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29 de agosto de 2013

E como ficam os filhos ?

Só que, só que, só que.... eu não sou um cara sozinho, solteiro, procurando um namorado, um relacionamento, eu sou um cara, homossexual, que também tem uma filha, que estava procurando um namorado...
E ai existem pequenas nuances que precisam ser levadas em conta:

- primeiro, que minha criança conviveu por 10 anos com meu ex. Ele nunca assumiu a posição de "co-pai", eu mesmo não fiz questão que acontecesse, preferi que ele assumisse a postura de "namorado do pai e amigo da filha", a paternidade era um projeto meu, e quando ele chegou em nossas vidas os laços já estavam estabelecidos há anos.
Mas de certa forma, quando eu me separei eu fiquei preocupado em como seria para ela, com seria esta quebra de laços.Esta é uma preocupação de todos que tem filhos não? 
Eu posso dizer que foi super tranquilo, ela já era uma pessoa bem especial e madura para seus 16 anos, e assumiu rapidamente a posição de me apoiar, de estar do meu lado, nesta transição. E torcer autenticamente pela minha felicidade.
Ela ficou triste, sentiu falta, mas tirou de letra.

- a segunda coisa é a hora de contar! Não, não é a hora de contar que eu sou gay, é a hora de contar para o cara que eu tenho "um pacote mais completo e complexo". Eu normalmente omitia isto num primeiro contato, num primeiro papo ou encontro, e foi uma medida acertada, porque muitas vezes eu nem passei da primeira conversa, e não tinha motivo para eles nem levarem esta informação com eles.
Eu até dava uma certa sondada durante a conversa, falava se o cara tinha vontade de ter filhos, ou de amigos e amigas homossexuais que tem filhos. Para alguns eu contava no dia seguinte ao primeiro encontro, por tel, por skype, como forma de poder perceber se isto poderia fazer parte do relacionamento na cabeça do cara.
E muitos que contei nem teve o segundo encontro.
Mas entender e aceitar isto era fundamental para os passos seguintes...

- a terceira questão, quando se tem filhos é, em que momento você vai "introduzir" (desculpe o trocadilho) o pretendente na família...em que momento vc apresenta o namorado novo aos filhos. E este dilema dezenas de divorciados e separados heteros tb tem que enfrentar.
Eu não sei se existe uma fórmula matemática para isto, mas eu resolvi que só o faria depois de estar genuinamente envolvido com a pessoa ( coração e não apenas tesão) e depois que eu pudesse ter algum grau de certeza de que a pessoa não ofereceria nenhum tipo de "risco" á minha cria. 
Ou seja, não dava para levar qualquer um para casa. 
Mas também era importante preparar o terreno, e para isto eu adotava o método "o gato subiu no telhado",ou seja, ir preparando ela aos poucos. (não conhece a estoria do gato que subiu no telhado? clique aqui)
Eu só apliquei este método duas vezes, pois apenas apresentei aquele oriental de quem falei no post  JAPAN POP SHOW e o meu namorado atual. O método consiste em, primeiro mostrar a ela que estou saindo com alguém legal, comentar aonde fui, o que fui assistir, onde jantei, onde passeie. depois ir pontuando algumas características e gostos do dito cujo. E eu tb ia fazendo isto na outra ponta, contando para o cara a rotina de casa, as estorias de casa, mostrando fotos... enfim, um processo de aproximação.

O importante é que ambos percebam que tem espaço na minha vida para ser pai, para ser namorado, para ser profissional, para ser amigo de outras pessoas, para ter tempo para mim.

E acho que eu consegui fazer isto, especialmente porque as pessoas envolvidas, minha filha e meu namorado , são pessoas especiais! E gostam muito de mim....acho    =op



Sobre meu namorado atual? Curioso?
Bom, como eu retomei o meu blog recentemente, eu quero continuar o fio da meada do meu diário pessoal, para então chegar nele, pois eu cheguei nele depois de um processo de luto e evolução, que quero dividir com vcs ok? topam esperar mais alguns posts para eu chegar no momento atual? OBRIGADO!


6 de fevereiro de 2013

aceitação em casa...


Este fim de semana eu fui numa reunião, aniversário de um amigo de um amigo ....aliás, o aniversariante é antiquario, com uma loja em higienópolis, perto do mackenzie, imagine quanta coisa legal tinha na casa dele! Uma coleção de lustres art noveau, uma coleção de saleiros de prata...uma parede forrada de cerãmicas "willow patern"...super legal..
FECHA PARENTESES VIADO!
 
Nesta reunião, num determinado momento, eu estava sentado ao lado de um jovem casal de rapazes, la pelos seus 25/30 anos, que namoram há dois anos e estão morando juntos a tres meses... 
E um deles relatava que a mãe não aceita a relação dele, aliás, aos 18 anos expulsou ele de casa quando ele saiu do armário, e que não fala dretamente com ele todos estes anos, somente através do pai - que aceitou o filho - e dos irmãos...
Ele contava como queria compartilhar as coisas com a mãe dele, como ama ela, mas tb com estão cada vez mais distantes a cada ano que passa, e o quanto ele sofre com isto...e eu fiquei super triste com a situação...
Querendo ajudar...
Ai me veio a duvida..quem tem que dar o primeiro passo para a reaproximação? O filho ou a mãe?
Para mim eu acho que a mãe tinha que perceber tudo que esta perdendo, o quanto ela esta fazendo o filho sofrer, afinal ela é a mãe, ela que decidiu ter filhos, tinha que se preparar para o fato que os filhos não são, na maioria das vezes, como queremos, mas que eles são como são...
 
Mas se é o filho que quer se aproximar, não vejo nada errado em ele dar o primeiro passo...mostrar que quer conversar, que quer ser aceito, que quer compartilhar com ela sua vida..(.e eu posso dizer que ela esta perdendo um genro super bonitinho, simpatico, educado, dentista...RSRSRS).
Mas ele teria que se munir de muitas forças, para a eventualidade de ser rejeitado , escurraçado...mas sempre saberia que tentou...o que pode ser um alivio...
 
Ai me veio a idéia de sugerir a ele que falasse com a Edith Modesto. Ela é a fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais, cujo trabalho inicial era justamete ajudar a reaproximar pais e filhos, pis como ela mesma conta, ela "pirou na batatinha" quando soube que seu filhos era gay!
 
Ela é uma mulher de coração GG, ela liga para a mãe, conversa, chama para chazinho, explica para o filho o que a mãe pensa, sugere acordos, sempre na linguagem do amor...alguns casos demora mais, outros menos, mas a semente plantada sempre da frutos...mesmo com as famílias mais religiosas, mais radicais, sempre tem um caminho...o amor tem seus atalhos...
 
Veja o site do GPH, se você é filho e esta nesta situação, querendo se reaproximar de sua mãe, se você é mãe e não sabe com aceitar seu filho...ligue para o GPH! vc vai encontrar uma amiga do outro lado da linha!