| "Mãe, o que é "normal" " É só um ciclo da secadora querida" |
Até que ponto somos NORMAIS, ou queremos parecer NORMAIS?
Neste final de semana eu descobri a série THE NEW NORMAL na netflix. Pelo que eu li a série é de 2103, então muita gente deve ter assistido...
Mas para quem não conhece vai um pequeno resumo: Um casal gay de Los Angeles, bem sucedido e rico, resolve ter um filho e optam pela barriga de aluguel. Eles acolhem na casa deles a moça que vai gestar o filho, junto com a filha de 8 anos dela, mas tem que aturar a avó dela que é extremamente homofóbica (uma interiorana de Ohio) e contra o fato que da neta gestar o filho de um casal de homossexuais. O enredo gira em torno do casal, as preocupações dos futuros pais com a gestação, da sua relação com a família e com a sociedade.
A série faz um esforço sincero de mostrar o casal gay e suas relações familiares como algo NORMAL, não no sentido que eles são iguais aos outros, mas que eles são diferentes, mas as pessoas podem aprender a encara sua família com naturalidade.
Das séries de temática LGBT dos últimos tempos essa foi a que mais me agradou. Ela mostra conflitos que parecem bem reais, bem sintomáticos, desde a recusa do Padre em oficializar o casamento deles até um deles ser expulso dos "boy scouts" por outro pai considerar que ele tinha um comportamento que podia influenciar o filho - a "normalidade" do casal assustou. Além de outras pequenas histórias paralelas.
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| Pessoas normais me assustam! |
Enquanto eu assistia eu pensava, naturalmente, na questão de ser NORMAL... De praxe a palavra NORMAL é encarada pelos LGBT como algo pejorativo, nós não queremos ser aceitos como NORMAIS, posto que não nos consideramos ANORMAIS.
Mas o NORMAL está sempre rondando...Outro dia uma pessoa perguntou para minha mãe: "como é ter um filho gay" e ela respondeu "é normal, é como ter um filho qualquer"...
Uns dizem que os LGBTs querem simular uma "normalidade" para serem aceitos como iguais, outros que não é preciso pedir isso, porque não existe nada NORMAL, todos são diferentes (e iguais) ao mesmo tempo. Tem gente que diz que os LGBTs querem casar e ter filhos para mimetizar a heterossexualidade, outros que amar, querer ter família, é natural do ser humano, independente de seu gênero, da sua orientação sexual.
Até que meu casamento foi uma busca de "normalidade" eu já ouvi...
Na maioria das vezes é muito mais confortável para nós ter um conceito de normalidade estabelecido, a normatização das coisas é boa. Criar "standards" para podermos comparar é muito bom, pois podemos fazer escolhas... a questão é que no caso das pessoas não existem padrões, não existem normas perfeitas. Pessoas são "anormais" porque cada uma delas encerra um pequeno universo, mas todos sabemos que o normal não existe...
Eu não quero ser visto, aceito, como NORMAL, eu quero ser apenas EU e pronto, com minhas qualidades, meus defeitos, aceito com naturalidade, com carinho, com respeito!
O interessante é que a palavra NORMAL é um adjetivo de dois gêneros, sem existir masculino (normalo!!) ou feminino (normala!!) ou seja, a não distinção de gêneros é absolutamente NORMAL!
E você? tem problemas com a palavra NORMAL? Ou busca ser NORMAL?

