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13 de setembro de 2016

Nós queremos ser NORMAIS?

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"Mãe, o que é "normal"
" É só um ciclo da secadora querida"
Até que ponto somos NORMAIS, ou queremos parecer NORMAIS?

Neste final de semana eu descobri a série THE NEW NORMAL na netflix. Pelo que eu li a série é de 2103, então muita gente deve ter assistido...

Mas para quem não conhece vai um pequeno resumo: Um casal gay de Los Angeles, bem sucedido e rico,  resolve ter um filho e optam pela barriga de aluguel. Eles acolhem na casa deles a moça que vai gestar o filho, junto com a filha de 8 anos dela, mas tem que aturar a avó dela que é extremamente homofóbica (uma interiorana de Ohio) e contra o fato que da neta gestar o filho de um casal de homossexuais.  O enredo gira em torno do casal, as preocupações dos futuros pais com a gestação,  da sua relação com a família e com a sociedade.
A série faz um esforço sincero de mostrar o casal gay e suas relações familiares como algo NORMAL, não no sentido que eles são iguais aos outros, mas que eles são diferentes, mas as pessoas podem aprender a encara sua família com naturalidade.

Das séries de temática LGBT dos últimos tempos essa foi a que mais me agradou. Ela mostra conflitos que parecem bem reais, bem sintomáticos, desde a recusa do Padre em oficializar o casamento deles até um deles ser expulso dos "boy scouts" por outro pai considerar que ele tinha um comportamento que podia influenciar o filho - a "normalidade" do casal assustou. Além de outras pequenas histórias paralelas.

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Pessoas normais
me assustam!
Enquanto eu assistia eu pensava, naturalmente,  na questão de ser NORMAL... De praxe a palavra NORMAL é encarada pelos LGBT como algo pejorativo, nós não queremos ser aceitos como NORMAIS, posto que não nos consideramos ANORMAIS. 
Mas o NORMAL está sempre rondando...Outro dia uma pessoa perguntou para minha mãe: "como é ter um filho gay" e ela respondeu "é normal, é como ter um filho qualquer"...

Uns dizem que os LGBTs querem simular uma "normalidade" para serem aceitos como iguais, outros que não é preciso pedir isso, porque não existe nada NORMAL, todos são diferentes (e iguais) ao mesmo tempo. Tem gente que diz que os LGBTs querem casar e ter filhos para mimetizar a heterossexualidade, outros que amar, querer ter família, é natural do ser humano, independente de seu gênero, da sua orientação sexual.
Até que meu casamento foi uma busca de "normalidade" eu já ouvi...

Na maioria das vezes é muito mais confortável para nós ter um conceito de normalidade estabelecido, a normatização das coisas é boa. Criar "standards" para podermos comparar é muito bom, pois podemos fazer escolhas... a questão é que no caso das pessoas não existem padrões, não existem normas perfeitas. Pessoas são "anormais" porque cada uma delas encerra um pequeno universo, mas todos sabemos que o normal não existe...
Eu não quero ser visto, aceito, como NORMAL, eu quero ser apenas EU e pronto, com minhas qualidades, meus defeitos, aceito com naturalidade, com carinho, com respeito!

O interessante é que a palavra NORMAL é um adjetivo de dois gêneros, sem existir masculino (normalo!!) ou feminino (normala!!) ou seja, a não distinção de gêneros é absolutamente NORMAL! 


E você? tem problemas com a palavra NORMAL? Ou busca ser NORMAL?


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28 de julho de 2014

Quem quer ter um filho gay?

Outro dia estava conversando com o Mr. J, que pensa em adotar uma criança, eu falava um pouco sobre o que conheço do processo de adoção e ele me disse:
- Eu gostaria de ter um filho gay!
O meu choque foi instantâneo!  - Como assim um filho gay? Você é louco?
- Eu acho que gays aproveitam muito mais a vida se divertem muito mais! - disse ele
- Adotar um filho que vai sofrer e ser discriminado? - repliquei
E ele completou – Eu nunca tive nenhum problema em ser gay, sempre vivi minha vida livremente.
- Mas e teus pais e parentes que não te aceitam e te discriminam?
- Isto é problema deles, isto é um problema para eles resolverem, não para mim!
- Mas o teu filho gay vai sofrer discriminação na escola, no trabalho...
- Eu não tenho nenhum problema com isto, trabalho numa empresa em que há muitos gays, em algumas profissões eu até diria que somos a maioria.
- Eu não concordo, não acho legal esta sua ideia e eu ia sofrer muito se meu filho fosse discriminado. Respondi eu, ainda tentando assimilar o pensamento dele!
- Eu acho que um pai também gay teria muito mais condição de ajudar um filho gay...Eu não vejo problema nenhum em ser gay e ate gostaria de ter um filho gay. Não é porque você teve problemas com isto no seu passado que eu precise ter, ou meu filho...
"eu tenho orgulho do
meu filho gay"
Eu acabei mudando de assunto porque estávamos em lados opostos. Confesso que eu fiquei bastante incomodado com a idéia dele e seus  argumentos, achei uma grande bobagem o que ele disse e que só estava fazendo “graça”... minimizando os problemas que os gays passam... mas como ás vezes preciso de um tempo para digerir um assunto...desta vez também foi assim...
O processo ficou borbulhando...
Fiquei lembrando da Claudia Leite, da Joelma, que disseram não querer filhos gays...mas elas não são gays!  E mesmo assim foi um absurdo elas dizerem isto! 
Acho que a única explicação para eu achar ter um filho gay um problema é minha homofobia internalizada! Um combate longo, demorado e dolorido muitas vezes!
Se eu, sendo gay, não me imagino tendo um filho gay, porque eu saio por ai defendendo e militando que os pais devem aceitar seus filhos? onde está minha auto-estima, minha auto-aceitação?  Qual seria realmente o problema de ter um filho gay?
Porque eu não conseguia achar que ter um filho gay é bom? Porque fiquei sentindo que ter um filho gay é como ter um filho diabético ou hemofílico - como as pessoas adoram comparar?.
Acho que ai entraram duas questões em cena... primeiro minha experiência pessoal, sem dúvida, as dores de ser diferente da maioria, os segredos, o armário construido com dor e desconstruido com muito trabalho, a discriminação sentida aqui e ali, achar de um jeito ou de outro que eu nasci com uma "diferença" um defeito... e a gente quando quer um filho quer um filho "perfeito", quer um filho "normal"... ninguem quer ter um flho que tenha algo que possa lhe dificultar a vida, quer seja uma questão biológica quer seja uma questão de caráter... em resumo, eu estava encarando a homossexualidade do meu filho como patologia...
A segunda coisa em cena foi o meu espírito paterno, nenhum pai quer que os filhos sofram, seja por que for, ninguem quer que o filho seja caçoado (hoje chama bullyng) por usar óculos, por ser gordinho, por ser burrinho... para um pai o mínimo sofrimento do filho guarda relação direta com o exercício do papel de pai, de mãe também. Queremos a todo custo proteger nosso filho do sofrimento. E mais uma vez eu estava me contradizendo, pois eu sempre falo, para pais que pensam em adotar e que argumentam que não querem adotar uma criança negra por acham que ela vai sofrer discriminação, que isto tudo faz parte da vida, que ninguem consegue proteger os filhos de tudo, de relacionamentos, de amizades, do mundo real...E eu dizendo que  não quero fiho gay porque ele vai sofrer...

Cara! Como a gente é "titica" ás vezes! É como se eu estivesse dizendo: Eu não me aceito! Eu não me acho normal, eu não me acho digno, eu não me acho perfeito... eu acho que eu fui um problema para os meus pais! Eu não quero um filho gay porque ser gay não é bom!

Fiquei imaginando a vida de um garoto, de uma criança, num abrigo, num orfanato, que de alguma forma se mostre efeminado ou uma menina que aos olhos dos  outros pareça masculinizada... ninguém vai escoher estas crianças, ninguém quer ter um filho gay! Ninguém quer ter uma filha lésbica!

Ponto. Virgula, Hora de rever conceitos! Obrigado Mr. Jay por abrir minha mente!  Que venha o filho como ele for, e se for um filho gay será um filho tão amado como qualquer outro, será um filho de um pai com um pouco menos de preconeitos, um pai que está sempre tentando sempre ser um pouquinho melhor...
E para terminar um pouco menos sério... veja o vídeo abaixo, quando os pais descobrem que o filho NÃO é gay...

E você? Quer ter um filho gay?