Exercitar sua capacidade de se colocar no lugar do outro ok?
Então você vai ter que se imaginar Homem, Homossexual e Pai de uma adolescente de 17 anos. Se quiser eu espero um minuto! Respira fundo! rsrsrsr
Uma coisa que sempre disse para mim era que eu estava criando não minha filha, mas uma pessoa para o mundo!
Eu realmente acredito que, de certa forma, as pessoas nascem prontas, e que Deus coloca as pessoas nas famílias que ele acha importantes para depurar as qualidades destas pessoas e para melhorar as famílias em que são postas, acredito mesmo que os filhos são apenas "emprestados" a seus pais e mães.... E pelo pouco que conheço eu sei que várias religiões e doutrinas - budismo, espiritismo por exemplo - falam algo parecido.
Eu sempre disse, e ainda digo, que eu queria que minha filha namorasse bastante antes de casar, eu não queria que ela se apaixonasse e casasse com o namoradinho de infância, eu queria que ela vivesse experiências diferentes, que ela pudesse ter condições de fazer escolhas melhores!
Sei que isto pode parecer estranho a pais de meninas, que não querem ver suas filhas "passando de mão em mão" e nem serem "mal faladas". E mais estranho ainda aos que acham que suas filhas devem "se preservar e casar virgens".
Mas é assim que eu penso! Eu acho que a pessoa ter várias experiências, no que quer que seja, garante que ela possa fazer escolhas melhores. E isto não significa que eu quero que minha filha seja uma "piranha" ou "vaca", como diriam outros. Isto é pensar como educador, é preparar nossos filhos para a vida, para tomarem suas decisões e arcarem com as consequências.
Namorar pessoas diferentes, ficar com alguns meninos ao longo da vida, não significa transar com eles, significa saber lidar com eles, e, inclusive, saber dizer não! E também significa entender o machismo inerente aos sapiens sapiens . Lembrando que existem homens e mulheres machistas!
Infelizmente sou obrigado a confessar que eu mesmo tenho muitos traços machistas, sorry amigas! Eu tenho que sempre me treinar e me preocupar em não pensar que as mulheres não tem certas capacidades e habilidades, mesmo quando eu digo "as mulheres são mais exigentes e cumprem melhor as normas" eu estou embutindo uma crença paralela de que "mulheres são menos flexíveis e criativas". Um horror não é? Mas confessar e me preocupar em mudar meu pensamento significa tentar melhorar um pouco isto... espero!
Mas isto não significa que sou misógino, amo as mulheres, amo muitas das qualidades e dos aparentes defeitos delas, afinal de contas, nossos "defeitos" também nos definem! Como gay sei que meu lado mulher é bem dominante em muitos aspectos. Amo tanto as mulheres que escolhi ter uma filha mulher!
Eu ser machista, sendo gay, o que parece um paradoxo, serve apenas para corroborar que o machismo não é uma prerrogativa do gênero, e explica porque existem tantas mulheres machistas, que são as mulheres que criam filhos machistas!
Chegar neste pensamento, nesta crença, de que minha filha deve conhecer melhor os homens, já me parece um trabalho no sentido de combater meu machismo, em que só o homem pode ser "pegador", se bem que na realidade eu não acredito que ser "pegador" seja um elogio....
Mas será que "querer que ela namore bastante" e "antes de casar" não são nuances machistas?
Combater meu machismo significa que eu tenho que acreditar que as mulheres, e especialmente a mini-mulher que eu tenho lá em casa, tem todas as capacidades que os homens tem, que elas podem decidir e fazer o que bem entendem, que elas podem ser e querer qualquer coisa.
Combater meu machismo é aceitar que "querer casar e ter filhos" é um valor tão importante e válido quanto qualquer outro. E que eu não tenho que achar uma "pena" minhas amigas terem decidido não terem carreiras profissionais.
Mas o machismo está tão "instalado" dentro de todos nós que não é uma tarefe fácil!
E você? quanto machista você é?
Para finalizar o post eu sugiro assistir este vídeo! Musica que fala de "coisas de homem", um grande sucesso de uma banda...de gays!
Este post foi inspirado por uma dica que a Maira publicou no blog NOSSA FAMILIA COLORIDA, fazendo referência a um texto de Miguel Rios, publicado no UOL.
