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3 de junho de 2015

Eu não estou preparada!

Outro dia estava conversando com minha filha e ela comentava que tem vários colegas que acham estranho ela ter avó, pois muitos não tem mais avós vivos , e ela me disse:

- eu já estou preparada para o dia que a vovó morrer!
- porque você diz isto querida?
- eu nunca perdi ninguém próximo, eu não sei como é...
- e porque você pensa nisso?
- porque eu sei que ela é mais velha e que vai morrer antes das outras pessoas.
- e como você acha que vai ser?
- eu acho que eu vou sofrer bastante, que vou sentir muita saudade, mas que eu vou saber superar sem demorar muito.
- que bom que pensa assim, saudade não é uma coisa ruim.
- mas só uma coisa - disse olhando para mim bem séria - eu não estou preparada para o dia que VOCÊ morrer ok, faz favor de demorar bastante!

Além de ser uma linda declaração de amor - pelo menos entendi assim - ela levanta a questão das perdas...
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Eu acho que eu lido bem com a morte, eu sofro, sinto saudade, choro muitos dias, e sinto saudade por muito tempo... mas eu consigo ver como natural, como um fato inexorável. Sempre é mais difícil quando é algo repentino... ou uma pessoa mais jovem. Minha tia, irmã de minha mãe, a quem era muito ligado, morreu repentinamente aos 38 anos de ataque do coração, eu tive uma amiga, no colegial, que se suicidou aos 17... estas coisas são difíceis de entender as vezes...
Mas é muito difícil explicar para as crianças, para os filhos, sobre isto... alias, é uma coisa que e só podemos entender quando passamos por isto...
E por coincidência eu li o texto que o Gera escreveu sobre o amigo que faleceu aos 40 anos.. muito triste!

E você? Lida bem com a morte?

8 de agosto de 2014

Você só morre, quando a última pessoa que lembrava de você morrer também...*


Ontem chegaram as cinzas do meu cachorrinho... depois que ele morreu eu não sabia bem o que fazer. A veterinãria sugeriu a cremação... não tenho quintal então não tinha a opção "clássica" de enterrar no quintal num caixa de sapatos... as cinzas vieram numa caixinha bonitinha, com uma linda carta de condolências do crematório especializado em pets... muito emocionante...
 
Agora não sei bem o que fazer com as cinzas... mas estou pensando em colocar uma foto na tampa e deixar guardada... ou talvez espalhar as cinzas nos vasos da casa... sei que o que vai me lembrar dele não é isto, mas é uma saudade ...
 
E saudade é bom não é?
 
* eu acho que ouvi esta frase num filme, mas na internet encontrei uma referência como sendo do escritor israelense Amós Oz : “Nós vivemos até o dia em que morre a última pessoa que se lembra de nós”.
 
 

22 de julho de 2014

...as perdas nossas de cada dia...


Estes útlimos dias foram de uma tristeza só...
Nosso cachorrinho morreu...
Nas últimas semanas notamos que seu pêlo estava caindo, que ele estava tomando muita água - achamos que era o inicio do inverno - mas acabamos levando na veterinaria... Ela receitou um shampoo especial, mandou fazer exames... Ela suspeitou de um parasita, a glicemia estava alta, ela começou a tomar alguns medicamentos..
Estávamos bem assessorados, minha BFF é Prof. Dra. da Veterinária da UNESP, eu ligava para ela 5 vezes ao dia...
Seu apetite foi diminuindo, ele começou a emagrecer, fomos ao Hospital Veterinário (PET CARE recomendo a todos pois todo mundo diz que o melhor de sp)... Voltamos para casa com novas recomendações, mais exames para fazer... Glicemia a 600 (não errei não! 600!) - diagnóstico inicial diabetes, os exames para o tal parasita deram negativos. Ai ele parou de comer. Dois dias que só comia forçado...
Nova internação,  mais 7 dias no hospital, espeta,  puxa, raspa pêlo... não era pancreatite. Continuava sem comer, parecia que ele estava enjoado de tudo - o oposto da reação de um diabético, que quer comer de tudo.
- Vamos mandar ele para casa, vamos ver se em casa ele come
Não comeu nada durante 24 horas, nada mesmo, nem ração , nem carne, nem frango, nem petiscos, nem arroz, nem leite, nem DORITOS! Estávamos bem desesperados deu para perceber?...queriamos que ele comesse...qualquer coisa!
Nova internação... sentamos e conversamos com os médicos - Sem comer como vai melhorar? o que ele tem afinal de contas?.
Eles não sabiam o que ele tinha, só o  que NÃO tinha! Sabiam que era uma doença hormonal, talvez hepática, algo ainda não descrito pela medicina veterinária... Sugeriram que fizessemos um acesso externo para alimentá-lo, um tubo no abdomem... Eu e minha filha ficamos em choque... porque mesmo esta medida drástica, para prolongar-lhe a vida, não era garantida... Não autorizamos na hora, deixamos ele no hospital e saimos para comer alguma coisa, para pensar, sentir, chorar... Ele estava com 1/3 de seu peso normal, muito pouco para um Maltês.
Conversamos com a BFF Veterinaria, com a vovó, com Mr. J... ligamos para o hospital e conversamos mais, pergutamos. Minha filha dizia que não queria que ele virasse um robô, cheio de tubos. Ele estava triste, assustado, o dia que passou em casa não saiu da cama... tivemos que pesar nosso eventual egoismo de ter ele por perto a qualquer custo. E tinha também uma questão financeira envolvida, afinal de contas ele era nosso cachorrinho amado mas era um animal... foi ai que senti a responsabilidade de se ter um ser vivo sob sua guarda.
E foi ai que minha filha - eita menina forte - tomou a decisão sobre a eutanásia... que já tinha passado pela minha cabeça é lógico, mas tinha que partir dela... O hospital disse que não faria... mas entenderam nossos motivos... Tiramos ele do hospital, ficamos um pouco com ele e levamos para a veterinaria, ela nos conhecia melhor, conhecia ele, disse que faria. Minha menina ficou com ele até o fim, até ele dormir completamente - eu não tive esta coragem...
Estamos muito tristes, ainda sentimos sua falta quando chegamos em casa, quando ele não está ao nosso lado vendo tv, minha empregada estava inconsolável, durante o dia ele era sua grande companhia. Ele faz muita falta, ele era um verdadeiro "cão de companhia" como diz o epiteto da raça.
Mas as coisas vão andando...Minha filha leonina me disse ontem : - Eu já superei a morte dele, estou triste mas sei que foi o melhor.
Eu ainda não, ainda choro quando me lembro, quando vejo fotos, enquanto escrevo este post...eu me permito ficar triste até quando quiser, meu processo é mais dramático mas eh o meu normal, sei que estou me recuperando...
Sei que estas perdas são inevitáveis, é o ciclo da vida, de todas as vidas, mas me permito ficar triste...
 
....continua daqui alguns dias em outro post.: "MAS ERA SÓ UM CACHORRO"... este aqui ficou muito longo...
 
 

3 de setembro de 2013

a morte de um professor...


Uma parada nas recordações e atualizações...
 
Semana passada minha filha foi surpreendida com a noticia da morte de um professor, ele teve um ataque do coração fulminante durante a noite. Ela tinha tido aula com ele durante o  mesmo dia
Um pouco antes de ir para a escola no dia seguinte ela soube da noticia.
Ao que parece era um professor bastante querido, que ressoava bastante no coração dos adolescentes, se declarava comunista, ateu, não tinha televisão em casa, usava uma boina estilo Che Guevara, e ainda era professor de história, que pontuava bastante as mazelas da sociedade e do capitalismo...Só que ele era muito obeso, fumava desbragadamente, não era casado nem tinha filhos, e aos 52 anos morreu.
O ídolo perfeito para adolescentes, e mais perfeito ainda porque não será questionado mais... me lembrei muito do Tancredo Neves, que foi sem nunca ter sido!
  
Ela, e todas as amigas e amigos ficaram verdadeiramente abalados, pela surpresa, por se depararem de certa forma com a finitude e o imponderável da vida, ela chorou bastante, e dizia que nunca tinha tido oportunidade, e coragem, de dizer para ele o quanto ele tinha sido importante para ela, e  quanto gostava dele.
Como pai eu fiquei ao lado, tentando acalma-la, tentando passar um pouco de empatia, deixei que ela fosse ao enterro, e parece que um grande numero de professores e alunos foram.
É sempre difícil para um pai e uma mãe falar destes "grandes temas" (morte, sexo, perdão, ética) mas se a gente souber aproveitar o que acontece no dia a dia fica mais fácil. Dá uma chance de conversarmos...
 
Quando eu estava na faculdade, no final da década de 80, tive vários professores meus que morreram, vítimas da AIDS, que aquela época ainda não podia ser combatida pelos coquetéis atuais, e eu me lembro de ter ficado consternado também, em especial pelo FLAVIO IMPÉRIO, que tinha a idade que tenho hoje,  quando morreu. Aliás, foi uma década pesada neste sentido, com muita gente adoecendo rápido demais e morrendo mais rápido ainda.
 
No final ainda teve um momento bonitinho dela, que, quando fui buscar ela após o enterro,  preocupada me perguntou - Pai vc tb está gordinho, quando vai fazer seus exames do cardiologista? (que coincidentemente já estavam  marcados para a segunda semana de setembro)

E vc? como enfrenta a morte? como fala dela?