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26 de julho de 2016

Dormindo com homem casado...

Com meu casamento eu fiz uma constatação bem simbólica, ou no mínimo divertida: O Mr. Jay é o primeiro homem casado com quem eu transei na minha vida...
.. ou pelo menos é o primeiro homem que eu sabia que era casado com quem eu transei na minha vida...
Mas... se eu considerar que o homem casado com quem eu estou "saindo" é casado comigo.... eu continuo no 0 x 0 !

Acho que isso tem uma explicação bem simples, e não tem nada a ver com a ideia que "eu não saio com caras casados porque eu não quero ser o pivô da destruição de um casamento" como já vi alguns conhecidos argumentarem.
Eu nunca topei sair com caras que eu sabia que estavam casados (seja com homem ou mulher) porque eu sempre procurei algo sério para mim, sempre buscava um relacionamento, e logo de cara, quando me aproximava de alguém e recebia a informação de que a pessoa estava "num relacionamento", já disparava um pequenino alarme. 
Eu já tinha aquela certeza de que aquele cara não poderia querer algo sério sem finalizar o processo emocional que estava vivendo... e eu nunca aceitei o argumento "estou me separando" para aceitar engatar algo com aquela pessoa... ser o amante secreto de um cara comprometido não era minha ideia de relacionamento...
E aqui não repousa nenhum tipo de juízo de valores em relação a quem aceita isso, não recrimino quem topa sair, ou se envolver com caras comprometidos. 
Já com relação aos caras comprometidos que buscam relacionamentos fora do casamento eu tenho alguma restrição... talvez porque eu seja um cara que acredita em relacionamentos monogâmicos, ou por eu saber que a verdade sempre é um prato que merece ser servido a todos, ou porque eu saiba o quanto é necessário de dedicação para a manutenção de uma relação... eu simplesmente não conseguiria confiar num cara que eu soubesse que estivesse traindo e enganando alguém... 
Acho que eu até não vejo nenhum problema em uma "boa troca de fluídos", desde que os dois saibam que será só isso e consintam, mas um cara comprometido procurar outra relação sem ter finalizado aquela outra  que não lhe satisfaz mais... fica difícil de entender... de aceitar... desculpe a caretice.

Eu até me lembro, coisa de uns 15 anos atrás, em que eu assumi que o cara por quem eu estava interessado, por ser novo, não estava envolvido com ninguém, até que, uma semana depois que estávamos saindo, e nem tínhamos transado ainda, ele me contou a verdade... e foi ali mesmo que eu deixei de sair com ele, pois, mesmo ele sendo um cara interessante, a confiança estava perdida..

Se bem que agora eu já decidi! De agora em diante só homem casado! Desde que seja o que está casado comigo! kkkk

E você ? Já se envolveu com homem casado? O que pensa disso? 

16 de junho de 2014

DIA DOS NAMORADOS... dentro do armário!

Meu dia dos namorados foi bem tranquilo, resolvemos (na realidade eu resolvi!) comemorar no dia 11 de junho porque imaginava que no dia 12, em função do jogo, ia estar bem confuso e que depois do jogo e da cerveja não ia rolar sair para um jantarzinho romântico... e mesmo eu não ligando muito para estas datas sempre é bom um pretexto para ficar junto.
Fomos a um  restaurante nos jardins que já estava devidamente preparado para o dia dos namorados antecipado, rosas nas mesas, velas, cardápio especial... pena que me chateei logo de cara... quando chegamos percebi que todas as mesas que tinham casais (segunda a definição defendida pelos homofóbicos, aquele formado por um homem e uma mulher) .. quando o casal sentava  o garçon vinha e acendia a velinha da mesa... mas na nossa ele não acendeu. ...
Não acho que o garçon esqueceu, pois ele acendeu de outras mesas, nem que ele não se tocou que éramos um casal, pois usamos alianças de compromisso, além disto, no bairro dos Jardins, em SP, a comunidade gay é bastante visível e todos os estabelecimentos devem estar abertos a servi-los sob pena de fecharem.  Vou supor que ele não quis “dar um fora” inferindo que éramos um casal ou que, hipótese mais razoável, ele não quis dar seu “aval” ao casal gay e não fez a gentileza protocolar de acender a velinha.
Como era dia de romantismo e não de stress, e como meu namorado não percebeu,  eu guardei no bolso  a frase “pode acender a velinha para nós também porque somos um casal” e resolvi marcar o território de maneira mais visível, chegando bem pertinho do Mr. Jay, com bastante chamego e conversinhas de pé de ouvido... ( e na sexta feira mandei um email para o restaurante relatando meu desconforto – para alivio de minha persona militante)

Mas a minha reflexão sobre o dia dos namorados vem a partir da minha participação no encontro do Grupo HOMOPATER (veja abaixo) no dia 7 de junho.
Um denominador, que eu percebo bastante comum para estes homens, que foram ou são casados com mulheres,  é que sua decisão em assumir uma identidade homossexual toma força não a partir do fato deles perceberem que sentem prazer em transar com outro homem, mas a partir do ponto em que eles se descobrem envolvidos emocionalmente com outro homem, ou seja, quando se reconhecem como homoafetivos.  E comigo não acho que foi diferente. Tornar-se gay é estar enamorado.
Ou seja, além de estarem no armário eles passam a viver um relacionamento no armário. E ai “a merda atinge o ventilador”, pois ter um lance eventual, seja com um homem ou mulher,  é fácil de disfarçar, agora ter alguém com quem você gosta de estar, de conversar, é muito mais difícil de equacionar, é muito complicado montar toda a logística de desculpas e mentiras coerentes. E some a isto o fato de que,  para a maioria, o sentimento de estar traindo a companheira com quem construiu uma vida em comum, a mãe dos filhos, é muito desgastante, pois são pessoas corretas em suas vidas, com princípios... E de certa forma eles também fazem sofrer seus novos companheiros, especialmente se para estes as portas do armário não estiverem tão fechadas.
Dá para imaginar a energia psíquica que isto drena das pessoas? Eu percebo isto claramente quando participo destas reuniões, e cada vez que eu consigo ter empatia por estas pessoas eu sinto que cresço como pessoa.

Só para contar rapidamente, sem quebrar o sigilo que é fundamental para que este grupo possa existir, nesta semana haviam duas estórias que me fizeram desembocar nesta reflexão sobre namoros no armário:
 Um homem viúvo, cuja esposa – por quem ele se declarou sempre apaixonado – ficou doente durante muitos anos,  que foi, justamente no período que a esposa convalecia, de certa forma seduzido por um colega de trabalho, que o “chutou” depois de conseguir o que queria, mas que hoje vive uma bela relação com outro homem mais velho,.
E outro  - que ainda está casado – mas que teve um relacionamento secreto com outro homem durante quatro anos - e que foi justamente este amante que o fez sair do armário para a família e amigos (lembrei de BrokeBack Mountain)... mas que hoje está envolvido com um pessoa legal e procurando equacionar isto com sua vida...
Belas estórias de vida que me fazem valorizar ainda mais minhas conquistas e ser solidário a estes homens que estão buscando a felicidade!
E você, já teve um relacionamento NO ARMÁRIO? Como era viver esta dualidade?
 
SOBRE O HOMOPATER: o Grupo HOMOPATER coordenado pela psicóloga Vera Moris, reúne Homens, em sua maioria Pais, que viveram realidades heterossexuais até um certo ponto de suas vidas e que perceberam que o caminho para a felicidade passava pela homoafetividade.Se você tem interesse em participar entre em contato com a Vera, no email vemoris@uol.com.br , agora neste sábado o Grupo vai fazer um encontro, quem sabe você consegue ir!