11 de abril de 2016

the mother-in-law ( Parte 2 )

Esta história começa AQUI, melhor ler antes para entender o assunto.



No dia seguinte, eu entro em contato com Mr. Jay para ver como estavam as coisas, ver se ele já tinha enfrentado "as feras" e saber se estava bem:





Imaginem minha surpresa! A mulher que algum tempo antes disse que nunca mais viria para São Paulo porque o filho ia se casar, de repente estava saindo com ele para distribuir convites do casamento? Como diria o português: "o mundo deu um giro de 360 graus"!
Como eu sabia que ele estaria com ela no carro não pude ligar imediatamente para entender o que estava acontecendo... mas enviei "ordens expressas" (kkkk) para que ele me ligasse assim que possível. Quando ele finalmente me ligou, lá no fim do dia!!!! Me contou o que aconteceu:

Ele chegou, dormiu, e no dia seguinte, logo pela manhã, entregou o convite para eles, mas já dizendo algo como: "- Eu sei que vocês provavelmente não irão mas eu queria convidar vocês".  Ao que a mãe, para estupefato dele, respondeu "- Nós vamos sim, se seu pai não puder ir eu vou sozinha!"
Eu infiro que corri o risco de ficar viúvo antes de casar, pois imagino que o coração do Mr. Jay deve ter dado uma paradinha neste momento! Mas ele nem questionou... 
E não bastasse isso ela ainda foi rodar a cidade com ele distribuindo convites para os amigos e parentes, ou seja, de certa forma dando seu aval e mostrando a todos que estava apoiando a situação. O que é um passo a mais além da aceitação,  na minha opinião.
Minha primeira hipótese foi uma ação orquestrada pelo irmão mais velho dele e pela cunhada, a mãe deles havia passado vários dias com eles. Meu namorado ligou para o irmão: "Você conversou alguma coisa com a mamãe sobre meu casamento?" E o irmão do outro lado da linha "Porque? Aconteceu algo?"
Quando o Mr. Jay contou para o irmão a súbita mudança de atitude da mãe o irmão relaxou "UFA! Ainda bem, nós conversamos MUITO com ela aqui , mas ficamos quietos e nem te falamos, porque se ela não mudasse de opinião você não ficaria bravo com a gente"
Ou seja, o irmão dele, mesmo sem meu namorado ter pedido, ajudou a resolver esta situação, tomou a iniciativa mesmo se arriscando a ter alguém bravo com ele. Mas o Mr. Jay também acha que o gelo que ele deu na mãe nos últimos meses, e que talvez fez ela pensar que poderia perde-lo para sempre, deve também ter tido um peso na decisão dela. 

A situação mudou tanto, tanto, que - pasmem - a mãe do Mr. Jay veio passar o feriado da páscoa em nossa casa! Super solicita, cordata, simpática, ficou super amiga da minha filha (agora toda vez que se falam pergunta dela), Foi jantar na casa da minha mãe na quarta, fizemos uma bacalhoada na sexta para uns amigos... tudo na mais pacifica e civilizada convivência...coisa que eu, pelo histórico que conhecia, não imaginaria  que aconteceria um dia. E lembra que falei do bom filho? Neste dias ele foi lá e comprou um Smartphone para ela...

Contando tudo isso para minha amiga Vera Moris ela pensa numa outra coisa. Ela acha que a legalização das uniões, com aval do Estado, através de cartórios, com registros oficiais, muda tudo. O que antes era uma coisa escondida, sem nome, ou com nomes alternativos (como união civil, contrato de parceria) agora tem um nome, casamento civil, um nome igual ao nome que todos carregam em suas certidões. E contra isto, contra o Estado, a Lei, fica mais difícil se debater, dizer que não é válido, que não aceita. Talvez por isso, em inglês, o equivalente a sogra é "mother-in-law", mãe-pela-lei (numa tradução livrissima). Ou seja, a mãe do Mr. Jay se torna minha mãe pela lei, queira ela ou não! Somos parentes!  E a minha sogra ainda tem o cabelo parecido com o da Jane Fonda, neste filme!
Que lição tirar desta história?  Eu diria que as pessoas estão dispostas a mudar, elas podem mudar, e talvez elas só precisem de uma chance! O amor, acha um caminho!


E com você? Já passou por uma situação em que a pessoa mudou subitamente de ideia? Em que você deu o primeiro passo e veio um resultado diferente do que esperava?


5 de abril de 2016

the mother-in-law

Uma das questões que se apresentou, quando começamos a pensar em casar, era a minha sogra! 

Os pais do Mr. Jay, que moram no interior de Minas, nunca lidaram bem - traduza por ACEITARAM - o fato dele ser homossexual. Ele assumiu-se ainda adolescente, e os pais tiveram reações bem extremadas, desde tentarem curá-lo através da religião e de psicólogos, até isolarem e expulsarem ele de casa. Um roteiro que é seguido - de forma até compreensível (mas não aceitável) - por muitos pais e mães de jovens gays quando estes se revelam ou são descobertos.

Quando conheci o Mr. Jay, três anos atrás, eles estavam num estágio de convivência em que o fato dele ser gay, e tudo relacionado a isso, era um assunto para não ser falado. Eles vinham beeeem eventualmente visitar ele em São Paulo e ele ia para a casa deles em Minas passar uns dias a cada ano, nas festas de fim de ano, mas havia este acordo implícito: "don´t ask, don´t tell".
Eu sequer conhecia os pais dele. Até mesmo quando fui para Minas, num fim de semana em que ele foi padrinho no casamento de uma amiga, não os encontrei, embora eles soubessem que o filho- e o namorado do filho - estavam na cidade, já que visitamos outros parentes do Mr. Jay.

Cabe ressaltar que, apesar dos pesares, meu futuro marido é um bom filho, ligava para a mãe duas ou três vezes por semana, conversavam amenidades, falavam sobre a família, ele deixava ela falar das coisas dela... Além disso, sempre que ele ficava sabendo que precisavam de algo, ou até mesmo quando ele ia lá e via que podia melhorar algo na casa deles, ele tomava a atitude de fazê-lo. No período que o conheço ele já comprou um maquina de lavar roupas nova para a mãe, já trocou o telefone sem fio deles, pagou viagens, e várias outras coisas...

Quando falamos seriamente em nos casar eu perguntei para o Mr. Jay - "Como você vai fazer com seus pais?" - A princípio ele disse que não ia nem convidar eles, que já sabia qual seria a reação e que não estava com vontade de passar por esta situação. Eu argumentei que ele precisava ao menos convidá-los, e a decisão de não vir é que deveria ser deles.
Logo depois dessa conversa os pais dele vieram para São Paulo, iam se hospedar na casa dele por uma noite pois iriam tomar um voo para uma viagem de férias no dia seguinte, com passagens compradas pelo já citado "bom filho". Meu namorado resolver então romper o acordo implícito de não se falar do assunto e tentou explicar para eles que ele iria se casar e que provavelmente, da próxima vez que viessem a São Paulo, eles iriam se hospedar na casa que dividiríamos... eles se mostraram desgostosos com o assunto e o comentário da mãe dele foi:
"- Então não teremos mais onde nos hospedarmos quando viermos a São Paulo"

Resultado de imagem para bad parentsNão é preciso dizer o quão triste ele ficou com a reação da mãe, embora afirmasse que a reação era o que ele previa, registrou o "baque", tanto que a partir daí deixou de ligar para a mãe com frequência e ficou os últimos 4 meses sem fazer uma ligação sequer. Reação similar á dos pais, eles se distanciaram muito. Para mim era difícil sequer emitir uma opinião sobre o assunto, mas eu sabia que eles fizeram meu Mr. Jay sofrer no passado, por estes fatos, e outros que presenciei, eu tinha uma imagem negativa  deles... mas nunca externava isso, sempre estive do lado do meu Jay nestas situações, mas nunca achei justo colocar mais lenha na fogueira...sempre tive em mim a certeza que este assunto se resolveria - provavelmente uma certeza fruto da experiência da minha querida amiga Edith Modesto com seus jovens do Purpurina - eu, como ela, sei que o amor acha um caminho!

Quando começamos a fazer a lista dos convidados, e a preencher os convites, a primeira reação dele foi de sequer querer fazer convites em nome dos pais, mas argumentei mais uma vez que ele deveria fazer a parte dele, que era comunicar e convidar, que isto no futuro o deixaria tranquilo de ter dado o primeiro passo. Argumentei que se ele já sabia qual seria a reação dos pais isto não  o magoaria mais. E ele sabe que se eles falassem alguma outra bobagem eu estarei do lado dele.

Até que chegou o dia dele ir até Minas entregar os convites... 
Clique AQUI pra ver a contiuação!


E você? como seus pais lidam com sua homossexualidade? É assunto proibido?







22 de março de 2016

Não transforme meu prazer em obrigação!

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Eu sou uma pessoa ligada no que poderíamos chamar de "obrigações". Tenho um senso de necessidade que via de regra supera meu senso de vontade, quando minha filha era pequena - e até hoje - eu sempre dizia que existiam sempre três tipos de coisas a fazer, e isto em grande parte resume o que penso:

"Existem as coisas que TEMOS que fazer, as coisas que PODEMOS fazer e as coisas que QUEREMOS fazer. Nem sempre as coisas que QUEREMOS fazer nós PODEMOS fazer, muitas vezes as coisas que PODEMOS fazer nós não TEMOS que fazer e normalmente as coisas que TEMOS que fazer nós não QUEREMOS fazer."

Há não muito tempo atrás o meu senso de PRECISAR fazer as coisas estava profundamente atrelado ao meu entendimento de que isto faria com que as pessoas gostassem mais de mim, Eu fazia não porque aquilo PRECISAVA ser feito, ou porque eu QUERIA fazer, eu fazia para ser "simpático", eu fazia para que GOSTASSEM de mim. 
Os exemplos são fartos: Eu deixava de sair com meus amigos porque o "ex" não queria sair, ou pior, dizia sentir ciúmes e não gostar de meu amigos; Eu levantava de madrugada par levar ou buscar em festinhas e baladas, mesmo podendo mandar um táxi fazer isso; Eu, mesmo chegando exausto em casa, ia para a cozinha preparar o jantar,  mesmo com a pessoa tendo ficado o dia todo em casa.. e por ai vai...
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Verdadeiramente eu nem percebia como aquelas atitudes, que eu considerava "amor e dedicação", tinham um impacto negativo sobre mim. Eu não conseguia perceber que no fundo eu considerava aquilo obrigações e não gostava daquilo. Eu não aceitava que eu fazia aquilo para que as pessoas gostassem de mim, para de certa forma "segurar" as pessoas, eu sempre dizia que eu fazia aquelas coisas com o "máximo" prazer. Mas, com um pouco de ajuda e muita percepção, eu acabei percebendo que isto não era verdade, eu aprendi que eu não sou, e não preciso ser, uma Polyana, fazendo o JOGO DO CONTENTE o tempo todo para que as pessoas gostem de mim. Eu aprendi a separar as coisas que eu TENHO que fazer das coisas que QUERO fazer e das coisas que GOSTO de fazer.

Resultado de imagem para fazer com satisfaçãoIsto não quer dizer que, como todo mundo, a grande maioria das coisas que eu faço eu GOSTE de fazer, a maioria das coisas simplesmente PRECISAM ser feitas. Mas eu passei a ter uma percepção muito mais aguçada do que me dá satisfação de verdade. Se eu chegar em casa do trabalho e tiver que fazer o jantar eu faço com prazer, mas se eu estiver cansado, ou sem inspiração, eu consigo dizer "não quero cozinhar hoje, cozinhem vocês ou vamos jantar fora", sem ser agressivo, sem achar que serei menos amado por isso. Eu consigo falar "não vou conseguir ir te buscar, venha de táxi ou über" "eu não vou fazer isto porque não quero" "eu não estou com vontade de fazer isso". Coisas que eram impossíveis para mim dizer há algum tempo atrás. As coisas mudaram significativamente para mim!

Hoje em dia eu viro O BICHO se você tentar me impor algo que você assumiu que é minha obrigação, algo como "mas você não vai fazer o jantar?" ou "mas você não vem me pegar como sempre?" ou "porque você não comprou isto no mercado para mim, sabe que eu gosto!"
Hoje, quando eu faço as coisas pelas pessoas que amo eu as faço com prazer real, muito diferente daquele "prazer" que eu achava que tinha antes, e deixo isto bem claro, faço as coisas por prazer, e você vai estragar tudo se tentar transformar meu prazer em obrigação!


E você ? Já teve época de fazer as coisas mais por obrigação do que por prazer? Em que momento está hoje?



13 de março de 2016

Cuide de seu Peixinho, mas do jeito que ele precisa.

Um vez um mãe chegou em casa e encontrou seu filho segurando um caixa envolvida num cobertor..
- O que é isto meu filho?
- Mãe, eu estava indo para a escola e vi que na lagoa tinha um peixinho... e quando eu coloquei a mão na água para fazer carinho nele eu vi que a água estava muito gelada e fiquei preocupado que ele pudesse ficar doente, então eu peguei o peixinho e trouxe ele para casa.
- Mas cadê o peixinho? perguntou a mãe.
- Está aqui na caixa, eu envolvi ele numa toalha, coloquei nesta caixa e cobri com o cobertor para ficar bem quentinho...
A mãe pediu para ver o peixinho.
Quando o menino abriu a caixa e desenrolou a toalha o peixinho, naturalmente, estava morto...a mãe olhou para o filho com doçura e ele emendou:
- Acho que eu cheguei muito tarde, acho que o peixinho ja estava doente por causa da agua fria, deve ter morrido de pneumonia!