Muitas são as FAMILIAS HOMOAFETIVAS, homens ou mulheres gays que mantem longos relacionamentos, com ou sem filhos. Pais e mães homossexuais que criam filhos sozinhos. Filhos provenientes de casamentos anteriores, de adoções, ou outros métodos ...
Este Blog quer conversar sobre estes paradigmas, sobre Paternidade Homossexual, sobre relacionamentos, família, direitos, leis. E também estimular a convivência entre estas famílias e a troca de idéias! Sejam bem vindos!
Acabei de chegar do teatro, Mr Jay me levou assistir OU VOCÊ PODERIA ME BEIJAR, em cartaz no teatro do núcleo experimental, na Barra Funda. um espetáculo lindo, que fala de amor, de confiança, de envelhecimento, de descobertas. Uma montagem caprichada, com muita teatralidade, atores afiados e uma narração surpreendente! Clara Carvalho me deixou boquiaberto!
Confesso que fui ás lágrimas no final!
Não vou contar detalhes para não estragar a emoção e as surpresas! Mas não deixem de ver!
E a VEJA considera estas uma das melhores peças em cartaz, link do teatro:
Por não ter o hábito de acompanhar novelas eu confesso que eu nunca fui daqueles que esperou "ansiosamente" o beijo gay nas novelas. Os gays já estão nas novelas - e nas séries, e no dia a dia - há muito tempo, com persongens que sempre são policiados pela comunidade LGBT, e que ora são chamados de caricatos (acho que o próprio Felix foi chamado) , ora de efeminados, mas sempre com um viés de que "não nos representam".
E olha que já tivemos gays, lésbicas, bissexuais e trans de vários matizes nas novelas. Tem até uma série nacional em que um machão bicheiro é casado com uma trans...
A princípio eu achei que todo mundo ia ficar em polvorosa com o evento, que ia ser comentado e incensado por dias a fio. Mas não foi o que aconteceu, menos de uma semana depois o acontecido já se tornou pauta velha nos assuntos e nas fofocas.
Mas eu fiquei pensando, até que ponto isto interferiria na minha vida? A minha resposta inicial - de mocinho que se acha super bem-resolvido - foi - EM NADA!
Mas acho que não é bem asism que eu me sinto...
De certa forma este beijo legitimou alguma coisa, não sei bem o que, mas acho que ele ampliou a minha zona de conforto, foi algo parecido com o que aconteceu com a legitimação do casamento pelo Supremo.
Algo mudou no equilibrio delicado das forças do meu mundo interno...
Explicando:
Como já contei aqui, durante 10 anos eu vivi um relacionamento estável, e no período que estávamos morando juntos eu efetivamente passei a me sentir "casado". Mas sempre tinha este casado entre aspas, poque efetivamente eu não estava casado e, na época, nem podia me casar. Mesmo assim quado alguem me perguntava, quem é fulano? - F é meu marido! eu respondia, ou ás vezes - F é "como se fosse" marido.
Mas á todo momento eu lembrava que dois caras não podiam casar, toda vez que eu falava isto eu lembrava. Eu tenho certeza que hoje eu teria muito mais poder para falar isto, eu me sentiria muito mais seguro de dizer, - Somos casados, - Ele é meu marido!, tenho certeza que quando eu me casar com Mr. Jay vai ser assim...
A legitimação do casamento, mesmo sem ser o PLC 1222, mesmo sendo "jurisprudência", me deu muito mais tranquilidade em ser casado com outro homem, eu acho que de certa forma este reconhecimento legitimou estas uniões e as equiparou a outras, o que deu mais peso e mais verdade.
No caso do beijo a minha sensação é parecida. Eu beijo o Mr. Jay com muita frequência em lugares públicos, para falar OI, para falar TCHAU, ou quando ele faz alguma gracinha...beijos no estilo Felix Niko, de carinho de amor, ....mas eu percebia que algumas vezes eu me retraia, eu deixava de dar o beijo na frente do porteiro do predio, ou no ambiente de trabalho dele, por achar que isto seria "inaceitável", e totalmente desproposital.
De certa forma este beijo do Walcyr Carrasco tirou um pequeno "lacre" na minha visão de mundo, de certa forma meus beijos parecem ser muito mais aceitáveis e menos transgressores do que eram...pode ser bobeira minha, pode ser homofobia internalizada, mas de certa forma saber que o beijo gay alcançou a novela das oito e milhões de lares faz o meu beijo parecer menos estranho.
Há algum tempo atrás eu participei de um encontro promovido pelo psicologo Klecius Borges e muita gente comentou que gostaria de ter participado, ele vai promover um novo Workshop no dia 8 de fevereiro, e acho que vai ser bem interesante, eis o convite para quem quiser se inscrever.
E se quiser saber mais sobre o Klecius ele tem um site com textos bem legais, que dão o que pensar - www.kleciusborges.com.br
DA MONOGAMIA Á POLIAMORISIDADE
Os diferentes modelos e arranjos nas relações amorosas e sexuais entre gays e bissexuais.
Workshop com seis horas de duração conduzido por Klecius Borges, psicólogo e psicoterapeuta, especializado no atendimento a gays, lésbicas, bissexuais e seus familiares e autor, entre outros, do livro “Muito Além do Arco-íris: amor, sexo e relacionamentos na clinica homoafetiva”.
Este workshop tem por objetivo discutir os mais frequentes arranjos e modelos de relacionamento adotados por gays, a partir de uma perspectiva não heteronormativa, analisando e discutindo suas características, particularidades, principais dificuldades e desafios.
Além da discussão e da troca de experiências entre os participantes, serão apresentados também alguns dados de estudos e pesquisas relatados na literatura recente.
O workshop se destina tanto a indivíduos que estão em algum tipo de relacionamento e lidam diretamente com esse tema, quanto àqueles que se interessam em conhecer e analisar as alternativas ao modelo monogâmico tradicional.
Data: 08 de fevereiro 2014.
Horário: das 10:00 às 17:00 com um intervalo de 1 hora para almoço.
Quando falamos em relacionamentos tem sempre duas "máximas"
que entram em cena: Ou as pessoas dizem "OS OPOSTOS SE
ATRAEM" ou o argumento é que se deve "ENCONTRAR A METADE
DA LARANJA"
Ou seja, tem um grupo de pessoas que
acreditam que provavelmente irão se relacionar com uma pessoa totalmente
oposta, com gostos e estórias de vida diferentes, para se completarem
justamente na diferença do outro. Já um outro grupo acredita que as pessoas,
para se relacionarem, precisam ter muito em comum, quem sabe até a mesma
profissão, os mesmo gostos musicais...
Qual é o certo?
"Nem tanto ao mar, nem tanto á
terra", eu diria!
Durante muito tempo eu acreditava piamente
na fórmula "metade da laranja", queria encontrar alguém que
compartilhasse os mesmos gostos, tivesse ideias e projetos parecidos, talvez
até estórias de vida diferente.. até fiz a besteira de pegar alguém que era diferente
e tentar transformar em igual!
Eu era uma pessoa muito mais rígida, que
achava que sabia o que era certo, aliás, que sempre achava que o meu jeito era
certo, então qualquer diferença era vista com um desafio a "melhoria"
(santa presunção Batman!).
Mas eu fiz isto só porque era muito
difícil encontrar alguém parecido comigo! Afinal de contas ...eu era
"quase perfeito"... Olha, vou dizer, devia ser muito difícil namorar
comigo!
Eu era muito parecido com um amigo meu,
que me disse há pouco tempo, que estava saindo com um cara muito interessante,
que ele estava gostando muito, mas que não ia dar certo...
-Porque
você diz que não vai dar certo?perguntei
-Ah, mas num vai dar certo! Imagina você que eu citei uma música do Bruce Springsteen e
ele nem sabia quem era!
Por sorte eu fui evoluindo, fui
percebendo que a pessoa ser um pouco diferente de mim era até interessante...
Eu conseguia aprender muitas coisas interessantes sobre a profissão do
namorado, da vivência dele em outro ambiente de trabalho. Também comecei a me
interessar pelas mecânicas das famílias, perceber como as famílias, especialmente
quando a pessoa era de origem de outra nacionalidade, ou de outro estado, eram
interessantes.
Mas mesmo assim eu ainda tinha um olhar de
antropólogo, de historiador (!!!) . Não conseguia efetivamente admirar estas
diferenças e nem absorver as que eu julgava interessantes. Mas eu continuava achando as minhas posições e crenças as melhores...
Foi só no momento que eu consegui parar de idealizar as pessoas (incluindo pais, amigos, irmãos) que eu consegui realmente ver as pessoas como elas são, e foi ai que comecei a ver que as diferenças eram uma excelente oportunidade de crescimento, aprender a admirar o outro na sua singularidade e aprender com esta diferenças, realmente deixar uma coisa nova surgir do encontro de duas pessoas. E, mais importante do que isto, eu aprendi a aceitar quem eu sou, a me respeitar e saber meus limites, a saber a dose correta de possibilidades de realização de meus sonhos, de minhas aspirações. E, vou dizer, isto também me serviu como pai, respeitar as diferenças dos filhos também pode ser muito criativo para as relações. A diferença de idade, o momento profissional, as diferenças de gostos...
E você, onde as diferenças com seu
namorado são criativas?
Para mim uma das melhores coisas que existe em estabelecer um relacionamento é a INTIMIDADE...a CUMPLICIDADE....
E quando eu falo em intimidade eu não estou falando em intimidade sexual, estou falando em intimidade de alma mesmo! Aquela coisa de fazer as coisas para você, mas, de certa forma, procurar encaixar o outro em suas decisões.
Pensar no que quer comer no jantar, mas também pensar no que seu namorado gostaria de comer - e as vezes até se confundir - pois lembra que ele não virá jantar. Pensar onde quer passar as férias - com ele, pensar em onde vai estar daqui á dez anos, e incluir o outro neste pensamento...
Intimidade a meu ver é repartir seu espaço íntimo, que pode ser, fisicamente falando, a sua cama, o seu quarto, a sua casa... mas principalmente um pedacinho de sua alma, de seus sonhos , de seus desejos. Na realidade é deixar o outro fazer parte de vc (e vice versa). Na realidade para ser intimo você precisa se abrir e reservar um espaço para o outro dentro de você.
Um espaço aliás, que vai te fazer falta se o cara for embora! E eu acho que quem não se permite ser íntimo de alguém é justamente porque tem medo deste buraco, desde espaço que você vai dar para o outro e nunca mais vai pegar de volta, Sim, nunca mais recupera.
Eu bem sei disto, mas eu não tenho medo de intimidade... nenhum medo aliás!
Outro dia, conversando com algumas pessoas, eu "descobri" que tem gente que simplesmente NÃO GOSTA de intimidade! Tem gente que não quer, que não sabe, que prefere, não abrir este espaço de intimidade para o outro.
Coloquei "descobri" entre aspas não porque eu descobri, mas porque eu me achei um RI DI CU LO confrontando a pessoa e questionando : - Mas como não gosta? - Como se gostar fosse a unica possibilidade!
Cai naquele velho erro... achar que o meu jeito é o melhor ou o mais certo! Coisas de seres humanos não é?
É claro que intimidade também tem sua parte ruim... os "maus hábitos" das pessoas (por exemplo: fazer xixi de porta aberta é top one na lista de maus habitos para mim!) e os tais ruídos e odores corporais, puns bafos e tudo o mais...
Mas pior mesmo é a pessoa não estar comprometida, é a intimidade ser criada só na aparência...
Esta imagem á esquerda é uma outra que eu ia usar para ilustrar "encaixe", intimidade, cumplicidade.... mas eu achei ela meio "pornográfica" não acham? KKKKKKKKKK!
E você? Qual é a melhor parte de um relacionamento para você?
No mês de outubro eu fui com o Mr. Jay num casamento de uma amiga dele. Na realidade tanto a noiva quanto o noivo são amigos dele de longa data, pessoas que se conhecem desde o tempo de colégio!
Fiquei realmente emocionado em ver como ele é querido por estes amigos - que moram na cidade dele e que ele vê raramente - as pessoas se emocionavam quando encontravam ele e as conversas eram fluidas e animadas. Ele foi inclusive padrinho de casamento do lado da noiva.
São amigos que sabem que ele é gay e que também me receberam muito bem, a quem fui devidamente apresentado como "namorado", e que parecem aceitar tudo com muita naturalidade e zero preconceito.
Mas, de certa forma, o preconceito social e a homofobia internalizada estão sempre por ali! Ou seria "por aqui"?
Num determinado momento estávamos sentados numa mesa eu, ao lado do meu namorado, um outro amigo dele - também gay - e três casais de amigos deles, e eu estava super feliz e me deu uma vontade danada de dar um beijão nele, da mesma forma que vários casais fazem nestas situações...
Mas eu não dei...
Não dei o beijo porque eu sabia que era o local inadequado para isto, não dei em "respeito" ao ambiente, não dei porque achei que podia constranger ele, não dei para não criar polêmica e não chocar. Eu não dei o beijo que eu queria dar. Eu não dei aquele beijo única e exclusivamente porque eu sou gay!
E isto não é "culpa" do Mr Jay ou porque estava no ambiente da cidade dele, eu não dei aquele beijo que queria dar porque também não daria se fosse um casamento de amigos meus, ou da minha família, eu não dei porque apesar de tudo, e de todo o caminho, eu até hoje não beijo meu companheiro em qualquer lugar, a qualquer hora que eu queira, eu não beijo porque eu sou gay!
E eu até que sou bem desencanado com isto, beijo ele com bastante frequência em lugares públicos, mas sempre em momentos que eu acho que "não vai dar problema", e eu tenho que prestar atenção nisto apenas porque eu sou gay!
Aliás, eu até gosto de dar uma "chocada" de vez em quando, roubando um beijo no meio do shopping eu num lugar em que isto não é esperado, até como medida "pedagógica" para marcarmos território, uma militância meio bobinha... mas eu sempre sei que são lugares que eu, de certa forma, posso controlar a situação...mas tudo isto só porque eu sou gay!
E isto está em todos nós, mesmo o Mr. Jay fica meio embaraçado em nos beijarmos na frente da minha filha - barreira esta que já transpus há muitos anos!.
Gays são aceitáveis como na novela, seres assexuadas e sem emoções, seres "respeitosos" e que "sabem se comportar".
E eu acho isto um saco! Tem vezes que eu acho um saco ser gay!
Eu acho que uma das coisas mais difíceis num relacionamento amoroso é a sintonia de alguns canais!
O normal é as pessoas estarem em momentos diferentes de vida, um pode estar num momento em que precisa batalhar pela ascensão profissional, o outro num momento de estabilidade e de aproveitar as conquistas.
Um pode estar num momento em que os filhos estão grandes, alçando voôs solo e o outro com o desejo de ter filhos. Um pode estar num momento em que deseja conhecer coisas novas, pessoas novas e talvez fazer sexo com pessoas diferentes e o outro num momento mais caseiro e familiar...
Um pode ter desacreditado dos relacionamentos e o outro nunca ter acreditado!
Além disto existem as diferenças de personalidades, de sonhos, de histórias de vida, de experiências e por ai vai....
Então a primeira impressão é que fica difícil estas duas pessoas conviverem, afinal de contas somos sempre estimulados a sonhar com a "metade da laranja", alguém que te complete, que te compreenda totalmente, que compartilhe seus sonhos! Ou seja, fica difícil encontrar alguém para namorar! E casar!
Mas ai é que esta a "armadilha". Buscar alguém que te complete... E esta foi uma crença minha durante muito tempo!
Hoje eu percebo que a dinâmica de um bom relacionamento é diferente. Mais do que buscar alguém que seja sua metade faltante, devemos buscar alguém que esteja disposto a te conhecer e a te reconhecer, alguém que respeite suas diferenças e queira aprender com elas, alguém que entenda seus defeitos e te ajude a mudar os que você quer mudar, pessoas que estejam disposta a caminhar juntas... e não um relacionamento em que um, de certa forma, carrega o outro com seus sonhos e desejos, sem perceber o que está acontecendo...
Meu terapeuta sempre usa uma figura para falar sobre relacionamentos, ele diz que num relacionamento existem três elementos: Eu, o outro e o" relacionamento" que é uma terceira "entidade", com personalidade e desejos próprios, com aspirações e sonhos próprios, que vem do compartilhamento de partes minhas e do outro, coisas em comum e coisas construídas juntas.
Mas você tem que perceber se a pessoa está disposta a caminhar com você, mesmo que ela tenha medo ou se sinta insegura, esta não é uma aventura solitária...
Por isto eu sempre digo para minha filha:
-Se você disser "EU TE AMO" para um cara e ele não responder "EU TE AMO TAMBÉM"... pula fora!
Não acredite nos argumentos "Eu também gosto de você e você sabe disto", " eu não gosto de dizer isso", "eu não costumo falar assim", "acho que não é o momento de falarmos disto" ou qualquer outra coisa fugidia parecida, PULA FORA!
Não vai ficar acreditando que um dia ele vai te amar, ou - pior ainda - que o seu amor vai modificar ele, que seu amor é suficiente pelos dois!
Mesmo que você vá sofrer por ter que desistir desta pessoa, mesmo que você vá sofrer por pensar que nunca mais achará uma pessoa como aquela... pode acreditar, se ela não estava disposta a te amar, a pensar em te amar, ela não merece ficar com você!
Procure pessoa que sejam um eco para seus sentimentos, seus sonhos, seus desejos, não alguém que te complete, mas alguém que possa acreditar no que você fala e que esteja disposta a construir um "eu te amo"...
Depois da conversa com o Thiago, e de mais uns dois encontros com o Mr. J eu estava numa certa encruzilhada. Explico:
Eu prefiro acreditar que eu não sei fazer as coisas pela metade, ou eu gosto e vou em frente, ou eu não gosto e não alimento. Ou seja, a partir deste ponto de nosso conhecimento, e da abertura dele me dizendo o que estava sentindo, ou eu ia em frente e acreditava 100% naquelas possibilidades todas que eu antevia (de um namoro super legal e um relacionamento a ser construído), ou eu botava o pé no freio definitivamente e não me arriscava! Mas eu me conheço, e este cartoon expressa bem como me sinto!
Prefiro, definitivamente, me arriscar nestes assuntos do coração!
Mas ao mesmo tempo eu conheço aquela frase "quem não ama não sofre, quem não sofre não ama" pois eu mesmo tinha vivenciado esta experiência.
Ai eu me permiti arriscar! Apostar! Entreguei uma parte para os Deuses e fiz um trato interno, de não me preocupar tanto e de curtir a viagem para Paraty que faríamos no fim de semana seguinte! Eu acreditava que seria uma viagem ótima, especialmente porque eu tenho este lado "guia turístico" que adora apresentar coisas novas as pessoas que ama, e ele parecia verdadeiramente entusiasmado com a viagem!
E você, se estivesse neste ponto da trajetória, com eu, para onde iria?
Confesso a vocês que fiquei muito surpreso com o "papo cabeça" que tive com Mr. Jay naquela terça!
Nunca ninguém tinha sido tão direto e objetivo comigo, eu estava de certa forma acostumado a ME declarar e EU ficar atrás da pessoa, e de repente eu me deparei com um cara sério, que estava se declarando e vindo atrás de mim!
Aí deu aquelas "neuras": será que estou preparado para um outro relacionamento? Será que as coisas erradas que eu fiz vou fazer de novo? será que vou me magoar? Será que ele está falando sério mesmo? Vai ver que ele é um destes caras carentes que não pode ficar sem ninguém por isto estava sendo tão legal comigo!
(fecha parênteses da piração)
Foi então que lancei mão de uma coisa que não podia fazer nos tempos de namorado "mega" ciumento, sair e conversar com meus amigos! Ai eu liguei para o Thiago Quintana, que eu conhecia há muito tempo, pois somos voluntários na mesma ONG, mas com quem eu nunca havia conversado mais profundamente, eu sabia que seria um cara legal de conversar pois temos uma idade próxima e uma visão de mundo que me parecia ter muitos pontos de contato- além de que eu sabia que ele tinha experiências em coisas que podiam me ajudar! E eu já tinha lido muita coisa que ele escreveu no MIX BRASIL
Ele foi uma graça comigo, super disponível, mesmo com o pai dele acabando de sair do hospital, e topou na hora jantarmos juntos! Fomos comer na Santa Ethiene, um festival de sopas delicioso. conversamos por quase 4 horas, eu contei algumas partes de minha vida que ele não sabia, várias outras ele sabia- talvez através do Blog ou por amigos em comum penso eu - Ele foi totalmente aberto comigo, e foi uma conversa mega divertida, que me abriu muito a minha cabeça, sob vários aspectos e em várias direções.
Mas a coisa que mais me marcou do que ele disse foi - "não procure alguém que te complete! Procure alguém que te transborde!"
Incrível, uma frase respondeu tudo que eu falei, e muitas coisa que só pensei! Valeu Mr. + +!
Nossa conversa até rendeu um post do Thiago no MixBrasil, onde ele é colunista há vários anos! Leia aqui
Ai eu tinha que pensar o que fazer... ele iria viajar alguns dias e eu teria tempo...será que cancelo a viagem de Paraty? Ou será que "me jogo"?
Depois do encontro de domingo eu fiquei pensando muito naquele cara (!), que cara interessante, bom de papo, curtia viajar. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi que ele falou com bastante sinceridade de coisas que não gostava e coisas que gostava, sem tentar ser "agradável" como eu normalmente fazia em primeiros encontros.
Ele foi bem sincero. Bem crítico em relação a várias coisas! Interessante.
Na segunda nos falamos algumas vezes por mensagem, e marcamos de almoçar no dia seguinte- que era feriado aqui em sampa. E quem sabe um cinema...
Na terça de manhã fechamos o almoço, como era terça feira, e feriado, sugeri o Shopping Morumbi para não nos arriscarmos a encontrar algum restaurante fechado.
Me ofereci para buscar ele em casa, pensei: - se ele quiser algo mais sério não tem porque não me dizer onde mora...ele me passou o endereço.
Fomos ao AMERICA, e foi ali que ele descobriu que eu sou vegetariano... uma coisa que ele pega no meu pé sempre, com "pena" de quanta coisa gostosa eu deixo de comer..
E foi neste dia que eu também contei que tinha uma filha...
Neste período que eu estava conhecendo gente eu nunca falava logo de cara que tinha uma filha, eu achava que eu só precisava dar este passo se rolasse algum tipo de interesse mutuo, alguma ligação, e sempre estava preparado para as duas reações possíveis - Que Legal! ou - Tchau!
Normalmente a reação era de estranhamento e TCHAU!
Não sei bem se os caras achavam "esquisito" o cara ter filhos, ou se tinham algum preconceito com relação á adoção, ou se achavam que eu não teria "tempo" para um relacionamento, mas seja como for, eu percebi que muitos pulavam fora logo depois desta informação!
A reação dele foi OK, - eu também quero ter filhos! - me disse (oops!)
Almoçamos, tomamos um café, tomamos um sorvete, enrolamos para continuarmos juntos e conversamos, conversamos. Na realidade ele falou bem mais - Mr. Jay gosta de falar - Mas ele fala sem ser chato, cheio de assuntos e novidades, e sempre aquelas pinceladas "críticas" que ele costuma dar em muitas coisas, ele é muito divertido...coisas de quem tem 28 anos
Eu chamo ele de "cáustico" por ser tão crítico. E ele se diverte!
Desta vez quem precisava ir embora era ele, pois viajaria muito cedo a trabalho na quarta, ele estava retornando de férias... fui deixa-lo na porta da casa dele, e na hora que ele saia do carro ... arrisquei um beijo - beijo meio "desencaixado" - mas um beijo bom.
que ficou melhor ...
pois ele ameaçou sair do carro e voltou, retribuiu o beijo...
Opa! O "negócio" vai bem....
Na quarta trocamos algumas msgs, na quinta idem, na sexta convidei ele para jantar...fomos ao Zéfiro, papo próximo, cada um contando suas estórias e motivos...quando saímos perguntei se ele queria dançar... ele disse que não curtia muito balada... - Eu queria te levar em algum lugar para te dar uns beijos - disse eu - não queria te deixar na sua casa e ir embora...
Ele riu e topou irmos ao Vermont Itaim
Foram horas ótimas, de carinho e intimidade, aliás, dentre as muitas qualidades dele, ele beija muito bem!
Deixei ele novamente na porta de casa, ele não me convidou para subir e não me ofereci...eu precisava levantar cedo no sábado, e ele tinha outros compromissos - á tinha me dito...
Mais uns beijos na porta, rapidão porque em São Paulo a gente não pode dar "bobeira", especialmente depois do meu assalto! LEIA AQUI se não lembra...
Mas, fiquei com muita vontade de ficar mais com aquele cara...(já estou imaginando o "bico" do Mr. Jay quando ele ler eu chamando ele de "cara"...rsrsrsr)
No domingo fomos ao cinema...fomos cedo pois ele tinha que viajar a trabalho no final do dia, passamos o filme de mãos dadas...- delicia - e quando fui levar ele para casa aceitei subir. Passamos boa parte da tarde na cama dele - no chamego, no carinho, muitos beijos, abraços - e de roupas antes que me perguntem!.
Antes de eu deixar ele em Congonhas paramos para jantar... Nossa, que cara legal!
Quando estávamos conversando tinha uma foto na parede - uma imagem antiga de Paraty - e eu falei "adoro Paraty"... e ele respondeu "não conheço Paraty"
Pensei: "Poxa, conhece um monte de lugares, já viajou para fora um monte de vezes e não conhece Paraty...que tal se eu convidasse ele? Mas não vou fazer isto hoje, tenho que ver minha agenda de trabalho, ver como farei com a filha, depois eu falo. Além do que, seria legal poder ter um tempo para ficar com ele, conhecer ele melhor..."
E ele interrompeu meus pensamentos: - Tá rindo do que?
Eu estava divagando mas rindo sozinho...antecipando que a viagem podia ser legal, e ele percebeu...eu tenho este problema ás vezes, não consigo disfarçar, enganar. E em queria pois estávamos nos conhecendo, era o momento de adquirirmos confiança um no outro!
Ai eu contei no que estava pensando e convidei ele para ir para Paraty no fim de semana seguinte, ele tinha compromissos e transferimos para o outro fim de semana...
Deixei ele no aeroporto e fui - saltitando - para casa! kkkkkkk
...
Quem lê meus posts sabe que eu estava, de verdade, tentando achar alguém certo para namorar!
Putz! Coloquei "TENTANDO" e "CERTO" na mesma frase, duas coisas difíceis de alcançar não é?
Eu tinha passado por um processo de separação um tanto sofrido, depois de 10 anos de casamento, e tive que re-aprender, e aprender, muita coisa.
Fiz algumas tentativas por caminhos que não eram os meus (a tal da "putaria"), mas logo percebi qual era minha essência, qual era o caminho que me deixava mais feliz.
E ai...
Ai, no dia 7 de julho, um domingo á tarde, eu conheci o Mr. Jay!**
Lembram que eu contei dos sites de relacionamento, das mídias sociais, dos grupos? Pois bem, eu vi o perfil dele no site dos Ursos, eu nem sou tão urso, mas meu amigo Zé António falava sempre deste site que resolvi experimentar, fiz minha inscrição, meu perfil, e num determinado dia eu topei com o perfil do Mr. Jay....dei uma lida no perfil dele, olhei as fotos, vi as intenções dele...
...mandei um recadinho,
ele respondeu,
...mandei outro,
ele respondeu
...disse para ele que gostava de cachorros, e tratava bem do meu! =0) - pois no perfil dele ele disse que não queria nada com quem tratava cachorro melhor que gente! kkkkkkk,
ele riu - detalhe, hoje ele adora meu cachorro!
... adicionamos no skype,
conversamos....
... abrimos as câmeras...
hum! curti! que cara interessante, que sorriso lindo!
... me contou que estava de férias e voltava a trabalhar no dia 10
tava explicada a carinha de sono!
... convidei para um café...
ele desconversou
... insisti ...
ele mudou de assunto...
... intimei ...
ele aceitou...
E semanas depois me disse que gostou que eu insistisse!
ABRE O PANO - interior do Fran´s da Roberto Marinho
Eu cheguei antes, e fiquei esperando - mas nem fiquei ansioso, tem caras que marcam e não aparecem, eu mesmo já fiz isto!
Ele veio, eu vi ele estacionando o carro. Ponto positivo, sabe dirigir, eu detesto!
Ele chegou, demos as mãos....é uma situação tão estranha, mas é um estranho divertido.
Duas horas de conversa
olhares,
café,
água com gás,
cappuccino,
Mais conversa, e eu só de olho naquele cara bonito e risonho á minha frente...
sanduiche - ele não tinha jantado,
duas sobremesas - ele diz que adora bolo "comum"
Mais conversa
- tá na hora de ir que eu vou trabalhar amanhã, apesar do feriado,
Ele anuiu.
Na porta nos despedimos, arrisquei
- que tal um cinema esta semana.
ele concordou, um abraço do tipo "três tapinhas", meio morno...
Não consegui aferir entusiasmo na voz, e o mais engraçado é que hoje eu sei que ele pensou o mesmo, que eu estava sem entusiasmo.
FECHA PANO!
Cheguei em casa, mandei um recado avisando que tinha chegado e dizendo que tinha curtido muito o papo, e que esperava a chance de vê-lo de novo. Ele concordou.
Segunda, quando voltei para casa do trabalho, providenciei um bolo de banana para ele....seria exagero? Toca Cazuza!
E você, me conta a estória de como começou um grande amor na sua vida?
* na verdade fazem três meses que eu conheço Mr. Jay, porque o namoro só começou, pelo menos oficialmente, em 27 de julho, mas nossa data, já combinamos, é 7 de julho, a data do encantamento... ** o nome dele não é JAYson como podem pensar.... Jay é como se diz J em inglês ok!, lembram que já falei sobre dar nome aos veados?
se está chegando agora clique AQUI para entender o que estava acontecendo
Depois que eu fiz a minha tentativa, que percebi rapidamente que era totalmente desonesta comigo mesmo (e sacana com qualquer mulher), de estabelecer um relacionamento com uma mulher, casar e ter filhos, eu tive que me confrontar com uma outra consequência disto:
- Tenho que abrir mão dos meus sonhos de ser pai...
Pode parecer estranho falar isto hoje, uma vez que o número de gays que querem, e conseguem ter filhos, seja por adoção, seja por inseminação ou barriga de aluguel (até em novela), é muito grande e só cresce.
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:
- OK, eu sou gay, meu desejo e minha orientação estão definidos, então eu tenho que aprender a viver com isto e ser feliz, e como eu não posso gestar uma criança sem estar casado, sem estar me relacionando com uma mulher, eu tenho que aceitar que não vou ter filhos! E eu posso ser feliz, tem tanta gente que não tem filhos! #só que não!
Então, eu resolvi tocar minha vida, procurar alguém legal para namorar, estabelecer um relacionamento duradouro, viajar bastante, trabalhar e crescer na carreira, me dedicar aos meus trabalhos voluntários, cuidar da minha família (eu sou o irmão mais velho e na época eu nem sobrinhos tinha). E foi assim que eu fiz!
- Mas puxa vida! Eu queria tanto!
Namorei bastante, alguns namoros longos, 2, 3 anos, e até via a possibilidade de morar junto, de construir coisas em comum. Mas aquela "pontinha" do desejo de ter filhos estava lá... tanto que eu tive uma segunda "recaída hétero", (blame on me!) com uma garota que fazia pós graduação comigo na FAAP, mas o sentimento não pintou e eu acabei pulando fora muito antes da tentativa anterior.
E novamente pensei:
- É, realmente, não vai ter jeito, vou ter que me conformar de não realizar este desejo de ser pai!
E continuei tocando minha vida, morei fora um tempo, cresci na carreira, trabalhei bastante, fiz umas loucuras muito divertidas de amor, e para alguns caras que foram importantes na minha vida eu confessei meu desejo de ter filhos, e sempre concordávamos que era uma ideia "absurda" e "impossível de levar adiante".
E foram muitos anos deste jeito, até que ....
Até que, em junho de 1997 (Dori* não tem certeza!) uma reportagem do Ângelo Pereira, na revista SUI GENERIS mudou minha vida... mas este vai ser assunto de uma nova série de textos, se quiserem me acompanhar, para falar sobre meu processo de adoção...ai começou outra fase da minha vida...
Entrei com o processo de adoção, em 99 minha filha chegou, em 2002 conheci meu ex- marido, em 2012 nos separamos, este ano minha filha vai prestar vestibular para Economia...coisas que já venho contando desde que comecei o blog... em 2005.
O que eu queria com estes último textos, sobre minha vida, especialmente minha vida afetiva como Homem e Homossexual, era dar uma "atualizada" para começar a contar uma nova estória, com meu namorado - Mr. Jay, que começou em sete de julho deste ano, e vai muito bem....
*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a desmemoriadaamiga do Pai do Nemo! Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!
Desde que retomei o blog com mais assiduidade, tenho me surpreendido, e alegrado, com a repercussão de alguns posts que publico. E tenho aprendido muito com as opiniões que as pessoas deixam nos comentários.
Da mesma forma que tenho escrito mais em meu blog, tenho lido mais blogs de outras pessoas, com estórias, reflexões e textos incríveis! Eu realmente curto demais a blogosfera!
Então, quero deixar um super-abraço a todos que tem lido e comentado o blog! Obrigado mesmo!
Como muitos de meus textos falam sobre relacionamentos, sobre família, sobre filhos, muitas pessoas deixam opiniões sobre estes temas, e eu fiquei surpreso - por exemplo - com as opiniões no post sobre o machismo! Com certeza me fizeram repensar minhas atitudes e meus sonhos para minha filha, uma coisa incrível!
Uma coisa que pude perceber é que as pessoas se dividem, do ponto de vista de relacionamento, em dois grupos: ( e isto independe de serem homens ou mulheres, gays ou lesbicas)
De um lado temos o grupo dos "solteiros", gente que se diz desiludida com os relacionamentos, com as pessoas, gente que está bem sozinha, gente que desistiu de procurar, gente que diz não precisar tanto assim de uma relação em bases permanentes, e gente que parece estar procurando um outro modelo, de bem com a vida!
De outro lado temos o grupo dos "casadoiros" - do qual eu faço parte - que gosta de estar namorando, casado, alguns com relacionamentos muito longos, outros com menos experiências, mas todos a procura, relatando aproximações e desencontros, e sempre partindo para o próximo!
Quando a gente faz uma lista em que se mostram coisas que parecem antagônicas (solteiros x casados) ficamos com aquela tentação de ter que "escolher um lado" ou "votar no que é melhor", e obviamente, estabelecer um tipo de polêmica =0)
Durante muito tempo eu cantarolava a música do Tom Jobim que diz que "fundamental é mesmo o amor" e "é impossível ser feliz sozinho"! (clique e veja na voz da Elis Regina).
E acreditava nisto! Eu realmente achava que as pessoas sozinhas eram infelizes... ficava até com "pena" de meus amigos e amigas que não conseguiam namorar!(sorry)
Ai eu fazia as maiores besteiras para não ficar sozinho! pois para mim a equação era: sozinho = infeliz!
Por sorte, e muita reflexão, e também umas pancadas da vida, e muito trabalho na terapia, eu comecei a ter uma visão muito mais saudável e diferente sobre este binômio, e vi que ele embute várias nuances, vários tons.
Hoje eu ainda acho que fico mais feliz estando envolvido com alguém que eu goste, mas não a qualquer preço.
Hoje eu entendo que estar solteiro não é uma forma definitiva de infelicidade, mesmo que eu não goste de ser solteiro.
Hoje eu sei eu nem todos estão preparados e querem fazer as concessões necessárias a um relacionamento.
Hoje eu sei que um relacionamento não é a solução para os vazios interiores que eventualmente tenhamos.
Hoje eu sei que a pessoa sozinha pode ser plena, e feliz.
Amanhã? Eu não sei quais serão minhas certezas amanhã, mas como bom sagitariano eu serei que serão outras!
Mas não quer dizer que eu não torça para que alguns amigos blogueiros, que são super legais nas suas opiniões, também encontrem alguém que lhes transborde! Pode Arnaldo?
Além de "casadoiro" eu sou "casamenteiro"!
Como sugestão de leitura eu recomendo MUITO ALEM DO ARCO IRIS, escrito pelo psicólogo Klecius Borges, que fala sobre relacionamentos gays, eu achei muito elucidador em muitos aspectos.! Foi lançado faz pouco tempo, não deve ser difícil achar!
Acho que já falei, algumas vezes, que meu ex marido era muito ciumento... Eu já escrevi muito sobre ciúmes, até achei um post de 2006 falando sobre isto!
Pois bem, durante meu relacionamento, em função deste ciúmes, e para não arranjar encrenca, eu me distanciei de muitos amigos, e um deles foi um certo sagitariano de Curitiba! Que me encontrou recentemente nas redes sociais! Olha que legal!
Na realidade nós até tivemos um certo "terêrê" lá no século passado, que acabou se tornando uma grande amizade! Ainda bem, porque dois sagitarianos, que adoram uma D.R, ia acabar em tragédia mexicana com certeza!
Sabe aquelas pessoas que você fica anos sem ver, sem falar, mas quando reencontra o link é imediato? Eu e o Ele somos assim - pelo menos eu acho, precisa ver se ele tem a mesma opinião! rsrsrs
Como eu, ele viveu um longo relacionamento de 10 anos, q acabou. Na realidade nossas famílias até conviveram, eu e meu ex chegamos a ficar hospedados na casa deles em Curitiba e eles estiveram hospedados aqui em casa em SP, mas por diversos motivos, nos distanciamos...
Mentira, "diversos motivos" foi que ambos somos "cuidadores" e nos tornamos em certa medida "pais e mães" em nossos relacionamentos, o que anulou muita coisa em nossa vida, mas, anulou sem sacrifícios, anulou porque deixei anular, anulou porque foquei em outras coisas, anulou porque sim! (mesmo eu sabendo que "porque sim não é resposta"!)
E o relacionamento dele, que como eu, ele tentava atiçar a brasa a todo momento, acabou também como o meu, de repente, com o outro chegando e dizendo ACABOU! Que barra! Esta coisa dos signos é muito forte! Parecia o mesmo script!
E neste reencontro, quando ele me contou os últimos tempos dele, a dor da separação, a superação, as novas dores, eu inocentemente sugeri - porque não conta isto num blog?
E não é que o meu amigo já tinha um blog e eu nem sabia?
Um blog que estava meio paralisado mas que ele voltou a atualizar, e o texto que ele fala da separação...parecia eu contando minha estória! Que susto!
Se quiserem conhecer um cara bem legal cliquem AQUI!
Este post é continuação do Abrindo e Lendo Emails, clique AQUI e leia para pegar o "fio da meada"!
Como eu dizia...
Eu conheci este cara num encontro de uma ONG onde ambos éramos voluntários e me encantei com ele, por muito motivos...mas ai...como fazer para ficar "mais perto" dele?
Trocamos endereços e começamos a nos corresponder, por carta (CARTA? OI?.... lembrem, na pré história do seculo XX ainda não tinhamos email...)
A oportunidade de ficar mais próximo surgiu uns dois meses depois... a entidade organizou um grande encontro em SP, num lugar "tipo" um retiro, e como eu era da organização, eu dei um jeitinho de ficar no mesmo quarto que ele! rsrsr . Detalhe, era um quarto para quatro pessoas mas - e olha que coincidência - só íamos ficar nós dois no quarto! Dei a desculpa que deixei assim caso alguém precisasse mudar de quarto teria uma vaga no meu fácil, sem precisar ficar fazendo trocas de pessoas...
Sacana eu? Bom, na realidade ele vai ficar sabendo disto quando ler este post ( !!!), mas como somos amigos até hoje ,sei que não vai ficar bravo comigo! I hope so! Foi uma "fofura" minha para ficar perto dele! Concordam?
Ficamos nós dois no mesmo quarto, mas eu, que sou muito certinho, muito caxias, nem tentei nada. Estávamos lá por um assunto sério, a "trabalho" na realidade. Para mim foi apenas o frisson de estar com ele e criar uma maior intimidade, mais papos... e mesmo o quarto tendo um banheiro privativo tanto eu quanto ele entrávamos e saíamos do banho trocados...
Dois bobinhos!
Quando terminamos o encontro combinamos que ele viria passar o próximo fim de semana na minha casa, ele gostava (ainda gosta) muito de SP, e gostava dos passeios culturais, museus, teatros... mais uma coisa que tínhamos em comum!
Ele veio, fiz questão de ir buscar ele la na rodoviária do tietê, viemos para casa, no caminho paramos comer um sanduiche...
Quando ele chegou em casa eu mostrei o sofá-cama do quarto de tv, onde ele dormiria, e falei se ele queria tomar um banho, ele tomou, depois eu. Quando eu sai do banho preparei um chá para nós dois e perguntei se ele não queria ir no meu quarto "ver uns cds muito legais que eu tinha de jazz" (podem rir).
Ai... sabe como é....dois caras que estavam se curtindo, na beira da cama, sozinhos em casa, ouvindo musica... rolou o primeiro beijo, e vários outros e uma pegação bem inocente, bem amorosa, acabamos dormindo juntos...
E ai engatamos uma amizade muito forte, um namoro, ou eu ia para a cidade dele no fim de semana, ou ele vinha para sampa, e rolavam muitas cartas, porque ninguem tinha celular naquela epoca e telefone fixo era super caro, ás vezes iamos viajar para algum lugar, foi com ele que fiquei pela primeira vez hospedado numa pousada gay, a Raposa da Montanha em Campos do Jordão. fizemos muitas coisas legais juntos.
Eu realmente gostava dele, eu acho até que amava ele, foi realmente um momento muito especial na minha vida. Ficamos juntos por quase dois anos, mas ai eu fui viajar e fiquei um tempo fora do país e acabamos nos distanciando.
Também teve um coeficiente que eu estava no começo de minha vida profissional e eu sentia ele muito pouco ambicioso, um pouco acomodado, na época, e isto também acabou nos afastando.
Mas sempre fomos amigos, e sempre mantivemos contato, ele foi realmente um cara muito especial, e foi o primeiro para quem contei que tinha o sonho de ter filhos, de adotar - e ele foi super legal, deu o maior apoio e estímulo, apesar de não parecer comungar dos mesmo ideais, e sonhos.
Hoje ele é professor universitário, com destaque em sua área, e esta casado com um cara super legal, mais novo que ele, porque ele também tem o perfil de "cuidador" como eu tenho...Mantemos contato e sinto que torcemos pela felicidade um do outro até hoje! Tanto que quando me separei ele foi uma das primeiras pessoas para quem liguei! Para me ajudar a pensar e refletir...
Acho que, para uma pessoa como eu, mais focado na qualidade e na durabilidade, do que na quantidade e diversidade, cada pessoa que passou na minha vida tem seu lugar especial na minha memória...
A expressão "O PRIMEIRO SUTIÃ A GENTE NUNCA ESQUECE" é antológica e muita gente usa em diversas ocasiões, foi uma das primeiras campanhas da W/Brasil e projetou ainda mais o Washington Olivetto, se vc não conhece clique abaixo no link do Youtube, acho que a emoção tem muito a ver com aquele momento que eu vivia! Esta propaganda é de 1986 e a Patricia Lucchesi tinha apenas 11 anos, hoje ela tem quase 40!
E você, com foi seu "primeiro sutiã"? Sua primeira paixonite?
Quando eu saia da adolescência, em meados da década de 80, o assunto homossexualidade não era falado de forma tão aberta como hoje em dia, pode parecer chocante mas homossexualidade ainda era doença! A OMS só tirou da lista de doenças em 91!
Então era uma certa barra "resolver" ser gay!
Mas eu era, mesmo tendo "resolvido" não ser! =o)
Basicamente eu tinha resolvido não dar vazão aqueles sentimentos, que não entendia bem, porque era nítido e claro que eu não seria aceito, que eu teria muitos problemas, que eu ia ser discriminado. Que eu não seria feliz.
E era nítido e claro para mim que se eu fosse "viado" eu não poderia ter filhos, e mesmo com pouco mais de 20 anos, eu queria muito ter filhos, queria ter uma família.
...era o que eu precisava!
Mas mesmo assim, o desejo falou mais forte e eu decidi que de certa forma eu tinha que ver "qual era o lance" de ficar com um cara, e confesso que não era nada muito romântico, era uma coisa de tesão mesmo, aliás, eu nem acreditava que poderia haver romance entre gays, era só tesão e sexo mesmo!
Afinal de contas todos diziam: "Viados gostam de sexo grupal, de se vestir de mulher e de dar o cú"!
O primeiro cara com quem sai eu encontrei na tal da locadora da Eusébio Mattoso, perto do Eldorado, onde eu alugava filmes de arte - com um ou dois eróticos no meio para disfarçar! (kkkk).
Me pergunta se eu assistia aqueles filmes do Godard e do Buñuel ?
Encontrei, conversei,
- Você já assistiu este? É bom?
Continuei e chamei para casa,
- Quer ir lá em casa assistir?
Era um ruivinho bem interessante se me lembro bem, uns anos mais velho que eu: mão naquilo, beijos, amassos, tira a roupa, masturbação mútua, e levei ele para casa. Me lembro que ele morava longe da minha casa! Tipo zona norte... nem trocamos telefones, nem nada, (não tinha email, face, nem celular lembram?) Foi um frisson bom demais. Mas nunca mais cruzei com ele.
Depois eu "seduzi" um rapaz que trabalhava com atendente numa loja que eu frequentava por razões profissinais, que se dizia hetero e que teve que ser devidamente embriagado para ir adiante. E adiante não é sinônimo de "finalmentes"...
Foi ai que conheci um cara muito legal, que era voluntário numa ONG em que eu também era voluntário, ele morava no interior de sp, e nos conhecemos numa reunião de voluntários...
Eu me encantei por ele, um cara alegre, sorridente, gente boa, entusiasmado, inteligente, com nome de poeta, que lia e conhecia coisas, ele era praticamente um teen, mesmo sendo maior de idade, e eu um pouco mais velho que ele...
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... aquela percepção que a pessoa - que você ama - tem que você não está com ela por inteiro, que você mesmo namorando, casado, está sempre á espreita, em busca, de um novo amigo, de um beijo roubado de alguém, de uma transa fortuita...
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... eu sou aquele cara que fica com o outro por inteiro, que se dedica, que quer construir algo, eu sou daqueles que ficam juntos por um ideal, e que está junto porque quer, não porque é obrigado!
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... mas eu sei bem o que sente alguém preso pelo ciúmes...
No começo você acha bonitinho, fofinho, uma graça. Ele tem ciúmes, ele quer você só para ele, ele quer ficar com você o tempo todo...
Depois você, já que está apaixonado e que ama, vai cedendo um pouco - começa a dar explicações sobre o tempo que demorou para chegar, sobre com quem estava no telefone que estava ocupado, sobre quem é aquela pessoa com quem estava conversando no evento da empresa que VOCÊ trabalha, mas que convidou ele para ir junto!
Ai você começa a avisar todos os lugares que vai, e com quem vai, você entende o ciúmes dele e não acha nada demais você falar estas coisas para deixar ele mais tranquilo, afinal de contas você não tem nada a esconder tem?
E você nem percebe que ele sempre te liga quando você não está com ele, e que ele, meio que sem querer, quer confirmar as informações do lugar que você está, ás vezes até falar com seu amigo "para dar um oi".
E você nem percebe, na realidade percebe, mas nem liga muito, para o extenso questionário quando você chega, e nem percebe que ele está "checando" as informações, para ver se você não cai em contradição.
E você até acha bonitinho ele te ligar e te inquerir tantas vezes por dia, de saudade, afinal de contas você não sente aquele ciúmes, você não percebe que está sendo vítima de algo. Você é adulto, sabe se virar não sabe?
E além do que...você não quer arranjar encrenca, não quer brigar por algo que você não vê motivo.
Ai você começa a se afastar dos seus amigos, começa a não fazer nada sozinho - o cinema que você gosta, ou a exposição que ele não quer levantar cedo - para não ter que dar muito explicação, e, afinal de contas, vc gosta de ficar com ele não gosta?
Ai você se afasta dos amigos, porque ele não gosta muito de seus amigos que são muito cabeça e ele gosta de gente mais divertida, e você não quer ir sozinho e ter que ficar se explicando, e se afasta das baladinhas porque ele acha que tem cara que dá em cima de você (me poupe! rsrsrsr) , mesmo você querendo ir só se divertir e espairecer...
E quando você se chateia e fala algo, o argumento "se você não está fazendo nada errado porque não pode me contar?" acaba te vencendo...
E quando o casamento acaba você está longe de seus amigos e nem sabe fazer nada sozinho... Mas isto é culpa minha tá certo? Eu mesmo que deixei isto acontecer, eu que concordei que não tinha "nada a dever" e então não tinha motivo para não me explicar....
Mal sabia eu que aquele ciúmes todo não era amor, era apenas a projeção de coisas que ele fazia e também me achava capaz de fazer!
Mas esta lição eu aprendi, e tomei consciência. Isto não vai mais acontecer! Vc pode sentir ciúmes de mim, mas tem que confiar em mim! Se quiser ficar comigo!
Já passou por isto? Já teve um ciumento na sua vida?
Como disse em outro post, um dos meus parâmetros iniciais, na busca por um relacionamento, era buscar alguém que tivesse uma idade próxima a minha, que eu julgava ser um aspecto positivo, a tal similaridade.
Este era um dos parâmetros, que eu julgava bem importante...
Mas, como o budismo sempre prega, não somos donos do futuro, e tem muita coisa que acontece além do nosso controle, a tal imponderabilidade.
No começo do ano, num destes dias em que estive meio de bobeira no chat, uma pessoa me chamou para conversar, puxou papo, conversa vai, conversa vem ficamos um bom tempo conversando...
Normalmente nestes papos todo mundo começa com aquele pequeno questionário... bairro, idade, branco, preto, verde, em cima ou embaixo.... e eu, que não tenho muita vocação para repórter, e nem costumo fazer isto, fui deixando o papo fluir... meio distraído sabe?
Eu saquei que era um cara mais novo, me disse que não era de sp mas que morava na zs como eu, falamos de trabalho, de coisas que gostávamos de fazer em sp... e ele acabou sendo mais corajoso que eu...
- Vamos nos encontrar?
Era um fim de semana, eu estava de bobeira, marcamos tomar um sorvete.
Confesso que como eu já tinha me chateado com alguns caras mais velhos (aqueles do meu parâmetro) eu até que estava me divertindo em conversar com alguém de alma mais fresca...
E foi um encontro bem interessante, mas chocante, o rapaz tinha 22 anos, e parecia muito menos! (foi ai que percebi que durante o papo eu nem tinha perguntado a idade dele - eu sou mané mesmo!)
Passado meu estupefato inicial, que eu compartilhei com ele, conversamos um bom tempo. Era um rapaz de uma cidade do interior do NE, que veio morar com a irmã em SP mas que o cunhado expulsou de casa e morava numa pensão atualmente. Veio para estudar, crescer profissionalmente, coisas que ele sabia que uma pequena cidade não comportaria. Um rapaz corajoso, determinado, convicto, um filho ou um amigo que qualquer um se orgulharia.
Teve sua primeira experiência sexual em SP - única até aquele momento- e nenhuma experiência realmente amorosa. Não foi difícil me encantar com o rapaz.
Mas todas as diferenças eram barreiras bem fortes para eu transpor, idade, estagio de vida, etc etc... e eu não investi mais, não fiz como a ministra Marta Suplicy pediu, não relaxei e não aproveitei.
O assunto teria terminado naquele encontro se o rapaz não continuasse mantendo contado, um email, um sms, eu expliquei o que me incomodava (especialmente a diferença de idade), mesmo assim marcamos um café lá no Octávio.
Ele disse que tinha me achado legal, que queria me conhecer melhor... e como eu continuava achando muito difícil ele insistiu. E propôs que fossemos amigos, que não precisaríamos assumir relacionamento, compromisso...
Discriminar, quando usado no universo LGBT, sempre está relacionado a algo ruim. Somos discriminados quando somos colocados "de lado" em função de nossa orientação sexual ou quando não exprimimos uma imagem corporal compatível ao que é esperado por outros - a bichinha quáqua, a lésbica masculinizada, a maricona que desmunheca...
Mas eu acho que todo mundo faz isto.
Acho que a gente quando busca um relacionamento também pratica um exercício de discriminação, certos tipos físicos, certas atitudes, maneiras de se vestir, lugares que frequenta, e CLARO, práticas e preferências sexuais, acabam por nortear nosso caminho de busca. Alimentamos nosso "mecanismo de busca" da mesma forma que alimentamos o GOOGLE : macho+são paulo+loiro e apertamos o ENTER! oops!
Mas eu acho que quem busca um relacionamento deve fazer um pouco mais que discriminar, ele deve procurar DISCERNIR, que é um dos sinônimos de discriminar.
O dicionario diz:
discernir-(latim discerno, -ere, separar, distinguir, reconhecer, decidir) Verbo Transitivo.
1. Distinguir.
2. Estabelecer conveniente diferença (entre coisas ou pessoas).
3. Discriminar.
4. Conhecer.
5. Julgar.
6. Apreciar.
7. Medir.
8. Avaliar bem.
DISCERNIR é um verbo, uma ação deliberada, de apreciar, avaliar, julgar e estabelecer conveniente diferença entre pessoas.
Todos sabemos que o príncipe encantado não existe, então temos que saber avaliar o potencial de cada sapo que cruza nosso caminho! Para quem não conhece a estória do príncipe e do sapo, clique AQUI
Esta procurando uma pessoa? Comece pensando nos "not´s" absolutos para um relacionamento dar certo na sua opinião. Coisas que vc sabe de antemão, que não funcionariam, ou que atrapalhariam, e muito o seu relacionamento.
Eu, por exemplo, tenho um NOT que me parece dificil de contornar quando penso num relacionamento: para mim seria muito difícil me relacionar com alguém que estivesse DENTRO DO ARMÁRIO. Seria muito difícil eu me relacionar com alguém que não se aceita como homossexual ou alguém que se esconde da família, que "não frequenta ambientes gays", ou que acha "que a sua sexualidade e o que faz dentro de quatro paredes é só problema seu".
Eu até respeito o momento de cada um, os limites pessoais e familiares de cada um, não sou a favor de fazer o outing forçado de quem quer que seja, mas do ponto que estou em minha vida não tem como eu "voltar para o armário". E também não acho muito produtivo eu tentar me envolver achando que a pessoa "vai mudar".
Mas eu conheço muito gente que não se preocupa em "discernir" o que busca, em "discriminar", e acabam se envolvendo com pessoas que tem incompatibilidades físicas, emocionais, sociais, etárias, que só servem para não dar certo, na realidade acho que as pessoas fazer estas escolhas para não dar certo! Tipo um "boicote" para não dar certo.
E isto não quer dizer que não defendo o princípio de que a gente deve deixar as portas para se envolver com pessoas diferentes e interessantes, eu defendo exatamente isto, que vc deixe a porta aberta, mas que seja sábio para buscar algo com mais possibilidades de sucesso!