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4 de outubro de 2013

OK! Eu sou gay, e NÃO vou realizar o sonho de ter filhos!


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Depois que eu fiz a minha tentativa, que percebi rapidamente que era totalmente desonesta comigo mesmo (e sacana com qualquer mulher), de estabelecer um relacionamento com uma mulher, casar e ter filhos, eu tive que me confrontar com uma outra consequência disto:
- Tenho que abrir mão dos meus sonhos de ser pai...
Pode parecer estranho falar isto hoje, uma vez que o número de gays que querem, e conseguem ter filhos, seja por adoção, seja por inseminação ou barriga de aluguel (até em novela), é muito grande e só cresce.
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:  
- OK, eu sou gay, meu desejo e minha orientação estão definidos, então eu tenho que aprender a viver com isto e ser feliz, e como eu não posso gestar uma criança sem estar casado, sem estar me relacionando com uma mulher, eu tenho que aceitar que não vou ter filhos! E eu posso ser feliz, tem tanta gente que não tem filhos! #só que não!

Então, eu resolvi tocar minha vida, procurar alguém legal para namorar, estabelecer um relacionamento duradouro, viajar bastante, trabalhar e crescer na carreira, me dedicar aos meus trabalhos voluntários,  cuidar da minha família (eu sou o irmão mais velho e na época eu nem sobrinhos tinha). E foi assim que eu fiz!
- Mas puxa vida! Eu queria tanto! 

Namorei bastante, alguns namoros longos, 2, 3 anos, e até via a possibilidade de morar junto, de construir coisas em comum. Mas aquela "pontinha" do desejo de ter filhos estava lá... tanto que eu tive uma segunda "recaída hétero",  (blame on me!) com uma garota que fazia pós graduação comigo na FAAP, mas o sentimento não pintou e eu acabei pulando fora muito antes da tentativa anterior.
E novamente pensei:
- É, realmente, não vai ter jeito, vou ter que me conformar de não realizar este desejo de ser pai!

E continuei tocando minha vida, morei fora um tempo, cresci na carreira, trabalhei bastante, fiz umas loucuras muito divertidas de amor, e para alguns caras que foram importantes na minha vida eu confessei meu desejo de ter filhos, e sempre concordávamos que era uma ideia "absurda" e "impossível de levar adiante".
E foram muitos anos deste jeito, até que ....
Até que, em junho de 1997 (Dori* não tem certeza!)  uma reportagem  do Ângelo Pereira, na revista SUI GENERIS mudou minha vida... mas este vai ser assunto de uma nova série de textos, se quiserem me acompanhar,  para falar sobre meu processo de adoção...ai começou outra fase da minha vida... 
Entrei com o processo de adoção, em 99 minha filha chegou, em 2002 conheci meu ex- marido, em 2012 nos separamos, este ano minha filha vai prestar vestibular para Economia...coisas que já venho contando desde que comecei o blog... em 2005.
O que eu queria com estes último textos, sobre minha vida, especialmente minha vida afetiva como Homem e Homossexual, era dar uma "atualizada" para começar a contar uma nova estória, com meu namorado -  Mr. Jay, que começou em sete de julho deste ano, e vai muito bem....

*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a  desmemoriada amiga do Pai do Nemo! 
Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!

E vc? Em que momento de sua vida está?