
Muitas são as FAMILIAS HOMOAFETIVAS, homens ou mulheres gays que mantem longos relacionamentos, com ou sem filhos. Pais e mães homossexuais que criam filhos sozinhos. Filhos provenientes de casamentos anteriores, de adoções, ou outros métodos ... Este Blog quer conversar sobre estes paradigmas, sobre Paternidade Homossexual, sobre relacionamentos, família, direitos, leis. E também estimular a convivência entre estas famílias e a troca de idéias! Sejam bem vindos!
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22 de abril de 2015
26 de setembro de 2014
16 de junho de 2014
DIA DOS NAMORADOS... dentro do armário!
Meu dia dos namorados foi bem tranquilo, resolvemos (na
realidade eu resolvi!) comemorar no dia 11 de junho porque imaginava que no dia
12, em função do jogo, ia estar bem confuso e que depois do jogo e da cerveja
não ia rolar sair para um jantarzinho romântico... e mesmo eu não ligando muito para estas datas sempre é bom um pretexto para ficar junto.
Fomos a um restaurante nos jardins que já estava devidamente preparado
para o dia dos namorados antecipado, rosas nas mesas, velas, cardápio especial...
pena que me chateei logo de cara... quando chegamos percebi que todas as mesas
que tinham casais (segunda a definição defendida pelos homofóbicos, aquele formado
por um homem e uma mulher) .. quando o casal sentava o garçon
vinha e acendia a velinha da mesa... mas na nossa ele não acendeu. ...
Não acho que o garçon esqueceu, pois ele acendeu de outras
mesas, nem que ele não se tocou que éramos um casal, pois usamos alianças de
compromisso, além disto, no bairro dos Jardins, em SP, a comunidade gay é
bastante visível e todos os estabelecimentos devem estar abertos a servi-los
sob pena de fecharem. Vou supor que ele
não quis “dar um fora” inferindo que éramos um casal ou que, hipótese mais
razoável, ele não quis dar seu “aval” ao casal gay e não fez a gentileza protocolar de
acender a velinha.
Como era dia de romantismo e não de stress, e como meu
namorado não percebeu, eu guardei no
bolso a frase “pode acender a velinha
para nós também porque somos um casal” e resolvi marcar o território de maneira
mais visível, chegando bem pertinho do Mr. Jay, com bastante chamego e
conversinhas de pé de ouvido... ( e na sexta feira mandei um email para o
restaurante relatando meu desconforto – para alivio de minha persona militante)

Mas a minha reflexão sobre o dia dos namorados vem a partir da minha participação no encontro do Grupo HOMOPATER (veja abaixo) no dia 7 de junho.
Um denominador, que eu percebo bastante comum para estes homens, que foram ou são casados com mulheres, é que sua
decisão em assumir uma identidade homossexual toma força não a partir do fato
deles perceberem que sentem prazer em transar com outro homem, mas a partir do
ponto em que eles se descobrem envolvidos emocionalmente com outro homem, ou
seja, quando se reconhecem como homoafetivos.
E comigo não acho que foi diferente. Tornar-se gay é estar enamorado.
Ou seja, além de estarem no armário eles passam a viver um
relacionamento no armário. E ai “a merda atinge o ventilador”, pois ter um
lance eventual, seja com um homem ou mulher, é fácil de disfarçar, agora ter alguém com
quem você gosta de estar, de conversar, é muito mais difícil de equacionar, é
muito complicado montar toda a logística de desculpas e mentiras coerentes.
E some a isto o fato de que, para a maioria, o sentimento de estar traindo a companheira com
quem construiu uma vida em comum, a mãe dos filhos, é muito desgastante, pois
são pessoas corretas em suas vidas, com princípios... E de certa forma eles
também fazem sofrer seus novos companheiros, especialmente se para estes as
portas do armário não estiverem tão fechadas.
Dá para imaginar a energia psíquica que isto drena das
pessoas? Eu percebo isto claramente quando participo destas reuniões, e cada
vez que eu consigo ter empatia por estas pessoas eu sinto que cresço como pessoa.
Só para contar rapidamente, sem quebrar o sigilo que é
fundamental para que este grupo possa existir, nesta semana haviam duas estórias
que me fizeram desembocar nesta reflexão sobre namoros no armário:
Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos, que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos, que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Belas estórias de vida que me fazem valorizar ainda mais
minhas conquistas e ser solidário a estes homens que estão buscando a
felicidade!
E você, já teve um relacionamento NO ARMÁRIO? Como era viver
esta dualidade?
4 de outubro de 2013
OK! Eu sou gay, e NÃO vou realizar o sonho de ter filhos!
se está chegando agora clique AQUI para entender o que estava acontecendo
Depois que eu fiz a minha tentativa, que percebi rapidamente que era totalmente desonesta comigo mesmo (e sacana com qualquer mulher), de estabelecer um relacionamento com uma mulher, casar e ter filhos, eu tive que me confrontar com uma outra consequência disto:
- Tenho que abrir mão dos meus sonhos de ser pai...
Pode parecer estranho falar isto hoje, uma vez que o número de gays que querem, e conseguem ter filhos, seja por adoção, seja por inseminação ou barriga de aluguel (até em novela), é muito grande e só cresce.
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:
Mas na década de 80, início dos anos 90, era tudo muito diferente!
A homossexualidade ainda estava na lista de doenças, o ECA não existia, e a adoção por pessoas solteiras era cercada de preconceitos e restrições. Então eu tive que me adaptar, minha conclusão foi:
- OK, eu sou gay, meu desejo e minha orientação estão definidos, então eu tenho que aprender a viver com isto e ser feliz, e como eu não posso gestar uma criança sem estar casado, sem estar me relacionando com uma mulher, eu tenho que aceitar que não vou ter filhos! E eu posso ser feliz, tem tanta gente que não tem filhos! #só que não!
Então, eu resolvi tocar minha vida, procurar alguém legal para namorar, estabelecer um relacionamento duradouro, viajar bastante, trabalhar e crescer na carreira, me dedicar aos meus trabalhos voluntários, cuidar da minha família (eu sou o irmão mais velho e na época eu nem sobrinhos tinha). E foi assim que eu fiz!
- Mas puxa vida! Eu queria tanto!
Namorei bastante, alguns namoros longos, 2, 3 anos, e até via a possibilidade de morar junto, de construir coisas em comum. Mas aquela "pontinha" do desejo de ter filhos estava lá... tanto que eu tive uma segunda "recaída hétero", (blame on me!) com uma garota que fazia pós graduação comigo na FAAP, mas o sentimento não pintou e eu acabei pulando fora muito antes da tentativa anterior.
E novamente pensei:
- É, realmente, não vai ter jeito, vou ter que me conformar de não realizar este desejo de ser pai!
E continuei tocando minha vida, morei fora um tempo, cresci na carreira, trabalhei bastante, fiz umas loucuras muito divertidas de amor, e para alguns caras que foram importantes na minha vida eu confessei meu desejo de ter filhos, e sempre concordávamos que era uma ideia "absurda" e "impossível de levar adiante".
E foram muitos anos deste jeito, até que ....
Até que, em junho de 1997 (Dori* não tem certeza!) uma reportagem do Ângelo Pereira, na revista SUI GENERIS mudou minha vida... mas este vai ser assunto de uma nova série de textos, se quiserem me acompanhar, para falar sobre meu processo de adoção...ai começou outra fase da minha vida...
Entrei com o processo de adoção, em 99 minha filha chegou, em 2002 conheci meu ex- marido, em 2012 nos separamos, este ano minha filha vai prestar vestibular para Economia...coisas que já venho contando desde que comecei o blog... em 2005.
O que eu queria com estes último textos, sobre minha vida, especialmente minha vida afetiva como Homem e Homossexual, era dar uma "atualizada" para começar a contar uma nova estória, com meu namorado - Mr. Jay, que começou em sete de julho deste ano, e vai muito bem....
*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a desmemoriada amiga do Pai do Nemo!
Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!
E vc? Em que momento de sua vida está?
*tenho muitas estórias para contar deste período, algumas já contei, outras ainda vou contar, e algumas eu talvez tenha esquecido...Meu namorado brinca que eu pareço a personagem DORI, a desmemoriada amiga do Pai do Nemo!
Isto é bom para quem está por perto, porque pode me contar a mesma piada várias vezes que eu sempre vou rir!
E vc? Em que momento de sua vida está?
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