30 de janeiro de 2014

N O S T A L G I A

Em função do post que eu falei de Saudades muita gente escreveu falando de Nostalgia.
Na minha opinião Saudade é diferente de NOSTALGIA, mesmo que muitos dos idiomas - que não tem a palavra saudade - digam que é a mesma coisa, não é!
Aliás, o jeito que os italianos falando NOSTAL"DJIA" é uma delícia...
Temos nostalgia de coisas idealizadas, de coisas que gostaríamos de voltar no tempo, como a infância, o período da faculdade, quem sabe um amor antigo, uma casa que morávamos, um  sabor que nos remete a uma determinada época...
Eu tenho muito pouca nostalgia, não tem nenhuma época da minha vida para a qual eu queira voltar, não porque foram epocas ruins, mas porque sei que já passaram, que já aconteceram, e que se eu voltar não vai ser a mesma coisa, eu estou com outra cabeça, as outras pessoas vão estar com outra cabeça...a situação histórica vai ser outra.
Hoje em dia, com a internet e especialmente o FACE, somos bombardeados todos os dias com "nostalgias", jogos e brinquedos que tinhamos quando éramos crianças, certas balas e doces que comíamos, os programas de tv que não existem mais, que o pessoal sempre brinca de "teste de idade", se você já comeu "balas juquinha", por exemplo, é porque você viveu em uma ceta época.
Emocionalmente eu percebo que tem muita gente que vive na nostalgia. E muita gente que parece sofrer por isto.
De certo modo a NOSTALGIA te prende no passado...
A pessoa vive com aquilo e não precisa de mais nada, ou talvez tenha medo de viver o presente e não encontrar algo tão bom quanto o que ele acha que foi aquilo, um pensamento do tipo "naquela época sim era bom"...
Um cara que conheço, que é  um homem esclarecido, educado, simpático, formado na área médica, culto, mas faz muitos anos vive na nostalgia de um relacionamento que acabou, e que não vai ser retomado, mas pelo que ele fala, é onde mora a felicidade dele.
Eu sei disso porque este ex dele tem o mesmo nome que eu, e sempre que nos encontramos ele vem me falar "ah, o fulano, como eu amei este cara, sempre que vejo você me lembro dele"...
E ele não é um homem, feio, mas percebo que ele não dá espaço para acontecer mais nada na vida dele, porque nada "se compara" ao que ele teve com este outro...


E você, está vivendo de NOSTALGIA?

23 de janeiro de 2014

Qual o melhor modelo de relacionamento? Workshop

Há algum tempo atrás eu participei de um encontro promovido pelo psicologo Klecius Borges e muita gente comentou que gostaria de ter participado, ele vai promover um novo Workshop no dia 8 de fevereiro, e acho que vai ser bem interesante, eis o convite para quem quiser se inscrever.
E se quiser saber mais sobre o Klecius ele tem um site com textos bem legais, que dão o que pensar - www.kleciusborges.com.br  
 
DA MONOGAMIA Á POLIAMORISIDADE
 
Os diferentes modelos e arranjos nas relações amorosas e sexuais entre gays e bissexuais.
Workshop com seis horas de duração conduzido por Klecius Borges, psicólogo e psicoterapeuta, especializado no atendimento a gays, lésbicas, bissexuais e seus familiares e autor, entre outros, do livro “Muito Além do Arco-íris: amor, sexo e relacionamentos na clinica homoafetiva”.
Este workshop tem por objetivo discutir os mais frequentes arranjos e modelos de relacionamento adotados por gays, a partir de uma perspectiva não heteronormativa, analisando e discutindo suas características, particularidades, principais dificuldades e desafios.
Além da discussão e da troca de experiências entre os participantes, serão apresentados também alguns dados de estudos e pesquisas relatados na literatura recente.
O workshop se destina tanto a indivíduos que estão em algum tipo de relacionamento e lidam diretamente com esse tema, quanto àqueles que se interessam em conhecer e analisar as alternativas ao modelo monogâmico tradicional.
Data: 08 de fevereiro 2014.
Horário: das 10:00 às 17:00 com um intervalo de 1 hora para almoço.
Local: a ser informado posteriormente.
Valor: R$ 200,00
Inscrições pelo email terapiafirmativa@uol.com.br

20 de janeiro de 2014

Çaudá´dí

Na definição que aparece na Wikipédia "Saudade" descreve a mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor.
Eu sou uma pessoa que sente saudade.
Minha filha está viajando faz alguns dias na casa de praia de uma amiga e estou "troncho" de saudade. Mr. Jay viaja bastante á trabalho e sempre me pego com saudade dele.
Ele me chama de "manteiguinha" porque realmente sou muito emotivo e vou ás lagrimas facilmente, pricipalmente quando estou com saudade...
Eu sinto saudade de pessoas, não de coisas ou fatos.
Sinto saudade da minha avó Maria, que morou comigo um tempo no final de sua vida e que eu realmente amava muito, embora não lembre de ter dito muito isto para ela. Sinto saudade de deitar no seu colo e de seu cafuné - tanto que qualquer cafuné hoje em dia me transporta para o colo de minha avó imediatamete.... 
Sinto saudade de meu avô Antonio, que me deu muito exemplos de trabalho e vida, sinto saudade de beijar sua testa/careca, que sempre ficava suada depois de uma refeição e riamos muito disto, sinto saudade de seus bolsos sempre cheios de balas para dar para os netos  - o pote em que ele guardava as balas tenho comigo até hoje.
Sinto saudade de minha tia Sônia, que morreu muito jovem - antes dos meus avós - e que deixou dois filhos pequenos, que de primos viraram meus irmãos, sinto saudades de sua mania por coisas naturais e exotéricas, sinto saudade de seu jeito espivetado e maluquinho, (o folclore familiar reza que ela jogou futebol na rua até os 19 anos)  e sempre me lembro que discordávamos muito e que tinhamos "discutido" um dia antes e estávamos "brigados" quando ela morreu no dia seguinte. Por isto nunca mais gostei de ir dormir "brigado" com alguém...
Saudade é um sentimento bom para mim, já ouvi em algum lugar que "só morremos quando a última pessoa que lembrava da nós também morrer", então, de certa forma, quando sinto saudades destas pessoas elas se tornam imortais, como são imortais tantas pessoas que são lembradas por tanta e tanta gente...famosos e famosinhos
A saudade esta sempre relacionada a perda, perda de tempo de convivência principalmente, mas é bom sentir saudade e perceber o quanto a gente gosta da pessoa, eu não sofro por sentir saudade, a saudade me lembra o quanto eu gosto da pessoa e o quanto eu gosto de estar na companhia dela.
A saudade não exite sem o amor. Pensar em saudade me fez melhorar muito meu relacionamento com as pessoas que estão á minha volta hoje em dia, eu quero sentir saudades delas e perceber que foi bom, que fiz tudo para cultivar este amor enquanto estavam todos vivos. E até me entristeço um pouco por saber que de algumas pessoas, como meu pai, não sentirei saudades nenhuma...

E você ? Sente saudades de quem?

 

18 de janeiro de 2014

VIOLENCIA E PRECONCEITO

Foi difícil não ficar chocado esta semana com a morte do jovem Kaike VEJA AQUI se você ainda não leu ainda sobre o assunto.
Independente do fato que a morte estar sendo tratada como um suicídio, o que parece bem estranho, a tragédia traz para o primeiro plano novamente as discussões sobre preconceito e homofobia. 
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender a violência ligada ao preconceito, não vou dizer que eu não tenha nenhum tipo de preconceito, com certeza eu tenho muitas idéias pre-concebidas sobre pessoas, grupos, atitudes... por exemplo? Eu tenho pouca paciência com gente preguiçosa (ou que eu acho que é preguiçosa), e acabo tendo idéias preconcebidas sobre isto.. e assim por diante.
Que atire a primeira pedra quem não tem nenhum preconceito ! Olha ai a violência!
Mas eu não entendo como as idéias pre-concebidas podem gerar o ódio que faz com que a pessoa que não gosta de você, ou por você ser negro, ou pobre, ou nordestino, ou gay, ou tudo isto junto, queira que você morra, que você não exista, que você desapareça!
Eu entendo que perceber a possibilidade das pessoas serem diferentes parece estar ligado a cultura, a conhecimento, ou seja, pessoas mais evoluídas teriam menos preconceito... mas isto não é verdade, mesmo nos paises ditos desenvolvidos o preconceito de raça, de credo, étnico e sexual não parece ter diminuído significativamente. Só para falar da sexualidade podemos citar a barreira contra casamentos gays na França, nos Eua, na Russia...
Eu não fui vítima de muito preconceito ao longo da minha vida, mas aqui e ali eu sempre percebo umas olhadas enviesadas por eu estar mais gordo do que seria o padrão "da raça"....
Tem como mudar isto?

10 de janeiro de 2014

Conflito, Negociação, Acordo e Consenso

Conflitos são inevitáveis!  Faz parte da nossa natureza estarmos sempre em conflito, entre duas idéias ora antagônicas, ora complementares. Ver um filme ou ir ao teatro? campo ou praia? reclamar do salário ou sair do emprego? Falar aquilo que tem vontade ou calar-se?
Nos relacionamentos interpessoais isto se multiplica pelo número de agentes envolvidos, num casal, dois!
Acho que a primeira coisa a fazer é não negar a existência dos conflitos, as diferenças de opiniões e de gostos são importantes, é importante a existência de conflitos!
OPA! Você tá doido? O importante não é a harmonia?
Antigamente as teorias diziam, especialmente em relação ás empresas e ás equipes, que o importante erámos ter equipes harmoniosas, sem conflitos, mas rapidamente estes teóricos entenderam que a psicologia humana está acostumada com o conflito e que a discordância e as possibilidades é que geram a criatividade e o crescimento. E a partir dai passou a ser importante lidar com o conflito!
Não negando os conflitos damos espaço no casal para que eles sejam externados, conhecidos e mensurados. Sabendo onde está o conflito podemos negociar.
Agora, o mais importante  sobre negociação que precisamos entender é que ela só é válida se todas as partes envolvidas tiverem voz, e se todas, de certa forma, puderem ser contempladas no resultado final que deve ser "ganha-ganha". Se os dois tiverem suas opiniões discordantes validadas.
Se não for assim não é negociação em busca de um acordo, é o exercício de poder do mais forte sobre o mais fraco, um jogo de cartas marcadas onde o perdedor, que já o sabe de antemão, já entra na conversa em desvantagem e já sente a frustração resultante. Mas temos que saber que muitas vezes não vamos conseguir chegar a um acordo, podemos continuar discordando sem que isto gere reações adversas como raiva e vontade de revidar.
Num casal nem sempre se chega a um consenso.  Como os burrinhos da ilustração...
Acho que este deve ser o segredo dos casais que estão juntos há muito tempo, aprenderam a lidar com estas tensões respeitando o espaço de cada um, e sem isto não parece possível fazer planos de uma longa viagem uma casa nova ou até planos mais ambiciosos como ter um filho.
Mas isto é um aprendizado, pode ser um que, por já ter vivenciado mais experiências de negociações esteja mais aberto ao tempo que isto demanda e que possa ceder mais fácil pois sabe lidar melhor com seu EGO,  e pode ser que o outro ainda precise defender suas posições com mais fervor, pois talvez ainda não confie muito na busca do outro pelo melhor acordo, ou tenha medo de sair perdendo.
O amor talvez ajude neste aprendizado, a vontade de querer estar junto, a vontade de querer ver o outro feliz, tudo isto ajuda na solução de conflitos... mas ambos precisam querer.
Ou seria melhor ignorar os conflitos, fingir que "eles não existem" e que "tudo se resolve com o tempo"?
 
E você? Como lida com os conflitos?
 
 

5 de janeiro de 2014

"gingle bells" e "muito dinheiro no bolso"

Natal e Reveillon são duas datas definitivamente emblemáticas. O natal é celebrada como a data de ficar mais próximo de Deus (no caso dos cristãos) e falar sobre o amor, sobre o perdão, sobre reconciliação.
Já o ano novo é a data da celebração da amizade, da vida; é o momento de fazer planos e promessas, é o momento de deixar para trás os erros e focar no futuro.
Natal com a família reunida, cada um trazendo um prato, aquele esforço em ser simpático com parentes qe não tem "nada a ver" com você. Muita comida.
Reveillon com os amigos, na farra, quem sabe uma grande festa em algum lugar, muitos risos e fotos no Instagram. Muita bebida.
 
 
Eu pessoalmente, como tenho este estilo "family oriented", curto mais o Natal, com suas tradições e maneirismos familiares, curto festa cheia de criança e curto acolher e receber gente que eventualmente ia passar o natal sozinha. 
Já o Reveillon não me entusiasma muito... já passei vários sozinho (ou quase), sem nenhum trauma, pois não considero o dia 1 de janeiro como "o começo" de nada, e nem tenho hábito de fazer balanços e promessas!
 
Este ano foi exatamente como gosto, o natal em família - contando inclusive com a destoante presença de meu Cronos - com aquela bagunça italianada de distribuição de presentes, muita comida, crianças, um ambiente de muito amor. Foi o primeiro natal do Mr. Jay com nossa família, a acho que ele se divertiu muito - além de ter ganhado vários presentes, além de ter, com certeza, aprovado a comilança!! E nem parece ter ficado muito assustado com a bagunça que fazemos.
Mas também foi um momento de muita saudade de meus avós António e Maria, de minha tia Sônia, e de outras pessoas...
Já meu reveilon foi especial, meu primeiro com Mr. Jay, que me proporcionou um belo hotel a beira mar, champagne e, com certeza, ótima companhia! Á dois, bem entendido!
E a filha? Passou o reveillon no Sirena, com amigas... tirando muitas fotos! rsrsrsrs.
 
 
Sei que muitos homens e mulheres gays e lésbicas passam estas datas longe de suas famílias por não serem aceitos, ou se passam em família, não "devem" ou "podem" levar seus namorados e companheiros, o que é um saco!
Mas também sei que muita gente, por diversos outros motivos, também não vai poder estar com as pessoas que gostaria nesta data, ou por morarem distantes, ou por brigas em família que ninguém lembra mais onde começaram, ou até mesmo porque estas pessoas já se foram...
A todos mando meu abraço e um grande beijo!
 
E você curte mais o Natal ou a Passagem do Ano? Aliás, como foi seu natal e seu reveillon este ano?
 
 

1 de janeiro de 2014

PAI - aujourd'hui

post final (será?) sobre minha relação com meu PAI, para ler desde o início clique aqui


Cada idioma tem suas palavras especiais na minha opinião, algumas pelo siginificado, outras pela sonoridade...Eu não sou um grande conhecedor do idioma de Flaubert, falo o suficiente apenas para não passar fome, mas aujourd´hui (lê-se ujurduí) tem uma sonoridade muito especial, e significa algo como "nos dias de hoje".
 
Minha relação com meu Pai, aujourd'hui, é totalmente diferente do que era até eu saber o motivo pelo qual ele sempre me rejeitou. A partir do momento em que entendi, que meus esforços em querer me aproximar não teriam efeitos, meu sofrimento cessou!
Com esta mudança eu pude enxergá-lo como uma pessoa, com seus defeitos e suas qualidades (e qualidades ele tem muitas, como provedor, como homem, como empreendedor), e parei de imaginar como deveria ser, como DEVERIA ter sido... e passei a ver como é na realidade!
Se antes eu tentava agradar a qualquer custo e me frutrava, e depois eu precisava agredir a todo custo e me frustrava, agora eu tenho muito mais paciência e dou de ombros com muito mais facilidade. Se antes eu me sentia agredido com o que ele falava, hoje eu fico triste, mas não fico magoado.
Também aprendi a ser um pouco mais estratégico, um pouco mais consciente dos caminhos que precisam ser trilhados para atingir alguns objetivos, a manter-me por perto para preservar alguns direitos. Percebi que eu não preciso falar tudo que eu devia, ou queria, porque não falar também é um tipo de controle que me faz bem. Neste aspecto acho que aprendi a ser um pouco mais paciente e resiliente, talvez até menos "mimado", achando que as coisas só tem um CERTO e um ERRADO.

Mas isto tudo não quer dizer que eu não gostaria que fosse diferente, mas sei que isto é uma fantasia que eu não preciso, não posso e não devo, alimentar... E não é a toa que a estória do Luke Skywalker e do seu Pai Darth Vader, guarda tantas semelhanças com tantas outras estórias!

E você meu amigo? Como é seu relacionamento com seu pai? Me conta!



30 de dezembro de 2013

PAI - até que enfim alguém me explicou...

  Continuando para ler anterior clique AQUI

Quando eu tirei meu time de campo a primeira sensação foi de um alívio profundo! Eu me senti aliviado de não ter mais que conviver com ele, especialmente porque como profissional eu já me sentia totalmente desmotivado a trabalhar num ambiente onde havia ZERO reconhecimento e ZERO apoio. Eu nunca tinha sentido isto ao deixar um trabalho, era um tipo de bulying que eu nunca tinha sofrido.
Como eu não sou um cara preguiçoso e como eu gosto de trabalhar, de empreender, eu não tinha muito medo do futuro profissionalmente falando, apesar que eu sabia que minha atitude poderia prejudicar o padrão de vida da minha filha. Pensei imediatamente que precisaria mudar ela de colégio, talvez ir morar num apartamento menor...Mas por outro lado eu sabia que se eu não estivesse bem ela seria muito mais prejudicada, pois fatalmente aquele ambiente ainda ia me causar algum tipo de cancer... 
Mas a sensação de alívio era enorme, o que me deu a certeza de que eu fiz o que devia ter feito... se bem que hoje sei que eu devia ter sido mais inteligente, mais estratégico, mas .... eu era uma animal acuado, e só consegui ter aquela atitude, fugir.
Foi nesta mesma semana que tive coragem de chamar minha mãe para uma conversa, chamei ela para jantar num restaurante, num território neutro, mal nos sentamos eu perguntei o que eu precisava saber:
- Mãe, porque o Papai me odeia tanto? Eu fiz alguma coisa errada que eu não sei? É porque eu sou gay?
Eu percebi nela um esgar, mas ela não se furtou a responder:
Segundo ela eu não tinha feito nada errado que eu não lembrasse, nem ela achava que a atitude dele era porque eu era gay, que podia servir como um potencializador. 
Segundo ela, desde o dia que eu nasci ele me rejeitou. 
Ela me fez entender que o EGO do meu pai é gigantesco, que ele desde o momento que eu nasci, apesar dele ter de certa forma curtido a gravidez - que atestava seu valor de macho procriador aos 23 anos -  percebeu que o trono de homem da casa estava perdido ... e a partir deste momento ele passou a me rejeitar.
Eu não tinha feito nada errado, eu apenas tinha nascido.
Na verdade enquanto ela falava eu entendi perfeitamente o mito do Deus CRONOS...e eu entendi perfeitamente meu papel de Zeus nesta estória. E eu já li muitas estórias parecidas, de filhos rejeitados apenas por existirem!
Saber disto foi absolutamente libertador! Eu sai daquela conversa modificado pela verdade!
Não que eu não soubesse do EGO de meu pai, ele é do tipo de pessoa que sempre, sempre, PRECISA ser o centro das estórias, e constantemente ele exagera fatos em suas memórias para que ele possa se destacar, mas o filho tem sempre certa dificuldade em enxergar os defeitos do pai, e, no fundo, até nos divertíamos com o que achávamos era uma mania.
Mas ela me mostrou e exemplificou que o movimento interno dele só se satisfaz com pessoas "babando o ovo dele" e com pessoas que se mostram servis e subservientes, pessoas que mostram e fazem rapapés para a "importância" dele. E ai eu entendi porque meu espirito iconoclasta e questionador nos afastava mais e mais.
E, de certa forma, tranquilo por entender que na realidade ele não me odiava, ele me temia... porque eu era o cara que sabia (no inconsciente dele) que ele seria destronado, ele sabia que haveria um momento que eu teria mais vigor físico, mais juventude, mais força que ele. O inconsciente dele me temia porque sabia que eu iria assumir o papel de chefe da família, que eu seria a versão melhorada dele... ai entra o Jung, o Freud e os deuses gregos para explicarem estes mitos e arquétipos...

Agora que eu sabia o que estava acontecendo é que eu podia enfrentar melhor esta situação.... (continua)





28 de dezembro de 2013

PAI - Tirando o time de campo...

Como eu disse em PAI, quando comecei este assunto, durante muitos anos fiz tentativas reais de ter uma boa relação com meu Pai, mas num determinado momento,  o desamor que eu sentia da parte dele se tornou uma coisa tão difícil de lidar que eu transformei ele em beligerância. Eu não perdia chances e oportunidades de mostrar meu antagonismo, especialmente nas situações familiares quando ele era (opa! ainda é) extremamente desagradável e agressivo.
Acontece que eu não sou assim, e cada vez que eu era desagradável ou agressivo com ele - mesmo que eu achasse que de certa forma fazendo isto eu estava protegendo minha mãe e meus irmãos - isto não me fazia bem, porque eu estava de certa forma cultivando sentimentos que eu não queria ter. Sei que parece confuso, mas mesmo as mulheres que apanham de seus maridos ainda os amam, e acho que meu sentimento era este. Eu achava que eu era o errado, eu que "dava motivo", afinal de contas eu sou o filho gay que decepcionou...
Até que chegou um ponto em que eu não aguentei mais o desprezo e o sentimento de "desinportância", que também permeava o ambiente de trabalho e, num grito interno de desespero eu abri mão de tudo, resolvi deixar meu trabalho, mesmo sem ter garantia de nada, e tentar me recuperar psicologicamente...
Uma loucura podem dizer, mas nesta época eu já estava fazendo terapia e já me sentia fortalecido para tomar este tipo de decisão.
Ao fazer isto ele lançou mais ira e agressão contra mim, tentou de todas as formas me prejudicar do ponto de vista financeiro e patrimonial, para mostrar que quem desafia ele corre o risco de sofrer sanções e punições (com certeza mandando um recado para meus irmãos). Mas eu tinha tanta mágoa e raiva em meu coração que eu nem conseguia raciocinar direito, só queria fugir daquela situação que tanto me agredia!
Por sorte e por intervenção de um bom advogado, além do apoio de meus irmãos que tb tinham interesse em resolver certas questões pendentes, uma parte das coisas se resolveram, e o que eu perdi eu considerei o preço da minha liberdade... Para meu pai a situação foi quase humilhante, pois ele teve que ceder sem conseguir me subjugar com ele gostaria...
Mas eu ainda me incomodava por não entender porque aquele desamor era assim tão gratuito!

Ainda vou precisar de mais um post para terminar esta história... 

24 de dezembro de 2013

PAI - que não virou Avô

continuação de PAI - Em busca de aceitação

Antes que eu assumisse a beligerância aberta ainda houve uma outra fase em que eu antevi uma possibilidade de aproximação: quando adotei minha filha.
Minha mãe, por diversos motivos, sempre tentou nos convencer que meu pai não era "de todo ruim", que ele se preocupava conosco e que devíamos chance a ele, que devíamos nos aproximar dele, prestar continência eventualmente. Aliás, ela ainda insiste nisto, o que é bastante irritante e frustrante - mas que eu credito no fato de que ele foi o primeiro e único namorado dela, posto que desde que se separam, há mais 15 anos ela nunca teve mais ninguém (o que não é o caso dele, que sempre esta envolvido com algum "gutcha")
Eu, de alguma forma, acreditava nos argumentos dela que "ele não sabia expressar seus sentimentos" e que "ele estava melhorando dia a dia" e que "se ele tivesse filhos hoje em dia seria tudo diferente" e que "o pai dele também era distante por isto ele é assim"... E com base nisto eu criei uma fantasia, a fantasia de que com a chegada de minha filha ele seria um excelente avô e nós poderíamos nos aproximar...
A fantasia de que ele tinha percebido os erros que cometera no passado e que estaria disposto e fazer diferente, agora no papel do Avô.
Mas mais uma vez o que me sobrou foi muita mágoa e decepção, e tristeza, e impotência.
Quando minha filha chegou eu convidei a virem jantar na minha casa - ele não veio e nem ligou.
Depois mandei recados que podiam vir me visitar quando quisessem para conhecê-la - nem ameaçou
Quando fazia um mês que ela estava comigo, depois de minha mãe me encher o saco (naquela época eu ainda escutava isto) eu fui até o escritório dele levar minha filha para ele conhecer!
Deixa quieto!

Percebi então que nada, nada mesmo, que eu fizesse poderia resolver esta situação, e este sentimento somou-se a outros para aumentar a nossa distância - nossa distância nada! A distância dele de mim, e de outras pessoas, se bem que isto é problema das outras pessoas...

Nestes 14 anos a atitude dele com minha filha - e com outros netos - não mudou muito. E hoje até mesmo ela percebe esta distância, este não envolvimento, e de certa forma também se ressente disto...

Mas eu ainda não entendia porque isto acontecia...Este processo ainda ia tomar alguns anos

(continua)