos uma afetividade, que existimos...(*)

Para alguns talvez seja um desafio maior, então eu sugiro que faça isto com alguém que nem te conhece, dê um jeito de pontuar, de marcar nosso território... Se você já for um cara bem resolvido e assumido talvez você ache isto uma bobagem, um gesto desnecessário, mas lembre que vai fazer isto não só por você, mas principalmente pela ideia, para melhorar a sociedade, e a sociedade está precisando ser melhorada não é? Todo mundo pode mudar o mundo mudando um pedacinho..

Topa o desafio? Então vai lá e depois nos conta! Vou aguardar!
 

(*) lembrei que algumas semanas atrás eu fiz algo parecido... eu estava com minha filha numa loja, experimentando uma calça para ela, e depois da décima que ela experimentou a lojista disse:
- "o senhor tem muita paciência, normalmente os homens não tem paciência quando uma mulher experimenta roupas"
E eu
- " esta é a vantagem que ela tem de ter um pai gay"

24 de setembro de 2015

qual é a idade certa para SAIR DO ARMÁRIO?

No dia 20 de agosto, quando participei do encontro do Homopater, estava lá presente um estudante de jornalismo, um rapaz de 21 anos, que está escrevendo uma monografia sobre paternidade homossexual e quis conhecer o grupo. Este rapaz, na hora das apresentações, declarou que ainda estava no armário, que a família não sabia que ele era gay...
Pode parecer estranho terem perguntado isto para ele, mas esta questão é bastante presente num grupo de homens que, em sua maioria, foram casados com mulheres, tiveram filhos e em determinado momento tiveram que sair do armário - ou ainda estão pensando em sair... Em muitas das conversas, dos depoimentos, estes homens relatam suas angustias em relação ao processo de assumir-se e de assumir perante os outros...
Eu, que convivo um pouco com o trabalho do Projeto Purpurina, fiquei bastante surpreso que um jovem, visivelmente homossexual, estudante universitário, de um curso liberal como jornalismo, ainda estivesse no armário... achei isto tão "seculo XIX"... rsrsr
Ao final, nas despedidas, chamei o rapaz de lado e disse... "você viu a dificuldade que estes homens tiveram em sair do armário depois de "velhos"? viu o quanto eles sofreram? então faz um favor a você mesmo e ao seu futuro, saia do armário o quanto antes! você viu que todos eles relataram quanto a vida deles melhorou depois disto não viu? e se vc precisar de ajuda, precisar conversar, vc já viu que tem um grupo grande de amigos aqui no grupo!"
O rapaz sorriu e me deu um abraço...

Foi dai que veio esta minha reflexão sobre qual seria a idade certa...
Eu sei que a resposta correta, ou politicamente correta, para a pergunta "QUAL É A IDADE CERTA PARA SAIR DO ARMÁRIO?" é: "cada um deve definir isto em função da sua realidade, do meio em que vive, do seu momento, cada um sabe onde aperta o calo e sabe o que pode suportar em termos de consequências"
Mas a minha resposta, quando surge esta conversa, é : "o quanto antes, não espere muito pois a tal HORA CERTA nunca vai chegar, você sempre vai achar uma desculpa para postergar isto" , pois é nisto que eu acredito!

Talvez você ache que fui "intrometido" com relação ao rapaz, que eu não tinha nada que ter falado aquilo, que a vida é dele e que as decisões devem ser dele, aliás, vc pode até achar que eu não tinha "o direito" de fazer este tipo de comentário...
A luz de "princípios éticos" eu diria que você tem total razão... o livre arbítrio é importante... mas eu também penso que nós aprendemos uns com os outros, o ser humano é um ser social, aprendemos e construímos com a experiência do outro! Então, á luz dos princípios humanos, e com meu sangue de "´pai" sempre circulando nas veias, eu acho que minha postura pode ajudar... ou ao menos fazer pensar... para mim fica a sensação de "ter feito o que devia fazer" sabe? E eu sempre prefiro pecar pelo excesso que pela omissão...

Eu, que  comecei a sair do armário por volta de 20 anos, teria me beneficiado muito se tivesse encontrado algum "leading role" para me dar este empurrão, para me dar esta certeza de que as coisas iam ficar bem, iam melhorar, algo como o projeto IT GETS BETTER faz, trazendo depoimentos sobre vários processos de saída do armário... 

E você, qual a sua resposta para "QUAL É A MELHOR IDADE PARA SAIR DO ARMÁRIO"?


Resultado de imagem para i´m backsim sim... meus posts rarearam um pouco... mas é que eu estava viajando de férias... I´m Back! Did You Miss Me?

1 de julho de 2015

Fato Relevante ao Mercado

No mercado de ações existe o que se chama de "fato relevante ao mercado". Explicando: As empresas que tem ações  em bolsa são obrigadas a divulgar oficialmente quando estão planejando investimentos, mudanças de perfil, cortes, absorções e compras... As empresas tem que divulgar estas noticias para que os investidores no mercado de ações possam tomar suas decisões. Isto é lei e serve para combater o fluxo de "informações privilegiadas", o que já construiu algumas fortunas e levou alguns para a cadeia.
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Aqui em casa estamos num momento de decidir se divulgamos, ou não, alguns "fatos relevantes ao mercado", mas por um motivo triste:

Eu tenho uma empregada doméstica que trabalha comigo há 19 anos... temos uma historia de vida juntos, ela viu minha filha crescer, eu vi suas filhas crescerem, suas netas nascerem. Mas infelizmente, duas semanas atrás, o ônibus que ela estava se acidentou, ela caiu no chão, várias pessoas caíram por cima dela, ela desmaiou... acordou no hospital... Resumindo, ela teve um trauma na coluna, foi afastada por 60 dias pelo médico e provavelmente, segundo ele, terá que passar por uma cirurgia - esta semana estive com ela e ela chorava de dor cada vez que meu carro passava num mínimo buraco, eu fiquei condoído pois ela, há muito tempo, não é apenas minha "empregada", apesar de eu nunca usar os eufemismos de "ajudante" e "secretária"... por sorte o marido dela tem um bom convênio.

Em função do quadro clínico dela, eu antevi que, se voltar a trabalhar, vai demorar muito tempo, pois ela tem 55 anos, tem um perfil poli queixoso e eu sei que coluna não se "conserta" facilmente... então a decisão foi contratar uma nova empregada... 
Foi ai que o Mr. Jay colocou uma questão - "Como você vai falar para a empregada nova que você é gay?" ...OOPS! Eu não tinha pensado nisto!  Veja que ele não perguntou SE eu ia contar, mas apenas COMO, porque ela não saber não é uma alternativa possível!

A minha empregada foi acompanhando minha vida, tecnicamente eu nunca "contei" para ela... ela viu os namorados que apareceram na minha vida nestes anos - nem todos rsrsrsrs - mas ela via eles dormindo na minha cama, ela via eu sentado no sofá com eles vendo tv, eu me preocupando em fazer comidas que eles gostavam,  e até mesmo acompanhou o meu "casamento" e o fim dele... O Mr. Jay tinha ascendência sobre ela, ela cuidava das roupas de trabalho dele, e eu até chamava ele de "patrãozinho" quando me referia a ele na frente dela. Mas, de verdade, eu nunca disse que era gay... Lá vou eu sair do armário de novo! E eu falei disso há tão poucos dias!

Eu então resolvi adotar a estratégia "gato subiu no telhado" e informar de maneira homeopática... por vários motivos:
Primeiro porque eu não sou SOMENTE gay, eu TAMBÉM sou gay... eu sou homem, eu sou empresario, sou gordinho, sou pai, sou simpático, sou atencioso, sou uma boa pessoa E sou gay! É nisto que eu credito, é isto que defendo sempre quando falo para as pessoas saírem do armário.
Segundo porque eu imaginei que esta futura empregada talvez nunca tivesse tido contato direto com um homossexual, ou talvez só conhecesse aqueles da novela, como o CRÔ ou o FELIX e, se uma das primeiras informações que ela tivesse sobre mim fosse o fato de eu ser homossexual, poderíamos perder a chance de mostrar para ela que existem outros tipos de gays.
Terceiro porque eu levei em conta a questão religiosa, dependendo da cultura dela, do meio em que vive, a questão da homofobia poderia estar mais presente, e de novo, eu perderia a chance de "mudar um pouquinho a visão dela de mundo" se ela tivesse a chance de imergir em outra realidade...
Pensando nisto pus a minha estratégia em prática...

E você? Acha melhor contar na lata? Ou deixaria ela descobrir aos poucos?



23 de junho de 2015

Já saiu hoje?

Para todo homossexual, masculino ou feminino, gay ou lésbica, existe um certo "momento de mutação" que é quando ele assume que é gay para uma pessoa. Podem falar o que for, a principio as pessoas sempre assumem que determinada pessoa é heterossexual e quando tem a confirmação que ela é homossexual, especialmente quando esta confirmação vem da própria pessoa, há um certo momento de "estranhamento". 
Quem é legal, quem é gente boa, se adapta facilmente a nova informação, os homofóbicos, mesmo que inconscientes, sempre tem dificuldade em lidar com a informação, acabam soltando alguma pérola do tipo "eu também tenho um amigo gay que preciso te apresentar" ou "você nem parece" ou ainda o fatal "que desperdício"...
Acho que de certa forma o mesmo acontece com héteros em ambientes gays, é difícil aquele rapaz que esta com amigas na boate gay não ser tido automaticamente como gay, neste momento é ele que tem que sair do armário para os outros ao redor... e ainda vai encontrar uns olhares enviesados...dos gays que acham que "a coca é fanta"...
Aos poucos a gente vai se acostumando a "sair do armário"...Você começa testando este seu "poder" de assumir-se, a sua segurança de "ser quem é" aos poucos, com conhecidos, com médicos, muitas vezes sem nem ter necessidade, apenas para testar - e se divertir - com a reação das pessoas... até que chega aquele momento que você nem lembra mais de fazer isto, você não lembra quem já sabe e quem não sabe...
Mas "sair do armário" mesmo para os mais desencanados, continua sendo uma momento chave na minha opinião.

Eu pessoalmente já estou na fase de me divertir com o assunto, me divertir com a reação das pessoas... E, de certa forma, como muitos, eu encaro isto como uma certa militância.... para marcar nosso território e mostrar que somos muitos e estamos em muitos lugares... Eu sinto, de coração, que quando eu saio do armário para as pessoas eu estou (humildemente) pavimentando o caminho para outros... 

Talvez aquele cara que me vendeu o novo sofá, que me viu junto com Mr Jay, usando alianças, discutindo como um casal a cor e o modelo do sofá, tenha um filho gay que ainda está no armário e que quando este filho se revelar ele vai tb lembrar de outras referencias além da Drag Queen caricata...
Talvez quando minha filha conta para os amigos que o pai dela é gay, e quando alguns me conhecem pessoalmente, eles sejam menos opressivos com seus colegas que parecem, e com os que são, gays e lésbicas...
Talvez quando eu abertamente falo para meus "colegas" de faculdade que "meu namoradÔÔÔ" está viajando, eu dê uma pequena chance deles tb poderem falar de suas particularidades
Talvez aquela pessoa que estava sentada a nosso lado no cinema, que viu quando tiramos o braço da cadeira e o Mr. Jay deitou no meu ombro durante o filme pense que nosso amor é valido como todos os outros, e eventualmente pode passar a olhar aquele colega de trabalho de outra forma...
Talvez sim, talvez não,  mas pelo sim, ou pelo não, eu sinto que estou fazendo minha parte...

E você? Já saiu (do armário) hoje? Para você este também é um ato político?

21 de maio de 2015

Não é bem assim...

Choque / Negação / Raiva / Culpa

Meditação / Medicação / Alívio / Grace e Frankie


Nas últimas semanas muito se falou do lançamento da nova série da Netflix,  Grace and Frankie. A sinopse me deixou curioso, pois falava das agruras de duas esposas quando seus maridos saem do armário.
Como é um assunto com o qual convivo, pois conheço muitos homens que viveram relacionamentos com mulheres, em longos casamentos, e que depois saíram do armário, fiquei acompanhando o lançamento 
Os cartazes de divulgação (acima) também davam conta que iam ser abordados os temas relacionados a isto. O choque das esposas, a raiva e a negação, os caminhos que adotam para superar isto, o alivio e a culpa dos ex maridos, coisas que estes amigos do grupo HOMOPATER sempre relatam.
Mas...uó uó uó... que decepção!
Elas, e os filhos, e os amigos, superam tudo rapidamente... no segundo episódio da série já está quase tudo resolvido... sem brigas por patrimônio na separação, sem filhos revoltados, sem crises no trabalho ... no terceiro episódio a esposa já está indo a luta para conseguir um namorado... só piadinhas e comentários politicamente corretos... tudo muito civilizado.
Não querendo ser spoiler, eu fiquei abismado porque os caras trabalham juntos há vinte anos e não teve NENHUMA cena no trabalho, nada, parece que os funcionários, os clientes, todo mundo achou super tranquilo. E um escritório de advocacia é um lugar tradicional tanto aqui quanto na Philadelphia, que o diga Andrew Beckett. 

Estou no episódio 8 e não estou animado a ir até o 13... que é o último... Na realidade só penso em insistir porque a atuação da Jane Fonda e da Lily Tomlin (que também são as produtoras da série) estão ótimas, especialmente a tresloucada Frankie.

Eu até entendo, e aceito, que eles não tenham nenhum compromisso com a militância, e que nem tem obrigação disto, sei que é uma série americana cujo objetivo é divertir, fazer rir, mas ela é tão desconectada com a realidade - mesmo com a realidade americana - fazendo um esforço tão grande de fazer parecer que tudo é "normal" e "natural" que tira totalmente a emoção, fica vazia... sem graça ...na minha opinião só pela força da Nossa Senhora do Laquê que a Jane Fonda venha a invocar vai ter uma segunda temporada...
Acho que se eles mostrassem um pouco mais da verdade, das emoções conflitantes, acho que ia emplacar melhor, mesmo sem tirar o humor! Ao invés de insistirem no tema que "quem não aceita é que está errado"...

Será que estou sendo muito RANZINZA? Você assistiu? O que achou?


23 de junho de 2014

Ainda sobre o armário...

Achei este vídeo da PORTA DOS FUNDOS que fala justamente sobre o assunto, de uma maneira totalmente "nonsense" como é de praxe!

Detalhes que julgo hilarios: O pai dela e a arrumação em ordem de cores do armário!

Gostou?

19 de junho de 2014

A vantagem do armário!



É natural que os homens gays se vistam bem! 
Não passamos todo aquele tempo dentro do armário sem fazer nada!

16 de junho de 2014

DIA DOS NAMORADOS... dentro do armário!

Meu dia dos namorados foi bem tranquilo, resolvemos (na realidade eu resolvi!) comemorar no dia 11 de junho porque imaginava que no dia 12, em função do jogo, ia estar bem confuso e que depois do jogo e da cerveja não ia rolar sair para um jantarzinho romântico... e mesmo eu não ligando muito para estas datas sempre é bom um pretexto para ficar junto.
Fomos a um  restaurante nos jardins que já estava devidamente preparado para o dia dos namorados antecipado, rosas nas mesas, velas, cardápio especial... pena que me chateei logo de cara... quando chegamos percebi que todas as mesas que tinham casais (segunda a definição defendida pelos homofóbicos, aquele formado por um homem e uma mulher) .. quando o casal sentava  o garçon vinha e acendia a velinha da mesa... mas na nossa ele não acendeu. ...
Não acho que o garçon esqueceu, pois ele acendeu de outras mesas, nem que ele não se tocou que éramos um casal, pois usamos alianças de compromisso, além disto, no bairro dos Jardins, em SP, a comunidade gay é bastante visível e todos os estabelecimentos devem estar abertos a servi-los sob pena de fecharem.  Vou supor que ele não quis “dar um fora” inferindo que éramos um casal ou que, hipótese mais razoável, ele não quis dar seu “aval” ao casal gay e não fez a gentileza protocolar de acender a velinha.
Como era dia de romantismo e não de stress, e como meu namorado não percebeu,  eu guardei no bolso  a frase “pode acender a velinha para nós também porque somos um casal” e resolvi marcar o território de maneira mais visível, chegando bem pertinho do Mr. Jay, com bastante chamego e conversinhas de pé de ouvido... ( e na sexta feira mandei um email para o restaurante relatando meu desconforto – para alivio de minha persona militante)

Mas a minha reflexão sobre o dia dos namorados vem a partir da minha participação no encontro do Grupo HOMOPATER (veja abaixo) no dia 7 de junho.
Um denominador, que eu percebo bastante comum para estes homens, que foram ou são casados com mulheres,  é que sua decisão em assumir uma identidade homossexual toma força não a partir do fato deles perceberem que sentem prazer em transar com outro homem, mas a partir do ponto em que eles se descobrem envolvidos emocionalmente com outro homem, ou seja, quando se reconhecem como homoafetivos.  E comigo não acho que foi diferente. Tornar-se gay é estar enamorado.
Ou seja, além de estarem no armário eles passam a viver um relacionamento no armário. E ai “a merda atinge o ventilador”, pois ter um lance eventual, seja com um homem ou mulher,  é fácil de disfarçar, agora ter alguém com quem você gosta de estar, de conversar, é muito mais difícil de equacionar, é muito complicado montar toda a logística de desculpas e mentiras coerentes. E some a isto o fato de que,  para a maioria, o sentimento de estar traindo a companheira com quem construiu uma vida em comum, a mãe dos filhos, é muito desgastante, pois são pessoas corretas em suas vidas, com princípios... E de certa forma eles também fazem sofrer seus novos companheiros, especialmente se para estes as portas do armário não estiverem tão fechadas.
Dá para imaginar a energia psíquica que isto drena das pessoas? Eu percebo isto claramente quando participo destas reuniões, e cada vez que eu consigo ter empatia por estas pessoas eu sinto que cresço como pessoa.

Só para contar rapidamente, sem quebrar o sigilo que é fundamental para que este grupo possa existir, nesta semana haviam duas estórias que me fizeram desembocar nesta reflexão sobre namoros no armário:
 Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos,  que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro  - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Belas estórias de vida que me fazem valorizar ainda mais minhas conquistas e ser solidário a estes homens que estão buscando a felicidade!
E você, já teve um relacionamento NO ARMÁRIO? Como era viver esta dualidade?
 
SOBRE O HOMOPATER: o Grupo HOMOPATER coordenado pela psicóloga Vera Moris, reúne Homens, em sua maioria Pais, que viveram realidades heterossexuais até um certo ponto de suas vidas e que perceberam que o caminho para a felicidade passava pela homoafetividade.Se você tem interesse em participar entre em contato com a Vera, no email vemoris@uol.com.br , agora neste sábado o Grupo vai fazer um encontro, quem sabe você consegue ir!
 

22 de novembro de 2013

Encontro para falar sobre REVELAÇÃO PARA OS FILHOS

Dica para quem tem filhos (ou quer ter filhos) e não sabe como abordar a questão da sexualidade com os filhos.

No dia 23 de novembro, sábado, a psicóloga Vera Moris, fundadora do Grupo HOMOPATER, vai coordenar uma reunião que tem como tema a  REVELAÇÃO PARA OS FILHOS, onde ela vai falar sobre a pesquisa do doutorado dela, finalizada em 2007, e fazer um levantamento da situação e dos desdobramentos ao longo deste tempo.


Se você tem interesse em saber mais sobre o assunto, ou de participar da reunião, entre em contato com a Vera pelo email vemoris@uol.com.br



É uma excelente oportunidade de trocar experiências e conversar sobre assuntos sérios!

30 de março de 2011

" Isto não é uma preferência, não foi uma decisão que tomei. Nasci assim. Não pense que ontem eu fui de um jeito e agora decidir ser isso"

ricky martin, em entrevista á revista veja, janeiro 2011

31 de janeiro de 2011

"DURANTE ANOS SENTI MEDO, MAS ELE EXISTIA APENAS EM MINHA CABEÇA"

Ricky Martin, em entrevista a revista veja, falando sobre sua "saida do armário", janeiro 2011

14 de junho de 2005

a Mãe que sai do armário

Hoje uma amiga minha, a Tati, "saiu do armário para seu filho", teve "A" conversa com ele! Pelo que ela me contou a conversa não foi nenhuma surpresa para o filho, que se limitou a perguntar se a namorada dela seria sua madrasta...
Mas a minha amiga devia estar muito assustada, muito ansiosa, para que a conversa acabasse logo, depois vou pedir para ela que faça um resumo da conversa e das sensações...
Para a maioria dos homossexuais que não pretendem ter filhos esta é uma hipotese remota e talvez assustadora, como muitas vezes é assutador sair do armário para qualquer um.
Muitos inclusive pensam que este é um dos impedimentos para que um homossexual ou um casal homossexual, tenha filhos, imaginar as dificuldades que estes filhos enfrentariam na sociedade por terem dois pais ou duas mães, preconceito, o sofrimento...e simpelsmente desistem da ideia de ter filhos.

Mas porque contar? Porque não deixar a criança descobrir por si só? Assim ela fica mais tempo sem sofrer...(aliás, este é o mesmo argumento quando decidimos não contar para nossos pais, nossas mães...)
Meu argumento, e que parece ter ajudado a Tati, foi de que a verdade é o unico caminho, deixar nosso filho descobrir isto com um amiguinho ou com algum parente preconceituoso e ter que se deparar com a pergunta: "Pai , meu amigo falou que você é viado, isto é verdade?" deve ser bem pior não é?

Então minha reflexão é que os pais e mães homoafetivos é que devem trazer esta refelexão para a família, devem abordar este assunto, se possível aos poucos, mostrando as diferenças entre as pessoas, os exemplos em livros, novelas e filmes; se achar um livrinho, otimo, se não achar invente vc mesmo as estorias que mostrem as diferneças, os amores proibidos que sempre saem vencedores...

Não espere o momento que vc achar que ele está suficientemente maduro para ter "A" conversa, quando chegar la´vc já vai ter se escondido e mentido muito para sua criança, sobre a "tia" sempre presente ou aquele super "amigo" com quem o papai viaja sempre...
Não queremso que nossos filhos sofram, não queremos magoá-los e a melhro maneira de faazer isto é termos a verdade de nosso lado não acham?
E vc? pretende ter filhos? Já conversou com eles sobre isto?