Mostrando postagens com marcador hiv. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hiv. Mostrar todas as postagens

7 de dezembro de 2015

Cada quinta feira é uma vitória para ele!

"Eu sou soropositivo.
Foto ilustrativa, encontrada na internet,
não se refere ao texto especificamente.

Pronto. Eu escrevi isso. Eu fui diagnosticado logo após completar 21 anos e tenho vivido com o HIV durante mais de três anos. Nesse tempo eu passei a publicar detalhes explícitos sobre minha vida sexual  no meu blog para todo mundo ler, mas intencionalmente trabalhei para manter o meu segredo. Mesmo publicando sob um pseudônimo eu recusei falar deste assunto. Mas na terça-feira passada, sentado no aeroporto de Atlanta, eu me perguntava por que eu estava dançando em torno deste pequeno fantasma na sala. O HIV quase não justifica um tal alarido, e certamente não no clima de hoje. Do que eu estava com medo?
Enquanto eu esperava para embarcar eu comecei a escrever um adorável post no Facebook sobre meu status de HIV. Naquele dia (1 de dezembro, dia mundial de luta contar a AIDS) muitos de meus amigos já tinham colocado fitas vermelhas em suas fotos de perfis e fotos de capa. Já era tempo. Escrevi dois parágrafos sobre encontrar esperança e lutar contra o estigma. Eu sabia que ia quebrar meus recordes de CURTIR- qualquer um que não curtisse iriai parecer com um imbecil. E bem antes de eu entrar no avião, eu deletei o post antes de publicar.
Talvez o Facebook fosse demasiado insignificante, pensei. Será que eu quero revelar uma coisa tão pessoal onde as pessoas postar memes com gatos estupidos  e vídeos de música? Ou eu simplesmente ainda não estava pronto?
Meu maior motivo para a voltar atrás, eu percebi, eram meus pais. Eu não tenho nenhum de meus pais no Face, mas eu sou amigo de outros membros da família, como a minha irmã e primos, que certamente iriam passar a informação. Eu nunca disse a minha família sobre o meu HIV, e tenho razões para não fazê-lo.
Quase oito anos atrás, durante o verão, antes de meu primeiro ano do ensino médio, meu pai entrou no meu quarto e me perguntou se eu estava "ainda lidando com aquele problema gay." Eu disse que sim, mais ou menos. Depois de algumas horas de gritos e versículos da Bíblia, ele disse: "É cocô. Isso é tudo o que o sexo gay é. Você vai viver em algum apartamento que cheira a fezes e você nem vai perceber isso, porque você vai viver nele " Ele pode ter dito algo depois disso - eu não consigo me lembrar -, mas a próxima coisa que eu ouvi foi: "Você vai se mudar para a capital e morrer de AIDS antes que de fazer 30."
Eu tinha 16. Muitos anos se passaram desde aquela noite, e eu ainda não consigo expressar como aquelas palavras me afetaram ou como elas ainda o fazem. Considerando tudo, eu tive sorte - eu nunca foi chutado para fora da casa, e nunca ninguém pôs a mão em mim. Em comparação com os meus colegas, minha saída do armário foi fácil. Mas eu nunca esqueci aquela imagem que meu pai pintou. Mesmo agora, me enche de vergonha.
Eu não tinha tido relações sexuais com outro homem e não sabia nada sobre isso. Pelo que eu sabia, eu estaria enfrentando uma vida podre e cheia de doenças. Num momento em que eu mais precisava de uma família, meus pais escolheram me levar para falar com nosso pastor uma vez por semana. Sentado em seu escritório vazio, discutimos os meus "desejos pecaminosos" por algumas semanas até que ele desistiu, ou meu pai se cansou de dirigir até lá. Por alguma razão ou outra, paramos de ir. Eu decidi que eu nunca iria dizer aos meus pais nada sobre minha vida pessoal novamente.
Durante a faculdade, a máximo que meus pais sabiam era onde eu morava e quanto dinheiro estava no meu cartão de débito. Eu encontrei uma família de suporte no grupo de apoio aos estudantes LGBTQ na minha faculdade, e eu, eventualmente, tornei presidente deste grupo. No momento em que meu quarto ano veio, eu tinha alguns amigos íntimos, pessoas maravilhosas, e uma perspectiva de "bons ventos" para o resto da minha graduação.
No segundo dia de aula depois das férias de verão, eu fui para a ioga com um amigo no início da manhã. Considerei toda a experiência da yoga um completo desperdício de tempo, mas eu estava lá porque o meu amigo hétero era bonito e musculoso, e preferia fazer ioga sem camisa. Assim que saí, eu recebi um telefonema da clínica. Os resultados do meu último teste DST estavam prontos. "Precisamos que você venha aqui pessoalmente", disse a enfermeira. Eu perguntei por que ela não poderia me dizer os meus resultados pelo telefone como sempre tinha feito. Ela simplesmente repetiu: "Precisamos que você venha aqui pessoalmente".
Eu fui um suicida nas semanas que se seguiram. Eu pesquisei métodos de suicídio, ignorei aulas, e parei de comer. Eu planejava matar-me na quinta-feira seguinte, que tinha sido o meu dia favorito da semana desde que o futebol do time do colégio. Quando quinta-feira veio e se foi, eu planejei para a quinta-feira seguinte. Eu vivi assim, de quinta-feira para quinta-feira, até que eu finalmente liguei para o serviço de aconselhamento de estudantes e marquei uma consulta. Demorou meses para que eu voltasse a me sentir mentalmente saudável. Sempre que meus pais ligavam eu dizia a eles que eu estava bem. Sempre discutiamos quanto dinheiro eu estava gastantdo - minha mãe sempre me lembrava para tentar gastar menos - e então eu desligava o telefone.
Enquanto escrevo isso, me sinto como se eu estivesse arrastando os meus pais para o pelourinho e exigindo seu açoitamento público. Isso não é a minha intenção. Estou simplesmente contando a minha história. Espero que eles entendam isso, e quando lerem isto, espero que eles saibam que eu sou grato pela forma como evoluíram ao longo dos anos. Nós não somos perfeitos - nenhuma família é - mas no ano passado eu trouxe meu namorado para o dia de Ação de Graças. O que marcou um ponto virada  para nós, e tenho orgulho disso.
Em setembro passado foi a marca do terceiro aniversário do meu dia HIV. Desde então, eu encontrei os mais gentis, mais sexys, mais inteligentes homens da minha vida - os meus amantes e amigos. Eu não estaria aqui sem eles. Eu tive o sexo mais selvagem e mais alucinante da minha vida desde soroconvertido - muito longe da imagem feia que eu previ no colégio.
Quando meu avião pousou em Los Angeles eu me lembro de pensar, eu bati o HIV. Eu o fiz pequeno. A minha única lembrança dele é minha pilula roxa diária. Por que arrastá-lo (o HIV) de volta para a luz?
Eu percebi que eu não tinha medo de dizer ao mundo. Eu sabia que ir a público parecia ser o próximo passo lógico: uma maneira de combater o estigma, aumentar a visibilidade HIV, e esperamos, trazer uma mensagem de esperança aos indivíduos em todo o país, talvez até mesmo na minha cidade natal, jovens que estão atualmente em alto risco de infecção - entre o maior risco no país.
Mas, quando investiguei os meus sentimentos, me dei conta de que eu ainda estava preso naquela vergonha. Eu ainda estava vendo meu pai no quarto, com o rosto vermelho e coçando a cabeça. Eu estava com medo do apartamento com cheiro de merda e esses leitos hospitalares estéreis - lugares onde os homofóbicos, da cidade pequena com quem cresci, imaginavam quando ouvem sobre as pessoas homossexuais no noticiário.
Eu preciso dizer isso agora, porque não somos esta imagem feia. Somos uma bela família internacional de irmãos, irmãs e irmãos-irmãs. Estou honrado de fazer parte dessa sigla, ser um homem que faz  sexo com homens, e que usa um sinal de POSITIVO ao lado meu nome em documentos oficiais, arquivados em consultórios médicos em todo o país. Eu sou um cara POSITIVO. Tenho sobrevivido muitas quintas-feiras desde aquele dia na clínica. Cada quinta é uma vitória para mim.
ALEXANDER Cheves tem escrito artigos sobre sexo, namoro e relacionamentos para a revista GQ e The Advocate. Siga seu blog, O Ex-Namorado Selgagem."


Recebei este arquivo na semana passada da  ADVOCATE, uma revista gay norte- americana que eu comprava em papel (nossa que coisa vintage!)  e hoje sigo virtualmente. Traduzi para que todos pudessem aproveitar. Fiquei muito impactado pelo depoimento do jovem, acho que só quem vive determinadas situações é capaz de falar com propriedade sobre o assunto.
Fiquei muito chocado com a reação dos pais, mas tb muito surpreso com a maneira como ele teve apoio e superou a questão! Uma verdadeira aula de humanidade!

Eu nem sei como eu enfrentaria uma situação parecida... e vc? 

28 de novembro de 2014

Diário de Um Jovem Soropositivo


O Gabriel do DIÁRIO DO SEGUNDO ARMÁRIO está lançando domingo o Livro O SEGUNDO ARMÁRIO, e numa iniciativa para lá de legal ele disponibilizou o livro dele gratuitamente para DOWNLOAD! Legal não é? Veja o que ele fala sobre o livro:

"Pretendo, com minha história, despertar para a importância do combate constante ao estigma e à discriminação, certamente mais letal que o HIV. Assim, espero que as pessoas possam desvendar, comigo, as vivências e descobertas da vida com HIV. Abri mão dos direitos autorais e a editora não terá objetivos de lucro. Assim, conseguiremos deixar o ebook disponível gratuitamente para download na maioria dos aplicativos para essa finalidade."

Você pode achar o livro em : http://www.indexebooks.com/armario.html



8 de outubro de 2014

Nossos ídolos não são mais os mesmos! Ou são?

Semana passada eu fui assistir ao musical "CAZUZA" que está em cartaz em São Paulo no lamentável Procópio Ferreira (cadeiras velhas e sem numeração, fileiras apertadas, uó).
Eu gosto muito do Cazuza, tive oportunidade de assisti-lo ao vivo, e gosto da maioria das músicas dele. "EXAGERADO" é música incidental obrigatória em vários momentos de minha vida.... quem lê um pouco do que já escrevi entende perfeitamente isto!
O espetáculo começa com uma grande cena de orgia, incluindo vários casais homossexuais, e foi divertido perceber na plateia hétero um certo desconforto - os machões sem saber se aplaudiam ou ficavam quietos, esperando a aprovação de suas namoradas e esposas... o cara que estava do meu lado começou a teclar no celular...rsrsr. Teatro em São Paulo, no fim de semana, sempre tem muita gente do interior assistindo, talvez por isto o desconforto apareceu mais, e por ter muito poucos gays na plateia.
São três horas de espetáculo, o que é um pouco cansativo, achamos que ele poderia ter cortado pelo menos uns 30 minutos de blablabla. A parte que mais me impactou foi a questão do envolvimento intenso dele com as drogas, com os excessos, fiquei realmente triste por imaginar que ele ainda estivesse entre nós não fossem estes excessos.
Quando comentei isto no intervalo com Mr. Jay ele dise que a relação com as drogas não é bem assim, que muita gente usa e não perde o controle... Eu sou realmente careta em muitos aspectos.
Aliás, minha filha me mostrou um filme muito esclarecedor sobre esta questão, CORTINA DE FUMAÇA
Também fiquei feliz em ver muita gente jovem no teatro, garotada que, como minha filha, que tb foi conosco, não tinha nem nascido em 1990 quando ele morreu! Sinal que as coisas boas, especialmente músicas, eternizam seus compositores e cantores!
A questão da AIDS é mostrada de forma bem direta - sem entrar no moralismo que sempre cercou a relação da Lucia Araújo com o Cazuza -  mas mostra bem como foram aqueles tempos bicudos da AIDS, quando muitos de nossos amigos e ídolos morreram, independente do dinheiro que tinham para se tratar. 
Pensando agora, como pai e como gay, acho que a produção falha ao não fazer uma menção á prevenção - não no espetáculo que isto seria ridiculo, mas quem sabe distribindo folhetos no final do espetáculo, ou camisinhas... sei la´... fazendo algum coisa, assumindo alguma responsabilidade!
 
E para encerrar, nosso imporvável cantor de limgua presa, num cenário absolutamente... Exagerado! Praia do Pepino em 1986!






17 de julho de 2014

voltamos a ser "grupo de risco"...

Acho que todos leram que a OMS passou a recomendar que Homens Gays (ou homens saudáveis que fazem sexo com homens) passem a tomar um comprimido de TRUVADA diariamente como forma de profilaxia, saiu na FOLHA e em outros jornais, mas vc pode ler direto no site da OMS.
Eu sabia que estavam fazendo estudos neste sentido, e aqui e ali eu já tinha lido noticias de que alguns médicos estavam recomendando isto. Havia até alguns gays que tinham tomado a iniciativa, por conta própria, de tomar os retrovirais como PROFILAXIA PRÉ EXPOSIÇÃO, que é o nome correto desa recomendação.
Na realidade a ONU tb recomendou ás mulheres que façam uso de geis vaginais que tenham tenovir na sua composição, mas com menos ênfase, e sem tantos estudos para corroborar a eficácia.
Eu pessoalmente acho um exagero, o uso correto da camisinha já é bastante comprovado como eficaz, e os estudos mostram que as pessoas que são soropositivas e estão em tratamento tem uma chance mínima de transmitirem o vírus a seus parceiros sexuais. Mas como eu sei que tem muita gente absolutamente neurótica com mêdo de se contaminar eu até entendo quem queira fazer este tipo de prevenção, assumindo os riscos colaterais que qualquer medicamento desnecessário embute.
Mas quem me chamou a atenção outra nuance da questão foi meu amigo Silvio Henrique, que é jornalista. Ele propôs a discussão de que, até que ponto, isto nos caracterizava, novamente, como GRUPO DE RISCO. Digo novamente porque fazem 20 anos ou mais que todos os orgãos governamentais e ongs do mundo inteiro dizem que a AIDS não tem grupo de risco, todos tem o mesmo perigo de se contaminar, todo mundo deve usar camisinha... não é mesmo?
Mas só que agora o discurso parece ter mudado para " todo mundo deve usar camisinha mas os gays devem tomar remedios para evitar se contaminar". resumidamente: Todos são iguais mas tem uns menos iguais... sacou? Eles estão recomendando que alguns tem que tomar "vacina" e outros não!
Não vou nem entrar nas questões comerciais que podem estar envolvidas nesta recomendação, porque o antiretroviral - no Brasil e em outros lugares - só é distribuido gratuitamente para quem é portador da doença. Mas sabemos que estes lobbys são monstruosos, assim como os lucros ...
Imaginando aqueles filmes de ficção apocalípticos, imagino se daqui a pouco o gay que não fizer uso da profilaxia vai ser acusado de irresponsável e talvez até passemos a ser obrigados a isto!... mais ou menos como pais que não querem vacinar seus filhos por questões filosóficas e são obrigados a fazê-lo pelo ministério da saúde...
 
E você? Vai começar a tomar TRUVADA quando?
 

25 de fevereiro de 2013

Negativo desde quando?

Não! este não é um post para falar do SERASA ou do SPC! Nem um contato da gerente do teu banco! 
Outro dia um conhecido estava contando que esteve nos EUA recentemente e naturalmente ligou o GRINDR para ver se encontrava alguém interessante...
Conversa vai conversa vem, acabou indo se encontrar com um cara, e na conversa prévia este americano perguntou?
- Qual seu status HIV?
- Negativo - respondeu o brazuca!
- Negativo desde quando? - retrucou o americano!

Ou seja, o cara só sabe que é negativo se ele faz exame, supondo que todos os homens que façam sexo com homens sejam do grupo de risco em algum momento, então é natural o cara perguntar quando foi a ultima vez que vc testou HIV...uma lição de civilidade não é?
Nada mais natural e maduro que perguntar isto para quem vc pretende transar! 
Eu não sei se a questão embutia a pre-definição que fariam sexo sem proteção, sem camisinha, mas pelo sim ou pelo não, é uma pergunta que deveria ser feito por todos! E não falemos só de HIV, pois hepatites e outras doenças tb são transmissíveis por via sexual.
Todos sabem que tem uma quantidade grande de gente que contraiu HIV de seus maridos e companheiros, e não só casais homos, mas muitas mulheres que se relacionavam com homens que tb faziam sexo com homens. A principio para estes nada precisava ser perguntado, pois a relação era tida como monogâmica e fiel! e ai...se fuderam! no mal sentido!
Para mim camisinha é fundamental, mesmo quando casado era, não acho que atrapalha e dá uma confiança a mais, mas mesmo assim ainda acho que a pergunta é pertinente. Eu até imagino que se alguém me perguntasse isto eu imediatamente pensaria "ele deve ser por isto perguntou"´, mas eu acho que o cara tem direito de perguntar. 
Se bem que pareceria que o cara quer abrir mão da camisinha, o que para mim tem bem pouca margem de negociação...
Agora...será que o cara tb ia perguntar...e hepatite B? e sifilis ou gonorreia? alguma outra DST?...

...estaríamos a um passo dele perguntar quanto o cara ganha!

E vc? se preocupa com isto? pensa nisto?