Vários dos amigos e amigas que costumam ler "estas mal traçadas linhas", questionaram sobre a ausência de um post especal no dia dos pais...
É verdade, e eu mesmo me espantei de ter deixado passar a data sem um texto especial, normalmente com lindas fotos de pais e filhos...me espantei porque nem percebi isto.
O que não significa, em absoluto, que minha vivência como pai tenha se tornado desinteressante, pelo contrário, acho que o fato de minha filha estar crescendo, me faz mais e mais acreditar na idéia de ser pai, e perceber o quanto ela me fez querer ser uma pessoa melhor. A cada dia minha relação com ela se fortalece e percebo claramente os laços que estou criando, ou tentando criar, com a Mulher que ela vai ser.
Mas este ano foi significativo em minha vivência como FILHO.
Sempre tive uma relação muito dificil com meu pai, e sempre , de certa forma, atribui isto ao fato de eu não ser o "filho que ele esperava", pois sempre fui muito mais quieto, pouco ligado em esportes e outras "masculinidades", mais emocional. De certa forma eu sempre entendi, ou aceitei, que nossa relação era ruim por "culpa" minha, por eu ser sempre, desde pequeno, meio "viadinho".
E isto foi realmente sempre muito pesado para mim, como sei que é para muitos homens homossexuais. Mas, assumindo minha responsabilidade sobre as atitudes dele como sendo minha culpa, e sempre bombardeado por frases como - "ele te ama , mas não demonstra pois é o jeito dele", eu acabei me conformando com receber muito pouco como filho. (além das questões materiais, que tenho que confessar nunca faltou).
Mas este ano as coisas mudaram um pouco, as questões familiares e patrimoniais se estressaram um pouco, e minha terapia me fez ver muitas coisas que estavam nubladas, e acabei convoncando minha mãe para um almoço, uma conversa, que começou com a seguinte frase:
- Mãe, por que o papai de odeia tanto?E foi ai, após um susto inicial de minha mãe, uma clássica "mãe italiana de familia sempre feliz", que descobri que o problema da relação com meu pai não fui eu quem criou, com minha "viadagem". Ela me disse que de certa forma, desde que eu nasci, meu pai me ignorou, me desprezou. Ela achou que era porque eu era o primeiro filho, que roubei o tempo que ela tinha para ele, mas percebeu que isto tb aconteceu com meus irmaõs, mesmo que em menor escala.
Ele não era um pai ausente por falta e tempo, ele era distante por que de certa forma os filhos reprensentavam uma ameaça (tem até uns lances de mitologia, cronos e os filhos, que dá para ajudar a entender).
Vou contar para vocês, isto foi libertador, descobrir, depois de 40 e tantos anos, que você não fez nada errado, que todas as suas tentativas de aproximação não funcionaram , não porque você é gay, mas porque ele não queria se aproximar... é algo que tira um peso e tanto. Dá para imaginar?
Todas aquelas conversas, que eu precisava ouvir, todo o apoi oporfissional que eu precisava ter..cara, foi muito pesado.
Olha, se você sente algo parecido com seu pai, pense bem, talvez você não tenha feito nada errado, tenho certeza, tente descobrir onde esta relação entre vocês se deteriorou, e se precisar, pergunte, chame ele ou sua mãe para uma conversa, talvez muito de seu sofrimento como filho não tenha razão de ser.
Já pensou nisto?
Talvez por isto o dia dos pais tenha sido meio diferente, não como pai, mas como filho, e por isto tenha faltado um post...sorry