Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

3 de novembro de 2016

EMPATIA REACIONÁRIA

Resultado de imagem para empatia
Considerando EMPATIA como: a "capacidade" psicológica de tentar compreender e sentir como se fosse a outra pessoa, eu diria que sou uma pessoa bastante empática!  Mas nos últimos tempos a minha empatia parece estar sendo posta a prova...

Nos colocarmos no lugar da outra pessoa, andarmos com os sapatos dos outros, nos possibilita exercitar outras possibilidades para nossa vida, experimentar outras existências, a empatia nos possibilita ajudar o outro nos termos do outro, a empatia nos torna solidários, a empatia nos torna até mesmo mais humanos.

Eu não sei dizer ao certo se a empatia é uma "qualidade" inerente á pessoa, seé algo que é "processado" no cérebro ou no coração, provavelmente um pouco dos dois, pois a empatia é um aprendizado, um exercício que nos leva ao aperfeiçoamento. Eu fui voluntário do CVV por mais de dez anos e foi lá que eu efetivamente aprendi muito sobre empatia, mas eu já era empático, pois sem empatia não há solidariedade nem trabalho voluntário... só dá para para ser empático com honestidade e com sinceridade no coração, na alma.

Como pai, como educador, eu muitas vezes lanço mão do exercício da Empatia para ajudar minha filha a entender algumas atitudes minhas e dela, e até mesmo o limite de atuação de nossos papeis na vida. Quando ela era criança, algumas vezes, quando ela "aprontava" alguma coisa, eu pedia a reflexão dela: "se você fosse a mãe, ou o pai, nessa situação, o que você diria/faria com seu filho ou filha?". Mesmo hoje em dia, algumas vezes quando ela faz alguma coisa que me deixa preocupado, ou triste, eu peço que ela tente se colocar no meu lugar para entender minha atitude ou minha chateação/tristeza com ela... quem sabe eu tenho ajudado ela a aprender a ser empática com isso...

Resultado de imagem para empatiaMas nos últimos tempos eu tenho tido muita dificuldade de exercitar minha empatia em alguns aspectos. Gays reacionários (ou de direita) são um bom exemplo disso. Eu não consigo entender um LGBTT que apoia o TRUMP - ou o Bolsonaro. Não precisa "gostar" do Jean Willys, (eu também tenho minhas restrições com ele) mas também não dá para ser contra tudo que ele defende e luta para mudar. Quer outros exemplos? Eu não consigo ser empático com a dupla Dolce/Gabanna dizendo que são contra gays terem filhos, nem com o único vereador gay assumido de São Paulo (que eu me recuso até a dizer o nome)  ser contra a secretaria da diversidade... nossa, como é difícil me colocar no lugar dessas pessoas!

Racionalmente eu até entendo (não quer dizer concordo) quem critica o "movimento" LGBTT, dizendo que não é representativo, que não ouve nem mobiliza a sociedade para as lutas. Racionalmente eu até entendo que as pessoas tenham sido criadas em ambientes  opressivos e não consigam imaginar um mundo diferente do "normal" -  e terem muito medo disso. Eu entendo quando o  Paulo Freire que diz que "dependendo da educação, o sonho do oprimido é se tornar opressor".
Racionalmente eu entendo, mas emocionalmente eu não compreendo... 

A minha primeira sensação é que falta empatia a essas pessoas, empatia para entender quantas pessoas sofrem pela falta de direitos, pela perseguição e pela violência. Eu diria que estas pessoas lgbtt ,que defendem políticos que são contra os direitos LGBTT são "xaropes", loucos "de carteirinha", "manés" e "idiotas".... ou seja, eu não consigo me colocar no lugar do outro de maneira respeitosa, não consigo compreender o outro para aceita-lo... eu não consigo ser - honestamente e sinceramente - empático... 
Isso me deixa um pouco confuso, eu, que sempre defendi o direito das pessoas de discordar, começando a julgar e "diminuir" as pessoas que pensam diferente de mim! O que me conforta é que eu não tenho nenhuma pretensão de ser canonizado, de ser santo, então eu "não sou obrigado" a ser legal com gente que quer "fuder" a vida dos outros!

E você? O que pensa dos GAYS que são contra os direitos gays? O que pensa dos gays que apoiam Bolsonaro ou Trump?


11 de agosto de 2015

Micose Gay

Um dos grandes argumentos que sempre ouvimos, das pessoas que fazem questão de dizer que não tem preconceito contra os homossexuais, é: "eu não tenho nada contra, mas precisa fazer isto em publico?"
O argumento faz referência a questão do espaço público e do espaço privado, incluindo o acordo social tácito de que certas coisas - como demonstrações de carinho entre dois homens - devem estar restritas aos espaços privados. Meu contra argumento sempre é "se um casal hétero pode se beijar em público porque um casal gay não poderia?"
Eu pessoalmente não acho legal aqueles casais que "se sugam" em público, seja um homem e uma mulher, dois homens, duas mulheres... ás vezes numa balada mais quente, sabendo que as pessoas estão calibradas pelo álcool, dá ate para entender, mas na rua eu acho bem esquisito... me incomoda um pouco...seria eu careta? ou "beijodelinguafóbico"?

Mas ontem a noite me ocorreu um fato que me fez pensar um pouco nesta questão do público e do privado...
Estava lá eu na minha aula de História da Península Ibérica quando sentou do meu lado um "coleguinha" de seus 20 e poucos anos... ele estava trajando o outfit padrão de quem só faz faculdade: camiseta, bermudas e havaianas, e eu, como "pesquisador e futuro historiador", dei uma inspecionada no rapaz - um mocinho bem bonito aliás - mas meus olhos foram magicamente atraídos por seus dedões dos pés, cujas unhas eram absolutamente HORROROSAS E DEFORMADAS por micoses...ARGHHHH!
Era uma coisa absolutamente nojenta! Sério! Eu não sei se você que esta lendo isto está rindo ou esta com nojo... eu fiquei com nojo!
A minha primeira questão foi... "como alguém tem coragem (leia-se não tem vergonha) de sair por ai exibindo estas unhas FEIAS e ASQUEROSAS? Já que ele quer estar confortável que use um CROCS! Finalmente existe um motivo para usar CROCS! ... hummmm....será que todo mundo que vejo de CROCS está escondendo a sua micose?  Talvez isto explique muita coisa....

Eu já tive micose há uns anos atrás... e sério, eu iria á praia de meias para não mostrar nada! Fiquei meses sem mostrar os pés pois o tratamento de micose - bem feito e definitivo - demora muito!
Pelo perfil do colega eu logo imaginei que ele não tinha vergonha, pois muito provavelmente tinha aquela postura "as pessoas tem que me aceitar como eu sou" e isto não se referia somente ás suas crenças políticas, orientação sexual, gosto musical ou estilo de roupas... isto incluía as suas micoses, e ser contra elas talvez fosse um posição "pequeno burguesa", autoritária, ou da elite branca coxinha- se bem que ele era caucasiano...
Eu confesso que durante um bom tempo não consegui prestar atenção na aula... as peripécias de Dom João IV no processo da Restauração Portuguesa, e da dinastia dos Bragança, não foram suficientes para que meu pensamento saísse do módulo "micose, micose, micose" . E bem quando eu tinha decidido mudar de lugar para poder prestar atenção na explanação do Prof. Ricupero, o coleguinha acabou levantando e saindo da aula...bem na hora do tratado de Haia... ele saiu da aula e a Holanda deixou o Nordeste! 
Fiquei rindo sozinho... mas tenho certeza que o professor achou que eu estava adorando sua aula...e fiquei pensando...

Resultado de imagem para gay kiss cartoonSerá que o incomodo que eu senti quando vi aqueles pés cheios de micose sendo "esfregados" na minha cara é parecido com o que sentem algumas pessoas quando me veem abraçando ou beijando o Mr.Jay em algum lugar?
Será que em alguma situação, se eu tivesse uma criança pequena e ela chegasse perto dos pés daquele rapaz por exemplo, eu teria uma reação colérica pedindo que ele saísse, dizendo que ele deveria usar sapatos fechados, dizendo que ele deveria ficar longe das crianças porque elas poderiam "pegar" a micose? 
Será que eu apoiaria uma lei que criasse clinicas para cuidar da micose das pessoas, a "cura micótica", ou leis que restringissem a liberdade das pessoas com micose de saírem na rua? Ou deveria eu apoiar as pessoas que, como meu colega de faculdade, tiram suas micoses do armário e mostram para todo mundo? 
Eu diria que não tenho nada contra a pessoa que tem micose, eu até aceito a pessoa, mas ela deveria saber se comportar em público, deveria guardar sua micose para sí! Não é preconceito, é apenas meu pensamento! Isto não é errado é?

Seria o beijo gay uma micose? Talvez eu esteja exagerando na analogia, talvez eu esteja exagerando tanto na ironia que talvez ela reflita exatamente o que penso.... Não sei... Mas talvez eu tenha conseguido, finalmente, entender o que algumas pessoas sentem!

E você? Acha que devemos esfregar nossa micose na cara da sociedade?


10 de dezembro de 2014

e o que te BROCHA?

No outro texto, quando eu falava sobre o que me dava tesão, ou melhor, sobre o fato de eu não conseguir definir direito o que me dá tesão na vida, o Paco comentou que para ele seria mais fácil definir o que tirava o tesão, em outras palavras, o que brochava...
Antigamente eu seria categórico, diria que "gente burra me brocha!". Eu falava muito isto... 
Implicava com gente que assistia novela, achava um despropósito quem gostava de lavar o carro de fim de semana, se a pessoa dissesse que assistia o Silvio Santos ou o Faustão.. vixi....caia muito no meu "conceito"...
Eu tinha até um certo preconceito com quem não tinha ensino superior, sério mesmo! Isto era um fator para eu me interessar - ou não -  por alguém.. 
Enfim, gente que eu considerava "burras"... me brochavam...Além daquelas sem papo, sem assunto, que não tinham o mínimo de cultura geral... enfim... eu era um ser pedante e pernóstico... um verdadeiro "viado"!
Por sorte, e com a ajuda dos anos, a gente vai aprendendo o que é realmente importante...hoje em dia eu vejo como eu fui bobo de ter pouca paciência e até mesmo de afastar das tais "gentes burras"...mas é aquela estória, não dá para refazer o caminho com a experiência que temos hoje...
Atualmente o que me brocha um pouco é gente que "se dá muita importância", gente que não saber rir de seus defeitos e nem estar aberto a opiniões diferentes... gente que "se acha"... Mas como nos outros casos, talvez daqui algum tempo eu descubra uma outra faceta nestas pessoas... rsrsrsrs

Ah... e na cama? Na hora do sexo,  transar de meias definitivamente me brocha! Mesmo que esteja frio... meias só para dormir...

E para você? O que te BROCHA?

ALIÁS, o certo é Brocha ou Broxa?  "As palavras brocha e broxa existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. A palavra brocha se refere a um prego de cabeça chata e a cravinhos de ferro usados em sapatos, bem como a chavetas, correias ou cordas usadas em carros de boi. Pode significar também um fecho ou alguém que está desanimado ou doente. A palavra broxa se refere a um pincel grande. A palavra brocha tem sua origem na palavra em francês broche, devendo assim ser escrita com ch. É sinônima de prego, tacha, percevejo, fecho, broche, bem como de desanimado, desalentado, doente, debilitado e enfermo. A palavra broxa poderá ter sua origem na palavra em francês brosse, tendo evoluído de ss para x. É um tipo de pincel grande e grosseiro muito utilizado em caiação e em pinturas rápidas e toscas"

7 de julho de 2014

A vida não é cor-de-rosa, a vida é negra!

Como eu já contei,  eu faço parte de um grupo que faz um trabalho junto ás pessoas que querem adotar, o PROJETO ACOLHER, pois bem, neste sábado os voluntários estavam reunidos e discutiamos o tema de nossa próxima palestra - Adoção Inter Étnica (que antigamente era nominada adoção "inter racial"). Estavamos pensando em como abordar a questão, a importância dos pais se envolverem e valorizarem a etnia da criança, o mêdo que os pais tem que a criança sofra preconceito... quando a amiga A (que é mãe solteira por adoção e uma das fundadoras do grupo) e a única negra presente, nos interrompeu:
 
"Vocês não tem a mínima noção do que é ser negra!
Ser negra é sentir na pele quando você abre a porta de sua casa e alguem pergunta se "a patroa" está!
Ser negra é ouvir que você venceu na vida "apesar" de ser negra!
Ser negra é ter que ensinar seu filho, de 14 anos, que ele deve sempre sair de casa com documentos e que nunca deve reagir nem responder torto para um policial porque ele - com certeza - vai ser barrado na rua inúmeras vezes na vida.
Ser negra é ser barrada na entrada na porta do prédio que você acabou de comprar apartamento!
Ser negra é não ter condições de criar seus filhos, porque você não teve acesso a escola de qualidade, a oportunidades de emprego,  e eles irem parar numa instituição para serem adotados!
Vocês não sabem como é a vida de mais de 50 milhões de brasileiros!
Estas famílias não sabem, nem nunca saberão, o que é ser uma criança negra, o que é ser uma negra numa família branca!"
 
A fala, emocionada e em  tom de desabafo, calou a todos na reunião. Ela é uma grande mulher, uma vitoriosa sem dúvida, uma mulher doce e que conheço há mais de 10 anos. Podem ter certeza que a fala dela não tinha nenhuma intenção de nos agredir ou nos dar uma lição de vida. Era a fala de uma pessoa que estava magoada, cansada, uma pessoa que é atingida dia a dia pelo preconceito e pelo escárnio da sociedade.

Eu chorei muito enquanto ela falava, chorei por ver uma amiga sofrer, chorei por pensar quantas vezes eu posso ter sido preconceituoso sem perceber, chorei por pensar que o mundo é uma bosta e como tem tanta gente sofrendo apenas por ser negra, apenas por ter estampado na cara, no corpo, uma pele, um cabelo,  que as pessoas acham que é pior, que é ruim, que é feia! Chorei porque fiquei pensando em quantas famílias adotam crianças negras e quantas vezes eu disse "que isto não seria verdadeiramente um problema se as pessoas aprendessem a lidar com isto.  (na sala tinha duas mulheres brancas que tem filhos negros ).

Eu me emocionei porque eu queria tanto que o mundo fosse um lugar cor-de-rosa e que estas coisas não existissem. O gay também sofre precoceito, é lógico, e o judeu, e as mulheres, e os pobres... este e o argumento que sempre usamos para tentar explicar e nos defender de nossas falhas para melhorar isto não é?
Mas o negro sofre preconceito a milhas de distância, ele é negro, você o reconhece no fim da rua, do outro lado da rua, na foto do jornal, no programa de televisão.. aliás? Que programa de televisão? Não tem nenhum programa de televisão! O negro é sempre negro, o gay é gay quando se assume (ou quando fala "um luxxxo") o judeu é judeu quando vemos o sobrenome dele... o negro é sempre negro! E sofre preconceito, é diminuido, é relegado a um segundo plano apenas pela cor da sua pele!

Eu não sei o que é isto, não sei o que é viver dia e noite com isto! Mesmo gay eu não sei o que é ser tratado como cidadão de segunda classe...aliás, ser tratado como ser humano de segunda classe!

Que saco esta bosta de mundo!

E você? Como você percebe o preconceito contra os negros?


 

2 de maio de 2014

explicando diversidade para as crianças... na família!

Ontem, feriado de 1 de maio, fomos almoçar na minha mãe, como trabalhávamos todos hoje, ninguém viajou neste 30o. feriado emendado do ano...
Minha prima - que é quase irmã - lá estava com seus dois meninos, um de dois anos e outros de sete. Mas o o que motiva o post foi o que ela veio me contou hoje:
Ela disse que quando chegou em casa o mais velho (7 anos) veio perguntar:
- O J é da família? (J = Mr. Jay)
- Sim - respondeu minha prima
- Então ele é filho da vovó? ( uma delicia a confusão que as crianças fazem não é?)
- Não, ele não é filho da vovó - respondeu minha prima
Detalhe importante, quem tem filhos aprende com o tempo que devemos responder apenas o que eles perguntam, primeiro porque as dúvidas ás vezes são bem simples, depois porque devemos deixar eles fazerem o caminho das descobertas...
- Mas como ele é dá família? perguntou o menino.

Ai minha prima disse que pensou, se fosse um casal hetero eu não ia dizer que eram namorados? Se são gays e aqui nesta família isto não faz diferença e está na hora de eu mostrar isto para meu filho!

- Ele é namorado do seu tio.
O menino fez caras e bocas! 
- MAS ENTÃO ELES SÃO GAYS!
- Sim eles são. Lembra o "F", ele também era namorado do seu tio, mas talvez você não lembre porque era muito pequeno.
- Mas meus amigos disseram que ser gay é errado!
Ai ela aproveitou a oportunidade...
- Ser gay não é errado, errado é não gostar das pessoas por elas serem de um jeito ou de outro! Sabe seu amigo, o B. Marrom? (eles são amigos desde pequeno e na escola havia dois meninos com o mesmo nome, e o filho de minha prima, para distingui-los chamava um de B. Branco e outro de B. Marrom, sem nenhum preconceito no apelido)
- Sei, eu vou lá brincar na casa dele amanhã não vou?
- Sim vai, mas você sabia que tem pais que não deixam o filhos brincar com os meninos só porque eles são marrons?
- Não sabia!
- E tem lugares do mundo que as meninas não podem brincar com os meninos porque eles acham que elas são inferiores e menos dignas? E tem até lugar que as pessoas marrons são presas só por serem marrons!
- Não sabia!
- E você vai gostar menos do seu tio porque ele é gay?
- Não!
- Mas se você quiser pode conversar com ele sobre isto hoje quando for ficar na casa dele ok!
- OK!
Assunto encerrado! Ele voltou a brincar. 
Eu vou dizer, eu já era fã da minha prima, e agora com mais motivos, acho que ela vai conseguir criar dois seres humanos muito especiais e abertos a todas as pessoas! Ganhei meu dia!

Aliás! ela precisou sair e o pai dos meninos (ela é separada) não podia ficar com as crianças e eles estão aqui, vão dormir aqui! Ou seja, hoje vai ter festa baile e vou levantar amanha ás 7 da manhã! Hora que o mais novo costuma acordar!
Eu estou até esperando para ver se ele vai fazer algum comentário quando Mr., Jay chegar....vai ser divertido...

E você? Ja presenciou estas reações de crianças? Conta ai!

6 de fevereiro de 2014

Beijo "gay" na novela, que diferença faz?

Por não ter o hábito de acompanhar novelas eu confesso que eu nunca fui daqueles que esperou "ansiosamente" o beijo gay nas novelas. Os gays já estão nas novelas - e nas séries, e no dia a dia - há muito tempo, com persongens que sempre são policiados pela comunidade LGBT, e que ora são chamados de caricatos (acho que o próprio Felix foi chamado) , ora de efeminados, mas sempre com um viés de que "não nos representam".
E olha que já tivemos gays, lésbicas, bissexuais e trans de vários matizes nas novelas. Tem até uma série nacional em  que um machão bicheiro é casado com uma trans...
A princípio eu achei que todo mundo ia ficar em polvorosa com o evento, que ia ser comentado e incensado por dias a fio. Mas não foi o que aconteceu, menos de uma semana depois o acontecido já se tornou pauta velha nos assuntos e nas fofocas.
Mas eu fiquei pensando, até que ponto isto interferiria na minha vida? A minha resposta inicial - de mocinho que se acha super bem-resolvido - foi  - EM NADA!
Mas acho que não é bem asism que eu me sinto...
De certa forma este beijo legitimou alguma coisa, não sei bem o que, mas acho que ele ampliou a minha zona de conforto, foi algo parecido com o que aconteceu com a legitimação do casamento pelo Supremo.
Algo mudou no equilibrio delicado das forças do meu mundo interno...
 
Explicando:
Como já contei aqui, durante 10 anos eu vivi um relacionamento estável, e no período que estávamos morando juntos eu efetivamente passei a me sentir "casado".  Mas sempre tinha este casado entre aspas, poque efetivamente eu não estava casado e, na época, nem podia me casar. Mesmo assim quado alguem me perguntava, quem é fulano? - F é meu marido! eu respondia, ou ás vezes - F é "como se fosse" marido.
Mas á todo momento eu lembrava que dois caras não podiam casar, toda vez que eu falava isto eu lembrava. Eu tenho certeza que hoje eu teria muito mais poder para falar isto, eu me sentiria muito mais seguro de dizer, - Somos casados, - Ele é meu marido!, tenho certeza que quando eu me casar com Mr. Jay vai ser assim...
A legitimação do casamento, mesmo sem ser o PLC 1222, mesmo sendo "jurisprudência", me deu muito mais tranquilidade em ser casado com outro homem, eu acho que de certa forma este reconhecimento legitimou estas uniões e as equiparou a outras, o que deu mais peso e mais verdade.
 
No caso do beijo a minha sensação é parecida. Eu beijo o Mr. Jay com muita frequência em lugares públicos, para falar OI, para falar TCHAU, ou quando ele faz alguma gracinha...beijos no estilo Felix Niko, de carinho de amor, ....mas eu percebia que algumas vezes eu me retraia, eu deixava de dar o beijo na frente do porteiro do predio, ou no ambiente de trabalho dele, por achar que isto seria "inaceitável", e totalmente desproposital.
De certa forma este beijo do Walcyr Carrasco tirou um pequeno "lacre" na minha visão de mundo, de certa forma meus beijos parecem ser muito mais aceitáveis e menos transgressores do que eram...pode ser bobeira minha, pode ser homofobia internalizada, mas de certa forma saber que o beijo gay alcançou a novela das oito e milhões de lares faz o meu beijo parecer menos estranho.
 
E para você, este beijo mudou algo na sua vida?
 
 
 
 

20 de novembro de 2013

ás vezes eu acho um saco ser gay!


No mês de outubro eu fui com o Mr. Jay num casamento de uma amiga dele. Na realidade tanto a noiva quanto o noivo são amigos dele de longa data, pessoas que se conhecem desde o tempo de colégio!
Fiquei realmente emocionado em ver como ele é querido por estes amigos - que moram na cidade dele e que ele vê raramente - as pessoas se emocionavam quando encontravam ele e as conversas eram fluidas e animadas. Ele foi inclusive padrinho de casamento do lado da noiva.
São amigos que sabem que ele é gay e que também me receberam muito bem, a quem fui devidamente apresentado como "namorado", e que parecem aceitar tudo com muita naturalidade e zero preconceito.
Mas, de certa forma, o preconceito social e a homofobia internalizada estão sempre por ali! Ou seria "por aqui"?
Num determinado momento estávamos sentados numa mesa eu, ao lado do meu namorado, um outro amigo dele - também gay - e três casais de amigos deles, e eu estava super feliz e me deu uma vontade danada de dar um beijão nele, da mesma forma que vários casais fazem nestas situações...
Mas eu não dei...
Não dei o beijo porque eu sabia que era o local inadequado para isto, não dei em "respeito" ao ambiente, não dei porque achei que podia constranger ele, não dei para não criar polêmica e não chocar. Eu não dei o beijo que eu queria dar. Eu não dei aquele beijo única e exclusivamente porque eu sou gay!
E isto não é "culpa" do Mr Jay ou porque estava no ambiente da cidade dele, eu não dei aquele beijo que queria dar porque também não daria se fosse um casamento de amigos meus, ou da minha família, eu não dei porque apesar de tudo, e de todo o caminho, eu até hoje não beijo meu companheiro em qualquer lugar, a qualquer hora que eu queira, eu não beijo porque eu sou gay!
E eu até que sou bem desencanado com isto, beijo ele com bastante frequência em lugares públicos, mas sempre em momentos que eu acho que "não vai dar problema", e eu tenho que prestar atenção nisto apenas porque eu sou gay!
Aliás, eu até gosto de dar uma "chocada" de vez em quando, roubando um beijo no meio do shopping eu num lugar em que isto não é esperado, até como medida "pedagógica" para marcarmos território, uma militância meio bobinha... mas eu sempre sei que são lugares que eu, de certa forma, posso controlar a situação...mas tudo isto só porque eu sou gay!
E isto está em todos nós, mesmo o Mr. Jay fica meio embaraçado em nos beijarmos na frente da minha filha - barreira esta que já transpus há muitos anos!.
Gays são aceitáveis como na novela, seres assexuadas e sem emoções, seres "respeitosos" e que "sabem se comportar".
E eu acho isto um saco! Tem vezes que eu acho um saco ser gay!
 
E você? Como lida com estas situações?
 

20 de setembro de 2013

Homossexual preso por não querer deixar seu Esposo sozinho no hospital!

Achei esta noticia na net, e apesar de ser uma estória de intolerância e de preconceito, é também uma linda estória de amor!

Clique aqui

6 de abril de 2013

ESCALA DO PRECONCEITO

recebi este texto pela internet, achei muito interessante e queria dividir com os leitores e seguidores do blog.

Conheça ESCALA DE ALLPORT. Ela vai te ajudar a entender o que anda acontecendo. O psicólogo norte americano Gordon Allport escreveu em 1954 um livro chamado THE NATURE OF PREJUDICE, A Natureza do Preconceito, em que apresentou sua Escala de preconceito e discriminação, um interessante instrumento para determinar o grau de intolerância das sociedades. A escala passou a ser conhecida como Escala de Allport. Leia o que vai a seguir, aplicando aos fatos que você tem visto por aqui...

A Escala de Allport vai de 1 a 5.

O Nível 1 - Antilocução
...

Antilocução significa um grupo majoritário fazendo piadas abertamente sobre um grupo minoritário. A fala se dá em termos de estereótipos negativos e imagens negativas. Isto também é chamado de incitamento ao ódio. É geralmente vista como inofensiva pela maioria. A antilocução por si mesma pode não ser danosa, mas estabelece o cenário para erupções mais sérias de preconceito. Por exemplo, piadas sobre portugueses (no Brasil), brasileiros (em Portugal), negros, gays etc.

A escala então sobe para o nível 2 - esquiva

O contato com as pessoas do grupo minoritário passa a ser ativamente evitado pelos membros do grupo majoritário. Pode não se pretender fazer mal diretamente, mas o mal é feito através do isolamento.

Chegamos então ao nível 3 - discriminação
O grupo minoritário é discriminado tendo negadas oportunidades e serviços e acrescentando preconceito à ação. Os comportamentos têm por objetivo específico prejudicar o grupo minoritário impedindo-o de atingir seus objetivos, obter educação ou empregos etc. O grupo majoritário está tentando ativamente prejudicar o minoritário.

No nível 4 chegamos ao ataque físico

O grupo majoritário vandaliza as propriedades e obras do grupo minoritário. Queimam propriedades e desempenham ataques violentos contra indivíduos e grupos. Danos físicos são perpetrados contra os membros do grupo minoritário. Por exemplo, linchamento de negros nos Estados Unidos, ataques contra os judeus na Europa, e a aplicação de piche e penas em mórmons nos EUA nos anos 1800. Mais recentemente, o ataque a cristãos nos países islâmicos.

E chegamos ao nível 5 - extermínio

O grupo majoritário busca a exterminação do grupo minoritário. Eles tentam liquidar todo um grupo de pessoas (por exemplo, a população dos índios norte-americanos, a solução final para o problema judeu, a limpeza étnica na Bósnia etc).

A Escala de Allport tem cinco níveis, que vão se sucedendo, tudo começando com piadinhas inocentes que a gente ouve aqui e ali.
Entendeu? Aplique-a a agora aos acontecimentos que você vê diariamente acontecendo no Brasil. Mas aqui estamos invertendo o processo. São minorias tentando exterminar maiorias...

Não deixe de ouvir o podcast Café Brasil A ESCALA DE ALLPORT em
http://www.podcastcafebrasil.com.br/podcasts/343-a-escala-de-allport
Ver mais

1 de setembro de 2012

PROTESTO CONTRA A GAZETA DO POVO!

Pessoal, não vamos ficar quietos! Divulguem em seus Blogs!

Através do blog FAMìLIA COLORIDA, de BH, fiquei sabendo da absurda matéria publicada sobre adoção por homossexuais no jornal Gazeta do Povo!

Leia e se indigne também:

http://nossafamiliacolorida.blogspot.com.br/2012/08/materia-preconceituosa-sobre-adocao-por.html


Aproveite e assine a petição contra a matéria! CLIQUE AQUI!

9 de setembro de 2010

Black or Gay? O que é mais fácil?

Neste fim de semana acompanhei o "namorido" a um congresso da área de medicina que ele é especialista. O encerramento, no Pier Mauá, teve um grande jantar e um show incrível. Estavamos nos divertindo vendo a grande quantidade de médicos gays, e seus companheiros, muitos sem fazer nenhum esforço para serem "discretos" com a sociedade sempre pede.
E, quando estava lá, como que num estalo, comecei a me aperceber da ausência de negros no recinto...
Não haviam medicos e médicas negros, nem mesmo esposas ou maridos de médicos que fossem negros (em um casamento inter-racial), e nem mesmo acompanhantes negros...
Na realidade eu via algumas pessoas negras, mas garçons, copeiras, faxineiras...
Eram talvez 5 ou 6 mil convidados....e nenhum negro a vista...e eu fiquei muito mal com isto! Nem acho que eles naõ estavam lá por algum tipo de preconceito ou segregacionismo nas inscrições do  congresso. Eles não estavam lá porque o sistema escravocrata ainda cobra seu preço, as populações afro-descendentes ainda são as mais prejudicadas no que se diz respeito ao acesso a ensino, a boas oportunidades de carreira e emprego.
Foi uma situação em que me pareceu mais "facil" para a pessoa que é homossexual do que a pessoa que é negra! Ali haviam dezenas de gays, reconhecidos como tais, e nenhum negro! O colégio da minha filha não é muito diferente, o prédio em que moramos, a empresa em que trabalho...A pobreza faz com que estas pessoas nem cheguem perto!
Que realdade cruel! Me senti até envergonhado! Me senti compelido a apoiar de forma mais efetiva os movimentos gays, as politicas publicas para reserva de cotas, pois eu, como minoria, deveria estar mais atento ás necessidades de doutras minorias!
Olha, eu nunca imaginei que eu ia achar mais facil ser gay do que ser negro!

1 de dezembro de 2009

A AIDS não acabou...

Hoje , primeiro de dezembro, é o dia mundial de luta contra a AIDS.
É o dia de lembrarmos que a AIDS não tem cura, que muitos estão sendo contaminados a cada dia, que a cada dia mais pessoas desenvolvem sintomas da doença.
Podemos até, de certa forma, comemorar que a evolução do combate a doença foi enorme, e que milhares de pessoas convivem com a aids, se o vaticinio da morte, mas ainda é pouco.
Precisamos falar mais da AIDS, e de outras doenças sexualmente transmissiveis, para os jovens, para nossos filhos, para todos que conhecemos. Temos que falar do preconcieto que envolve o soropositivo e temos que falar do preconceito ainda ligado aos homossexuais, quando se fala de HIV.
Eu mesmo perdi muitos amigos, perdi mestres e professores, via morte de muitas personalidades, o que serviu par amais rapidamente dar consciencia ás pessoas.
Espero e torço para uma vacina e um cura , mas sei que isto ainda vai demorar, então enquanto isto, é lutar com informação e combatendo o preconceito.

9 de junho de 2008

O preconceito duro e crú!

Muitos de vcs devem conhecer, ao menos de nome, a escritora e educadora Edith Modesto.
Pois bem esta é uma triste estória de preconcetio que ela vivenciou recentement em Brasilia, quando participava da I conferência GLBT.
Para quem não conhece ela é uma mulher que se reinventou, pois depois que soube que seu filho era homossexua, l ele usou toda sua força para entender o assunto, e mais do que isto, como um anjo ela luta incansávelmente para fazer com que a vida de mães e pais de homossexuais se transforme também. Ela é fundadora do GPH que já ajudou muitas familias a se reencontrarem quando se perderam nos preconceitos e tabús, ele evitou que dezenas de filhos e filhas fossem expulsos de casa.
E isto ainda não era o suficiente, ela ainda criou o Projeto PURPURINA, que tem dado novas perspectivas a um centena de jovens, que tem se fortalecido em auto-estima e amor próprio.
Pois bem este anjo, esta pessoa que é só coração (mas com dentes afiados naturalmente...) passou por uma das piores situações de preconceito que alguém podia passar, ser agredida apenas por parecer algo...
Vejam o relato dela:

"Considerem somente um desabafo.
No último dia da Conferência, em Brasília, três mães do GPH - Assoc. Bras. de Pais e Mães de Homossexuais, um pai e dois filhos (Danilo, gay, e Thais, lésbica), fomos almoçar no Shopping mais próximo. Estávamos muito alegres com os trabalhos da I Conferência LGBT nos quais tentamos ajudar na medida da nossa possibilidade e estávamos com camisetas do GPH, com exceção do Danilo.
Lá pras tantas, lembrei-me de que meu marido gosta de milkshake e entrei na fila do Mac Donald's. A caixa me disse que não tinha. Voltei para nossa mesa e, quando comentei, a garota estranhou e me disse que tinha visto pessoas tomando o milkshake.
Eu disse: "Ah, então a máquina já está consertada.. ." E voltei à fila.
Quando chegou a minha vez, a moça respondeu: "Eu já não disse pra senhora que não tem milkshake?".
Voltei à mesa e disse à Thais que ela devia estar enganada pq não tinha mesmo.
Nesse momento Danilo levantou-se e me disse: "Edith, ela é homofóbica! Vc quer ver?"
E ele foi até lá comigo e em poucos minutos voltamos com um milkshake. Eu fiquei completamente desorientada, me deu enjôo de estômago.
Todos se levantaram e foram pra lá, ameaçando chamar a polícia, reclamar para o PROCON...
Meu marido é cardíaco e eu fiz tudo para impedi-lo de ir, o que me deixou mais nervosa.
Fui para o banheiro com ele.
Quando voltei, eles tinham chamado a gerente, tomado nota dos nomes de todos, mas a moça caixa (não dava pra ver) estava grávida de 8 meses.
Então minha amiga disse a ela que esperava que o bebê dela nunca passasse por situações de discriminação com a que ela tinha me feito passar e deixaram pra lá.
A gerente foi muito educada, tirou a moça do caixa e disse que todos fariam novamente o treinamento pra não discriminar ninguém, etc.
Os nosso jovens ficaram muito desapontados, pq acharam que a polícia deveria ter sido chamada.
Mas somos de São Paulo e estávamos em Brasília. Além disso, meu marido, tem quase 80 anos e não pode ficar nervoso.
Achei melhor mesmo terem perdoado. Foi um escândalo e tanto na Pr. da Alimentação do Shopping. Pessoas próximas ficaram a favor, outras riam, ridicularizavam. ..
Só que eu nunca tinha passado por uma situação dessas.
As pessoas me olham torto, de vez em quando, mas só!
Me senti péssima e tenho certeza de que ela, vendo o arco-íris na camiseta, pensou que eu era lésbica.
Senti na pele o que minhas amigas sentem em situações como essa. Um horror!
Edith Modesto"


E ai , como você se sente com este relato? Já viveu algo parecido?