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3 de novembro de 2016

EMPATIA REACIONÁRIA

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Considerando EMPATIA como: a "capacidade" psicológica de tentar compreender e sentir como se fosse a outra pessoa, eu diria que sou uma pessoa bastante empática!  Mas nos últimos tempos a minha empatia parece estar sendo posta a prova...

Nos colocarmos no lugar da outra pessoa, andarmos com os sapatos dos outros, nos possibilita exercitar outras possibilidades para nossa vida, experimentar outras existências, a empatia nos possibilita ajudar o outro nos termos do outro, a empatia nos torna solidários, a empatia nos torna até mesmo mais humanos.

Eu não sei dizer ao certo se a empatia é uma "qualidade" inerente á pessoa, seé algo que é "processado" no cérebro ou no coração, provavelmente um pouco dos dois, pois a empatia é um aprendizado, um exercício que nos leva ao aperfeiçoamento. Eu fui voluntário do CVV por mais de dez anos e foi lá que eu efetivamente aprendi muito sobre empatia, mas eu já era empático, pois sem empatia não há solidariedade nem trabalho voluntário... só dá para para ser empático com honestidade e com sinceridade no coração, na alma.

Como pai, como educador, eu muitas vezes lanço mão do exercício da Empatia para ajudar minha filha a entender algumas atitudes minhas e dela, e até mesmo o limite de atuação de nossos papeis na vida. Quando ela era criança, algumas vezes, quando ela "aprontava" alguma coisa, eu pedia a reflexão dela: "se você fosse a mãe, ou o pai, nessa situação, o que você diria/faria com seu filho ou filha?". Mesmo hoje em dia, algumas vezes quando ela faz alguma coisa que me deixa preocupado, ou triste, eu peço que ela tente se colocar no meu lugar para entender minha atitude ou minha chateação/tristeza com ela... quem sabe eu tenho ajudado ela a aprender a ser empática com isso...

Resultado de imagem para empatiaMas nos últimos tempos eu tenho tido muita dificuldade de exercitar minha empatia em alguns aspectos. Gays reacionários (ou de direita) são um bom exemplo disso. Eu não consigo entender um LGBTT que apoia o TRUMP - ou o Bolsonaro. Não precisa "gostar" do Jean Willys, (eu também tenho minhas restrições com ele) mas também não dá para ser contra tudo que ele defende e luta para mudar. Quer outros exemplos? Eu não consigo ser empático com a dupla Dolce/Gabanna dizendo que são contra gays terem filhos, nem com o único vereador gay assumido de São Paulo (que eu me recuso até a dizer o nome)  ser contra a secretaria da diversidade... nossa, como é difícil me colocar no lugar dessas pessoas!

Racionalmente eu até entendo (não quer dizer concordo) quem critica o "movimento" LGBTT, dizendo que não é representativo, que não ouve nem mobiliza a sociedade para as lutas. Racionalmente eu até entendo que as pessoas tenham sido criadas em ambientes  opressivos e não consigam imaginar um mundo diferente do "normal" -  e terem muito medo disso. Eu entendo quando o  Paulo Freire que diz que "dependendo da educação, o sonho do oprimido é se tornar opressor".
Racionalmente eu entendo, mas emocionalmente eu não compreendo... 

A minha primeira sensação é que falta empatia a essas pessoas, empatia para entender quantas pessoas sofrem pela falta de direitos, pela perseguição e pela violência. Eu diria que estas pessoas lgbtt ,que defendem políticos que são contra os direitos LGBTT são "xaropes", loucos "de carteirinha", "manés" e "idiotas".... ou seja, eu não consigo me colocar no lugar do outro de maneira respeitosa, não consigo compreender o outro para aceita-lo... eu não consigo ser - honestamente e sinceramente - empático... 
Isso me deixa um pouco confuso, eu, que sempre defendi o direito das pessoas de discordar, começando a julgar e "diminuir" as pessoas que pensam diferente de mim! O que me conforta é que eu não tenho nenhuma pretensão de ser canonizado, de ser santo, então eu "não sou obrigado" a ser legal com gente que quer "fuder" a vida dos outros!

E você? O que pensa dos GAYS que são contra os direitos gays? O que pensa dos gays que apoiam Bolsonaro ou Trump?


5 de outubro de 2016

A "ditadura" gay.


Quando vc vai comprar um simples "cheirinho de banheiro" e o aroma é de TARDE FABULOSA... vc percebe que a tal da ditadura gay já está implantada! (kkkkk)

Prepare-se, é um texto com muitas "aspas"!

Os fundamentalistas e os homofóbicos, e todos que de alguma forma são "contra" os direitos LGBTT, sempre alegam que esses direitos estão relacionados a uma tal "ditadura gayzista". Eu não sei exatamente o que significa essa expressão mas pelo que eu entendo essas pessoas acham que se foram aprovadas leis que protejam as minorias, leis não discriminatórias, leis que punam quem sai dando lâmpadadas na cabeça das pessoas ou que cerceiem os que fazem discursos agressivos e ofensivos aos LGBTT, os gays passarão a ser um grupo "dominante", que imporá seu "estilo de vida" á sociedade... 
Acho que o Rafuko foi mestre em ironizar a questão da ditadura gay! Clique AQUI para ver o vídeo.

Na realidade a "ditadura gay" já começou faz tempo! Desde que o mundo é mundo os homossexuais estão envolvidos com as artes, com a ciência, com a cultura, com a arquitetura, e em todos os campos! As gravatas - inclusive as horrorosas - que os pastores usam, foram provavelmente desenhadas por um gay, o cabeleireiro da mulher do pastor é gay, os figurinistas e maquiadores da Record são gays! Mas, tirando este lado quase "caricato" da homossexualidade existem outros motivos para ficarmos felizes com a implantação da nossa "ditadura"!

Será que se o Bolsonaro usar "tarde fabulosa" no banheiro ele vai começar a desmunhecar?

A "ditadura", aboliu há muito tempo profissões "femininas e masculinas", existem frentistas de postos mulheres e motoristas de ônibus mulheres ( acreditem ou não isso era PROIBIDO há uns 15 anos), existem homens que não trabalham para cuidar dos filhos enquanto as esposas trabalham e existem homens até que criam os filhos sozinhos - há alguns anos NENHUM juiz daria a guarda de um filho ao pai numa separação -  meninos podem usar rosa, meninas podem usar cabelos curtos... O "gayzismo" (que seria a ideologia da ditadura gay)  está fazendo as pessoas pensarem cada vez mais na questão de gênero, a discutirem os papeis das pessoas na sociedade, e até mesmo agora apoiando as pessoas que se identificam com um gênero diferente do que nasceram, e até as que se consideram "sem gênero", até mesmo escolas que aboliram uniformes "de meninos" e "de meninas".
E me parece que tudo isso, esta postura da sociedade, já está bem solidificada, a aceitação e a compreensão de muitas questões já fazem parte do dia a dia... conversando com um amigo, psicólogo, que sempre era chamado a falar sobre a questão a homossexualidade em debates e entrevistas, ele me disse "os gays saíram de moda! agora todo mundo só quer falar sobre transsexualidade e questão de gênero"... olha ai mais uma prova da "ditadura gayzista" implantada!

Para quem ainda não entendeu isso o meu conselho é - o já clássico - relaxa que dói menos!


E você o que acha? Já está vendo sinais da "ditadura"? Ou vc prefere só a "dita" DURA?

1 de abril de 2015

Parabéns Edith

O site BuzzFeed, que é especializado em listas, listou as " 30 personalidades que lutam pelo movimento LGBT que você precisa conhecer ", uma lista com muita gente interessante e que, realmente, tem feito muito pela luta dos direitos da igualdade. Fiquei muito feliz em encontrar a incansável Edith Modesto na lista!

16 de outubro de 2014

"ninguém quer contratar as femininas!"

Há alguns anos atrás eu precisei contratar um funcionário para cuidar do escritório. Era uma vaga para um auxiliar de serviços gerais que cuidasse do dia a dia da limpeza, da manutenção e do jardim. Então eu divulguei esta vaga entre os amigos dizendo que eu queria dar oportunidade de algum LGBT assumir esta vaga. Disse que não havia problema ser alguém sem experiência e nem alguém que fosse efeminado ou até mesmo trans.
Eramos uma empresa que estava iniciando, este seria o segundo funcionário da empresa - a primeira era a secretária contratada dois anos antes. E contratar uma pessoa abertamente gay fazia parte da minha "militância de formiguinha" (o blog tb é parte disto).
 
Mas havia mais razões, e uma delas é que  eu sei que os gays efeminados sofrem mais preconceito! 
 
Primeiro: para as pessoas que são mais "bandeirosas" o preconceito na escola muita vezes as afasta dos bancos escolares... se for uma garoto ou garota trans fica mais dificil ainda. Sem escola, sem estudo, sem educação formal... começa o ciclo de exclusão do mercado de trabalho.
Sem estudo sobram os cargos menos qualificados - onde o preconceito é maior ainda (todas as pesquisas dizem que pessoas com menos instrução tendem a ser mais preconceituosas não é?). Ou seja, nem para estes cargos menos qualificados são contratados, porque os contratantes não querem este tipo de problema na empresa, nas equipes.
Hoje em dia penso que as coisas estão um pouco melhores, existem áreas que dão muitas oportunidades para homossexuais, As empresas de telemarketing por exemplo, são o primeiros emprego de muitos jovens gays, mas ainda com salários baixos, com poucas chances de crescimento porque as pessoas continuam não muito dispostas a darem oportunidades para as "pintosas".
Me parece que para as mulheres que são mais "masculinas" este problema é um pouco menor, ao que parece as "bichinhas" incomodam mais, mas com certeza outras pessoas perdem oportunidades de emprego por conta do jeito que são. Aliás, eu até já vi mulheres lindas dizerem que sofrem preconceito justamente por serem bonitas - principalmente as pessoas achando que elas não podem ser inteligentes e que só tem bons cargos em função da beleza...
 
Divulguei a vaga e ai apareceu o R! Indicado por uma amiga lésbica. Ele tinha 36 anos e nunca tinha trabalhado com carteira assinada. Tinha feito até a metade do ensino médio porque os pais nunca estimularam ele a enfrentar o preconceito na escola e ele acabou desistindo. O pai dele abandonou a familia e a mãe ficou doente, ele passou anos cuidando da mãe até ela morrer. Quando a mãe morreu ele foi cuidar de uma tia velhinha durante quase 10 anos, e ela tinha morrido no começo do ano. Naquele momento ele morava "de favor"   na casa de um conhecido que o acolheu, dormia no terraço envidraçado, cujas janelas tinham sido fechadas com jornal para conter a claridade. Ele não era um rapaz bonito, usava cabelos longos.. e para ilustrar o quanto ele estava ligado em seu lado feminino, eu vou te contar que a primeira coisa que ele comprou com seu primeiro salário que recebeu conosco foi... um vestido verde de paetês que fez questão de mostrar para a gente as fotos...Além disto o R tinha uma grave perda auditiva, em função de uma doença de infância.
 
Me diz quem contrataria o R? Sem qualificação, sem referências e bichinha de voz de "taquara rachada"?
Não quero aplausos nem parabéns por isto, como disse nao era nenhum cargo maravilhoso, era um salario um pouco maior que um salário minimo. Tenho certeza que vários de vocês fazem coisas parecidas, só estou contando a estória para ilustrar a questão do preconceito, para conversar.
Ele era muito prestativo, preocupado em acertar, em aprender, muito carinhoso e amável com todos ele era membro da equipe...apesar de que do ponto de vista de manutenção ele era uma negação - a "bicha" tinha mêdo de furadeira! rsrsr. 
 
Ele ficou conosco quase dois anos, foi quando mudamos da casa que utilizávamos para um conjunto num predio comercial, e precisamos mandar ele embora pois, sem jardim e sem área externa não justificava mais sua função. Mas o  melhor foi o que aconteceu depois...
Como ele tinha este problema auditivo orientei ele a buscar um emprego dentro da política de cotas - afinal de contas ele já não tinha mais "carteira em branco" e tinha uma bela carta de referencias nossa. Ele conseguiu emprego para trabahar num grande escritório de advocacia - conseguido por uma cliente nossa,  pois contamos para todos que estavamos procurando trabalho para ele -  começou trabalhando no arquivo, depois foi promovido a "separador de processos", depois foi promovido a "acompanhador de advogados nas audiências".... e o que mais o divertia era ter que vestir "terno" para ir ao forum... ele dizia que se vestia de "hominho"!
Ou seja, é um cara competente e está galgando seu futuro.. hoje mora em seu apartamento e da ultima vez que falei com ele, soube que tinha "acolhido" em sua casa uma pessoa transgenero que estava com dificuldades...O nome deste jogo é oportunidade! Ou seria CORRENTE DO BEM?
 
Talvez vc tenha achado meu texto preconceituoso, por usar  termos como "efeminados", "pintosas", "masculinizadas", achando tudo isto uma bobagem relacionada ao gênero... Mas eu realmente não achei um outro jeito de abordar o assunto...
 
Só para pontuar e ilustrar...o nosso querido R, com dinheiro da rescisão na nossa empresa, comprou um lindo vestido... de noiva... o que não deixa de ser muito divertido nao é?
 
 
E você? Já sofreu preconceito por dar "pinta" no trabalho? Como resolver isto?




19 de agosto de 2014

Same Rights, Same Troubles!*

*Mesmos Direitos, Mesmos Problemas!

O avanço dos direitos LGBTs no Brasil, mesmo acontecendo de maneira lenta, tem sido progressiva e efetiva. Já conseguimos incuir parceiros no Imposto de Renda, no plano de saúde, na renda conjunta para adquirir casa própria, já podemos processar quem nos discrimina, em alguns lugares foram aprovadas leis anti-homofobia, o avanço mais significativo talvez tenha acontecido quando o STF decidiu que as uniões gays podiam ser convertidas em casamento, que na pratica definiu que os gays podem casar.
Foi um grande avanço para as famílias LGBT, que tiveram seu status de FAMILIA reconhecido. Mas  muita gente argumenta: "Para que vocês (os gays) querem casar? O casamento é uma instituição falida!"
 
Falida ou não, o reconhecimento das uniões gays - mesmo sem um papel que as chame de casamento - trouxe também as mesmas questões para os protagonistas, direitos e deveres, que eram exclusivos das famílias heterossexuais. Algumas histórias de amigos ou de amigos de amigos, e tenho certeza que você também sabe de algumas:
 
  • Os dois homens viveram juntos por 11 anos, um deles foi traído e terminou a relação, o que traiu ameaçou ir a justiça para pedir o direito de pensão, o que foi traído, para evitar escandalos pois é ator, deciciu entregar o pequeno  apartamento que moravam (e que ele tinha comprado e bancava)  para o que traiu, para formalizarem um pacto.
  • Dois homens tiveram um filho através de uma "barriga solidária", utilizando esperma combinado dos dois, quando se separaram - o filho tinha poucos meses - um deles resolveu fazer um teste de DNA e descobriu que o filho era, biologicamente, dele. Entrou com uma ação e impediu o outro pai - que era quem efetivamente cuidava do filho por ser profissional liberal e ter mais flexibilidade de tempo - de ver a criança. Foi preciso um processo judicial para que este pai tivesse direito a visitas.
  • Duas mulheres ficaram juntas por 9 anos, morando em casas separadas o tempo todo,  uma delas conseguiu provar na justiça que a outra tinha condições financeiras melhores que ela e que deveria bancar os mesmo luxos e mimos que recebia antes (viagens, roupas, restaurantes badalados) pois ela tinha se dedicado a relacionamento e não tinha tido tempo de construir seu patrimonio, ela receberá pensão por 9 anos
  •  
  • Um homem teve um relacionamento por dois anos com um cara bem mais novo, o relacionamento acabou e o mais novo não saiu da casa, não trabalhava, o unico jeito de conseguir que ele saisse foi bancar a passagem - e algo mais - do rapaz para os EUA, onde vai tentar a vida com imigrante ilegal...
 
Resumidamente, como diria o tio do homem aranha - "grandes poderes trazem grandes responsabilidades"... o que não invalida nem tira a premência de termos nossos direitos familiares garantidos! Só nos torna também iguais a com relação á seriedade das nossas ações! Casar, fiacar junto, cuidar, tudo isto tem que ser encarado de maneira mais séria! Talvez isto acrescente um novo tempero á estas questões de conjugalidade, talvez até mesmo o modelo dos casamentos heterossexuais precise ser revisto, talvez.
 
Se tinha algum cara que "virou" gay só para nao ter que pagar pensão ao companheiro, isto mudou! rsrsrs
 
Afinal de contas, na sua opinião, o casamento gay é uma boa ou é uma instituição que já nasceu falida?
 
 
 
 




20 de setembro de 2013

Homossexual preso por não querer deixar seu Esposo sozinho no hospital!

Achei esta noticia na net, e apesar de ser uma estória de intolerância e de preconceito, é também uma linda estória de amor!

Clique aqui

27 de agosto de 2012

Amor e Imcompreensão

Uma linda estória de amor, chorei! Mas também fiquei triste pois sei que isto acontece com muitas famílias LGBT. 

9 de junho de 2010

União Homossexual: união cível, união de fato ou união homoafetiva?

Por Sérgio Alexandre Camargo em 06/06/2010

Chega como ponta de um iceberg o questionamento, se pessoas do mesmo sexo têm, ou não, o direito de casarem-se, e se este ‘casamento’ poderia ser chamado de União Homoafetiva, como preconiza a Dra. Maria Berenice, desembargadora aposentada no Rio Grande do Sul, e advogada militante; ou como realizam boa parte dos tabeliães em nosso país, quando o fazem, como mera União Civil, ou União de Fato.

O próprio Ministério Público Federal reconhece que, a alegação de que a impossibilidade de procriação justificaria a não-proteção da união entre pessoas do mesmo sexo é equivocada, na medida em que o incentivo à procriação não é objetivo da tutela legal dispensada à união estável, isto é, o direito não espera que a união heterossexual gere filhos, ainda que a religião assim pretenda. À partir deste argumento não seria de se aceitar a afirmação de que fator para negar a possibilidade de reconhecer a União Homoafetiva, seria a impossibilidade reprodutiva.

É fácil entender hoje em dia, que várias são as razões que levam duas pessoas a desejarem uma vida em comum, sendo reconhecidas pelo direito. A não possibilidade de gerar prole por si só, não pode ser indicativo da ausência de legitimidade a constituição de uma família. Há grave problema na sociedade brasileira, construído ao longo dos séculos pela plena falta de planejamento de crescimento populacional, em que hoje resulta nas grandes cidades número incalculável de menores abandonados pelos pais biológicos, impactando em diversos fatores da sociedade, como crescimento das demandas por serviços públicos, incremento do fenômeno da favelização, e incentivo a criminalidade. Boa parte da comunidade homossexual gostaria de poder adotar uma criança, para incrementarem seu apetite familiar, o que na pratica apresenta forte grau de dificuldade diante o direito brasileiro, e da sociedade como um todo.
O progresso na direção de unificar os direitos dos casais homossexuais, em nível igual ao dos heterossexuais é visível, ainda que retrocessos ocorram, como no caso de decisão do Superior Tribunal de Justiça (Brasília), que no Recurso Especial n. 502.995-RN, mencionou que a primeira condição que se impõe à existência da união estável é a dualidade de sexos, sendo a homossexual inexistente juridicamente no que tange ao casamento, ou união estável, podendo apenas configurar-se como sociedade de fato, cuja dissolução assume contornos econômicos, resultantes da divisão do patrimônio comum, com incidência no direito das obrigações, e não no direito de família. Lamentável a decisão. E a questão afetiva? E a relação humana por trás do direito, como justificarmos a existência do próprio Estado, se não levarmos em consideração seu fator de criação preponderante: O Povo… o povo homossexual.

Como membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Barra da Tijuca, e advogado militantes, somos diversas vezes questionados sobre os direitos dos homossexuais. Hoje há grande gama de direitos reconhecidos pela força da advocacia, dos direitos humanos e da jurisprudência, que através de árduo trabalho conjunto apresentam soluções modernas, para situações recorrentes, cotidianas.

Um grande passo é registrar junto aos cartórios escritura pública de UNIÃO HOMOAFETIVA, como variante da união estável, o que infelizmente poucos tabeliães estão dispostos a fazer, por mero preconceito. Essa modalidade de união levam a equiparação dos direitos, que hoje assistem aos companheiros, e companheiras da relações heterossexuais, tais quais:

• Direito a alimentos;
• Direito à sucessão do parceiro falecido;
• Direitos à percepção de benefícios previdenciários;
• Direito a fazer declaração conjunta de Imposto de Renda;
• Direito de sub-rogar-se no contrato de locação residencial de companheiro falecido, ou de prosseguir no contrato no caso de dissolução da união;
• Direito à visitação em presídios;
• Direito à obtenção de licença para tratamento de pessoa da família;
• Direito à licença no caso de morte do companheiro ou companheira, dentre outros.

Atualmente, conseguimos a maior parte destes através da advocacia, na via judicial.
Há cartórios no Rio de Janeiro, dispostos a reconhecer a União como HOMOAFETIVA, o que facilita o cônjuge restante, nos momentos dos dissabores da vida.
É importante a sociedade, e os órgãos públicos perceberem que a comunidade homossexual veio para ficar, e cada vez mais compõem todos os setores da sociedade, como brasileiros participativos e atuantes. Mantê-los no preconceito, e à sombra da sociedade e tentar retardar o futuro que já está presente, e que virá haja ou que houver.
Estamos à disposição para responder a qualquer questionamento dos leitores através do e-mail sergiocamargo@ sergiocamargo. com .

*Sérgio Alexandre Cunha Camargo é Advogado militante, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB Barra da Tijuca, membro do Grupo de Trabalho da Diversidade Sexual da OAB RJ, membro do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), professor de direito público da EMERJ, FESUDEPERJ, PUC RIO, do Instituto Bramante de Estudos Legais, dentre outros.