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19 de outubro de 2014

e namorar? quem quer?

Engraçado como existe uma espécie de conspiração "cósmica"... seria a tal da consciência coletiva?

Eu já tinha escrito o post anterior, que falava sobre os efeminados no mercado de trabalho, quando encontrei um conhecido meu:
- Parabéns pelo seu namoro - disse ele!
- Obrigado, e você, está namorando? perguntei
- Não, vc sabe, ninguém quer namorar as pintosas!

Incrível não? Este tipo de coincidência me fascina!

No começo da minha vida gay, antes de me assumir, me aceitar, eu tinha bastante estranhamento com os gays mais efeminados, evitava estas pessoas e nem passava pela minha cabeça sair ou me relacionar com um cara que desse muita bandeira...
Algo parecido com aquele clássico papo de "eu não frequento o meio gay, não gosto de guetos"...

Hoje percebo que isto tinha relação direta com minha homofobia internalizada, eu estar perto de pessoas que parecessem gays era um sinal direto de algo que eu queria esconder...
Com o tempo fui melhorando, mas foi o meu processo de aceitação que fez com isto mudasse... no final acabei me relacionando com alguns homens que eram bastante "pintosos" e sempre tive amigos que fazem o radar gay de qualquer um apitar bastante.... Eu poderia dizer que com o tempo eu fui me tornando "mais" gay, ou melhor dizendo, eu fui me preocupando cada vez menos com isto. Eu mesmo já tive amigos que me "puxaram de lado" para perguntar porque eu estava saindo com aquele cara tão efeminado, estilista de moda....
Mas eu também sei alguns que se interessaram por mim estavam ligados no fato de eu não parecer tão gay, de ser mais "masculino", como diriam. Eu até já escutei - Você não devia fazer isto porque você é "hominho", quando fui vestir uma roupa um pouco mais ... gay...

No post anterior o MARK comentou que esta questão pode  estar relacionada á permanente "desvalorização do feminino" que permeia toda nossa sociedade, e eu acho que ele tem razão, pois os efeminados são sempre associados á passividade sexual, no clássico jogo ativo/passivo e dominador/dominado. De certa forma o preconceito do feminino é mais atávico em nossa sociedade que o preconceito com relação ao gay, não é mesmo?
Eu respeito que a pessoa goste de alto, baixo, gordo, magro, branco, negro, efeminado ou masculino, especialmente quando as pessoas buscam um relacionamento elas tem em mente algum tipo de perfil que "encaixe" no sonho de consumo e na expectativa de felicidade de cada um. Mas quem já teve experiencia de relacionamento mais longo sabe que um relacionamento vai muito além disto.
Mas como, aparentemente, nem os efeminados gostam de se relacionar com os efeminados, ai fica mais dificil namorar mesmo, como disse meu amigo, e como várias vezes eu já ouvi o FOXX falar... Mas eu tb conheço vários que preferem os mocinhos mais "delicados" - para usar uma expressão vintage!

E vc o que acha? É mais difícil para um efeminado namorar?







16 de junho de 2014

DIA DOS NAMORADOS... dentro do armário!

Meu dia dos namorados foi bem tranquilo, resolvemos (na realidade eu resolvi!) comemorar no dia 11 de junho porque imaginava que no dia 12, em função do jogo, ia estar bem confuso e que depois do jogo e da cerveja não ia rolar sair para um jantarzinho romântico... e mesmo eu não ligando muito para estas datas sempre é bom um pretexto para ficar junto.
Fomos a um  restaurante nos jardins que já estava devidamente preparado para o dia dos namorados antecipado, rosas nas mesas, velas, cardápio especial... pena que me chateei logo de cara... quando chegamos percebi que todas as mesas que tinham casais (segunda a definição defendida pelos homofóbicos, aquele formado por um homem e uma mulher) .. quando o casal sentava  o garçon vinha e acendia a velinha da mesa... mas na nossa ele não acendeu. ...
Não acho que o garçon esqueceu, pois ele acendeu de outras mesas, nem que ele não se tocou que éramos um casal, pois usamos alianças de compromisso, além disto, no bairro dos Jardins, em SP, a comunidade gay é bastante visível e todos os estabelecimentos devem estar abertos a servi-los sob pena de fecharem.  Vou supor que ele não quis “dar um fora” inferindo que éramos um casal ou que, hipótese mais razoável, ele não quis dar seu “aval” ao casal gay e não fez a gentileza protocolar de acender a velinha.
Como era dia de romantismo e não de stress, e como meu namorado não percebeu,  eu guardei no bolso  a frase “pode acender a velinha para nós também porque somos um casal” e resolvi marcar o território de maneira mais visível, chegando bem pertinho do Mr. Jay, com bastante chamego e conversinhas de pé de ouvido... ( e na sexta feira mandei um email para o restaurante relatando meu desconforto – para alivio de minha persona militante)

Mas a minha reflexão sobre o dia dos namorados vem a partir da minha participação no encontro do Grupo HOMOPATER (veja abaixo) no dia 7 de junho.
Um denominador, que eu percebo bastante comum para estes homens, que foram ou são casados com mulheres,  é que sua decisão em assumir uma identidade homossexual toma força não a partir do fato deles perceberem que sentem prazer em transar com outro homem, mas a partir do ponto em que eles se descobrem envolvidos emocionalmente com outro homem, ou seja, quando se reconhecem como homoafetivos.  E comigo não acho que foi diferente. Tornar-se gay é estar enamorado.
Ou seja, além de estarem no armário eles passam a viver um relacionamento no armário. E ai “a merda atinge o ventilador”, pois ter um lance eventual, seja com um homem ou mulher,  é fácil de disfarçar, agora ter alguém com quem você gosta de estar, de conversar, é muito mais difícil de equacionar, é muito complicado montar toda a logística de desculpas e mentiras coerentes. E some a isto o fato de que,  para a maioria, o sentimento de estar traindo a companheira com quem construiu uma vida em comum, a mãe dos filhos, é muito desgastante, pois são pessoas corretas em suas vidas, com princípios... E de certa forma eles também fazem sofrer seus novos companheiros, especialmente se para estes as portas do armário não estiverem tão fechadas.
Dá para imaginar a energia psíquica que isto drena das pessoas? Eu percebo isto claramente quando participo destas reuniões, e cada vez que eu consigo ter empatia por estas pessoas eu sinto que cresço como pessoa.

Só para contar rapidamente, sem quebrar o sigilo que é fundamental para que este grupo possa existir, nesta semana haviam duas estórias que me fizeram desembocar nesta reflexão sobre namoros no armário:
 Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos,  que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro  - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Belas estórias de vida que me fazem valorizar ainda mais minhas conquistas e ser solidário a estes homens que estão buscando a felicidade!
E você, já teve um relacionamento NO ARMÁRIO? Como era viver esta dualidade?
 
SOBRE O HOMOPATER: o Grupo HOMOPATER coordenado pela psicóloga Vera Moris, reúne Homens, em sua maioria Pais, que viveram realidades heterossexuais até um certo ponto de suas vidas e que perceberam que o caminho para a felicidade passava pela homoafetividade.Se você tem interesse em participar entre em contato com a Vera, no email vemoris@uol.com.br , agora neste sábado o Grupo vai fazer um encontro, quem sabe você consegue ir!
 

14 de fevereiro de 2014

Happy Valentines!

Hoje, dia 14 de fevereiro, é dia de São Valentim, Valentine´s Day, que em muitos paises corresponde ao dia dos namorados.
Na realidade o Valentine´s, ao menos nos EUA, vai um pouco além do dia dos namorados, é tambem uma celebração da amizade, do amor fraterno. É uma tradição os jovens, crianças, adultos, distribuirem á farta cartões - feitos de próprio punho tem mais valor - escritos BE MY VALENTINE para os colegas, os amigos. E não receber cartões no dia de São Valentim é motivo de muita terapia, por  anos a fio! Que o diga o Charlie Brown - aliás, achei o desenho dele no Youtube - clique AQUI
Aliás, tem muita gente nestes países que usa esta data para se"declarar" a alguém, mandando cartões secretos...ou fazendo até mesmo declarações e pedidos de namoro..
Na realidade como temos o dia de Santo António - o tal do santo casamenteiro - para celebrar o dia dos namorados, esta é uma tradição que não importamos de outros paises, se bem que Santo António era italiano! Mas o nosso é só dia dos namorados, nada de ficar esperando cartões de amizade!
Para quem está namorando o Valentine´s é um excelente pretexto para trocar presentes, e ficar juntinho, nada mal comemorar DOIS dia dos namorados por ano! Já para quem está solteiro... e queria estar namorando... é uma puta sacanagem !
 
Eu, como bom gay, gosto destas "datinhas" estilo "mimimi", e adoro fazer surpresinhas, já bolei uma para o Mr. Jay!
Tem muita gente que fala - eu não preciso fazer isto para ele saber que eu amo ele! - que diz que não precisa falar que ama, que não precisa demosntrar... eu sempre digo, se você fala EU TE AMO para alguém e esta pessoa não responde EU TAMBÉM TE AMO, tá na hora de você pular fora!
 
E como vai ser seu Valentine´s Day? Se não está namorando que tal a dica de se declarar e pedir alguém em namoro?
 
Happy Valentine´s my friends!
 
 

7 de novembro de 2013

E o jogo começa! (ENCONTRO 6/6)

continuação de ENCONTRO 5/6

17 dias depois de nosso primeiro encontro, finalmente chegou o dia que íamos viajar para Paraty. Eu, como sou entusiasmado (e um tiquinho ansioso - por  isto o uso da palavra finalmente no início da frase não é causal!) , estava bem animado com nossa viagem!
Além do fato que iríamos passar 4 dias juntos, eu gosto muito de apresentar as coisas que conheço para as pessoas, aquele restaurante ou aquele prato legal, aquele cantinho da cidade que você curte.  e nem precisa ser algo caro, exclusivo.
E como ele tinha vontade de conhecer Paraty... parece que ia ser mais legal ainda! Partimos depois das duas e no final da tarde chegamos á Casa da Colonia em Paraty

Aliás, vale apena fazer um parenteses sobre a Pousada Casa da Colônia. Eu já fiquei em várias pousadas e hoteis em Paraty, eu realmente gosto muito da cidade e pelo menos uma vez por ano dou um jeito de ir para lá, mas a Casa da Colonia é bem legal.
Primeiro que é um casarão do seculo XVIII, com paredes grossas, pisos de madeira, que tem frestas e rangem, e uma decoração perfeitamente harmoniosa.
Depois, como complemento friendly, o dono da pousada, O José Claudio, é gay, e foi o primeiro prefeito gay assumido do Brasil, lá no começo dos anos 2000. Ou seja, o lugar perfeito para passar um fim de semana romantico!
E eu ainda dei uma "bola dentro" quando reservei a suite "nupcial" (foto ao lado) que eu nunca tinha ficado, que era enorme, com uma cama gigante com dosseis...perfeito para a primeira noite juntos não acham? hehehehe
Chegamos a Paraty bem perto da hora do jantar, mortos de fome, deixamos as coisas no quarto e fomos até as ruas centrais para jantar. Para quem não conhece a cidade eu acho que é a melhor "primeira impressão" porque, de certa forma, você mergulha de cabeça no clima histórico da cidade. Pouca iluminação, casario colorido, ruas irregulares e empoçadas quase sempre...
Passeamos e voltamos para a Pousada exaustos, tomamos um banho e nos deitamos. Dormimos abraçadinhos pela primeira vez. Aliás, foi muito bom dormir com ele, e olha que dormir juntinho não é tão simples assim! Aliás, Dormimos mesmo! Os dois de pijaminha antes que perguntem! 
No outro dia tomamos café - e o café da pousada é uma delícia - e fomos dar uma volta, eu queria mostrar para ele o contraste entre o dia e a noite, mostrar as igrejas, alguns casarões e lojas que eu curto, e comprar ingressos para o teatro de bonecos, um outro MUST GO em Paraty!
Almoçamos na rua e no fim da tarde voltamos para a pousada, e ai, e ai, chamei ele para tomar banho comigo e finalmente fomos aos "finalmentes", e foi muito bom! Era o que faltava para eu ter certeza que eu estava gostando de verdade do Mr. Jay, e que ele gostava de mim! E que nosso encaixe era ótimo!
Aí demos um bom cochilo, juntinhos naturalmente, até o início da noite...quando fomos jantar, fomos no Paraty 33 e voltamos dormir juntos de novo.
No dia seguinte pela manha repetimos os "finalmentes" logo depois do café e ficamos de bobeira pela cidade, de noite fomos ao teatro - que me parece ele curtiu muito - e voltamos tarde para pousada, já lembrando que domingo estaríamos voltando para SP CITY.
Ai eu resolvi que eu precisava oficializar o que estava acontecendo entre nós e resolvi perguntar para ele:
- Você quer namorar comigo?

Hoje fazem 4 meses que estamos juntos, já fizemos muitas coisas juntos, já viajamos outras vezes juntos - até para a cidade dele em Minas Gerais eu já fui, e continuamos dormindo muito bem juntinhos e adorando, e sentindo falta quando não conseguimos!
Para mim (e para ele também) parece que faz muito mais tempo que nos conhecemos, uma coisa incrível! Eu até questionei na minha terapia se eu não estava indo muito rápido!
Sou realmente um cara de muita sorte de ter encontrado alguém que goste de mim com ele parece gostar!

Hoje aliás, vai ser o dia que vou apresentar o meu blog para ele! No primeiro dia que nos encontramos até falei do blog, falando que eu era mais ou menos conhecido por conta dele no meio LGBT, mas nem enfatizei muito porque eu queria ter tempo fechar um ciclo e de contar nossa estória, ou ao menos a minha versão, para que ele me conhecesse melhor... Espero que ele curta! E passe a ser um dos leitores!

Então meus amigos que leem estas bobeiras que escrevo ás vezes, digam um HELLO ao Mr. Jay! 




16 de outubro de 2013

algo a dizer... (ENCONTRO - 3/6)

continuação de ENCONTRO 2/6
Na segunda feira á noite, depois que Mr. Jay  voltou de viagem, ele me ligou. Disse que tinha gostado muito destes primeiros dias que tínhamos passado juntos, e que precisava muito conversar comigo, que tinha algo para me dizer...
- O que é? - perguntei
- Preciso conversar pessoalmente, vamos jantar na terça? - me disse ele
 
Fiquei curioso, mas principalmente ansioso, pois já imaginei que ele iria me dizer algo do tipo
" gostei muito de você mas...":
e o "mas" apareceria...
"mas eu ainda estou envolvido com meu ex",
"mas eu não sou solteiro"...
ou aquelas clássicas
 "eu não estou preparado para um relacionamento",
"nós somos de mundos muito diferentes",
"você é bom demais para mim"
 ...e a super clássica: "o problema não é você, sou eu"
... e outras possibilidades...que, sou obrigado a confessar, eu mesmo até já falei! (Gera, confessei, hora das chicotadas! rsrsrsrs)
Fomos jantar no Barão de Itararé, um lugar que eu considero muito aconchegante, bom para bater papo por conta das mesas com bancos. E ele gostou muito logo de entrada, pois achou um lugar até romântico...
O meu Mr. Jay é uma graça não acham?
Conversamos, beijamos um pouco, amenidades, e nada do Mr. Jay entrar no assunto! Quando estávamos terminamos eu liberei o módulo ansiedade:
- e ai mocinho? o que você queria falar comigo?
- espera um pouco, preciso me preparar, pois eu acho que o que eu vou te contar você não vai gostar!
- ok, take your time
Conversamos mais um pouco, pagamos a conta e saímos.
No carro eu retomei o assunto, pois conheço o poder que os carros tem em as pessoas falarem o que estão pensando! E deixei ele á vontade para não falar se não quisesse.
- Eu quero e eu preciso, saímos hoje para isto!
Convidei ele então para tomar um café na OFNER do Itaim, mas mesmo antes de chegarmos lá., ainda no carro, descendo a Padre João Manoel, ele tomou fôlego para me contar, mais ou menos assim:
- Como eu te disse eu tenho umas coisas para te contar que eu não sei se você vai gostar.. mas não dá para irmos adiante sem isto
e continuou...
- Na sexta feira, quando fomos ao Vermont eu ainda não tinha certeza do que sentia por você, mas foi uma noite incrível e eu vejo que você é um cara que eu quero conhecer melhor...
E começou a me contar sobre sua vida, sobre o fato de não ter sido aceito pela mãe, de ter sofrido muito com isto, de ter ido morar "de sopetão" com o namorado 30 anos mais velho que ele. E sobre várias coisas que aconteceram. Me contou sobre alguns de seus medos, sobre as coisas  que lhe preocupavam, e sobre outras coisas. Sobre problemas que ele passou, sobre o que lhe deixava triste... algumas coisas eu tinha intuído, outras eu fiquei sabendo.
Uma atitude que nenhum cara, em nenhum relacionamento, tinha tomado comigo até aquele momento, uma atitude de coragem e honestidade. 
Se eu tinha alguma dúvida de que o Mr. Jay era o right guy... as dúvidas se dissiparam ai! E se eu estivesse contando pontos do "candidato", com certeza ele teria somado 1.000 pontos!

Do mesmo jeito que eu tive que contar algumas coisas no começo - sobre minha filha, sobre meu relacinamento de 10 anos - ele tb teve que contar! uma sincronicidade interessante não acha?

E você? já teve que "contar algo" no início de um relacionamento?

29 de agosto de 2013

E como ficam os filhos ?

Só que, só que, só que.... eu não sou um cara sozinho, solteiro, procurando um namorado, um relacionamento, eu sou um cara, homossexual, que também tem uma filha, que estava procurando um namorado...
E ai existem pequenas nuances que precisam ser levadas em conta:

- primeiro, que minha criança conviveu por 10 anos com meu ex. Ele nunca assumiu a posição de "co-pai", eu mesmo não fiz questão que acontecesse, preferi que ele assumisse a postura de "namorado do pai e amigo da filha", a paternidade era um projeto meu, e quando ele chegou em nossas vidas os laços já estavam estabelecidos há anos.
Mas de certa forma, quando eu me separei eu fiquei preocupado em como seria para ela, com seria esta quebra de laços.Esta é uma preocupação de todos que tem filhos não? 
Eu posso dizer que foi super tranquilo, ela já era uma pessoa bem especial e madura para seus 16 anos, e assumiu rapidamente a posição de me apoiar, de estar do meu lado, nesta transição. E torcer autenticamente pela minha felicidade.
Ela ficou triste, sentiu falta, mas tirou de letra.

- a segunda coisa é a hora de contar! Não, não é a hora de contar que eu sou gay, é a hora de contar para o cara que eu tenho "um pacote mais completo e complexo". Eu normalmente omitia isto num primeiro contato, num primeiro papo ou encontro, e foi uma medida acertada, porque muitas vezes eu nem passei da primeira conversa, e não tinha motivo para eles nem levarem esta informação com eles.
Eu até dava uma certa sondada durante a conversa, falava se o cara tinha vontade de ter filhos, ou de amigos e amigas homossexuais que tem filhos. Para alguns eu contava no dia seguinte ao primeiro encontro, por tel, por skype, como forma de poder perceber se isto poderia fazer parte do relacionamento na cabeça do cara.
E muitos que contei nem teve o segundo encontro.
Mas entender e aceitar isto era fundamental para os passos seguintes...

- a terceira questão, quando se tem filhos é, em que momento você vai "introduzir" (desculpe o trocadilho) o pretendente na família...em que momento vc apresenta o namorado novo aos filhos. E este dilema dezenas de divorciados e separados heteros tb tem que enfrentar.
Eu não sei se existe uma fórmula matemática para isto, mas eu resolvi que só o faria depois de estar genuinamente envolvido com a pessoa ( coração e não apenas tesão) e depois que eu pudesse ter algum grau de certeza de que a pessoa não ofereceria nenhum tipo de "risco" á minha cria. 
Ou seja, não dava para levar qualquer um para casa. 
Mas também era importante preparar o terreno, e para isto eu adotava o método "o gato subiu no telhado",ou seja, ir preparando ela aos poucos. (não conhece a estoria do gato que subiu no telhado? clique aqui)
Eu só apliquei este método duas vezes, pois apenas apresentei aquele oriental de quem falei no post  JAPAN POP SHOW e o meu namorado atual. O método consiste em, primeiro mostrar a ela que estou saindo com alguém legal, comentar aonde fui, o que fui assistir, onde jantei, onde passeie. depois ir pontuando algumas características e gostos do dito cujo. E eu tb ia fazendo isto na outra ponta, contando para o cara a rotina de casa, as estorias de casa, mostrando fotos... enfim, um processo de aproximação.

O importante é que ambos percebam que tem espaço na minha vida para ser pai, para ser namorado, para ser profissional, para ser amigo de outras pessoas, para ter tempo para mim.

E acho que eu consegui fazer isto, especialmente porque as pessoas envolvidas, minha filha e meu namorado , são pessoas especiais! E gostam muito de mim....acho    =op



Sobre meu namorado atual? Curioso?
Bom, como eu retomei o meu blog recentemente, eu quero continuar o fio da meada do meu diário pessoal, para então chegar nele, pois eu cheguei nele depois de um processo de luto e evolução, que quero dividir com vcs ok? topam esperar mais alguns posts para eu chegar no momento atual? OBRIGADO!