3 de junho de 2016

O livro necessário! At last!

Ufa! Esta semana entregamos os originais do livro para a Editora Summus! Detentora do selo Edições GLS! 

Eu não tinha contado que estava escrevendo um livro?  Pois é... Eu estava, desde abril do ano passado, junto com  a Psicóloga Profa. Dra. Vera Moris a escrever um livro para contar a história de um grupo de homens que foram casados, tiveram filhos, e em algum momento se "descobriram gays".

Tudo começou em 2007 quando conheci a Vera. Ela estava desenvolvendo seu doutorado na PUC/SP sobre a Paternidade Homossexual e me encontrou através deste blog... Ela me entrevistou, especialmente para conversarmos sobre a questão da revelação para os filhos - posto que meu perfil é um pouco diferente do deles, pois nunca tive esposa - e acabamos nos aproximando.
A partir do trabalho na tese ela acabou montando o Grupo Homopater, pois percebeu o quanto era importante estes homens poderem encontrar outros em situações semelhantes, dividir sentimentos, experiências, formarem uma REDE de apoio, que como ela sempre diz, é fundamental para os que saem do armário mais tardiamente, depois de uma vida predominantemente heterossexual.
Para você ter uma ideia, da eficiência e validade deste projeto, tem homens que vem do interior de São Paulo, de outros estados, e até de fora do Brasil (brasileiros que vivem na Alemanha (2) e EUA (3) ) só para participar do Grupo.

Eu tenho que confessar que eu era um ignorante com relação a esta realidade, na estreita acepção da palavra. Eu achava que sabia um monte de coisas sobre estes homens, que depois aprendi eram "conhecimentos" fruto do meu preconceito, da minha homofobia internalizada, da minha soberba e de alguns outros defeitos que cultivo na minha horta emocional - horta hidropônica e sem agrotóxicos naturalmente.
Para mim eles eram caras que sabiam que eram gays - como eu sempre soube - e que, ou por medo, por conveniência ou por vergonha, resolveram ficar no armário e se casar com uma mulher, mentirosos que acabaram tendo filhos com estas mulheres que enganaram e que, como já se podia prever, em determinado da vida, ouviram o "som melodioso de uma pica" e viram que precisavam sair do armário, assumir-se gays... ferrando a vida de esposa (sempre apaixonadas por aquele marido tão especial que gostava de cuidar da casa, gostava de acompanhar ela para comprar roupas e que cuidava tão bem das crianças) e dos filhos. Eu simplesmente ignorava a Escala Kinsey, 

Com o tempo, tendo a oportunidade de participar das reuniões do Grupo, podendo conhecer estes homens, eu comecei a entender melhor a vida deles, o quanto sofreram por não entenderem ou não admitirem ser possível serem quem eram quando crianças e jovens, o caminho em busca da heteronormalidade, a esperança de "cura" muitas vezes depositadas na igreja ou num casamento e na  família "margarina" que se empenham para construir. Eu presenciei, ao vivo e em cores dramáticas, alguns destes amigos em seus processos de "outing", as revelações que tiveram que fazer para os filhos e a redenção que parecem encontrar no final. A aceitação de si mesmos!
Eu vi muito sofrimento, eu vi muito desespero, e vi muitos homens se desconstruindo e se reconstruindo.

Foi durante nesse processo, de deixar de ser ignorante, que eu percebi o quanto um livro que falasse sobre estes homens poderia ser rico, e o quanto poderia ajudar outros homens com histórias parecidas, homens que estão isolados, sozinhos, pelo Brasil afora.
Percebi que também poderia ajudar outros "ignorantes" a entender melhor este grupo tão específico de homens, pais e homossexuais. Para mim ele se tornou um livro "necessário", que tinha que ser escrito!
Fui então conversar com a Vera, para ver o que poderia ser feito, perguntar se ela também achava este um livro "necessário" e me surpreendi com ela me dizendo que "já tinha começado o livro várias vezes nos últimos anos" mas que não conseguia levar adiante o projeto! Pronto! Nossa dupla estava formada!

A ideia do livro foi reunir depoimentos destes homens e tentar traçar um perfil deles, mostrar o caminho que seguiram, os tropeços, mostrar historias que foram bem sucedidas e as que ainda estão no caminho. Mais de 30 homens se propuseram a colaborar com seus depoimentos, alguns escreveram poucas páginas, alguns fizeram balanços completos de suas vidas, escrevendo mais de 20 páginas. Tivemos então que ler, editar, escolher, encurtar e definir perfis.
Por vicio profissional a Vera escreve em "psicologues", onde as pessoas não falam, elas "inferem" (risos sarcásticos), já eu defendia um texto mais coloquial, mais próximo das pessoas, pois não escreveríamos um livro para psicólogos, mas para pessoas que quisessem entender mais esta questão. No final chegamos a um consenso bem interessante, mantivemos a linguagem própria de cada depoimento, e incluímos falas de diversos filhos destes homens, por sugestão da Soraia, nossa publisher. (coisa chique né?)
Acho que o resultado destes meses de trabalho ficou muito interessante.

Não sabemos ainda se o livro será aceito, a Summus (para a qual fomos indicados pelo Klecius Borges que edita seus livros lá) A principio a Soraia aceitou o projeto que apresentamos.
Não sabemos o que será cortado ou editado. Poderíamos ter tentado lançar o projeto de forma independente, através de crowdfunding, mas achamos que usar uma editora poderia atingir um publico maior, ainda mais uma que tem um selo específico voltado ao mundo LGBTT.
Não sabemos quando será lançado, a ideia inicial da Soraia é que seja lançado na semana da diversidade de 2017. Mas, com a crise, o mercado editorial não tem lançado muita coisa. Só sabemos que não vamos ficar ricos com o livro!

Mas o que não sabemos não nos aflige, queremos que seja tudo bem feito, então a pressa não é o principal critério.

Mas e você? O que pensa sobre estes homens gays que se casam com mulheres e tem filhos? Eles foram sacanas e covardes?



E.T.  A tese da Vera se chamou:  
PRECISO TE CONTAR? - paternidade homoafetiva e a revelação para os filhos 
e você pode ler ela na integra AQUI, lá eu sou o Reynaldo...

30 de maio de 2016

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11!

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Hoje celebro os 11 anos deste blog! 

Para estes onze anos se efetivarem eu precisei de uma pequena dose de disciplina, um pouco de organização, algum tempinho de dedicação e criatividade, um pouco de cara de pau e uma dose de orgulho das decisões que tomei na vida. A conclusão é que se continuo por aqui é porque o balanço é positivo!
Um diário pessoal, de fatos e pensamentos, que algumas pessoas compartilham, palpitam... É gratificante,  como imagino também é para todos os outros que mantém seus blogs, receber apoios, broncas, aplausos e puxões de orelha! E neste aspecto o balanço também é positivo, pois sempre recebi muitos "carinhos", dos generosos amigos, de diversas formas...
Manter o blog também me estimula a surfar por outros blogs, por outras vidas, outras histórias e outros pensamentos! Mais aprendizado, novas perspectivas, ideias e pensamentos interessantes...Parabéns para toda a blogosfera então!

É bem incrível que a plataforma tenho sobrevivido, já que tantas coisas começaram e acabaram neste período (orkut, myspace, etc...). 2005 parece estar tão distante...mas está tão perto!

Acho que vou ficar aqui mais algum tempo, meu diário digital já me ajudou muito, pois quando se é obrigado a organizar as idéias, para se fazer inteligível, surge uma nova perspectiva sobre tudo! Então quero aprender mais sobre mim mesmo!

Beijos a todos!

21 de maio de 2016

Nossos dois professores...


Patch Adams
Dr. Hunter "Patch" Adams
"Comprimidos aliviam a dor, 
mas só o amor alivia o sofrimento"
Frase creditada ao Dr. Patch Adams (tornado mundialmente famoso pela interpretação de Robin Williams)


Penso que na vida temos dois professores para os nossos sentimentos... um deles é o AMOR, e o outro é a DOR. O amor nos ensina pelo que ele nos dá, e a dor nos ensina pelo que nos tira. 

Falar isto não é novidade, é "chover no molhado". Todo mundo diz que não é possível amar sem sofrer, que não é possível entender o amor se não entendermos a dor. Mas eu, com meu espírito "Polyanna", habitualmente fazendo o "JOGO DO CONTENTE", sempre  preferi pensar na dor, não como um componente para a compreensão do amor, mas o estágio imediatamente anterior do amor, uma passagem apenas, logo superada pelo amor. Na realidade eu tinha uma certa dificuldade de entender que nossos aspectos ditos "negativos" também são importantes no nosso processo de compreensão da realidade. 
Eu até mesmo negava que eu sentia inveja, raiva, depressão, desprezo, antipatia...e outros sentimentos que eu caracterizava como "ruins"... Não havia o claro e o escuro... apenas o claro e o menos claro (fui claro? rsrsrsr). Dualidades me causavam estranheza e eu sempre traçava meus parâmetros de "certo" e  "errado" baseado nisto, tendo sempre em mente que era "óbvio" o que era "certo"... Eu demorei um certo tempo para entender que era bom ver meu lado escuro, e até mesmo aceitá-lo.. demorei a perceber que fazendo isto eu me tornava mais humano, mais normal, mais "ordinary people".

Eu nunca tive dúvidas do poder do amor! Eu sempre acreditei que o amor era capaz de curar qualquer coisa, de resolver qualquer situação, de modificar, de transformar... e era baseado nisto que eu levava minha vida, minha vida louca! 
Eu costumava dizer, para as pessoas que conversavam comigo sobre adoção, e que tinham dúvidas, especialmente com relação ao convívio com a criança, com a adaptação, que o "amor resolvia tudo", que o que aquelas crianças precisavam era  de amor, e que o resto se resolvia com mais amor, o amor era a cura. E eu tinha plea convicção disto.
Hoje eu não faço mais esta afirmação com a mesma veemência...

Não que eu tenha deixado de acreditar no amor, ele ainda é fundamental na minha vida, mas eu aprendi - de maneira empírica - que o amor não consegue curar tudo! Ele pode ajudar, ele pode amenizar, mas ele não pode curar todas as almas doentes, nem todos os corações machucados,... mesmo que eu me dedique, que eu faça tudo que estiver a meu alcance, eu não vou poder ajudar todo mundo, não vou poder resolver o problema de amor daquela pessoa ...

As pessoas não podem se curar? Sim! Podem se curar! Se você quiser curar o dor da pessoa você deve começar com o amor que tem por ela, seja amor fraterno, amor filial, amor carnal, isto é o melhor começo, mas eu tive  que aprender que isto pode não ser o suficiente, que talvez você tenha que lançar mão de outras coisas para ajudar esta cura... pode ser a terapia - sua ou do outro - pode ser alguma medicação... só não pode confiar na sua auto-suficiência o tempo todo... Talvez você tenha que mergulhar tão fundo na pessoa amada que você vai se surpreender, ou se chocar, com os motivos da dor dela...
Mas também você vai ter que aprender a hora de desistir de tentar a cura... aprender que seu amor não seja o melhor para aquela pessoa, o não seja na quantidade que ela precisa, ou do jeito que ela precisa...

E você? Aprende mais com a DOR ou com o AMOR? 


Sim, este post é uma espécie de continuação de um anterior...

18 de maio de 2016

As diferenças ajudam ou atrapalham?

O grupo HOMOPATER, que reúne homens homossexuais, a maioria deles pais, realiza todo mês reuniões temáticas abertas a qualquer pessoa que queira participar. As reuniões sao um grupo bem fechado e sigiloso, então, se vc nunca se expos, nunca falou sobre o assunto, pode ser uma boa oportunidade.
A reunião deste mês fala sobre o relacionamento entre pessoas de perfis (idade, poder aquisitivo) diferentes. A Vera teve a ideia do tema a partir da história do Harris, que publiquei aqui no blog, de um homem de 90 anos que se casa com um cara de 40, e que causou muita discussão no grupo virtual que o Homopater mantem:


Se quiserem entrar em contato e se inscrever para participar a coordenadora do Grupo é a Psicóloga Vera Moris e o email dela é vemoris@uol.com.br

Sempre são reuniões interessantes, vale a pena!

11 de maio de 2016

Ora gli italiani possono anche sposarsi!

Pronto, mais um país em paz com o amor! 

A Itália acaba de aprovar a União civil entre parceiros do mesmo sexo! Não é casamento, com amplos direitos ainda, mas já é um passo importante no país que sedia a Igreja Católica. Assim a Itália atualiza o mapa dos direitos do "arcobaleno" no mundo!  Era um desperdício ter tanto Italiano bonito naquela Via Condotti e nenhum deles poder se casar! Um "marito" italiano é um verdadeiro sonho de consumo.. Mr Jay deu sorte.... ;o)

Para mim esta notícia tem um augurio um pouco mais extenso....Sigam meu raciocínio e me digam se estou viajando na maionese...
  • O Vaticano fica dentro de Roma. 
  • No Vaticano, na cidade estado, moram apenas umas 500 pessoas. Todo dia milhares de italianos cruzam a "fronteira" para trabalhar na Santa Sé. 
  • Sabemos que dentro da Igreja a proporção de homossexuais alistados é muito maior que Kinsey propôs em seus estudos, eu diria que chega a uns 60% fácil. 
  • E sabemos que a Igreja finge que isto não é verdade, tanto que muitos dos ex-religiosos que trabalham no Vaticano também são homossexuais. 
  • Fala-se até no Lobby Gay dentro do Vaticano

A minha pergunta é... quanto vai demorar para os religiosos começarem a ter que conviver abertamente com seus funcionários e funcionarias homossexuais, casados com seus parceiros, seus filhos, nas festinhas de natal, nos piqueniques naqueles lindos e bem cuidados jardins do Papa? Quantos deles, agora casados oficialmente, não se sentirão mais a vontade para terem fotos de seus parceiros no porta retrato da mesa de trabalho, ou mostrar fotos dos filhos para o Cardeal, pedir para o Bispo que é amigo batizar, ou pedir conselhos quando o casal brigar...
Não sei se sou otimista, mas acho que a aprovação do casamento gay na Italia vai mudar a Igreja Católica Apostólica Romana mais rápido do que pensamos... ou você não percebeu que depois que ficou público que o filho do tal Edir Macedo é gay o discurso dele mudou de tom?

Se bem que a Patricia Silvio Santos Abravanel, que deve ter um cabeleireiro gay, um maquiador gay, um costureiro gay, um assessor gay, um cozinheiro gay no seu restaurante favorito... foi falar bobagem ...ou seja mesmo a convivência não fez ela ver o mundo melhor...

E você? Acha que conviver com homossexuais ajuda a pessoa a repensar seus conceitos? Acha que a Igreja vai mudar um dia? 

5 de maio de 2016

Mas é de verdade mesmo?

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Umas das coisas mais engraçadas que tem nos acontecido em relação ao casamento, e que eu  não tinha previsto, tem lugar alguns segundos depois que convido uma pessoa para o casamento ... quando eu ouço:
" - Mas é de verdade mesmo? "
" - Como é que é ?"

Eu estou achando graça do assunto agora, mas no começo eu ficava irritado, numa postura que definiria como afirmativa, eu achava um absurdo a pessoa de certa forma "duvidar" da verdade de nosso casamento! E nem tinha muito saco de me explicar... falava:
"- Casamento normal, igual ao de qualquer outra pessoa"

Depois eu fui percebendo que a curiosidade/dúvida das pessoas era até aceitável, pois eu percebi que muitos amigos, vários amigos gays inclusive, nunca foram num casamento gay, e mesmo ficando verdadeiramente entusiasmados com a ideia ... e também perguntavam:
"- Como é que vai ser?"

Acabei entendendo que isto ocorre porque as pessoas tem na cabeça aquele formato de casamento com o combo "casamento religioso na igreja decorada" + "festa no salão" e, intuindo que o casamento de dois homens não teria a parte da igreja -pelo menos não na igreja católica - ... eles ficam curiosos para saber como é um casamento gay... qual é o ritual... a verdade é que o casamento gay é uma novidade, sem nenhuma tradição, sem um forte vínculo religioso, ou seja - ninguém tem obrigação de saber como é!
E no final das contas, eu também estou tendo que usar minha cachola para definir como é um casamento gay, ao menos o ritual do MEU CASAMENTO GAY.

A primeira decisão acertada quem tomou foi o Mr. Jay. Ele fez questão, desde o primeiro momento, que o juiz de paz fosse oficializar o casamento lá na celebração. Fazer isto custa 3 vezes mais do que casar no cartório - e com diria meu avô, dinheiro não aceita desaforo -  mas ele argumentou que não teria sentido fazer a festa sem ter nada oficial. No começo eu achei uma coisa desnecessária, mas quando eu comecei a responder - com um pouquinho de paciência:
"- Teremos um juiz de paz, do cartório, lá na festa, para oficializar o nosso casamento, ao invés de fazer no cartório" Com uma frase só, explicando que é "de verdade" e "como vai ser", percebi que o Mr. Jay estava certíssimo!

Mas ainda tem muita coisa para resolver: vai ter cortejo? (aquele lance em que os padrinhos/madrinhas entram no lugar da cerimônia), os noivos entram juntos ou separados?  Vai ter votos? Arroz? Que roupa usar? Que cor a roupa das madrinhas e padrinhos? Qual a ordem das coisas? um monte de pequenos detalhes... mas tem muita coisa já tá resolvida... a roupa do nosso pajem, que vai entrar com as alianças... já está resolvida, ele é meu afilhado, o Edu, ficou bonitinho?


E você, acha natural as pessoa perguntarem "mas é casamento de verdade?"



28 de abril de 2016

Encontrando o amor novamente...

Conheça a história de Harris Wofford, ex-senador norte-americano, que foi assessor especial para direitos humanos do Presidente Jonh Kennedy e conselheiro de Martin Luther King:

Eu traduzi os principais trechos abaixo, 
mas que preferirem o texto original em inglês
 publicado no New York Times clique AQUI


Aos 70 anos eu não imaginava que eu poderia  me apaixonar novamente e me casar novamente. Mas os últimos 20 anos fizeram da minha vida uma história de dois grandes amores.

No dia 3 de junho de 1996 o telefone tocou pouco depois da meia noite, interrompendo o silêncio do quarto do hospital. Eu atendi o telefone, que estava na cabeceira da cama da minha esposa Clare. "Por favor aguarde o presidente". Bill Clinton tinha ouvido que Clare, em decorrência da leucemia, estava partindo. Ela ouviu e sorriu, mas estava fraca demais para falar.

Algumas horas depois, eu segurei suas mãos enquanto ela faleceu. Durante 48 anos de casamento nós havíamos passado uma vida inteira juntos.
Na fria primavera que se seguiu eu me senti grato por estar vivo, sortudo por ter tantos amigos e familiares e feliz por um trabalho desafiador que o Presidente Clinton me deu envolvendo o serviço social nacional. Mas eu também imaginava como seria viver sozinho o resto da minha vida. eu estava certo que eu jamais encontraria o tipo de amor que eu e Clare compartilhamos.
Clare e eu nos apaixonamos quando tentávamos salvar o mundo durante a Segunda Guerra Mundial 

(...) Nosso romance e aventura continuou por cinco décadas (...)
Nós passamos meio século juntos com diferentes perspectivas de vida. Tendo crescido durante a Grande Depressão, em que passaram por muito sofrimento, ela se tornou muito cética, enquanto eu sempre fui otimista.
(...) 

Para nossas três crianças, e para mim, Clare era o coração de nossa família. Se eu lhe dizia "você é minha melhora amiga" ela respondia "e sua melhor critica" e se eu dizia "você é minha melhor critica" ela respondia "e sua melhor amiga".
Ambos tínhamos quase 70 anos quando ela morreu. Eu assumi que eu estava velho demais para procurar ou esperar encontrar outro romance, mas, cinco anos depois, de pé na praia, eu tive um impulso (...) entrei na água e nadei sozinho, atraindo a atenção de dois rapazes que estavam na praia. Eles se aproximaram e se apresentaram, foi desta forma que conheci Matthew.
Enquanto caminhávamos na praia eu fiquei impressionado pela maneira curiosa e criativa dele pensar, e com seu charme. Eu sabia que ele era alguém que eu gostaria de conhecer melhor. Tinhamos décadas de diferença de idade e interesses profissionais muito diferentes, mas estávamos fisgados.
Eu admirava seu espirito aventureiro aos 25 anos, foi quando ele me disse que eu era um "jovem de coração". Eu gostei da ideia (...)
Viajamos algumas vezes pelo país, depois para a Europa, juntos, nos tornamos grandes amigos. Aquela faisca que sentimos no início percebemos que cresceu e se tornou amor. Um amor diferente daquele que tive por Clare, Nunca havia sentido esta sensação antes.
Eu levei três anos para falar sobre Matthew para meus filhos. Eu levei um álbum, que mostrava eu e ele em nossas viagens, para um casamento da família, Eu não achava que o assunto precisava de uma abordagem direta. Em algum tempo meus filhos aceitaram Matthew como um membro da família, e os pais dele também me aceitaram carinhosamente.
Para alguns nossa união é natural, para outros é uma estranha surpresa, mas rapidamente percebem nossos sentimentos de amor e devoção mutuos. Já estamos juntos há 15 anos agora (...) Eu não categorizo a mim mesmo baseado no gênero daqueles que eu amo. Eu tive um casamento de meio século com uma mulher maravilhosa e agora eu sou um sortudo por ter encontrado a felicidade por uma segunda vez.
(...) Matthew é muito diferente de Clare. As causas politicas que me movem não são tão importantes para ele, mas isto não fez com que eu mudasse minhas prioridades, mas eu também passei a me interessar pelo design, a paixão dele.(...)
Aos 90 anos eu sou afortunado por viver numa época em que a suprema corte fortaleceu o que o Presidente Obama chama de "dignidade do casamento"  , reconhecendo que o matrimonio não é baseado no genero da pessoa, escolhas ou sonhos, mas sim baseado no amor. Com isso em mente eu e ele estamos preparando nossa cerimônia de casamento. 

No dia 30 de abril, aos 90 e 40 anos respectivamente, vamos unir nossas mãos e fazer nossos votos: para o melhor e para o pior,  na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, com amor e com carinho, até que a morte nos separe

20 de abril de 2016

Você já me conheceu assim...


Para mim um dos piores argumentos que pode ser invocado, quando surge alguma discussão num relacionamento, é a talvez já clássica frase: "você já me conheceu assim!"
A frase, normalmente dita por parte de quem  se está cobrando uma atitude, ou uma mudança de atitude, parece sintetizar o pensamento de que, quando conhecemos alguém, ou quando decidimos ficar com alguém, já sabemos tudo sobre ela, ou pelo menos, os piores defeitos dela... mas a verdade é que talvez só tenhamos visto a ponta do iceberg. Eu sei porque no passado já ouvi muito isso!
O que não é bem verdade não é mesmo? Existem várias coisas sobre a pessoa que aprendemos, ou percebemos, durante o convívio... Uma delas é a confiança...


Eu sempre gosto de dizer que a confiança é algo que só pode crescer num relacionamento, o começo é um desejo de QUERER CONFIAR na pessoa, então você se entrega um pouco, entrega seus desejos, seus sonhos, suas vontades, vc se mostra de confiança e se esforça para confiar. 
Primeiro vc confia um pouquinho, depois mais um pouquinho, depois um poucão, depois mais, mas é um processo constante. Não que vc deve ficar esperando provas de confiança, mas o dia a dia vai te dando estas provas... quando a pessoa te liga quando vê que vc esta triste, quando a pessoa te oferece ajuda sem vc pedir, quando a pessoa te diz eu te amo com frequência... uma construção... 
Eu, com certeza, amo o Mr. Jay agora mais do que amava há um ano atrás, porque eu conheço ele mais do que antes, porque eu confio mais do que antes,... e, na minha humilde opinião, é como tem que ser... um crescendo! 
E não é transformar o amor numa "equação", em que mais tempo é igual a mais amor, é apenas reconhecer que precisamos disso para nos sentirmos a vontade, para nos sentirmos parte do novo ser que é o tal do "relacionamento" que congrega um pouco de vc e um pouco do outro..

Se as pessoas não reconhecem isso elas serão incapazes de aceitar quando descobrirem algo "ruim" sobre a pessoa de quem estão se enamorando.. Pode ser uma falha de caráter do tipo comprar dvd pirata ou pegar um atestado falso para poder assistir um jogo de futebol...ou pode ser uma mania alimentar esquisita como misturar chantily e dobradinha, ou  pode ser um hábito questionável de higiene (questionável dá bastante margem á imaginação não é?). 
Se vc se iludiu - ou preferiu se iludir - e só viu as coisas perfeitas em seu "amorzinho" a sua decepção vai aparecer nesse momento. Quando o SER que vc imaginou se mostrar uma pessoa real! 
É nessa hora que a pessoa  invoca o tal "você já me conheceu assim", jogando a responsabilidade da falta de avaliação sobre vc, sem questionar a responsabilidade dela de ter escamoteado algo que vc não deveria saber...
Para sorte minha o Mr. Jay parece nem conhecer esta frase, O que é um grande alívio!

É claro que é algo bem mais superficial do que o fato que te fará perder a confiança na pessoa que vc vinha confiando mais e mais a cada dia, Este fato,  normalmente uma traição, vai fazer a confiança despencar em instantes,  o que fará com que vc tome um tombo fenomenal... eu por sorte. não passei por muitos tombos, mas conheço a sensação!

Mas o pior desta frase é quando ela é expressa em sua forma "completa": "você já me conheceu assim. . .e eu não vou mudar!"  
O que quer dizer que a pessoa acredita, primeiro, que conhecemos tudo dela e temos que aceitar tudo e, segundo, que ela acredita que ela nunca pode aprender nada novo nem mudar de opinião... este é o sinal claro para você pular fora! 
Cuidado com estas "frases-prontas-de-efeito"

Ei, me conta você! Já ouviu esta frase? Ou já usou?


16 de abril de 2016

Pra que lado pesa a balança...


Me parece bem óbvio que o fato de eu ter resolvido me casar com o Mr. Jay mostra que, na balança dos prós e contras do nosso relacionamento, a bandeja dos PRÓS está bem mais pesada!


OI? Como assim? Existem CONTRAS no relacionamento?  

Sim, em todo relacionamento existem prós e contras, no relacionamento entre pais e filhos, entre amigos, entre irmãos, e entre casais, existem coisas que atrapalham, as pessoas se amam mas nem sempre amam tudo nos outros! 
Acho que é justamente esta realidade dos "defeitos" das pessoas que impede muita gente de  se envolver - de verdade - em relacionamentos. Eu vejo muita gente "solteira" querendo estar casada porque não encontra alguém "legal". 

Hoje mesmo um amigo, que acabou de completar 40 anos, me ligou e falava sobre isso... que encontrou um cara legal, bonito, um pouco mais velho que ele, gordinho como ele gosta, com um bom emprego na polícia federal (policial tem sempre um lance de fetiche não é?) e confessou-se até mesmo apaixonado pelo cara... 
- "Estão namorando?" eu perguntei.
- "Eu acho que não vai rolar namoro, ele é maduro, inteligente, mas eu vejo que não gosta muito de cinema, de teatro, coisas que acho importantes e não quero abrir mão. Também vejo que ele não é tão carinhoso como eu queria, ele gosta de praia, que eu nem curto muito, acho que não vai dar certo..."
- "Vocês já transaram? Foi legal?" 
- "Eu conheço ele desde dezembro mas ainda não dormimos juntos, só nos pegamos, ele tem até uma pegada boa, mas eu não me soltei ainda porque não sei se ele é o cara ideal"...

OU seja, quer mas não deixa acontecer...E me parece que ele não é o único com este movimento pessoal. Imagino que o tal pretê deve ter outras qualidades, além destes "desvios do perfil" que ele apontou... E o que é pior, nem foi pra cama com o cara, como se fosse uma virgem do século XVIII. Acho que ele tem medo de gostar do sexo e ai ficar mais difícil ainda arranjar defeitos que justifiquem o não envolvimento...
Eu até sugeri (dar palpite na vida dos outros é fácil..) que ele se soltasse um pouco mais, deixasse rolar, que entrasse nessa sem tantas intenções de algo que tem que dar certo, aproveitar um pouco a vida, viajar juntos, se divertir com um cara legal, mas principalmente, sugeri que ele tentasse aprender um pouco do mundo do outro, encarar a ida a praia como algo que faz pelo parceiro, substituir o prazer do cinema e do teatro por outros prazeres a dois, ao que ele emendou:
" E se eu fizer isso e não der certo? Eu vou estar mais envolvido ainda e o sacrifício não terá valido a pena" "Eu quero adotar, ter filhos, e busco um cara para isso, não sei se esse é o cara certo"
A única reflexão que pude oferecer ao meu amigo é que "lembre que eu não esperei, fui atrás do meu sonho"... mas, de novo, sei que não é tão simples...

Eu, como ele mesmo lembrou - e disse que foi justamente por isso que me ligou - sou um tipo relacional, até mesmo "facinho", como diz o Mr. Jay, então eu deveria saber aconselhar sobre isso....mas isso não significa que hoje em dia eu não ache válido a pessoa decidir que não precisa estar num relacionamento para estar bem. Eu acho muito legal e importante estar numa relação - que seja boa, que acrescente, que te faça crescer - mas não defendo qualquer relação apenas para não ficar sozinho!

Mas mesmo assim eu tenho dificuldade para entender as pessoas que dizem que querem se relacionar mas dizem nunca achar ninguém legal , ou eles deveriam dizer "Perfeito"? Não seria melhor procurar a pessoa real? O namorado que realmente existe, o namorado possível?
Quando converso com pessoas que pensam em adoção eu vejo um pensamento muito parecido, a busca da criança perfeita, a criança idealizada, e a reflexão que sempre devolvo é, "provavelmente vc não está casado(a) com a pessoa que idealizava quando tinha 15 anos não é? Então porque seu filho está sendo idealizado? 
E aqui eu foquei no relacionamento de um casal, amor entre duas pessoas, mas acho que se aplica muito bem a um relacionamento ente amigos, irmãos, pais e filhos, e assim por diante!

E você, facilita ou dificulta relacionamentos? Como está a calibragem da sua balança? Como será que a gente pode ajudar amigos que estão nesse movimento? Tem conselhos ou caminhos que podemos apontar?


14 de abril de 2016

Pagar para ter alguém? Participe do encontro!

O Grupo HOMOPATER coordenado pela Psicologo Vera Moris, ira se reunir para debater se as relações homo afetivas são influenciadas pelo poder do dinheiro, Inscreva-se!