Muitas são as FAMILIAS HOMOAFETIVAS, homens ou mulheres gays que mantem longos relacionamentos, com ou sem filhos. Pais e mães homossexuais que criam filhos sozinhos. Filhos provenientes de casamentos anteriores, de adoções, ou outros métodos ...
Este Blog quer conversar sobre estes paradigmas, sobre Paternidade Homossexual, sobre relacionamentos, família, direitos, leis. E também estimular a convivência entre estas famílias e a troca de idéias! Sejam bem vindos!
O mais incrível - ao menos para mim - do fato da minha filha ter tido sua primeira relação sexual - foi a naturalidade com que ela encarou o assunto... ela contou, e conta, para as pessoas com a maior naturalidade.
Não que isto seja ruim... eu acho até engraçado!
Quando fomos passar o fim de semana na casa da madrinha dela, de quem somos muitos íntimos, ela virou, no meio da conversa, e disse, Madrinha tenho que te contar algo... EU DEI! Isto no frente dos filhos dela, que são tratados como primos, a madrinha começou a rir, os meninos queriam detalhes... na maior naturalidade...
Na mesma semana a minha prima veio me contar que ficou até sem ar, quando estava no elevador com minha filha e ela virou, do nada, e disse EU DEI, com a maior naturalidade...
Pode até ser que algum moralista de plantão ache isto uma imoralidade, falta de bom senso, ou até uma banalização de um assunto sério. Eu acho muito bom ela encarar com naturalidade o assunto!
A gente GOSTA DE DAR presentes! Eu aprendi que o cérebro se beneficia disto! O sorriso de quem recebe ativa nosso cortex frontal, bem ali no meio dos olhos, o que gera uma sensação de prazer...até pensar em ser generoso já ativa nossa sensação de recompensa...
Eu fico imaginando o quanto o cortex cerebral da minha filha ficou ativado com a alegria do rapazinho que foi o primeiro dela! (e também fico pensando em comprar uma espingarda.... rsrsrs)
Quando ela era pequena várias vezes ela vinha me chamar para ver o cocô dela no banheiro... Dizem que as crianças fazem isto porque sabem que os pais ficam felizes por ela ter feito cocô direitinho, na privada ou penico, porque o cocô mostra que a criança comeu bastante... Mas é um tipo de ativação do cortex cerebral bem esquisitinha... que só pai e mãe acha bonitinho... (rsrsrsr)
Para mim, como pai, este momento marca de forma indelével o fim da infância de minha filha... ela não é mais criança! Não que eu infatilizasse minha filha, eu sempre a tratei com a idade que ela tinha, e muitas vezes até como uma criança mais velha do que ela realmente era, quando delegava responsabilidades para ela, decisões. E ela cresceu sabendo dos prazeres e responsabilidades e tomar as próprias decisões... Mas é um marco para o paizão aqui, sem dúvida!
E você? Quando deu saiu contando para todo mundo? A Patricia comentou que não contou para ninguém!
Este post é continuação do Abrindo e Lendo Emails, clique AQUI e leia para pegar o "fio da meada"!
Como eu dizia...
Eu conheci este cara num encontro de uma ONG onde ambos éramos voluntários e me encantei com ele, por muito motivos...mas ai...como fazer para ficar "mais perto" dele?
Trocamos endereços e começamos a nos corresponder, por carta (CARTA? OI?.... lembrem, na pré história do seculo XX ainda não tinhamos email...)
A oportunidade de ficar mais próximo surgiu uns dois meses depois... a entidade organizou um grande encontro em SP, num lugar "tipo" um retiro, e como eu era da organização, eu dei um jeitinho de ficar no mesmo quarto que ele! rsrsr . Detalhe, era um quarto para quatro pessoas mas - e olha que coincidência - só íamos ficar nós dois no quarto! Dei a desculpa que deixei assim caso alguém precisasse mudar de quarto teria uma vaga no meu fácil, sem precisar ficar fazendo trocas de pessoas...
Sacana eu? Bom, na realidade ele vai ficar sabendo disto quando ler este post ( !!!), mas como somos amigos até hoje ,sei que não vai ficar bravo comigo! I hope so! Foi uma "fofura" minha para ficar perto dele! Concordam?
Ficamos nós dois no mesmo quarto, mas eu, que sou muito certinho, muito caxias, nem tentei nada. Estávamos lá por um assunto sério, a "trabalho" na realidade. Para mim foi apenas o frisson de estar com ele e criar uma maior intimidade, mais papos... e mesmo o quarto tendo um banheiro privativo tanto eu quanto ele entrávamos e saíamos do banho trocados...
Dois bobinhos!
Quando terminamos o encontro combinamos que ele viria passar o próximo fim de semana na minha casa, ele gostava (ainda gosta) muito de SP, e gostava dos passeios culturais, museus, teatros... mais uma coisa que tínhamos em comum!
Ele veio, fiz questão de ir buscar ele la na rodoviária do tietê, viemos para casa, no caminho paramos comer um sanduiche...
Quando ele chegou em casa eu mostrei o sofá-cama do quarto de tv, onde ele dormiria, e falei se ele queria tomar um banho, ele tomou, depois eu. Quando eu sai do banho preparei um chá para nós dois e perguntei se ele não queria ir no meu quarto "ver uns cds muito legais que eu tinha de jazz" (podem rir).
Ai... sabe como é....dois caras que estavam se curtindo, na beira da cama, sozinhos em casa, ouvindo musica... rolou o primeiro beijo, e vários outros e uma pegação bem inocente, bem amorosa, acabamos dormindo juntos...
E ai engatamos uma amizade muito forte, um namoro, ou eu ia para a cidade dele no fim de semana, ou ele vinha para sampa, e rolavam muitas cartas, porque ninguem tinha celular naquela epoca e telefone fixo era super caro, ás vezes iamos viajar para algum lugar, foi com ele que fiquei pela primeira vez hospedado numa pousada gay, a Raposa da Montanha em Campos do Jordão. fizemos muitas coisas legais juntos.
Eu realmente gostava dele, eu acho até que amava ele, foi realmente um momento muito especial na minha vida. Ficamos juntos por quase dois anos, mas ai eu fui viajar e fiquei um tempo fora do país e acabamos nos distanciando.
Também teve um coeficiente que eu estava no começo de minha vida profissional e eu sentia ele muito pouco ambicioso, um pouco acomodado, na época, e isto também acabou nos afastando.
Mas sempre fomos amigos, e sempre mantivemos contato, ele foi realmente um cara muito especial, e foi o primeiro para quem contei que tinha o sonho de ter filhos, de adotar - e ele foi super legal, deu o maior apoio e estímulo, apesar de não parecer comungar dos mesmo ideais, e sonhos.
Hoje ele é professor universitário, com destaque em sua área, e esta casado com um cara super legal, mais novo que ele, porque ele também tem o perfil de "cuidador" como eu tenho...Mantemos contato e sinto que torcemos pela felicidade um do outro até hoje! Tanto que quando me separei ele foi uma das primeiras pessoas para quem liguei! Para me ajudar a pensar e refletir...
Acho que, para uma pessoa como eu, mais focado na qualidade e na durabilidade, do que na quantidade e diversidade, cada pessoa que passou na minha vida tem seu lugar especial na minha memória...
A expressão "O PRIMEIRO SUTIÃ A GENTE NUNCA ESQUECE" é antológica e muita gente usa em diversas ocasiões, foi uma das primeiras campanhas da W/Brasil e projetou ainda mais o Washington Olivetto, se vc não conhece clique abaixo no link do Youtube, acho que a emoção tem muito a ver com aquele momento que eu vivia! Esta propaganda é de 1986 e a Patricia Lucchesi tinha apenas 11 anos, hoje ela tem quase 40!
E você, com foi seu "primeiro sutiã"? Sua primeira paixonite?
Quando eu saia da adolescência, em meados da década de 80, o assunto homossexualidade não era falado de forma tão aberta como hoje em dia, pode parecer chocante mas homossexualidade ainda era doença! A OMS só tirou da lista de doenças em 91!
Então era uma certa barra "resolver" ser gay!
Mas eu era, mesmo tendo "resolvido" não ser! =o)
Basicamente eu tinha resolvido não dar vazão aqueles sentimentos, que não entendia bem, porque era nítido e claro que eu não seria aceito, que eu teria muitos problemas, que eu ia ser discriminado. Que eu não seria feliz.
E era nítido e claro para mim que se eu fosse "viado" eu não poderia ter filhos, e mesmo com pouco mais de 20 anos, eu queria muito ter filhos, queria ter uma família.
...era o que eu precisava!
Mas mesmo assim, o desejo falou mais forte e eu decidi que de certa forma eu tinha que ver "qual era o lance" de ficar com um cara, e confesso que não era nada muito romântico, era uma coisa de tesão mesmo, aliás, eu nem acreditava que poderia haver romance entre gays, era só tesão e sexo mesmo!
Afinal de contas todos diziam: "Viados gostam de sexo grupal, de se vestir de mulher e de dar o cú"!
O primeiro cara com quem sai eu encontrei na tal da locadora da Eusébio Mattoso, perto do Eldorado, onde eu alugava filmes de arte - com um ou dois eróticos no meio para disfarçar! (kkkk).
Me pergunta se eu assistia aqueles filmes do Godard e do Buñuel ?
Encontrei, conversei,
- Você já assistiu este? É bom?
Continuei e chamei para casa,
- Quer ir lá em casa assistir?
Era um ruivinho bem interessante se me lembro bem, uns anos mais velho que eu: mão naquilo, beijos, amassos, tira a roupa, masturbação mútua, e levei ele para casa. Me lembro que ele morava longe da minha casa! Tipo zona norte... nem trocamos telefones, nem nada, (não tinha email, face, nem celular lembram?) Foi um frisson bom demais. Mas nunca mais cruzei com ele.
Depois eu "seduzi" um rapaz que trabalhava com atendente numa loja que eu frequentava por razões profissinais, que se dizia hetero e que teve que ser devidamente embriagado para ir adiante. E adiante não é sinônimo de "finalmentes"...
Foi ai que conheci um cara muito legal, que era voluntário numa ONG em que eu também era voluntário, ele morava no interior de sp, e nos conhecemos numa reunião de voluntários...
Eu me encantei por ele, um cara alegre, sorridente, gente boa, entusiasmado, inteligente, com nome de poeta, que lia e conhecia coisas, ele era praticamente um teen, mesmo sendo maior de idade, e eu um pouco mais velho que ele...