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16 de fevereiro de 2016

boas surpresas na aparente normalidade...


Quando começamos a organizar as questões do casamento eu já me preparei para alguns momentos de dificuldade, em função da homofobia que permeia a sociedade. 
Fiquei até imaginando que ia me deparar com pessoas - ou empresas - que se recusassem a nos atender, por convicções religiosas ou coisa parecida, como eu já vi acontecer mais de uma vez nos EUA, quando uma empresa se recusou a fazer o bolo de um casal gay.

Então a primeira iniciativa foi ser super incisivo e atento a isto desde o primeiro momento. Quando pedia os orçamentos eu já dizia se tratar de um casamento de dois homens, e - quando ouve um segundo contato - eu pessoalmente falava das questões relacionadas a preconceitos que precisavam ser observadas e explicava que os funcionários envolvidos deviam receber orientação específica. Muitas vezes questionei se já tinham realizado um trabalho num casamento gay.
No geral eu diria que tive boas surpresas...

O Mr. Jay tinha conversado com a gráfica que faria os convites, mas acabamos indo lá pessoalmente para fecharmos a questão, pois achei difícil decidir isto sem "por a mão" nos modelos de convites... quando começamos a falar sobre o convite do nosso casamento eu não percebi nenhuma surpresa por parte do senhorzinho que nos atendia. Acho que ele ficou mais surpreso com nossa diferença de idade...kkkk
Em outros lugares, como os buffets, eu podia perceber as pessoas que nos atendiam rapidamente adotarem a postura ANA CLAUDIA, e achar o casamento gay uma "gracinha" e "super legal" e uma ou outra acreditando que a parte mais importante deveria ser a musica porque "vocês adoram dançar não é?"
No local que comprei as alianças eles pareciam estar mais preparados, inclusive a vitrine onde estavam as alianças mostrava uma foto de dois caras. de mãos dadas, e mesmo que seja uma "jogada de marketing" mostra uma certa posição em relação ao assunto.
Só falta agora eu achar uma Kim Davis no meu caminho...

Eu não sei se o preconceito na sociedade está diminuindo, ou se as pessoas assumem esta postura de "normalidade" por interesse financeiro - mesmo porque um casamento para menos de 80 pessoas nem tem um orçamento que traga muito faturamento - mas isto talvez não faça muita diferença, porque muitas coisas que fazemos em sociedade é porque é "o certo/obrigatório a fazer" e não o que gostaríamos de fazer, pois é bem mais fácil deixar o cocozinho do cachorro na rua do que levar para casa...

Tá certo que alguns dos orçamentos que pedi não vieram, mas eu acho mais fácil acreditar em INCOMPETÊNCIA do que em preconceito... o pessoal reclama de falta de clientes mas são muito ruins de atendimento em muitos lugares... Estou há duas semanas tentando achar um marceneiro e... um  veio sem sequer uma trena para medir o espaço, outro trouxe a trena, mas não trouxe as amostras dos materiais de acabamento e nem tinha papel para anotar as medidas... de numa destas lojas de planejados estou esperando o orçamento até hoje...

O José Soares me disse outro dia que talvez os convidados devessem ir de verde-oliva no casamento, pelo tom de militância que eu pareço assumir ás vezes... Tirando a parte do chiste do meu amigo, o gracejo dele tem um pouco de verdade embutida. Acho que de certa forma um gay assumido, que tem possibilidade de exercer sua homoafetividade de forma aberta e natural, pode ajudar a educar a sociedade, o meio que o cerca, fazer as pessoas pensarem no assunto, ou para criticar ou para ter um ponto de vista... até na minha família isto já começou, pois meu irmão teve que sentar com meu sobrinho para "explicar tin-tin por tin-tin como o tio dele vai casar com um cara... coisa que eu sei, ele vinha postergando. Casar então, nos dias de hoje, pode ser uma atitude política e social... além de uma prova de nosso amor e de nosso compromisso.

E você o que acha? Acha que eu tenho tido sorte de não encontrar um homofóbico no caminho? Acha que a sociedade está mudando? Ou acha que o pessoal atende bem por interesse? E será que devo pedir para os convidados irem de uniforme de batalha ?



9 de junho de 2015

putz... acho que vamos ter que ir no ano que vem...


Eu apoio a existência e importância da PARADA GAY, isto eu já argumentei no post anterior, mas acho que vou precisar rever alguns dos meus paradigmas em relação á minha participação...
O meu grande argumento para não ir na PARADA GAY DE SP, nos últimos anos, tem sido a muvuca, o excesso de gente, na parada de 2006 estávamos em 2.500.00 pessoas, o que valeu um registro no Guiness, e depois disso tive a impressão que nos anos seguintes o número aumentou muito...
Só que eu acabo de ver os números divulgados pela PM e eles alegam que participaram este ano em torno de 20 mil pessoas... o que é muito pouca gente a meu ver... Mesmo que a gente considere que a PM sempre calcula um número menor que os organizadores (estes 2.500.000 de 2006 foram calculados pela PM) vamos supor que a parada teve umas 100 mil pessoas, 5 vezes o que a PM calculou, mesmo assim ainda seria, quantitativamente, muto menos gente que eu imaginava...
Acho que todo mundo pensou o mesmo que eu, na muvuca, e também não foi...

Esta noticia me preocupou, fiquei pensando se a parada (que ja completa 20 anos) teria o perigo de acabar... ou de perder tanto a importância que deixe o calendário oficial do turismo da cidade, ou que seja retirada da avenida paulista... acho que acendeu uma luz vermelha na pequena parte do meu cérebro que está dedicada á militância.. 

Bom, já decidi, no ano que vem eu vou á PARADA! A parada não pode acabar! 

Você vem comigo? Teve até alguém que comentou que seria divertido ter um grupo de blogueiros gays na parada...que tal?