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28 de julho de 2014

Quem quer ter um filho gay?

Outro dia estava conversando com o Mr. J, que pensa em adotar uma criança, eu falava um pouco sobre o que conheço do processo de adoção e ele me disse:
- Eu gostaria de ter um filho gay!
O meu choque foi instantâneo!  - Como assim um filho gay? Você é louco?
- Eu acho que gays aproveitam muito mais a vida se divertem muito mais! - disse ele
- Adotar um filho que vai sofrer e ser discriminado? - repliquei
E ele completou – Eu nunca tive nenhum problema em ser gay, sempre vivi minha vida livremente.
- Mas e teus pais e parentes que não te aceitam e te discriminam?
- Isto é problema deles, isto é um problema para eles resolverem, não para mim!
- Mas o teu filho gay vai sofrer discriminação na escola, no trabalho...
- Eu não tenho nenhum problema com isto, trabalho numa empresa em que há muitos gays, em algumas profissões eu até diria que somos a maioria.
- Eu não concordo, não acho legal esta sua ideia e eu ia sofrer muito se meu filho fosse discriminado. Respondi eu, ainda tentando assimilar o pensamento dele!
- Eu acho que um pai também gay teria muito mais condição de ajudar um filho gay...Eu não vejo problema nenhum em ser gay e ate gostaria de ter um filho gay. Não é porque você teve problemas com isto no seu passado que eu precise ter, ou meu filho...
"eu tenho orgulho do
meu filho gay"
Eu acabei mudando de assunto porque estávamos em lados opostos. Confesso que eu fiquei bastante incomodado com a idéia dele e seus  argumentos, achei uma grande bobagem o que ele disse e que só estava fazendo “graça”... minimizando os problemas que os gays passam... mas como ás vezes preciso de um tempo para digerir um assunto...desta vez também foi assim...
O processo ficou borbulhando...
Fiquei lembrando da Claudia Leite, da Joelma, que disseram não querer filhos gays...mas elas não são gays!  E mesmo assim foi um absurdo elas dizerem isto! 
Acho que a única explicação para eu achar ter um filho gay um problema é minha homofobia internalizada! Um combate longo, demorado e dolorido muitas vezes!
Se eu, sendo gay, não me imagino tendo um filho gay, porque eu saio por ai defendendo e militando que os pais devem aceitar seus filhos? onde está minha auto-estima, minha auto-aceitação?  Qual seria realmente o problema de ter um filho gay?
Porque eu não conseguia achar que ter um filho gay é bom? Porque fiquei sentindo que ter um filho gay é como ter um filho diabético ou hemofílico - como as pessoas adoram comparar?.
Acho que ai entraram duas questões em cena... primeiro minha experiência pessoal, sem dúvida, as dores de ser diferente da maioria, os segredos, o armário construido com dor e desconstruido com muito trabalho, a discriminação sentida aqui e ali, achar de um jeito ou de outro que eu nasci com uma "diferença" um defeito... e a gente quando quer um filho quer um filho "perfeito", quer um filho "normal"... ninguem quer ter um flho que tenha algo que possa lhe dificultar a vida, quer seja uma questão biológica quer seja uma questão de caráter... em resumo, eu estava encarando a homossexualidade do meu filho como patologia...
A segunda coisa em cena foi o meu espírito paterno, nenhum pai quer que os filhos sofram, seja por que for, ninguem quer que o filho seja caçoado (hoje chama bullyng) por usar óculos, por ser gordinho, por ser burrinho... para um pai o mínimo sofrimento do filho guarda relação direta com o exercício do papel de pai, de mãe também. Queremos a todo custo proteger nosso filho do sofrimento. E mais uma vez eu estava me contradizendo, pois eu sempre falo, para pais que pensam em adotar e que argumentam que não querem adotar uma criança negra por acham que ela vai sofrer discriminação, que isto tudo faz parte da vida, que ninguem consegue proteger os filhos de tudo, de relacionamentos, de amizades, do mundo real...E eu dizendo que  não quero fiho gay porque ele vai sofrer...

Cara! Como a gente é "titica" ás vezes! É como se eu estivesse dizendo: Eu não me aceito! Eu não me acho normal, eu não me acho digno, eu não me acho perfeito... eu acho que eu fui um problema para os meus pais! Eu não quero um filho gay porque ser gay não é bom!

Fiquei imaginando a vida de um garoto, de uma criança, num abrigo, num orfanato, que de alguma forma se mostre efeminado ou uma menina que aos olhos dos  outros pareça masculinizada... ninguém vai escoher estas crianças, ninguém quer ter um filho gay! Ninguém quer ter uma filha lésbica!

Ponto. Virgula, Hora de rever conceitos! Obrigado Mr. Jay por abrir minha mente!  Que venha o filho como ele for, e se for um filho gay será um filho tão amado como qualquer outro, será um filho de um pai com um pouco menos de preconeitos, um pai que está sempre tentando sempre ser um pouquinho melhor...
E para terminar um pouco menos sério... veja o vídeo abaixo, quando os pais descobrem que o filho NÃO é gay...

E você? Quer ter um filho gay?



18 de dezembro de 2013

PAI

A situação é clássica, quase um padrão: Homens gays não se relacionam bem com o pai. acho que eu posso contar nos dedos de uma mão - se muito - os amigos, que se assumiram gays,  que se dão bem com seus pais

Minha relação com o meu pai é péssima! Na realidade inexistente se considerarmos o que seria considerado como um mínimo. 
Meu pai sempre foi uma pessoa muito distante - daqueles que não brinca com filhos (que segundo ele lhe devem respeito), daqueles que não vai a competições, não leva em festas, não estuda junto.
Eu sempre me ressenti muito disto, meu irmão e minha irmã (mais novos que eu) também se ressentem disto, mas de certa forma aprenderam a lidar com isto de forma diferente da minha, lidam melhor com a situação.  Talvez serem respectivamente Taurino e Leonina tenha ajudado.

Mas para mim isto sempre foi um grande sofrimento. Naturalmente eu creditava isto ao fato de eu ser um cara, desde pequeno, mais ligado ao mundo das artes, da música, da estética, do que ao mundo clássico "masculino" que inclui esportes - o futebol e o Corinthians no topo da lista - falar palavrão, ser machista e misógino, trair a esposa, e coçar o saco!
De alguma forma, mesmo sem saber, eu sabia que era "diferente" e que talvez não fosse aceito por meu pai. Ai eu segui o padrão clássico do "gay que tenta se fazer aceitável", me destaquei nos estudos, me destaquei em ajudar a família, me destaquei em ficar próximo da minha mãe, me destaquei em ser educado... mas nada disto funcionou, meu pai nunca lançou uma palavra de elogio, um abraço de parabéns, e nem mesmo um agradecimento por nada. Mas os presentes sempre vieram: relógios, viagens, o primeiro carro, todos os cursos que quis fazer...o tal "provedor" achava isto suficiente. E sempre bateu no peito por isto - de sempre ter trabalhado muito para não faltar nada em casa.
Hoje eu sei que ele realmente não entende o que é realmente importante!

(continua clique AQUI)

31 de agosto de 2012

As escolhas...de nossos filhos!


- Pai, porque os rapazes que gostam de mim eu não estou afim deles e os que eu gosto não me dão bola?


!!

Ah minha filha! Esta não é a "pergunta de um milhão de dólares", mas com certeza a resposta vale isto!  Mas quando a gente é adolescente isto não é uma simples pergunta! É um problema!
Uma das maiores angustias de um pai (e mãe off course) é que não queremos que nossos filhos sofram. Sofram com doenças, com preconceito, com injustiças, e que não sofram por amor!
Os pais se desdobram para poupar os filhos de dificuldades, trabalham para oferecer para os filhos o que nunca tiveram, quebram a cabeça pensando em maneiras de alegrar e fazer felizes suas crias. Mas a verdade, que se descobre como pai (o melhor e o pior emprego do mundo!) é que a gente não vai conseguir livrar nossos filhos do sofrimento, punto e basta!
Queremos nossos filhos e filhas com auto-estima elevada, com amor próprio, com orgulho de suas conquistas e com forças para enfrentar as derrotas!
E eu, tenho que confessar, nem quero que minha filha não "sofra por amor", acho saudável numa certa idade (ou até um pouquinho mais tarde) que tenhamos amores platônicos e extremos, acho que a pessoa gostar-não ter-aprender uma equação com muitos ganhos.
Em especial acho saudável que ela namore bastante, algo entre o limite da fama de encalhada mas sem chegar no título de sabonete (passsa na mão de todo mundo), para experimentar, para se divertir, para aprender a sofrer na medida, para ter assunto, para poder comparar...e...em última instância para poder ESCOLHER, com base em experiências e vivencias.
Casar com o primeiro namorado, ou com o namoradinho do colégio, não me parece uma fórmula com bons resultados. Mesmo que aparentemente o quadro apresentado seja outro, acho difícil a relação se sustentar com pessoas tão imaturas emocionalmente.
Para os jovens gays então, este sofrimento é triplicado, primeiro porque via de regra eles acabam se apaixonando platonicamente pelo colega que nem gay é, e que justamente este menino, para não ser "zuado" pelos amigos, tem que se manter a kilómetros do amigo que os outros consideram "esquisito e efeminado", potencializando o sofrimento do platonicamente apaixonado...
Some a isto que ele não tem amigos, é esquisito e isolado, nem tem amigos da mesma idade ( se ele não frequenta do PURPURINA! ) e nem tem com quem conversar sobre este sentimento...
Nem mesmo em casa, porque os pais não sabem que ele é gay e jamais aceitariam!
Tá bom ou quer mais? Dá para entender porque os gays acabam tendo tantos problemas para vivenciar relações mais maduras...não dá?

É claro que toda esta teoria não esconde o fato de que o cara que fez minha filha sofrer é um cafajeste e um calhorda filho da puta, mas ela vai aprender a tirar ele da cabeça, tenho certeza, só tenho que ajudá-la a não deixar a peteca cair! (risos)

Quem aprendeu a sofrer por amor põe o dedo aqui! E comenta!

22 de agosto de 2010

silêncio sobre o Dia dos Pais...

Vários dos amigos e amigas que costumam ler "estas mal traçadas linhas", questionaram sobre a ausência de um post especal no dia dos pais...
É verdade, e eu mesmo me espantei de ter deixado passar a data sem um texto especial, normalmente com lindas fotos de pais e filhos...me espantei porque nem percebi isto.
O que não significa, em absoluto, que minha vivência como pai tenha se tornado desinteressante, pelo contrário, acho que o fato de minha filha estar crescendo, me faz mais e mais acreditar na idéia de ser pai, e perceber o quanto ela me fez querer ser uma pessoa melhor. A cada dia minha relação com ela se fortalece e percebo claramente os laços que estou criando, ou tentando criar, com a Mulher que ela vai ser.
Mas este ano foi significativo em minha vivência como FILHO.
Sempre tive uma relação muito dificil com meu pai, e sempre , de certa forma, atribui isto ao fato de eu não ser o "filho que ele esperava", pois sempre fui muito mais quieto, pouco ligado em esportes e outras "masculinidades", mais emocional. De certa forma eu sempre entendi, ou aceitei, que nossa relação era ruim por "culpa" minha, por eu ser sempre, desde pequeno, meio "viadinho".
E isto foi realmente sempre muito pesado para mim, como sei que é para muitos homens homossexuais. Mas, assumindo minha responsabilidade sobre as atitudes dele como sendo minha culpa, e sempre bombardeado por frases como - "ele te ama , mas não demonstra pois é o jeito dele", eu acabei me conformando com receber muito pouco como filho. (além das questões materiais, que tenho que confessar nunca faltou).
Mas este ano as coisas mudaram um pouco, as questões familiares e patrimoniais se estressaram um pouco,  e minha terapia me fez ver muitas coisas que estavam nubladas, e acabei convoncando minha mãe para um almoço, uma conversa, que começou com a seguinte frase:
- Mãe, por que o papai de odeia tanto?
E foi ai, após um susto inicial de minha mãe, uma clássica "mãe italiana de familia sempre feliz",  que descobri que o problema da relação com meu pai não fui eu quem criou, com minha "viadagem". Ela me disse que de certa forma, desde que eu nasci, meu pai me ignorou, me desprezou. Ela achou que era porque eu era o primeiro filho, que roubei o tempo que ela tinha para ele, mas percebeu que isto tb aconteceu com meus irmaõs, mesmo que em menor escala.
Ele não era um pai ausente por falta e tempo, ele era distante por que de certa forma os filhos reprensentavam uma ameaça (tem até uns lances de mitologia, cronos e os filhos, que dá para ajudar a entender).

Vou contar para vocês, isto foi libertador, descobrir, depois de 40 e tantos anos, que você não fez nada errado, que todas as suas tentativas de aproximação não funcionaram , não porque você é gay, mas porque ele não queria se aproximar... é algo que tira um peso e tanto. Dá para imaginar?
Todas aquelas conversas, que eu precisava ouvir, todo o apoi oporfissional que eu precisava ter..cara, foi muito pesado.
Olha, se você sente algo parecido com seu pai, pense bem, talvez você não tenha feito nada errado, tenho certeza, tente descobrir onde esta relação entre vocês se deteriorou, e se precisar, pergunte, chame ele ou sua mãe para uma conversa, talvez muito de seu sofrimento como filho não tenha razão de ser.
Já pensou nisto?


Talvez por isto o dia dos pais tenha sido meio diferente, não como pai, mas como filho, e por isto tenha faltado um post...sorry


2 de junho de 2005

Pai Gay = Filho Gay ?

Filho de peixe, peixinho será?
 
Acho que essa é a principal dúvida que está implícita quando falamos sobre a criação de filhos por homossexuais, uma criança criada por um homossexual tem maior tendência a se tornar homossexual?
 A resposta é NÃO! 
Para corroborar essa minha afirmação, eu poderia fazer uso de estudos, de pesquisas, de teses de mestrado, de publicações na área de psicologia, sociologia, filosofia e medicina; mas prefiro pensar junto com você, para tirarmos nossas próprias conclusões, baseadas inclusive nas questões mais freqüentes sobre a homossexualidade. 
Para começarmos a refletir sobre esse assunto, acho que temos que definir as “origens” da homossexualidade.
Se levantarmos a hipótese da criança nascer homossexual por questões genéticas, teríamos que revogar todas as teorias sobre a transmissão de genes, afinal de contas, você conhece algum homossexual cujos pais biológicos são homossexuais? Ou cujos avós ou bisavós são homossexuais?
E também, se o argumento for que a homossexualidade se origina no ambiente em que a pessoa vive,  a pergunta será a mesma: Quantos homossexuais que você conhece foram criados em ambientes com a presença de homossexuais? 
Daí já podemos fazer duas reflexões que são verdadeiras e podem ser provadas estatisticamente:
- Filhos biológicos de homossexuais não têm maior tendência a serem homossexuais.
- Crianças educadas em lares com a presença de homossexuais não têm maior tendência a se tornarem homossexuais.
 
Outro argumento de caráter sociológico é a hipótese  que os homossexuais são justamente as crianças frutos de lares desestruturados, com o famoso “Pai ausente”... mas é fácil perceber que se fosse assim, o percentual de homossexuais seria bem maior, pois a figura do pai ausente era praticamente um ícone dos ultimos 2 séculos de evolução  humana, especialmente depois da revolução industrial, onde se enfatizou a questão do macho provedor. Ou seja, a teoria do lar desestruturado não justifica para que se impeça um homossexual de criar pessoas felizes e saudáveis.
 Também se ouve dizer que se deve impedir a criação de crianças por homossexuais porque elas crescerão em ambientes degradados, de “moral duvidosa”, onde os conceitos de família, de amor, de fidelidade, não são conceitos éticos, que os pais e mães homossexuais querem forçar que seus filhos sigam seus caminhos, que pais e mães homossexuais querem que seus filhos sejam homossexuais e fazem tudo neste sentido...Santa bobagem! Como diria o menino prodígio.
Eu garanto que qualquer pessoa que tenha enfrentado dificuldades na vida para ser quem é, para poder amar quem quer, para poder viver sem ser discriminado, não iria querer nada parecido para seus filhos. Garanto a vocês que nenhum pai ou mãe ficaria “satisfeito” em ter um filho homossexual. Todos nós amamos nossos filhos e queremos que sejam felizes, que sofram menos, que chorem menos.
A única “diferença” é que pais e mães homossexuais estão constantemente preocupados em mostrar aos seus filhos, sobrinhos e filhos de amigos, que cada ser humano é único, que os sentimentos e sensações são direitos de cada um.
A “diferença” é que pais e mães homossexuais não expulsam seus filhos de casa por eles estarem felizes por se relacionarem com uma pessoa do mesmo sexo. Não teríamos vergonha de nossos filhos!
 No nosso país:
- Homossexuais são impedidos legalmente de criarem filhos em comum justamente porque as pessoas acham que as uniões não são sérias, que são relacionamentos baseados única e exclusivamente em sexo, e que são desfeitos por outra coisa melhor, ou diferente, a cada final de semana.
- Homossexuais não podem criar filhos porque são impedidos de se unirem perante a lei de um país que se diz laico, e também porque são impedidos de construírem um patrimônio em comum para garantir o futuro de seus filhos como outras famílias fazem.
- Homossexuais não devem criar crianças, biológicas ou adotivas, porque os homossexuais querem dominar o mundo e impor seu modo de vida a toda a população. Os homossexuais querem se tornar o segundo sexo.
- Homossexuais não podem ajudar outros seres humanos a se estruturarem, a crescerem, pois eles são seres humanos desestruturados, promíscuos, sem moral, sem ética.
 
Enquanto isso,  enquanto esses argumentos, que você mesmo me ajudaria a derrubar com um pequeno sopro de bom senso e inteligência , sobreviverem, as nossas crianças continuarão a sofrer.
Os filhos homossexuais de pais heterossexuais continuarão com medo de que seus pais deixem de lhes amá-los se eles souberem a temida verdade.
Os filhos de pais e mães homossexuais continuarão sendo olhados com o canto do olho, em busca de algum “sintoma de anomalia”.
 
E seus filhos, como esta situação atinge eles?
 
 

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