27 de junho de 2006

INTOCÁVEIS

Eu não canso de me espantar com os mecanismos cruéis e inexplicáveis que a sociedade tem de pisar e colocar de lado as pessoas que não são iguais, quantas maneiras de fazer o mal somos capazes de inventar?
E não vou falar do isolamento e segregação que sofrem todas as pessoas que seguem uma linha, mesmo que tenuamente, diferente do que a sociedade estabelece como normal, mas o paralelo com o preconceito aos homossexuais salta aos olhos!
Não sei se você sabe mas na Índia a sociedade durante milênios se dividiu em "castas", em camadas, que não podiam se misturar até por força de lei. E dentre estas castas havia os "Intocáveis" pessoas que os outros tinham "autorização" de humilhar, desprezar, pois era uma daquelas coisas "que sempre foi assim".
Párias que ofendiam aos outros simplesmente por olhar nos olhos ou andar na mesma calçada.
Confesso que ainda não entendo o motivo disto, sei que deve ter uma explicação milenar, provavelmente religiosa, para legitimar este absurdo, do mesmo jeito que a Igreja de Roma legitimou a escravidão por séculos.
Mas eu achava que isto não existia mais, achava que a famosa e desenvolvida India moderna, elogiada por 10 entre 10 profetas do futuro brasileiro, já tinha superado isto, até ler há alguns dias atrás, a estória do intocável PAUL RAJ que foi abraçado por um estranho pela primeira vez aos 21 anos de idade.
Clique no titulo deste post e leia a matéria que está no site da Revista Capricho. O que mais me espanta é que ele enfrenta o mesmo preconceito na faculdade, lugar onde as pessoas deveriam estar querendo mudar as coisas e melhorar a sociedade, e reparem no contato fisico que ele tem com a namorada!
Eu, que sempre achei tudo que é indiano muito bonito, até de filme indiano eu gosto! Fiquei muito triste e decepcionado, achando tudo muito feio!
E o Paul é como nós, ele não optou nem escoheu nada, ele simplesmente é! E isto lhe traz muito sofrimento!
Não ficaram decepcionados com a sociedade indiana? Eu fiquei!

25 de junho de 2006

Nós todos merecemos amor

Vejam que lindo este cartaz de uma campanha inglesa contra o preconceito:
texto:
" Ella é morena, Kendra é gay, Ken veste vermelho, Spot come cocô - Nós todos merecemos amor"

22 de junho de 2006

Fanáticos F.C.

Fato: 99% dos Gays detesta futebol*
Fato: 99% das Lésbicas adora futebol*
Fato: eu não ligo a minima para futebol, mas fico nervoso demais para assistir um jogo.
Fato: futebol é o ópio do povo!
Fato: Copa do Mundo SUCKS!
*Fato: estas duas observações são absolutamente simplistas e reducionistas.

Agora, mais fanático por futebol do que assistir a narração no rádio de pilha da partida entre Costa do Marfim e Irã, é que eu descobri que no UOL tem a "narração" do jogo por escrito! Em tempo real! Será que tem gente que além de gravar o jogo ainda IMPRIME a NARRAÇÃO?
Veja que ridiculo! O começo do jogo do Brasil e Japão:

Times em campo para execução dos hinos nacionais
Começa o jogo
1 min - Tamada recebe ótimo lançamento na esquerda, mas não consegue dominar e perde chance
1 min - Cicinho cruza para a área no primeiro lance brasileiro e defesa japonesa afasta
2 min - Tamada cruza para a área e Cicinho afasta

3 min - Kaji tenta jogada pela direita e perde a bola

É ou não é ser fanático demais para LER o jogo de futebol?

21 de junho de 2006

Gay places to stay!

Na Europa, mas principalmente nos Estados Unidos, a oferta de pousadas e hoteis voltados exclusivamente para o publico homossexual é bem grande, especialmente em algumas cidades, que são abertamente friendly. E existe uma dezena de sites que organizam viagens, roteiros, cruzeiros, casamentos, e muito mais coisas voltadas para o tal do pink money. O www.gayplacestostay.com do titulo deste post é um destes.
Mas precisa? A gente precisa comer em restaurantes gays, dançar em boates gays, comprar em livrarias gays e se hospedar em pousadas gays?
Olha, precisar não precisa, especialmente se você estiver muito bem resolvido em relação á sua sexualidade e já tiver adquirido aquela camada vulcanizada no estomago para não se enfurecer cada vez que um outro hóspede ou funcionário te olhar meio de lado.
Mas ficar hospedado num lugar gay, como eu já tive chance de fazer algumas vezes, é muito legal, especialmente se você estiver namorando ou casado. É uma oportunidade de criar um certo "simulacro de normalidade" que faz com que as pessoas possam ser quem realmente são, e até demonstrarem afeto de maneira mais natural. Para quem está mais no armário esta oportunidade é ainda mais significativa, pois eles podem antever como seria estar fora do armário em um ambiente de aceitação. E o mais legal é que estes lugares normalmente misturam gays e lesbicas em relativa integração, eu mesmo já tive chance de fazer bons amigos e amigas nestes lugares.
Eu vivo fuçando pousadas para ficar, sei de uma pousada GLS em Resende, outra em Maresias, e mais uma em Itanhaem, Porto Seguro, Recife, e de mais uma duzia de lugares que não são exclusivamente GLS mas que são pra lá de friendly. Normalmente são lugares pequenos, com atendimento feito pelos próprios donos, na sua grande maioria homossexuais. Algumas, que começaram exlcusivamente GLS, como a Costa Balena no Guarujá, foram obrigadas a se tornarem friendly, para poderem atender mais gente e crescer.
Neste fim de semana vou para Campos do Jordão e vou ficar hospedado na RAPOSA DA MONTANHA, uma das mais antigas pousadas GLS do Brasil, e o pacote é baratinho, 180 reais o casal, o pacote do fim de semana, com cafe da manhã. E se você quiser ir com amigos pode, pois existem quartos com camas de solteiros.
Mas eu recomendo como primeira viagem com um paquera novo...muito romantico e exclusivo.
Quem sabe você se anima e nos encontramos lá no final de semana? Ia ser bem legal reunir uma turma! De repente até combinamos de ir juntos.
Dá uma olhada no site da pousada e veja, www.raposadamontanha.com , converse com o Marcos ou o Walder, donos da pousada.
Acho que vou abrir uma seção de Turismo neste blog....(risos) ...estas duas fotos são de Campos do Jordão! Um lugar prá lá de especial!

19 de junho de 2006

o direito á "putaria"

Muita gente achou estranho o meu manifesto, o tal do slogan "No Namoro, Putaria Yes", Teve gente que até achou que eu ia "cair na gandaia" (risos). Não se trata disto!
Continuo sendo uma pessoa que acredita no AMOR, em construir um relacionamento, em formar família, em fidelidade e todo um monte de coisas que poderiam ser consideradas "caretas", mas também acredito muito em liberdade, em livre arbítrio, e acredito muito que todas as pessoas são maravilhosamente diferentes! Parafraseando um famoso escritor, "não curto putaria mas defenderei com unhas e dentes o direito de quem quiser putaria".
Por "putaria" entendo a vontade da pessoa não se comprometer, de se divertir, de beijar quem ela quiser e de dormir com quem quiser, desde que isto seja feito de forma responsável (mesmo parecendo falta de responsabilidade). As pessoas, hetero ou homosexuais, não são obrigadas a seguir nenhum roteiro de vida pré establecido eplos outros, do tipo, o que é "certo" é a pessoa ter um relacionamento estável e sossegar, se possível "casar". Sei que esta pressão sofrem todos os que preferem não se envolver em longos relacionamentos, homens e mulheres são constantemente cobrados para namorar, se aquietar, casar, pensar num futuro sozinho.
A segunda parte do meu manifesto tem a ver com a visão estereotipada de que os gays só querem saber de "trepar", para isto eu podia escrever muitas linhas, mas a Vejinha forneceu um material muito mais contundente e siginificativo.

Em sua capa desta semana ela estampa o casal Atilio Baschera e Gregório Kramer, ícones da cidade de São Paulo que dividem a mesma cama e escritório há 38 anos! Dois homens que resolveram ficar juntos e assumirem seu amor, que demonstram constantemente, numa época em que isto seria impensável (bom, para muita gente ainda é impensável!).
A matéria não só destaca o talento dos dois como decoradores e designers, mas dedica muito espaço para falar o quanto o amor deles, e sua felicidadade, é reconhecido e aceito por todos á sua volta e pela sociedade paulistana em geral. Num parelelo parecido com o relacionamento dos cariocas Carlos Tufvesson e André Piva, estilista e arquiteto respectivamente, juntos há mais de 10 anos e também muito bem aceitos pelos cariocas).

Poucas vezes eu li um texto tão positivo e falando tão abertamente sobre um casal homossexual.
Estas estórias não só servem como um "cala a boca" nas pessoas que dizem que isto não é possível mas também podem servir de perspectiva positiva para muitos jovens que pensam em umdia estabelcerem longos relacionamentos. Mas, sei que para eles pode ter sido mais fácil por serem cultos, ricos, bem resolvidos, morarem numa cidade grande, situação muito distante da realidade de muitas pessoas e muitas cidades do Brasil afora.
Se tiver curiosidade acesse a matéria da Vejinha em
http://veja.abril.com.br/vejasp/210606/perfil.html

17 de junho de 2006

hoje é dia da parada...

Este é "manifesto protesto", já que o pessoal acha que é só disto que os homossexuais gostam...e como estamos na semana da parada...

16 de junho de 2006

será?

"somos sempre modificados pelo que amamos"
Joseph Brodsky

15 de junho de 2006

ONDE ACHAR?

Pessoal, muita gente tem me perguntado onde achar o livro da Edith Modesto, do qual falei no texto anterior. Ela me informou que o livro já está á venda nas livrarias desde o dia 6 de junho e que também pode ser encontrado em várias livrarias virtuais.
Eu verifiquei e realmente dá para comprar na Siciliano e na Saraiva. Então, quem está com vontade de ler o livro já tem como adquirir! Uma mão na roda para quem não é de São Paulo.
E, quando você aparecer por aqui, tenho certeza que ela vai adorar autografar seu livro!
Abraços

Pais e Mães em destaque

Ela é uma mulher e tanto! Enfrentou muitas coisas em sua vida e superou outras tantas, e ainda teve a generosidade de ajudar outras pessoas.
Ela levava sua vida, que chamaria normal, até perceber que seu filho, na época com 22 anos, estava muito triste, deprimido e mesmo eles tendo um bom relacionamento ainda havia um espaço que os distanciava. Ela resolveu conversar com ele, e nesta conversa soube que seu filho era homossexual, pois ao contrário de todo o folclore, a maioria das mães não sabe sem que se conte.
O mundo desta mulher balançou, ela não sabia o que fazer, a quem recorrer, ficou perdida. Não porque não amava seu filho, não porque teve raiva da situação, ficou perdida sem saber o que era isto, sem saber o que siginificava ter um filho homossexual. Balançou mas foi a luta!
Perguntou, leu e por fim descobriu a Internet. Na globosfera virtual conheceu outros tantos homossexuais, homens, mulheres, militantes e curiosos, entrou para grupos, perguntou mais um pouco, escutou, aprendeu e entendeu, entendeu seus sentimentos, entendeu os sentimentos de seu filho.
Isto não siginifica que tudo se reolveu, aceitar, compreender não siginifica que tudo muda de um dia para outro, na realidade as coisas só mudam para quem quer que mude!
Na sua busca, e nos seus momentos de "não ter com quem falar" ela percebeu que existiam outras mães e pais perdidos, ela sabia que o amor por seus filhos era grande, mas os preconceitos, os medos, as angustias turvavam tudo isto! Ai entrou em prática sua generosidade: fundou um grupo de pais e mães de homossexuais, conhecido como GPH (grupo de pais de homossexuais), talvez ela nem precisasse disto, ou precisasse, com certeza os filhos precisam! Isto foi em 99. Umtrablaho de formiguinha, pegnado uns no colo, chacoalhando outros, e conversando, conversando, conversando...
Hoje seu grupo tem mais de 50 pais e mães de todo o pais, e desde fevereiro se tornou uma ONG devidamente registrada, para poder fazer mais, para poder ajudar mais gente. Seus planos são treinar psicologos e pessoas para poder montar novos grupos, mini-grupos espalhados pelo Brasil.
Mas enquanto fazia tudo isto ela tinha outro projeto em andamento, ela percebeu que muitos livros falavam "tecnicamente" sobre a homossexualidade, mas poucos deixavam os homossexuais falar!
E foi isto que fez, entrevistou dezenas de homens e mulheres homossexuais, compilou centenas de respostas - eu mesmo vi as toneladas de fitas (trancadas eticamente a sete chaves) em seu escritorio - juntou, organizou, perguntou mais, organizou mais. Deu voz ao homossexuais, que deixaram de ser matéria de pesquisa para se tornarem seres reais, com historias de vida e opiniões.
Dia 16 de junho o livro VIDAS EM ARCO IRIS - Depoimentos sobre a homossexualidade, vai ser lançado na livraria Cultura do Conjunto Nacional, ás 19 horas. Um livro para filhos, para pais, para mães, para estudiosos e para pessoas que querem entender mais sobre coisas que as pessoas preferem rejeitar sem tentar entender!
Você não pode perder! Numa semana de tantos eventos em prol das liberdades e contra o preconceito, você precisa estar lá!
O nome desta mãe, mulher, batalhadora, sonhadora, escritora? Edith! Edith Lopes Modesto, não esqueça seu nome, pois tenho certez ela ainda deve ter muitos planso em mente, só precisa de um pouco de nossa ajuda e apoio!
Parabéns Edith, conte com meu apoio!

13 de junho de 2006

Brasigayro ou Gaysileiro

Esta semana temos a oportunidade de comemorar dois "orgulhos", estamos na semana do ORGULHO GAY e na semana da ESTREIA DO BRASIL na copa.
E a cidade está coberta de bandeiras, faixas, flâmulas e bandeirolas "verdemarelas" e algums regiões da cidade, e a própria Av. Paulista no sábado, estará coberta de arco-iris para todos os lados!
Eu acho tão legal esta coisa de "decorar" a cidade para eventos! No natal isto é muito forte, a cidad se enfeita toda, mas faltam as bandeiras!
Sou do tempo em que o ditadura processou o Clodovil por usar a bandeira em sua moda e fico muito feliz em ver que agora podemos abusar de nossas cores nacionais!
Aliás, dá para ficar meio "verdeamarelado" com a overdose não?
Mas seria tão bom se estes períodos de orgulho e projeção ecoassem em direitos e melhorias, seria tão bom que o mesmo grito de GOOOL fosse o de "justiça", e seria tão bom que todos os metros de strass e tonledas de suplementos alimentares que vão desfilar na paulista pudessem pender a balança para nosso lado.
Vamos torcer pelo Brasil, vamos participar da parada gay, vamos prestigiar os eventos da semana GLTTB, mas vamos deixar um pouco desta emoção e força para lutar pela igualdade.
E vamos nos divertir porque o pessoal na parada vai abusar do verde amarelo nas roupas e adereços, pelo menos em 2003, com 400 mil pessoas ainda, foi assim!
Participe e prestigie dos evento s a semanaglbt