Muitas são as FAMILIAS HOMOAFETIVAS, homens ou mulheres gays que mantem longos relacionamentos, com ou sem filhos. Pais e mães homossexuais que criam filhos sozinhos. Filhos provenientes de casamentos anteriores, de adoções, ou outros métodos ... Este Blog quer conversar sobre estes paradigmas, sobre Paternidade Homossexual, sobre relacionamentos, família, direitos, leis. E também estimular a convivência entre estas famílias e a troca de idéias! Sejam bem vindos!
Mostrando postagens com marcador pai gay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pai gay. Mostrar todas as postagens
17 de abril de 2017
10 de novembro de 2014
se eu soubesse o que sei agora...
Acho que todo mundo já fez esta reflexão não é? Se eu soubesse o que sei agora...faria tudo diferente...
Para os que escrevem sobre História este é um grande perigo, é o chamado "anacronismo" - tentar avaliar ou entender a história do ponto de vista dos hábitos e conhecimentos atuais. Por exemplo, com o que sabemos e acreditamos na atualidade sobre direitos humanos, fica difícil entender a escravidão ou a inquisição. Para entender e estudar isto você tem que procurar pensar com a cabeça da sociedade da época que estas coisas foram formatadas.
Os Flintstones terem automóveis e máquinas de lavar-louça também seria um exemplo de "anti-cronismo", o outro nome do anacronismo. Coisas fora de época, mesmo que sejam movidas á dinoussauros ou mamutes...
Aliás, outro anacronismo! Quando os seres humanos surigram os dinossauros já estavam extintos há muito tempo! Nunca convivemos com os "dinos"
Eu penso que para nós, que estamos escrevendo - e vivendo - nossa própria História, o anacronismo pode ser um perigo. Se eu achar que devia ter feito tudo diferente, baseado no que sei agora, posso não querer seguir adiante, por achar que estou no melhor ponto da minha trajetória ou por querer voltar para algum momento que já passou.
Tem aqueles que vivem no passado de certa forma, que ainda pensam naquela oportunidade de emprego que não aproveitaram, naquela pessoa que deviam ter conhecido e não se arriscaram, aquele NÃO que deveriam ter dito - ou aquele SIM que disseram. Gente que está no presente buscando um passado baseado nos seus novos conceitos, nas suas novas experiências...como se pudesse voltar no tempo...
Voltar no tempo mas sabendo o que sei agora... ai sim eu poderia aproveitar melhor o passado nós pensamos! É isto que todo mundo pensa vez por outra!
Quer ver uma coisa do dia a dia que me parece ser um bom exemplo disto?
Já aconteceu de você reler um livro que tinha simplesmente a-d-o-r-a-d-o e você não vivencia a mesma emoção, fica até decepcionado? Você estava buscando aquele sentimento que tinha vivido, mas ele só era possível para aquela pessoa que você era no passado - isto não quer dizer que esta releitura não te traga novos sentimentos, mas eles serão isto mesmo, NOVOS!
Eu, por garantia, evito reler meus livros...rsrsrsrs
Eu, por garantia, evito reler meus livros...rsrsrsrs
Ficar preso na expiral do "que deveria ter sido" é perigoso, mas passar por ela, de vez em quando, me parece servir para confirmar (ou validar como está na moda) o nosso presente e nossas escolhas... Fico satisfeito em perceber que "se eu soubesse o que sei agora faria tudo diferente". É uma sensação boa! Me mostra que hoje faço escolhas melhores... e que aquelas escolhas não estavam erradas, como eu poderia pensar do ponto "histórico" da minha vida, elas eram as escolhas "possíveis" naqueles momentos!
Esta reflexão está na minha cabeça faz tempo... desde que tive uma papo com o Rê e o Zé António...e o Zé me pareceu apreensivo por eu argumentar isto em algum momento de nosso papo, que se eu soubesse o que sei agora teria feito tudo diferente e algumas coisa teriam durado menos, acabado antes...e ele tinha razão, como amigo e também como psicólogo, de pedir relfexão sobre isto!
É o famoso E SE! Que pode ser ruim.... mas que eu vez por outra me permito utilizar!
E você, conjuga muito o E SE? Passa pela tua cabeça voltar atrás e refazer algo?
26 de setembro de 2014
15 de setembro de 2014
Você "dá conta" do quê?
Depois do meu pequeno libelo vegetariano da últma semana, que não teve a intenção de "converter" ninguém, mas de mostrar o tipo de brincadeira que enfrentamos, me ocorre a questão do regime...
Quando digo que sou vegano há tantos anos as pessoas se espantam por eu ser gordo, pois normalmete os que seguem esta dieta tem uma certa cara de subnutridos... eu já fui assim, durante anos eu fui muito magro, com os apelidos de "pernilongo", vareta, poste, e o clássico "pau de virar tripas"... Mas nos ultimos 15 anos eu comecei a engordar, engordar...
Sem dúvida nenhuma o principal coeficiente desta equação é a tal da ansiedade, uma velha conhecida não só minha mas de muita gente, até já falei disto em alguns momentos que estava bem ansioso. Minha ansiedade não é anormal, não preciso tomar medicação para controlá-la, nem me atrapalha em nenhuma de minahs atividades (aliás, para planejar bem as coisas precisa ser um pouco ansioso), é uma ansiedade que todos tem e todos tem sua válvula de escape. A minha é a comida!
Porque eu não consigo reorganizar meus hábitos alimentares e de práticas esportivas? Conversei sobre sta certa sensação de "fracasso" com relação a isto, que, como a ansiedade é uma sensação bem desagradável. O que falta? Porque eu não "dou conta" disto?
(abre parenteses...
Como alguns sabem, eu faço parte do PROJETO ACOLHER, que é um Grupo de Apoio á Adoção, e eu trabalho justamente no acolhimento das novas pessoas no grupo, as que estão em processo de adoção ou pensando em adotar. Estas pessoas já chegam sabendo que a adoção de bebês é muito dificil e demorada pois, graças a Deus, e á melhoria das condições sociais, cada vez menos crianças são abandonadas, pelo que vejo hoje a maioria das crianças abrigadas são filhos de pais e mães envolvidos com as drogas ou com crimes.
As pessoas sabem que se adotassem uma criança maior, uma criança negra ou parda, o processo talvez andasse mais rápido, mas muitas não querem, querem o bebezinho branco, e se mostram até envergonhados por quererem isto.. constrangidas por não darem oportunidade a uma criança que está abrigada....
Eu sempre explico que o processo de adoção é um processo em que a pessoa vai em busca de seu desejo, em busca de seus sonhos, e que isto não tem nada de errado! Que um dos maiores fatores de sucesso da pessoa no processo é ela saber e entender estes desejos, e não abrir mão de seus sonhos para "acelerar" o processo. Eu sempre digo que a pessoa tem que ir em busca do que ela "dá conta", ou seja, do que ela consegue entender de seus desejos!
Mas é claro que eu faço a pessoa refletir que filho é um pouco mais amplo que um "atendimento de nossos desejos", que mesmo nos casos de filhos biológicos existem os filhos "sonhados" e os filhos "possíveis", e sempre lanço a seguinte pergunta, para refletirem: "você está casado com a pessoa que imaginava que ia se casar lá na sua adolescência? Provavelmente não! E me diga, isto é ruim?
... fecha parenteses)
Eu acho que eu não "dou conta" de emagrecer porque este é um "defeito" em mim que não considero tão importante, é uma pequena falha de caráter que meu interior acredita que é aceitável.. acho que a minha armadilha psicológica pensa assim: "eu trabalho bastante, sou honesto, crio minha filha da melhor maneira que posso, não fumo, não bebo, não jogo, sou educado, todo certinho e caxias, um namorado dedicado e ainda vou ter que fazer ginastica para caramba e me privar de um monte de coisas gostosas????"
Ou seja, comer demais é uma "compensação" por eu ser certinho!
Pode rir! eu mesmo estou rindo, mas eu acho que começar a entender isto e não ficar tão encanado com estas questões talvez me ajude a melhorar! Eu estou entendendo que estas qualidades não vão desaparecer se eu nao fizer este esforço para comer menos e fazer ginastica. Talvez umdia eu esteja preparado, vou pensar como o slogan do PRO VIDA "Quando você estiver preparado você vai chegar lá"
E você? Do que você não "dá conta" em sua vida?
Marcadores:
emagrecer,
fazendo dieta,
gay gordinho,
mudando hábitos,
pai gay,
regime,
ser mais eu mesmo
9 de setembro de 2014
8 de setembro de 2014
3 de setembro de 2013
a morte de um professor...
Uma parada nas recordações e atualizações...
Semana passada minha filha foi surpreendida com a noticia da morte de um professor, ele teve um ataque do coração fulminante durante a noite. Ela tinha tido aula com ele durante o mesmo dia
Um pouco antes de ir para a escola no dia seguinte ela soube da noticia.
Ao que parece era um professor bastante querido, que ressoava bastante no coração dos adolescentes, se declarava comunista, ateu, não tinha televisão em casa, usava uma boina estilo Che Guevara, e ainda era professor de história, que pontuava bastante as mazelas da sociedade e do capitalismo...Só que ele era muito obeso, fumava desbragadamente, não era casado nem tinha filhos, e aos 52 anos morreu.
O ídolo perfeito para adolescentes, e mais perfeito ainda porque não será questionado mais... me lembrei muito do Tancredo Neves, que foi sem nunca ter sido!
Ela, e todas as amigas e amigos ficaram verdadeiramente abalados, pela surpresa, por se depararem de certa forma com a finitude e o imponderável da vida, ela chorou bastante, e dizia que nunca tinha tido oportunidade, e coragem, de dizer para ele o quanto ele tinha sido importante para ela, e quanto gostava dele.
Como pai eu fiquei ao lado, tentando acalma-la, tentando passar um pouco de empatia, deixei que ela fosse ao enterro, e parece que um grande numero de professores e alunos foram.
É sempre difícil para um pai e uma mãe falar destes "grandes temas" (morte, sexo, perdão, ética) mas se a gente souber aproveitar o que acontece no dia a dia fica mais fácil. Dá uma chance de conversarmos...
É sempre difícil para um pai e uma mãe falar destes "grandes temas" (morte, sexo, perdão, ética) mas se a gente souber aproveitar o que acontece no dia a dia fica mais fácil. Dá uma chance de conversarmos...
Quando eu estava na faculdade, no final da década de 80, tive vários professores meus que morreram, vítimas da AIDS, que aquela época ainda não podia ser combatida pelos coquetéis atuais, e eu me lembro de ter ficado consternado também, em especial pelo FLAVIO IMPÉRIO, que tinha a idade que tenho hoje, quando morreu. Aliás, foi uma década pesada neste sentido, com muita gente adoecendo rápido demais e morrendo mais rápido ainda.
No final ainda teve um momento bonitinho dela, que, quando fui buscar ela após o enterro, preocupada me perguntou - Pai vc tb está gordinho, quando vai fazer seus exames do cardiologista? (que coincidentemente já estavam marcados para a segunda semana de setembro)
E vc? como enfrenta a morte? como fala dela?
E vc? como enfrenta a morte? como fala dela?
Marcadores:
criando filhos,
flavio império,
homem homossexual e pai.,
morte,
pai gay,
perdas
29 de agosto de 2013
E como ficam os filhos ?
Só que, só que, só que.... eu não sou um cara sozinho, solteiro, procurando um namorado, um relacionamento, eu sou um cara, homossexual, que também tem uma filha, que estava procurando um namorado...
E ai existem pequenas nuances que precisam ser levadas em conta:
- primeiro, que minha criança conviveu por 10 anos com meu ex. Ele nunca assumiu a posição de "co-pai", eu mesmo não fiz questão que acontecesse, preferi que ele assumisse a postura de "namorado do pai e amigo da filha", a paternidade era um projeto meu, e quando ele chegou em nossas vidas os laços já estavam estabelecidos há anos.
Mas de certa forma, quando eu me separei eu fiquei preocupado em como seria para ela, com seria esta quebra de laços.Esta é uma preocupação de todos que tem filhos não?
Eu posso dizer que foi super tranquilo, ela já era uma pessoa bem especial e madura para seus 16 anos, e assumiu rapidamente a posição de me apoiar, de estar do meu lado, nesta transição. E torcer autenticamente pela minha felicidade.
Ela ficou triste, sentiu falta, mas tirou de letra.
- a segunda coisa é a hora de contar! Não, não é a hora de contar que eu sou gay, é a hora de contar para o cara que eu tenho "um pacote mais completo e complexo". Eu normalmente omitia isto num primeiro contato, num primeiro papo ou encontro, e foi uma medida acertada, porque muitas vezes eu nem passei da primeira conversa, e não tinha motivo para eles nem levarem esta informação com eles.
Eu até dava uma certa sondada durante a conversa, falava se o cara tinha vontade de ter filhos, ou de amigos e amigas homossexuais que tem filhos. Para alguns eu contava no dia seguinte ao primeiro encontro, por tel, por skype, como forma de poder perceber se isto poderia fazer parte do relacionamento na cabeça do cara.
Eu até dava uma certa sondada durante a conversa, falava se o cara tinha vontade de ter filhos, ou de amigos e amigas homossexuais que tem filhos. Para alguns eu contava no dia seguinte ao primeiro encontro, por tel, por skype, como forma de poder perceber se isto poderia fazer parte do relacionamento na cabeça do cara.
E muitos que contei nem teve o segundo encontro.
Mas entender e aceitar isto era fundamental para os passos seguintes...
- a terceira questão, quando se tem filhos é, em que momento você vai "introduzir" (desculpe o trocadilho) o pretendente na família...em que momento vc apresenta o namorado novo aos filhos. E este dilema dezenas de divorciados e separados heteros tb tem que enfrentar.
Eu não sei se existe uma fórmula matemática para isto, mas eu resolvi que só o faria depois de estar genuinamente envolvido com a pessoa ( coração e não apenas tesão) e depois que eu pudesse ter algum grau de certeza de que a pessoa não ofereceria nenhum tipo de "risco" á minha cria.
Mas também era importante preparar o terreno, e para isto eu adotava o método "o gato subiu no telhado",ou seja, ir preparando ela aos poucos. (não conhece a estoria do gato que subiu no telhado? clique aqui)
Eu só apliquei este método duas vezes, pois apenas apresentei aquele oriental de quem falei no post JAPAN POP SHOW e o meu namorado atual. O método consiste em, primeiro mostrar a ela que estou saindo com alguém legal, comentar aonde fui, o que fui assistir, onde jantei, onde passeie. depois ir pontuando algumas características e gostos do dito cujo. E eu tb ia fazendo isto na outra ponta, contando para o cara a rotina de casa, as estorias de casa, mostrando fotos... enfim, um processo de aproximação.
O importante é que ambos percebam que tem espaço na minha vida para ser pai, para ser namorado, para ser profissional, para ser amigo de outras pessoas, para ter tempo para mim.
E acho que eu consegui fazer isto, especialmente porque as pessoas envolvidas, minha filha e meu namorado , são pessoas especiais! E gostam muito de mim....acho =op
Sobre meu namorado atual? Curioso?
Bom, como eu retomei o meu blog recentemente, eu quero continuar o fio da meada do meu diário pessoal, para então chegar nele, pois eu cheguei nele depois de um processo de luto e evolução, que quero dividir com vcs ok? topam esperar mais alguns posts para eu chegar no momento atual? OBRIGADO!
22 de março de 2013
Bullying contra filhos de homossexuais...
Muitos homens e mulheres homossexuais, quando pensam em ter filhos, ou em assumir perante os filhos no caso daqueles que já os teve, relutam em faz-lo porque temem que o mundo, a sociedade, as famílias, as escolas, sejam locais onde eles sofrerão por serem de familias consideradas "não tradicionais".
Nenhum pai, nenhuma mãe, quer que seu filho sofra, especialmente se, de certa forma, o sofrimento deste filho seja causado por algum comportamento ou atitude destes pais. Eles não querem que seus filhos sofram discriminação por seus pais serm homossexuais.
Eu diria que isto também é verdade com relação á adoção, as pessoas relutam em adotar crianças de outra etnia por acharem que elas serão mais discriminadas por terem a pele mais escura que seus pais.
O Bullying, que nem existia no tempo que eu era criança, ou se existia tinha outro nome, pode atingir seriamente não só as crianças filhas de homossexuais, com oas próprias crianças homossexuais, em especial aqueles que tem um comportamento de gênero dissonante, ou seja meninos efeminados e meninas masculinizadas.
Esta semana minha filha chegou da escola super "puta" com um colega, ela me contou que á varios dias ele a estava perturbando, a chamando de FALSA, mas sem faze-lo diretamente, mas de forma velada e cochichada. E ela disse que acabou estourando, que pediu satisfação ao menino...bateu boca no meio da sala. Ate chorou no final da discussão de tão nervosa que ficou.
E o assunto deve ter sido mesmo grave pois, segundo ela, o professor não interferiu, e quando o rapaz foi retrucar o professor mandou que ele se calasse.
Como pai atento eu vi ai a possibilidade dela estar sofrendo algum tipo de perseguição...o tal bulluing, e perguntei se ela achava que o rapaz a estava perseguindo por ela ser adotiva, ou não ter mãe, ou o pai dela ser homossexual....
Ela me olhou com cara de espanto... NADA A VER PAI! ele é um chato e enche o saco de todo mundo, ninguem suporta mais ele, mas como nós estudamos juntos desde a 1a. série o pessoal não te coragam de perder o controle como eu perdi ( e olha que ela é super paciente...)
Ai ela me perguntou porque eu tinah me preocupado com isto...e ai vai o meu ponto de vista, que se quiserem pode servir de dica para outros pais e maes homossexuais:
"Os filhos da gente ás vezes não nos contam tudo que lhes acontece, ás vezes por vergonha, ás vezes por medo da reação dos pais, ás vezes por acharem que os pais ficarão tristes ou chateados com eles. As crianças não querem que os pais as deixem de amar por algo que possam ter feito de ERRADO, e preferem não tocar no assunto.
Cabe aos pais manter os canais de dialogo aberto, falar sobre assuntos dificies, falar sobre sexualidade, sobre preconceito, sobre drogas, sobre relacionamentos, se os pais nao deixarem este canala claramente aberto provavelmente os filhos não falarão sobre isto.
Crianças que sofrem bullying, crianças que são disrciminadas, que são agredidas, crianças vitimas de violencia sexual, ás vezes por parte de pessoas muito próximas, muitas vezes não encontram espaço, ou confiança, para falarem a verdade para seus pais, e se fecham sem ter para quem pedir ajuda, ou conselhos, pois temem ser recriminadas por não reagirem, por deixarem estas coisas acontecerem...
Quando você tiver seus filhos, lembre sempre disto!"
Depois ela me acrescentou detalhes como o fato que o menino agride todas as meninas, que ele não gosta de jogar futebol, que é super inseguro e só usa roupas "de marca" e que tem um unico amigo que ele idolatra...e ela mesmo me disse - acho que ele é gay. (olha ai a homofobia internalizada criando mais um marcos feliciano...)
Criar filhos é uma grande aventura, e agente aprende muito com eles! E você o que já aprendeu com seus filhos?
Nenhum pai, nenhuma mãe, quer que seu filho sofra, especialmente se, de certa forma, o sofrimento deste filho seja causado por algum comportamento ou atitude destes pais. Eles não querem que seus filhos sofram discriminação por seus pais serm homossexuais.
Eu diria que isto também é verdade com relação á adoção, as pessoas relutam em adotar crianças de outra etnia por acharem que elas serão mais discriminadas por terem a pele mais escura que seus pais.
O Bullying, que nem existia no tempo que eu era criança, ou se existia tinha outro nome, pode atingir seriamente não só as crianças filhas de homossexuais, com oas próprias crianças homossexuais, em especial aqueles que tem um comportamento de gênero dissonante, ou seja meninos efeminados e meninas masculinizadas.
Esta semana minha filha chegou da escola super "puta" com um colega, ela me contou que á varios dias ele a estava perturbando, a chamando de FALSA, mas sem faze-lo diretamente, mas de forma velada e cochichada. E ela disse que acabou estourando, que pediu satisfação ao menino...bateu boca no meio da sala. Ate chorou no final da discussão de tão nervosa que ficou.
E o assunto deve ter sido mesmo grave pois, segundo ela, o professor não interferiu, e quando o rapaz foi retrucar o professor mandou que ele se calasse.
Como pai atento eu vi ai a possibilidade dela estar sofrendo algum tipo de perseguição...o tal bulluing, e perguntei se ela achava que o rapaz a estava perseguindo por ela ser adotiva, ou não ter mãe, ou o pai dela ser homossexual....
Ela me olhou com cara de espanto... NADA A VER PAI! ele é um chato e enche o saco de todo mundo, ninguem suporta mais ele, mas como nós estudamos juntos desde a 1a. série o pessoal não te coragam de perder o controle como eu perdi ( e olha que ela é super paciente...)
Ai ela me perguntou porque eu tinah me preocupado com isto...e ai vai o meu ponto de vista, que se quiserem pode servir de dica para outros pais e maes homossexuais:
"Os filhos da gente ás vezes não nos contam tudo que lhes acontece, ás vezes por vergonha, ás vezes por medo da reação dos pais, ás vezes por acharem que os pais ficarão tristes ou chateados com eles. As crianças não querem que os pais as deixem de amar por algo que possam ter feito de ERRADO, e preferem não tocar no assunto.
Cabe aos pais manter os canais de dialogo aberto, falar sobre assuntos dificies, falar sobre sexualidade, sobre preconceito, sobre drogas, sobre relacionamentos, se os pais nao deixarem este canala claramente aberto provavelmente os filhos não falarão sobre isto.
Crianças que sofrem bullying, crianças que são disrciminadas, que são agredidas, crianças vitimas de violencia sexual, ás vezes por parte de pessoas muito próximas, muitas vezes não encontram espaço, ou confiança, para falarem a verdade para seus pais, e se fecham sem ter para quem pedir ajuda, ou conselhos, pois temem ser recriminadas por não reagirem, por deixarem estas coisas acontecerem...
Quando você tiver seus filhos, lembre sempre disto!"
Depois ela me acrescentou detalhes como o fato que o menino agride todas as meninas, que ele não gosta de jogar futebol, que é super inseguro e só usa roupas "de marca" e que tem um unico amigo que ele idolatra...e ela mesmo me disse - acho que ele é gay. (olha ai a homofobia internalizada criando mais um marcos feliciano...)
Criar filhos é uma grande aventura, e agente aprende muito com eles! E você o que já aprendeu com seus filhos?
Marcadores:
bullyng,
gays com filhos,
pai gay,
preconceito contra filhos de gays
18 de fevereiro de 2013
Filho biológico...

Este fim de semana conheci, numa roda de amigos, um homem gay, de uns 40 anos - mas que espantou todo mundo porque parece ter bem menos para sorte dele! - que falava que queria ter filhos.
Mas ele não queria ter filhos através da adoção, o desejo dele era ter um filho biológico, talvez achar uma mulher, para compartilhar "produzir" e criar este filho, criar junto talvez...ou uma barriga de aluguel...
Ele disse que teve uma criação muito legal, que seu pai foi um grande pai, e que ele queria de certa forma "passar isto adiante".
Os que estavam em volta, alguns deles que já tinham ex-esposas em suas vidas, disseram da dificuldade de se compartilhar da criação de filhos, etc...alguns pelo que soube, foram veementemente contra!
Eu já tinha o meu discurso pronto que "adoção é a mesma coisa" , que não é complicado, que "filho é filho não importa se é biológico ou não"...eu até me identifiquei com ele pois ele falou que sempre teve o desejo de ter filhos, mesmo antes de se identificar como gay...
Eu procurei dar a maior força, falei para ele correr atrás do sonho dele, para não se preocupar com as aparentes dificuldades! Para ir em frente! mas tb, de certa forma, desencorajei ele ao projeto FILHO BIOLÓGICO...
Mas, hoje pela manhã, eu me peguei refletindo até que ponto eu gostaria de ter tido filhos ou filhas biológicos, que carregassem minha carga genética...Eu sei que eu tinha este desejo, lá nos idos dos meus 23/24 anos...e até vivenciei um certo "luto" quando tive que abandonar este sonhos ao me reconhecer como homossexual, e portanto, que não me casaria e não teria filhos biológicos...
Meu renascer como PAI veio depois dos 30 anos, quando o ECA passou a permitir a adoção por solteiros, e eu vislumbrei ai a possibilidade de ir em frente com meu desejo de ser pai.
Sim, eu acho que teria sido legal ter tido um filho biológico. Mas tb seria legal não precisar fazer regime, não ter que usar óculos, e seria legal se o mundo não tivesse fome e guerras, e se todo mundo pudesse fazer terapia! :o)
Mas as coisas não são assim, nos adaptamos, aceitamos, exploramos as possibilidades...E minha família, construída através da adoção, não é menos digna, ou menos família, que nenhuma outra!
Não tenho dúvidas que filhos biológicos devem ser diferentes ( não sei dizer ao certo pois como sabem não tenho filhos biológicos) mas também sei que a relação com eles não é pior nem melhor, porque eu conheço famílias que tem ambos. Filhos são filhos, muitos pais e mães assumem filhos de outras relações de seus companheiros e companheiras, e estes filhos são criados de maneria tão especial quanto os outros.
A adoção é o processo pelo qual a lei une um filho que quer família a uma família que quer filho, e nisto não há nada de anti natural! Os laços se constroem pelo amor, pelo cuidado, pelo carinho. Você constroe laços com seu companheiro, com seu namorado, seu marido, sem nenhum laço de sangue. E mesmo que Schopenhauer diga que o amor não existe, é o amor que constroe os laços!
Então #ficaadica , se vc quer ser pai, quer ser mãe, vai atrás de seu desejo, não deixe ninguém dizer que vc não pode, que vai ser difícil, quando você conseguir, e olhar para trás depois de alguns anos, vai ver que aquelas coisas que vc achou que pareciam dificuldades eram ridículas!
A fé é como o amor: não pode ser obtida pela força
(Arthur Shopenhauer, filósofo alemão, 1788-1860)
Marcadores:
adoção homossexuais,
amor,
barriga de aluguel,
filho biológico,
pai gay
6 de novembro de 2012
diálogos de meninas...
- Pai, olha esta roupa, tá legal?- Tá sim, bem legal!
- Mas é para ir num churrasco, na casa de uns amigos skatistas.
- Tá boa filha, tá bem bonita com esta roupa
- E esta outra, tá melhor?
- Eu prefiro a primeira filha, ficou mais informal
- Mas eu quero ir mais chique!
- AH! se quer ir chique então esta tá melhor!
- E esta terceira pai?
- Eu prefiro a outra, a segunda que me mostrou.
- Mas você não acha que a outra tá muito chique?
- Mas vc não disse que queria ir arrumadinha? chique?
- Pai, mas eu não posso ir muito chique, senão pega mal!
- Porque vc não liga para suas amigas e veja como elas vão?
- AH PAPIS, otima ideia, vc é um amor, te amo!
Ai na hora de sair para a festa:
- Filha, que roupa é esta?
- Eu resolvi sair assim. Ficou bom?
- Ficou ótimo...
...e acaba saindo com uma quarta roupa....
Vou dizer, esta é uma das coisas divertidas de ter adolescente em casa...se bem que minha mãe é assim até hoje!
E você? É assim também?
2 de outubro de 2012
Esta não é da minha filha...
Mas é do meu afilhado...
A minha vida é bem povoada de crianças e jovens...meu irmão tem um casal filhos com 7 e 12, minha prima - quase irmã- tem dois mennos com 1 e 6, a minha tem 16, e meus afilhados, que moram no interior, são dois adolescentes de 13 e 16...
Pois bem, neste final de semana a mãe do meus afilhados viajou com o mais velho para fazer um teste de um intercâmbio que ele está tentando conseguir, e o mais novo ficou 1 NOITE sozinho em casa
... pois bem durante esta noite ele fez com os amigos aquela "brincadeira" do desmaio...não conhece? Os jovens se reunem e um deles é asfixiado pelos outros até desmaiar...e eles fotografam este que desmaiou em poses ridiculas...mostrando a inércia do que perdeu os sentidos...
Tá, é uma coisa absoltuamente nonsense! Na internet dá para achar videos com esta coisa estúpida!
A mãe. que estava a 250 kilometros de dsitancia ficou sabendo porque uma outra mãe foi alertada sobre o vídeo no YOUTUBE! Imagina o susto!
Ela voltou voando (mas tava de carro) para a cidade dela, e chegando foi dar um "esporro" no infeliz, sobre o perigo e estupidez da prática, proibiu ele de sair de casa no próximo mês, falou que ia recolher os computadores...todas aquelas coisas que pais que são levados a loucura fazem...
Ai sabe o que o mocinho fez? arrumou uma malinha e disse que ia morar com o pai (o casal é separado há vários anos e este menino nem gosta de ir para a casa do pai)
Me diz se esta mãe não devia ficar arrasada? Não só com a situação, mas com o tipo de chantagem e agressão do filho! E justo com ela que se desdobra para dar oportunidades para os filhos!
Eu sei que hj ele ja mandou um recado para ela dizendo que se arrependeu que quer voltar...mas eu to dizendo para ela deixar ele pelo menos um mês na casa do pai, para não dar moleza.
E você se fosse pai ou mãe, o que faria?
Marcadores:
afilhado,
crianças levadas,
crianças traquinas,
filhos,
pai gay,
sobrinhos
27 de janeiro de 2011
aff...que pai desnaturado!
Nossa, desde outubro eu nao posto nada no meu querido blog! Se fosse um TAMAGOCHI (quem sabe o que é?) já teria morrido...se fosse um filho também, nem tanto por inanição, mas por falta de atenção!Acho ate que eu poderia ser condenado por "abandono de incapaz" rsrsrs.
De outubro para cá aconteceu uma caralhada de coisas! um novo ano, nova presidenta, um monte de gays nas novelas e miniséries, nenhum novo direito adquirido, a eleição do Jean Willys, e mais um monte de coisas.
Na vida pessoal, as coisas estão tranquilas, relacionamento em ordem, filha em ordem, trabalho ainda umpouco indefinido, terapia em ordem, amigos e grupos em ordem. Aconteceu um monte de coisa mas conforme for lembrando vou relatando.
Na realidade neste ultimo mês nossa casa tava meio zoneada, além das questões de festas, meus sobrinhos estão hospedados aqui desde 22 de dezembro e nas duas ultimas semanas também uma sobrinha do namorido esta por aqui, veio do NE fazer um estágio em SP. Então foi como em cidades litorâneas, a população dobrou no ultimo mês!
Para ter uma idéia da bagunça, ainda nao tivemos tempo de desmontar a arvore de natal! Então, se for me visitar esta semana vai ser um dejavu...pode até levar presente e tomar "sidra".Mas eu estou me divertindo, gente de todas as idades e interesses, com predominância de adolescentes, então fica dificil até decidir o horário e o local das refeições...rs.
No sábado vai todo mundo embora, mas acho que vai demorar uma semana para colocarmos tudo em ordem, toalhas, lençois, tem um batalhão de roupa para lavar. Mesmo porque eu tinha dado férias para a minha empregada e ela só voltou dia 10, bem no olho do furacão demográfico!
Mas não estou reclamando não, várias vezes já pensei em alistar minha casa para receber estudantes em intercâmbio, ou no esquema "couch traveller"...mas sempre desisto porque acho que vou arranjar sarna para me coçar!
E com vocês, que fizeram desde outubro? Sei que um monte de getne deve estar chateada porque nao tenho alimentado o blog, pois vejo que as visitas ainda são muitas todo dia! Desculpe se decepcionei alguem, tô por aqui!
E com sua vida o que aconteceu nos utlimos tempos?
22 de agosto de 2010
silêncio sobre o Dia dos Pais...
Vários dos amigos e amigas que costumam ler "estas mal traçadas linhas", questionaram sobre a ausência de um post especal no dia dos pais...
É verdade, e eu mesmo me espantei de ter deixado passar a data sem um texto especial, normalmente com lindas fotos de pais e filhos...me espantei porque nem percebi isto.
É verdade, e eu mesmo me espantei de ter deixado passar a data sem um texto especial, normalmente com lindas fotos de pais e filhos...me espantei porque nem percebi isto.
O que não significa, em absoluto, que minha vivência como pai tenha se tornado desinteressante, pelo contrário, acho que o fato de minha filha estar crescendo, me faz mais e mais acreditar na idéia de ser pai, e perceber o quanto ela me fez querer ser uma pessoa melhor. A cada dia minha relação com ela se fortalece e percebo claramente os laços que estou criando, ou tentando criar, com a Mulher que ela vai ser.
Mas este ano foi significativo em minha vivência como FILHO.
Sempre tive uma relação muito dificil com meu pai, e sempre , de certa forma, atribui isto ao fato de eu não ser o "filho que ele esperava", pois sempre fui muito mais quieto, pouco ligado em esportes e outras "masculinidades", mais emocional. De certa forma eu sempre entendi, ou aceitei, que nossa relação era ruim por "culpa" minha, por eu ser sempre, desde pequeno, meio "viadinho".
E isto foi realmente sempre muito pesado para mim, como sei que é para muitos homens homossexuais. Mas, assumindo minha responsabilidade sobre as atitudes dele como sendo minha culpa, e sempre bombardeado por frases como - "ele te ama , mas não demonstra pois é o jeito dele", eu acabei me conformando com receber muito pouco como filho. (além das questões materiais, que tenho que confessar nunca faltou).
Mas este ano as coisas mudaram um pouco, as questões familiares e patrimoniais se estressaram um pouco, e minha terapia me fez ver muitas coisas que estavam nubladas, e acabei convoncando minha mãe para um almoço, uma conversa, que começou com a seguinte frase:
E foi ai, após um susto inicial de minha mãe, uma clássica "mãe italiana de familia sempre feliz", que descobri que o problema da relação com meu pai não fui eu quem criou, com minha "viadagem". Ela me disse que de certa forma, desde que eu nasci, meu pai me ignorou, me desprezou. Ela achou que era porque eu era o primeiro filho, que roubei o tempo que ela tinha para ele, mas percebeu que isto tb aconteceu com meus irmaõs, mesmo que em menor escala.
Ele não era um pai ausente por falta e tempo, ele era distante por que de certa forma os filhos reprensentavam uma ameaça (tem até uns lances de mitologia, cronos e os filhos, que dá para ajudar a entender).
Vou contar para vocês, isto foi libertador, descobrir, depois de 40 e tantos anos, que você não fez nada errado, que todas as suas tentativas de aproximação não funcionaram , não porque você é gay, mas porque ele não queria se aproximar... é algo que tira um peso e tanto. Dá para imaginar?
Todas aquelas conversas, que eu precisava ouvir, todo o apoi oporfissional que eu precisava ter..cara, foi muito pesado.
Olha, se você sente algo parecido com seu pai, pense bem, talvez você não tenha feito nada errado, tenho certeza, tente descobrir onde esta relação entre vocês se deteriorou, e se precisar, pergunte, chame ele ou sua mãe para uma conversa, talvez muito de seu sofrimento como filho não tenha razão de ser.
Já pensou nisto?
Talvez por isto o dia dos pais tenha sido meio diferente, não como pai, mas como filho, e por isto tenha faltado um post...sorry
Marcadores:
dia dos pais,
filho gay,
pai ausente,
pai gay
16 de agosto de 2010
Dois homens podem "dar certo"?
Em tempos que se fala em casamento gay, união civil, em que faz campanhas para que as famílias LGBT mostrem sua cara no censo, parece meio obvio que todo mundo acredita que dois homens podem dar certo, enquanto família. Mas será que dois homens podem mesmo dar certo?
No último sábado o Grupo de Pais Homossexuais, coordenado pelos psicólogos Vera Moris e Edson Efendi, propôs justamente esta discussão. Discutirmos se o relacionamento entre dois homens é possível e quais são as particularidades de um relacionamento deste tipo.
Eu, envolvido num relacionamento de quase 8 anos, que eu acredito que tem se fortalecido com muita conversa e muitas atitudes de ambos, tenho a tendência a acreditar que sim. Que dois homens juntos podem estabelecer uma relação e podem construir uma familia.
O Edson, que fez seu mestrado baseado na questão da conjugalidade, coordenou o encontro, e trouxe, para dar um starter no assunto, uma tabela elaborada pelo pesquisador e sexologista americano, Richard Green, que mostrava os principais desafios que enfrentam um casal de homens, e que acabaram por ajudar a nortear as discussões.
Uma das questões que se discutiu, e que é fácil perceber, é a questão da homofobia internalizada, que muitas vezes impede os casais LGBT de formarem relacionamentos afetivos, pois a falta de aceitação de umou de outro, em maior ou menor nível,´pode ser um entrave. Neste aspecto também ficou latente a questõa que muitas vezes, num casal, cada um dos envolvidos está em estágios diferentes em relação a isto,o que pode ser ainda motivo de falta de acordo, de stress.
A questão que a legislação também não dá suporte a este relacionamento, também foi um fator que se mostrou importante, pois a falta de reconhecimento oficial , favorece a invisibilidade social...
A questão da identidade de "gênero" acaba pesando, pois num casal heterossexual os papeis do "Marido" e da "esposa" já estão arraigados, enquanto num casal de homens estes papeis tem que ser redimensionados, especialmente sob o aspecto que o jogo de poder, entre dois homens, é diferente do jogo de poder heterossexual.
Por ultimo se discutia que a falta de uma rede familair e social, por vezes, acaba isolando ainda mais o casal homossexual, impedindo que ele possa vivenciar atitudes e comportamentos de família.
Deu para ver que as dicussões foram realmente muito ricas, que geraram muitas reflexões, não é?
E você, acha que dois homens podem formar uma família? Que dificuldades acha que esta família enfrentaria?
Eu, envolvido num relacionamento de quase 8 anos, que eu acredito que tem se fortalecido com muita conversa e muitas atitudes de ambos, tenho a tendência a acreditar que sim. Que dois homens juntos podem estabelecer uma relação e podem construir uma familia.
O Edson, que fez seu mestrado baseado na questão da conjugalidade, coordenou o encontro, e trouxe, para dar um starter no assunto, uma tabela elaborada pelo pesquisador e sexologista americano, Richard Green, que mostrava os principais desafios que enfrentam um casal de homens, e que acabaram por ajudar a nortear as discussões.
Uma das questões que se discutiu, e que é fácil perceber, é a questão da homofobia internalizada, que muitas vezes impede os casais LGBT de formarem relacionamentos afetivos, pois a falta de aceitação de umou de outro, em maior ou menor nível,´pode ser um entrave. Neste aspecto também ficou latente a questõa que muitas vezes, num casal, cada um dos envolvidos está em estágios diferentes em relação a isto,o que pode ser ainda motivo de falta de acordo, de stress.
A questão que a legislação também não dá suporte a este relacionamento, também foi um fator que se mostrou importante, pois a falta de reconhecimento oficial , favorece a invisibilidade social...
A questão da identidade de "gênero" acaba pesando, pois num casal heterossexual os papeis do "Marido" e da "esposa" já estão arraigados, enquanto num casal de homens estes papeis tem que ser redimensionados, especialmente sob o aspecto que o jogo de poder, entre dois homens, é diferente do jogo de poder heterossexual.
Por ultimo se discutia que a falta de uma rede familair e social, por vezes, acaba isolando ainda mais o casal homossexual, impedindo que ele possa vivenciar atitudes e comportamentos de família.
Deu para ver que as dicussões foram realmente muito ricas, que geraram muitas reflexões, não é?
E você, acha que dois homens podem formar uma família? Que dificuldades acha que esta família enfrentaria?
Marcadores:
edson efendi,
grupo de pais gays,
pai gay,
vera moris
18 de junho de 2010
"Meu pai é gay" - Histórias de quem vive essa realidade
Preconceito pode ser aprendido em casa - e essa lição elas nunca tiveram. Garotas de famílias assumidamente homossexuais contam como é conviver com papai e papai (ou mamãe e mamãe)
texto de Sandra Soares e Thiago Bronzatto, para a revista Gloss
Durante toda a infância, a americana Abigail Garner sentia o coração acelerar toda vez que alguém mencionava a palavra "bicha" na sala de aula. De uma primeira geração de crianças criadas em famílias alternativas assumidas, ela cresceu mostrando o boletim escolar e negociando o horário de voltar para casa com uma mãe e dois pais - seu pai biológico decidiu viver com outro homem quando ela tinha 5 anos. Hoje, aos 33, é uma das mais conhecidas defensoras da causa gay no país, apesar de ser heterossexual. Desde 1999 escreve textos e dá palestras que ajudam filhos de homossexuais americanos - segundo estimativas, pelo menos oito milhões de crianças e adolescentes. Seu blog e seu livro, Families like Mine: Children of Gay Parents Tell It like It Is (numa tradução livre, Famílias como a Minha: Filhos de Pais Gays Contam como É), são referências no assunto.
Nos Estados Unidos, é comum que famílias como a dela assumam publicamente sua condição. Por lá, já existem até revistas voltadas para gays com filhos. A que ficou mais conhecida é a And Baby, lançada em 2001. Chegou a ter tiragem de cem mil cópias e fez sucesso com dicas para, por exemplo, papai e papai se saírem bem ao acompanharem a filha na compra de bonecas. O Brasil tem cerca de seis milhões de homossexuais e sedia a segunda maior Parada do Orgulho Gay do planeta. Mas só agora começa a lidar abertamente com o tema. "As famílias homoparentais são sempre existiram, mas eram invisíveis por causa do preconceito", afirma o sociólogo Alípio Sousa Filho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e editor da Bagoas, publicação semestral de estudos sobre homossexualidade. "Dos anos 80 para cá, há avanços na aceitação da diversidade e eles estão ganhando mais visibilidade."
Filhos de gays não precisam colecionar, necessariamente, relatos traumáticos como os de Abigail. Filha adotiva do apresentador Leão Lobo - gay assumidíssimo -, Ana Beatriz Mota Lobo, 16 anos (foto acima), garante que raramente sofreu preconceito por causa do pai. "Meu namorado, por exemplo, se espantou mais por saber que o sogro era o cara das fofocas da TV do que com a opção sexual dele", diverte-se ela. Ana fala de sua criação com uma normalidade absoluta e não tem grandes dramas para contar. O problema começa da porta para fora. Mesmo completamente amparada, ela vive em uma família sem os mesmos direitos que as outras. Se o seu pai quiser se casar com o namorado, por exemplo, não pode. Já se vão doze anos desde a entrada, no Congresso Nacional, da proposta de legalização da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo. E o projeto nunca foi votado. Mesmo sem amparo legal, as famílias formadas por casais gays vêm conseguindo vitórias na Justiça. Ao divulgar em 2002 a resposta ao pedido de custódia do filho biológico de Cássia Eller, feito pela viúva da cantora, o juiz que cuidou do caso escreveu: "A questão da homossexualidade não tem importância. O essencial foi assegurar o interesse pessoal de Chicão". Pela decisão, o garoto, hoje com 15 anos, permaneceu com Maria Eugênia Vieira Martins, companheira de Cássia nos últimos quinze anos de sua vida. A decisão abriu caminhos para casos semelhantes.
Tudo o que se relaciona à sexualidade, algo tão íntimo, se confronta com o mundo exterior. Crenças religiosas, maneiras de ver a vida, o lugar onde se vive - as variáveis são imensas. No caso dos filhos de gays, essa situação tende a ser exponencialmente maior. Bruna Peixe dos Santos, 16 anos, sofreu muito a perda de um namorado e de algumas amigas que se afastaram quando foram apresentados a seu "pãe". Bruna tem uma mãe biológica que nasceu mulher, mas optou pela identidade masculina. É um transexual - e adotou o nome de Alexandre Santos, o Xande, atual secretário da Associação da Parada do Orgulho Gay. "Até os 5 anos minha filha ouvia eu me apresentar como lésbica", explica Xande. "Quando compreendi que na verdade eu tinha identidade oposta ao corpo com que vim ao mundo, mudei meu discurso e meu nome." Entender todas essas mudanças foi o mais difícil para Bruna. "Era tudo meio confuso. Mas nunca tive vergonha do meu 'pãe'. Quando eu era mais nova, ameaçava bater em quem falava mal dele."
Como se vê, quando se chega perto das famílias com pais gays, é possível perceber que quase sempre o problema maior vem de fora - mesmo quando a relação dos pais com a sexualidade parece confusa. Somente há pouco mais de quinze anos o homossexualismo foi retirado da Classificação Internacional de Doenças publicada pela Organização Mundial de Saúde. Há mais tempo do que isso, no entanto, as primeiras gerações de filhos de gays assumidos mostram que família é família. E digam o que quiserem lá fora
"Durante muito tempo, eu me recusei a responder à pergunta: 'Você é heterossexual?' Como outros jovens de famílias como a minha, ser confrontada com essa questão me fazia sentir como que colocando meu pai sob julgamento. Ser filho de homossexuais não significa que uma criança tenha mais ou menos chances de ser gay, mas essa é uma das discussões que mais vêm à tona quando se fala sobre famílias alternativas. Tive a sorte de saber que meu pai era gay antes de conhecer a homofobia. O preconceito é algo que se aprende e, aos 5 anos, eu não havia aprendido."
Depoimento de Abigail Garner
texto de Sandra Soares e Thiago Bronzatto, para a revista Gloss
Durante toda a infância, a americana Abigail Garner sentia o coração acelerar toda vez que alguém mencionava a palavra "bicha" na sala de aula. De uma primeira geração de crianças criadas em famílias alternativas assumidas, ela cresceu mostrando o boletim escolar e negociando o horário de voltar para casa com uma mãe e dois pais - seu pai biológico decidiu viver com outro homem quando ela tinha 5 anos. Hoje, aos 33, é uma das mais conhecidas defensoras da causa gay no país, apesar de ser heterossexual. Desde 1999 escreve textos e dá palestras que ajudam filhos de homossexuais americanos - segundo estimativas, pelo menos oito milhões de crianças e adolescentes. Seu blog e seu livro, Families like Mine: Children of Gay Parents Tell It like It Is (numa tradução livre, Famílias como a Minha: Filhos de Pais Gays Contam como É), são referências no assunto.
Nos Estados Unidos, é comum que famílias como a dela assumam publicamente sua condição. Por lá, já existem até revistas voltadas para gays com filhos. A que ficou mais conhecida é a And Baby, lançada em 2001. Chegou a ter tiragem de cem mil cópias e fez sucesso com dicas para, por exemplo, papai e papai se saírem bem ao acompanharem a filha na compra de bonecas. O Brasil tem cerca de seis milhões de homossexuais e sedia a segunda maior Parada do Orgulho Gay do planeta. Mas só agora começa a lidar abertamente com o tema. "As famílias homoparentais são sempre existiram, mas eram invisíveis por causa do preconceito", afirma o sociólogo Alípio Sousa Filho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e editor da Bagoas, publicação semestral de estudos sobre homossexualidade. "Dos anos 80 para cá, há avanços na aceitação da diversidade e eles estão ganhando mais visibilidade."
Filhos de gays não precisam colecionar, necessariamente, relatos traumáticos como os de Abigail. Filha adotiva do apresentador Leão Lobo - gay assumidíssimo -, Ana Beatriz Mota Lobo, 16 anos (foto acima), garante que raramente sofreu preconceito por causa do pai. "Meu namorado, por exemplo, se espantou mais por saber que o sogro era o cara das fofocas da TV do que com a opção sexual dele", diverte-se ela. Ana fala de sua criação com uma normalidade absoluta e não tem grandes dramas para contar. O problema começa da porta para fora. Mesmo completamente amparada, ela vive em uma família sem os mesmos direitos que as outras. Se o seu pai quiser se casar com o namorado, por exemplo, não pode. Já se vão doze anos desde a entrada, no Congresso Nacional, da proposta de legalização da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo. E o projeto nunca foi votado. Mesmo sem amparo legal, as famílias formadas por casais gays vêm conseguindo vitórias na Justiça. Ao divulgar em 2002 a resposta ao pedido de custódia do filho biológico de Cássia Eller, feito pela viúva da cantora, o juiz que cuidou do caso escreveu: "A questão da homossexualidade não tem importância. O essencial foi assegurar o interesse pessoal de Chicão". Pela decisão, o garoto, hoje com 15 anos, permaneceu com Maria Eugênia Vieira Martins, companheira de Cássia nos últimos quinze anos de sua vida. A decisão abriu caminhos para casos semelhantes.
Tudo o que se relaciona à sexualidade, algo tão íntimo, se confronta com o mundo exterior. Crenças religiosas, maneiras de ver a vida, o lugar onde se vive - as variáveis são imensas. No caso dos filhos de gays, essa situação tende a ser exponencialmente maior. Bruna Peixe dos Santos, 16 anos, sofreu muito a perda de um namorado e de algumas amigas que se afastaram quando foram apresentados a seu "pãe". Bruna tem uma mãe biológica que nasceu mulher, mas optou pela identidade masculina. É um transexual - e adotou o nome de Alexandre Santos, o Xande, atual secretário da Associação da Parada do Orgulho Gay. "Até os 5 anos minha filha ouvia eu me apresentar como lésbica", explica Xande. "Quando compreendi que na verdade eu tinha identidade oposta ao corpo com que vim ao mundo, mudei meu discurso e meu nome." Entender todas essas mudanças foi o mais difícil para Bruna. "Era tudo meio confuso. Mas nunca tive vergonha do meu 'pãe'. Quando eu era mais nova, ameaçava bater em quem falava mal dele."
Como se vê, quando se chega perto das famílias com pais gays, é possível perceber que quase sempre o problema maior vem de fora - mesmo quando a relação dos pais com a sexualidade parece confusa. Somente há pouco mais de quinze anos o homossexualismo foi retirado da Classificação Internacional de Doenças publicada pela Organização Mundial de Saúde. Há mais tempo do que isso, no entanto, as primeiras gerações de filhos de gays assumidos mostram que família é família. E digam o que quiserem lá fora
"Durante muito tempo, eu me recusei a responder à pergunta: 'Você é heterossexual?' Como outros jovens de famílias como a minha, ser confrontada com essa questão me fazia sentir como que colocando meu pai sob julgamento. Ser filho de homossexuais não significa que uma criança tenha mais ou menos chances de ser gay, mas essa é uma das discussões que mais vêm à tona quando se fala sobre famílias alternativas. Tive a sorte de saber que meu pai era gay antes de conhecer a homofobia. O preconceito é algo que se aprende e, aos 5 anos, eu não havia aprendido."
Depoimento de Abigail Garner
Marcadores:
pai gay,
revista gloss
17 de junho de 2010
Construindo relações com os filhos...ao longo do tempo
Acho que a parte mais interesante, mais estimulante, de ter filhos, é ver a mudança das pessoas ao longo do tempo. Você tem a seu lado uma pessoa que não sabe as coisas e não tem medo de perguntar, aliás, algumas crianças tem o botão "perguntador" sempre no ON durante uma certa fase.
Você também tem a seu lado uma pessoa que constantemente revê seus conceitos e até suas "verdades", numa ano o quente é a Barbie, no outro é a Wanessa Camargo e no seguinte Justin Bieber!
Com filhos você tem a seu lado uma pessoa que te admira quase incodicionalmente, seja você feio, ladrão, gay ou totalmente burro! Não importa que defeitos você acha que tem, ela sempre te admira!
Mas isto é uma arma de dois gumes, se você não estiver imbuido do desejo real de fazer esta pessoa crescer, se tornar uma pessoa feliz e integra, você pode usar tudo isto contra seu filho, são os chamados pais "tóxicos", que detonam a auto estima do filho, que querem alguem subjugado, alguem subserviente.
E nos casos mais graves, os pais abusadores, pedófilos...e não nos enganemos... que isto só acontece nas famílias miseráveis...
Para criar minha filha eu percebi que o amor era a palavra chave, não o amor sem limites, mas o amor verdadeiro, que apoia, que escuta, que fala NÃO realmente só quando precisa falar, pois eu sempre tive em mente que estava criando uma pessoa, e não "cuidando de uma criança",que são coisas bem diferentes...
Todo pai, e mãe,que trabalha, sente um certo sentimento de culpa por delegar uma parte da educação e cuidado de seus filhos á escola, á empregada, á avó, á babá....Por isto é muito importante reservar MESMO, agendar se for preciso, momentos para ficar com os filhos, senão este tempo nunca aparece.
Ei, masnão acha que vai educar uma pessoa, transmitir tudo o que quer, em poucas horas..os seres humanos demoram para aprender, para entender, aceitar...o tempo é um fator fundamental para maturar as ideías!
Ei, masnão acha que vai educar uma pessoa, transmitir tudo o que quer, em poucas horas..os seres humanos demoram para aprender, para entender, aceitar...o tempo é um fator fundamental para maturar as ideías!
E, sempre, sempre, a VERDADE, especialmente para os homossexuais, homens e mulheres, que fizeram a opção de ter filhos , e aí é opção mesmo, não orientação! Pois através da adoção ou outros meios, eles revertem a lógica de nãopoderme ter filhos. É claro que para aqueles que tem filhos advindos de um relacionamento heterossexual anterior a questão é um pouco diferente...mas penso que a verdade ainda deve ser um objetivo a ser alcançado!
Os fatores desta equação poderiam ser:
T= tempo (em anos)
Tc = Tempo de convivência (em horas diárias)
A= Afeto e atenção (acho que dá para medir em beijos)
V= Verdade (em que medimos isto?)
C= Crescimento da pessoa (medido em felicidade!)
Na minha cabeça a fórmula poderia ser algo como:
C = [(T+Tc) A ]V
Ou seja, o Crescimento, o fator felicidade de nossos filhos, seria igual ao passar dos anos, somado ao nosso tempo de convivência com eles, multiplicado pelos amor e beijos. Mas todo este número será negativo se o fator Verdade for negativo!
E você, qual sua fórmula, para criar seus filhos ou de vida?
Marcadores:
educando filhos,
pai gay
13 de junho de 2010
“Papai é gay, meu filho”
Entrevista - Mau Couti, Fotógrafo e blogueiro
06/06/2010 - 00h00 (Outros - A Gazeta)
por Elaine Vieira da rede Gazeta evieira@redegazeta. com.br
“Papai é gay, meu filho”
06/06/2010 - 00h00 (Outros - A Gazeta)
por Elaine Vieira da rede Gazeta evieira@redegazeta. com.br
“Papai é gay, meu filho”
O fotógrafo Maurício Coutinho, 44 anos, é gay. Depois de anos tentando lutar contra seu desejo, numa época em que era feio e perigoso ser homossexual, ele conseguiu se assumir. A maior preocupação passou a ser como contar para o filho Bryan, então com 8 anos. Sabe o que o menino, hoje com 18 anos e uma tatuagem do nome do pai no braço esquerdo, disse? “Vão te sacanear, papai". Dito isso, logo depois passou a cobrar: “Você não disse que o namoro era igual, só que entre dois homens? Então manda beijo”, quando o pai desligou o telefonema para o namorado. Para contar sua história e ajudar outros como ele, Mau Couti- como é conhecido profissionalmente - criou o blog Papai Gay, para que crianças e adultos possam encarar o homossexualismo com a mesma naturalidade - e respeito - de Bryan.
Como você se descobriu homossexual?
Desde criança eu sempre soube que era gay, já admirava amigos do meu pai. Eram os homens que despertavam minha sexualidade. Meu pai era militar, mas não era o tipo de pessoa preconceituosa. Mas eu não conseguia me aceitar. Era anos 1980 e não havia ídolos gays. A personagem em voga era a travesti Rogéria, com quem eu não me identificava. Então eu fiquei assim, negando a minha realidade dos 8 aos 14 anos, quando tive minha primeira relação sexual com um homem.
Mas você também teve relacionamentos com mulheres.
Entre os 14 e os 18 anos também tive experiências com mulheres. Eu era considerado um bom partido, então pegava todas as meninas. E pegava homens também, mas com eles era tudo muito escondido, clandestino. Eu achava que com homens era só sexo, que eu nunca ia me apaixonar por nenhum, até porque eu também via aquilo tudo como muito sujo. E sexo é sexo, é bom, principalmente quando se é adolescente, então eu acabava ficando com as mulheres, porque eu também gostava e me apaixonava loucamente por elas. Quando tinha 18 anos, surgiu forte a questão da Aids, a história do Cazuza, e ninguém sabia direito como é que pegava aquilo. Na dúvida, preferi continuar transando com mulheres, porque, além do prazer, parecia mais seguro. E depois, quando decidi contar tudo pro meu pai, ele também acabou me influenciando a tentar com mulheres.
Por que você optou por sufocar sua sexualidade?
Eu gostava de mulheres, mas a atração maior era por homens, sempre foi. Estava muito na dúvida. Sabia que era gay, mas não queria ser. Naquela época ninguém queria ser gay, porque era muito difícil. Além disso teve a influência do meu pai. Foi bom ter contado tudo para ele, parecia que eu tinha me livrado de um câncer, mas, nessa conversa, meu pai, que era muito inteligente, acabou me influenciando, mostrando que já que eu tinha prazer com mulheres deveria continuar com elas. E aí a gente começou a se identificar mais um com o outro e eu me senti mais hetero. Foi então que me apaixonei pela mãe do meu filho, com quem casei aos 20 anos. Ficamos 10 anos juntos e eu sufocando minha homossexualidade. Fomos morar nos Estados Unidos e depois de 7 anos de casamento começamos a nos desentender, como todo casal. Depois de um tempo resolvi que queria viver tudo aquilo que eu tinha vivido com ela, uma relação séria, com um homem.
Foi aí que você começou a se aceitar?
Nos Estados Unidos, desde aquela época, os gays eram muito mais assumidos, tinham muito mais direitos conquistados e isso me ajudou a me aceitar. Quando eu voltei pro Brasil, decidi que a sociedade brasileira machista não ia mais me prender. Me separei, me apaixonei por um menino de 18 anos (eu tinha 30 na época) e assumi para a família toda.
E como foi esse processo até contar para o seu filho?
Foi uma confusão enorme. Minha separação teve briga na Justiça e tudo. Mas depois conseguimos nos entender e passamos a ter uma relação legal para poder criar nosso filho. Juntos, decidimos qual seria a melhor hora para contar para o Bryan. Aconteceu quando ele tinha 8 anos.
Foi mais difícil contar para ele do que para seus pais?
Pelo contrário, foi muito mais fácil. Depois que contei, percebi que nunca deveria ter escondido. A preocupação era se isso poderia influenciar a sexualidade dele, mas eu sabia que um gay já se reconhece assim desde pequeno. Se meu filho fosse gay, ele ia continuar sendo. Se fosse hetero, pelo menos ia se tornar um cara mais aberto, mais liberal, sem preconceitos. E foi isso que aconteceu. Esconder é subestimar a inteligência das crianças, a capacidade delas em entender uma coisa que existe desde sempre. A maldade está muito mais na cabeça dos adultos. Depois que contei, ele fez algumas perguntas sobre como é namoro, o que faz ou não. Eu respondi na medida do possível e em uma semana ela já tinha assimilado tudo.
O que o surpreendeu?
Nosso diálogo foi lindo. Eu perguntei para ele se teria problema se o pai fosse gay, ele disse que não. Então eu confirmei: “Pois é, papai é gay, meu filho”, e a primeira reação dele foi chorar e dizer que as pessoas iam me sacanear. Aí eu expliquei que todo mundo já sabia, menos ele. E ele quis que eu tivesse contado antes.
Você acha que a sua opção se refletiu de alguma forma na adolescência do seu filho, na relação dele com os amigos?
Lógico que as pessoas reagiram. Ele começou contando apenas para os amigos mais íntimos e, sem querer, acabou se tornando um militante no colégio, excluindo amigos que falavam coisas preconceituosas.
E ele participa da sua vida amorosa?
Nos finais de semana em que ele ficava comigo, viajávamos com meu namorado. No começo não tinha beijo, carinho, nada, era como se fosse um amigo. Mas depois que ele ficou sabendo, ele mesmo cobrava. Numa ligação para meu namorado, disse: “pai, você não falou que o namoro era a mesma coisa, só que entre dois homens? Então porque não mandou um beijo antes de desligar?”. Ele me fez ligar de novo, só para mandar beijo, e isso mostra a naturalidade com que encarou as coisas. É uma besteira não mostrar carinho, não beijar na frente de crianças, porque é exatamente isso que um casal hetero faria.
Que tipo de preconceito mais o incomoda?
É não poder andar de mãos dadas na rua. Não poder dar um beijo no meu namorado quando tiver vontade. Só acha que está tudo bem quem se satisfaz com subcidadania. Sou uma pessoa como todas as outras e tenho que ter os mesmos direitos de todo mundo. Por isso a homofobia tem que ser criminalizada. Só assim a sociedade brasileira vai entender que eu tenho o direito de passear de mãos dadas com meu namorado pela rua, sem achar que eu esteja agredindo ninguém. Se as crianças virem, melhor, aí os pais vão poder explicar que é normal e não teremos mais pessoas bitoladas, porque apesar da maior exposição dos gays, ainda tem muita gente por aí que acha que pode espancar uma pessoa só por causa da sua opção sexual.
Você está fazendo sua parte...
Criei o blog para falar sobre o que vivo e ele acabou virando uma ferramenta de utilidade pública, com as pessoas me procurando para tirar dúvidas. Da minha parte, acho que sou o único homem do mundo que quer que o filho seja gay. Queria pelo menos que ele experimentasse, mas ele não quer. Eu transei com um monte de mulher e nem por isso deixei de ser gay. Um hetero pode se permitir experimentar sem deixar de sê-lo também. Até brinco, dizendo que não adiantou nada tocar Cher quando ele era criança, meu filho acabou virando metaleiro!
Marcadores:
grupo de pais gays,
mau couti,
pai gay,
pais e mães lgbt
Assinar:
Postagens (Atom)








