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16 de junho de 2014

DIA DOS NAMORADOS... dentro do armário!

Meu dia dos namorados foi bem tranquilo, resolvemos (na realidade eu resolvi!) comemorar no dia 11 de junho porque imaginava que no dia 12, em função do jogo, ia estar bem confuso e que depois do jogo e da cerveja não ia rolar sair para um jantarzinho romântico... e mesmo eu não ligando muito para estas datas sempre é bom um pretexto para ficar junto.
Fomos a um  restaurante nos jardins que já estava devidamente preparado para o dia dos namorados antecipado, rosas nas mesas, velas, cardápio especial... pena que me chateei logo de cara... quando chegamos percebi que todas as mesas que tinham casais (segunda a definição defendida pelos homofóbicos, aquele formado por um homem e uma mulher) .. quando o casal sentava  o garçon vinha e acendia a velinha da mesa... mas na nossa ele não acendeu. ...
Não acho que o garçon esqueceu, pois ele acendeu de outras mesas, nem que ele não se tocou que éramos um casal, pois usamos alianças de compromisso, além disto, no bairro dos Jardins, em SP, a comunidade gay é bastante visível e todos os estabelecimentos devem estar abertos a servi-los sob pena de fecharem.  Vou supor que ele não quis “dar um fora” inferindo que éramos um casal ou que, hipótese mais razoável, ele não quis dar seu “aval” ao casal gay e não fez a gentileza protocolar de acender a velinha.
Como era dia de romantismo e não de stress, e como meu namorado não percebeu,  eu guardei no bolso  a frase “pode acender a velinha para nós também porque somos um casal” e resolvi marcar o território de maneira mais visível, chegando bem pertinho do Mr. Jay, com bastante chamego e conversinhas de pé de ouvido... ( e na sexta feira mandei um email para o restaurante relatando meu desconforto – para alivio de minha persona militante)

Mas a minha reflexão sobre o dia dos namorados vem a partir da minha participação no encontro do Grupo HOMOPATER (veja abaixo) no dia 7 de junho.
Um denominador, que eu percebo bastante comum para estes homens, que foram ou são casados com mulheres,  é que sua decisão em assumir uma identidade homossexual toma força não a partir do fato deles perceberem que sentem prazer em transar com outro homem, mas a partir do ponto em que eles se descobrem envolvidos emocionalmente com outro homem, ou seja, quando se reconhecem como homoafetivos.  E comigo não acho que foi diferente. Tornar-se gay é estar enamorado.
Ou seja, além de estarem no armário eles passam a viver um relacionamento no armário. E ai “a merda atinge o ventilador”, pois ter um lance eventual, seja com um homem ou mulher,  é fácil de disfarçar, agora ter alguém com quem você gosta de estar, de conversar, é muito mais difícil de equacionar, é muito complicado montar toda a logística de desculpas e mentiras coerentes. E some a isto o fato de que,  para a maioria, o sentimento de estar traindo a companheira com quem construiu uma vida em comum, a mãe dos filhos, é muito desgastante, pois são pessoas corretas em suas vidas, com princípios... E de certa forma eles também fazem sofrer seus novos companheiros, especialmente se para estes as portas do armário não estiverem tão fechadas.
Dá para imaginar a energia psíquica que isto drena das pessoas? Eu percebo isto claramente quando participo destas reuniões, e cada vez que eu consigo ter empatia por estas pessoas eu sinto que cresço como pessoa.

Só para contar rapidamente, sem quebrar o sigilo que é fundamental para que este grupo possa existir, nesta semana haviam duas estórias que me fizeram desembocar nesta reflexão sobre namoros no armário:
 Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos,  que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro  - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Belas estórias de vida que me fazem valorizar ainda mais minhas conquistas e ser solidário a estes homens que estão buscando a felicidade!
E você, já teve um relacionamento NO ARMÁRIO? Como era viver esta dualidade?
 
SOBRE O HOMOPATER: o Grupo HOMOPATER coordenado pela psicóloga Vera Moris, reúne Homens, em sua maioria Pais, que viveram realidades heterossexuais até um certo ponto de suas vidas e que perceberam que o caminho para a felicidade passava pela homoafetividade.Se você tem interesse em participar entre em contato com a Vera, no email vemoris@uol.com.br , agora neste sábado o Grupo vai fazer um encontro, quem sabe você consegue ir!
 

4 de outubro de 2013

OK! Eu sou gay, e NÃO vou realizar o sonho de ter filhos!


se está chegando agora clique AQUI para entender o que estava acontecendo

Depois que eu fiz a minha tentativa, que percebi rapidamente que era totalmente desonesta comigo mesmo (e sacana com qualquer mulher), de estabelecer um relacionamento com uma mulher, casar e ter filhos, eu tive que me confrontar com uma outra consequência disto:
- Tenho que abrir mão dos meus sonhos de ser pai...
Pode parecer estranho falar isto hoje, uma vez que o número de gays que querem, e conseguem ter filhos, seja por adoção, seja por inseminação ou barriga de aluguel (até em novela), é muito grande e só cresce.
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:  
- OK, eu sou gay, meu desejo e minha orientação estão definidos, então eu tenho que aprender a viver com isto e ser feliz, e como eu não posso gestar uma criança sem estar casado, sem estar me relacionando com uma mulher, eu tenho que aceitar que não vou ter filhos! E eu posso ser feliz, tem tanta gente que não tem filhos! #só que não!

Então, eu resolvi tocar minha vida, procurar alguém legal para namorar, estabelecer um relacionamento duradouro, viajar bastante, trabalhar e crescer na carreira, me dedicar aos meus trabalhos voluntários,  cuidar da minha família (eu sou o irmão mais velho e na época eu nem sobrinhos tinha). E foi assim que eu fiz!
- Mas puxa vida! Eu queria tanto! 

Namorei bastante, alguns namoros longos, 2, 3 anos, e até via a possibilidade de morar junto, de construir coisas em comum. Mas aquela "pontinha" do desejo de ter filhos estava lá... tanto que eu tive uma segunda "recaída hétero",  (blame on me!) com uma garota que fazia pós graduação comigo na FAAP, mas o sentimento não pintou e eu acabei pulando fora muito antes da tentativa anterior.
E novamente pensei:
- É, realmente, não vai ter jeito, vou ter que me conformar de não realizar este desejo de ser pai!

E continuei tocando minha vida, morei fora um tempo, cresci na carreira, trabalhei bastante, fiz umas loucuras muito divertidas de amor, e para alguns caras que foram importantes na minha vida eu confessei meu desejo de ter filhos, e sempre concordávamos que era uma ideia "absurda" e "impossível de levar adiante".
E foram muitos anos deste jeito, até que ....
Até que, em junho de 1997 (Dori* não tem certeza!)  uma reportagem  do Ângelo Pereira, na revista SUI GENERIS mudou minha vida... mas este vai ser assunto de uma nova série de textos, se quiserem me acompanhar,  para falar sobre meu processo de adoção...ai começou outra fase da minha vida... 
Entrei com o processo de adoção, em 99 minha filha chegou, em 2002 conheci meu ex- marido, em 2012 nos separamos, este ano minha filha vai prestar vestibular para Economia...coisas que já venho contando desde que comecei o blog... em 2005.
O que eu queria com estes último textos, sobre minha vida, especialmente minha vida afetiva como Homem e Homossexual, era dar uma "atualizada" para começar a contar uma nova estória, com meu namorado -  Mr. Jay, que começou em sete de julho deste ano, e vai muito bem....

*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a  desmemoriada amiga do Pai do Nemo! 
Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!

E vc? Em que momento de sua vida está?