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5 de dezembro de 2013

as tais "diferenças criativas"...

Quando falamos em relacionamentos tem sempre duas "máximas" que entram em cena:
Ou as pessoas dizem "OS OPOSTOS SE ATRAEM" ou o argumento é que se deve  "ENCONTRAR A METADE DA LARANJA"
Ou seja, tem um grupo de pessoas que acreditam que provavelmente irão se relacionar com uma pessoa totalmente oposta, com gostos e estórias de vida diferentes, para se completarem justamente na diferença do outro. Já um outro grupo acredita que as pessoas, para se relacionarem, precisam ter muito em comum, quem sabe até a mesma profissão, os mesmo gostos musicais...
Qual é o certo?
"Nem tanto ao mar, nem tanto á terra", eu diria!
Durante muito tempo eu acreditava piamente na fórmula "metade da laranja", queria encontrar alguém que compartilhasse os mesmos gostos, tivesse ideias e projetos parecidos, talvez até estórias de vida diferente.. até fiz a besteira de pegar alguém que era diferente e tentar transformar em igual!
Eu era uma pessoa muito mais rígida, que achava que sabia o que era certo, aliás, que sempre achava que o meu jeito era certo, então qualquer diferença era vista com um desafio a "melhoria" (santa presunção Batman!).
Mas eu fiz isto só porque era muito difícil encontrar alguém parecido comigo! Afinal de contas ...eu era "quase perfeito"... Olha, vou dizer, devia ser muito difícil namorar comigo!
Eu era muito parecido com um amigo meu, que me disse há pouco tempo, que estava saindo com um cara muito interessante, que ele estava gostando muito, mas que não ia dar certo...
- Porque você diz que não vai dar certo? perguntei
- Ah, mas num vai dar certo! Imagina você que eu citei uma música do Bruce Springsteen e ele nem sabia quem era!

Por sorte  eu fui evoluindo, fui percebendo que a pessoa ser um pouco diferente de mim era até interessante... Eu conseguia aprender muitas coisas interessantes sobre a profissão do namorado, da vivência dele em outro ambiente de trabalho. Também comecei a me interessar pelas mecânicas das famílias, perceber como as famílias, especialmente quando a pessoa era de origem de outra nacionalidade, ou de outro estado, eram interessantes.
Mas mesmo assim eu ainda tinha um olhar de antropólogo, de historiador (!!!) . Não conseguia efetivamente admirar estas diferenças e nem absorver as que eu julgava interessantes. Mas eu continuava achando as minhas posições e crenças as melhores...

Foi só no momento que eu consegui parar de idealizar as pessoas (incluindo pais, amigos, irmãos) que eu consegui realmente ver as pessoas como elas são, e foi ai que comecei a ver que as diferenças eram uma excelente oportunidade de crescimento, aprender a admirar o outro na sua singularidade e aprender com esta diferenças, realmente deixar uma coisa nova surgir do encontro de duas pessoas.

E, mais importante do que isto, eu aprendi a aceitar quem eu sou, a me respeitar e saber meus limites, a saber a dose correta de possibilidades de realização de meus sonhos, de minhas aspirações. 
E, vou dizer, isto também me serviu como pai, respeitar as diferenças dos filhos também pode ser muito criativo para as relações.
A diferença de idade, o momento profissional, as diferenças de gostos...


E você, onde as diferenças com seu namorado são criativas?

31 de agosto de 2013

49 - 22 = 27



Como disse em outro post, um dos meus parâmetros iniciais, na busca por um relacionamento, era buscar alguém que tivesse uma idade próxima a minha, que eu julgava ser um aspecto positivo, a tal similaridade.
Este era um dos parâmetros, que eu julgava bem importante...
Mas, como o budismo sempre prega, não somos donos do futuro, e tem muita coisa que acontece além do nosso controle, a tal imponderabilidade.
No começo do ano, num destes dias em que estive  meio de bobeira no chat, uma pessoa me chamou para conversar, puxou papo, conversa vai, conversa vem ficamos um bom tempo conversando...
Normalmente nestes papos todo mundo começa com aquele pequeno questionário... bairro, idade, branco,  preto, verde, em cima ou embaixo.... e eu, que não tenho muita vocação para repórter, e nem costumo fazer isto, fui deixando o papo fluir... meio distraído sabe?
Eu saquei que era um cara mais novo, me disse que não era de sp mas que morava na zs como eu, falamos de trabalho, de coisas que gostávamos de fazer em sp... e ele acabou sendo mais corajoso que eu...
- Vamos nos encontrar?
Era um fim de semana, eu estava de bobeira, marcamos tomar um sorvete. 
Confesso que como eu já tinha me chateado com alguns caras mais velhos (aqueles do meu parâmetro) eu até que estava me divertindo em conversar com alguém de alma mais fresca...
E foi um encontro bem interessante, mas chocante, o rapaz tinha 22 anos, e parecia muito menos! (foi ai que percebi que durante o papo eu nem tinha perguntado a idade dele - eu sou mané mesmo!)
Passado meu estupefato inicial, que eu compartilhei com ele, conversamos um bom tempo. Era um rapaz de uma cidade do interior do NE, que veio morar com a irmã em SP mas que o cunhado expulsou de casa e morava numa pensão atualmente. Veio para estudar, crescer profissionalmente, coisas que ele sabia que uma pequena cidade não comportaria. Um rapaz corajoso, determinado, convicto, um filho ou um amigo que qualquer um se orgulharia.
Teve sua primeira experiência sexual em SP - única até aquele momento- e nenhuma experiência realmente amorosa. Não foi difícil me encantar com o rapaz.
Mas todas as diferenças eram barreiras bem fortes para eu transpor, idade, estagio de vida, etc etc... e eu não investi mais, não fiz como a ministra Marta Suplicy pediu, não relaxei e não aproveitei.
O assunto teria terminado naquele encontro se o rapaz não continuasse mantendo contado, um email, um sms, eu expliquei o que me incomodava (especialmente a diferença de idade), mesmo assim marcamos um café lá no Octávio.
Ele disse que tinha me achado legal, que queria me conhecer melhor... e como eu continuava achando muito difícil ele insistiu. E propôs que fossemos amigos, que não precisaríamos assumir relacionamento, compromisso...