15 de setembro de 2013

O primeiro sutiã... #sóquenão !

Este post é continuação do Abrindo e Lendo Emails, clique  AQUI e leia para pegar o "fio da meada"! 

Como eu dizia...
Eu conheci este cara num encontro de uma ONG onde ambos éramos voluntários e me encantei com ele, por muito motivos...mas ai...como fazer para ficar "mais perto" dele?
Trocamos endereços e começamos a nos corresponder, por carta (CARTA? OI?.... lembrem, na pré história do seculo XX ainda não tinhamos email...)
A oportunidade de ficar mais próximo surgiu uns dois meses depois... a entidade organizou um grande encontro em SP, num lugar "tipo" um retiro, e como eu era da organização, eu dei um jeitinho de ficar no mesmo quarto que ele! rsrsr . Detalhe, era um quarto para quatro pessoas mas - e olha que coincidência - só íamos ficar nós dois no quarto! Dei a desculpa que deixei assim caso alguém precisasse mudar de quarto teria uma vaga no meu fácil, sem precisar ficar fazendo trocas de pessoas...
Sacana eu? Bom, na realidade ele vai ficar sabendo disto quando ler este post ( !!!), mas como somos amigos até hoje ,sei que não vai ficar bravo comigo! I hope so! Foi uma "fofura" minha para ficar perto dele! Concordam?
Ficamos nós dois no mesmo quarto, mas eu, que sou muito certinho, muito caxias, nem tentei nada. Estávamos lá por um assunto sério, a "trabalho" na realidade. Para mim foi apenas o frisson de estar com ele e criar uma maior intimidade, mais papos... e mesmo o quarto tendo um banheiro privativo tanto eu quanto ele entrávamos e saíamos do banho trocados...
Dois bobinhos!
Quando terminamos o encontro combinamos que ele viria passar o próximo fim de semana na minha casa, ele gostava (ainda gosta) muito de SP, e gostava dos passeios culturais, museus, teatros... mais uma coisa que tínhamos em comum!
Ele veio, fiz questão de ir buscar ele la na rodoviária do tietê, viemos para casa, no caminho paramos comer um sanduiche...
Quando ele chegou em casa eu mostrei o sofá-cama do quarto de tv, onde ele dormiria, e falei se ele queria tomar um banho, ele tomou, depois eu. Quando eu sai do banho preparei um chá para nós dois e perguntei se ele não queria ir no meu quarto "ver uns cds muito legais que eu tinha de jazz" (podem rir).
Ai... sabe como é....dois caras que estavam se curtindo, na beira da cama, sozinhos em casa, ouvindo musica... rolou o primeiro beijo, e vários outros e uma pegação bem inocente, bem amorosa, acabamos dormindo juntos...
E ai engatamos uma amizade muito forte, um namoro, ou eu ia para a cidade dele no fim de semana, ou ele vinha para sampa, e rolavam muitas cartas, porque ninguem tinha celular naquela epoca e telefone fixo era super caro, ás vezes iamos viajar para algum lugar, foi com ele que fiquei pela primeira vez hospedado numa pousada gay, a Raposa da Montanha em Campos do Jordão. fizemos muitas coisas legais juntos.
Eu realmente gostava dele, eu acho até que amava ele, foi realmente um momento muito especial na minha vida. Ficamos juntos por quase dois anos, mas ai eu fui viajar e fiquei um tempo fora do país e acabamos nos distanciando.
Também teve um coeficiente que eu estava no começo de minha vida profissional e eu sentia ele muito pouco ambicioso, um pouco acomodado, na época, e isto também acabou nos afastando.
Mas sempre fomos amigos, e sempre mantivemos contato, ele foi realmente um cara muito especial, e foi o primeiro para quem contei que tinha o sonho de ter filhos, de adotar - e ele foi super legal, deu o maior apoio e estímulo, apesar de não parecer comungar dos mesmo ideais, e sonhos.
Hoje ele é professor universitário, com destaque em sua área, e esta casado com um cara super legal, mais novo que ele, porque ele também tem o perfil de "cuidador" como eu tenho...Mantemos contato e sinto que torcemos pela felicidade um do outro até hoje! Tanto que quando me separei ele foi uma das primeiras pessoas para quem liguei! Para me ajudar a pensar e refletir...
Acho que, para uma pessoa como eu, mais focado na qualidade e na durabilidade, do que na quantidade e diversidade, cada pessoa que passou na minha vida tem seu lugar especial na minha memória...

A expressão "O PRIMEIRO SUTIÃ A GENTE NUNCA ESQUECE" é antológica e muita gente usa em diversas ocasiões, foi uma das primeiras campanhas da W/Brasil e projetou ainda mais o Washington Olivetto, se vc não conhece clique abaixo no link do Youtube, acho que a emoção tem muito a ver com aquele momento que eu vivia! Esta propaganda é de 1986 e a Patricia Lucchesi tinha apenas 11 anos, hoje ela tem quase 40!


E você, com foi seu "primeiro sutiã"? Sua primeira paixonite?

13 de setembro de 2013

Abrindo, e LENDO emails!

continuação do post  You´ve Gotta Mail, sugiro ler antes...

Quando eu saia da adolescência, em meados da década de 80, o assunto homossexualidade não era falado de forma tão aberta como hoje em dia, pode parecer chocante mas homossexualidade ainda era doença! A OMS só tirou da lista de doenças em 91!
Então era uma certa barra "resolver" ser gay!
Mas eu era, mesmo tendo "resolvido" não ser! =o)
Basicamente eu tinha resolvido não dar vazão aqueles sentimentos, que não entendia bem, porque era nítido e claro que eu não seria aceito, que eu teria muitos problemas, que eu ia ser discriminado. Que eu não seria feliz.
E era nítido e claro para mim que se eu fosse "viado" eu não poderia ter filhos, e mesmo com pouco mais de 20 anos, eu queria muito ter filhos, queria ter uma família.
...era o que eu precisava!
Mas mesmo assim, o desejo falou mais forte e eu decidi que de certa forma eu tinha que ver "qual era o lance" de ficar com um cara, e confesso que não era nada muito romântico, era uma coisa de tesão mesmo, aliás, eu nem acreditava que poderia haver romance entre gays, era só tesão e sexo mesmo!
Afinal de contas todos diziam: "Viados gostam de sexo grupal, de se vestir de mulher e de dar o cú"!
O primeiro cara com quem sai eu encontrei na tal da locadora da Eusébio Mattoso, perto do Eldorado, onde eu alugava filmes de arte - com um ou dois eróticos no meio para disfarçar! (kkkk).
Me pergunta se eu assistia aqueles filmes do Godard e do Buñuel ?
Encontrei, conversei,
- Você já assistiu este? É bom?
Continuei e chamei para casa,
- Quer ir lá em casa assistir?
Era um ruivinho bem interessante se me lembro bem, uns anos mais velho que eu:  mão naquilo, beijos, amassos, tira a roupa, masturbação mútua, e levei ele para casa. Me lembro que ele morava longe da minha casa! Tipo zona norte... nem trocamos telefones, nem nada, (não tinha email, face, nem celular lembram?) Foi um frisson bom demais. Mas nunca mais cruzei com ele.
Depois eu "seduzi" um rapaz que trabalhava com atendente numa loja que eu frequentava por razões profissinais, que  se dizia hetero e que teve que ser devidamente embriagado para ir adiante. E adiante não é sinônimo de "finalmentes"...
Foi ai que conheci um cara muito legal, que era voluntário numa ONG em que eu também era voluntário, ele morava no interior de sp, e nos conhecemos numa reunião de voluntários...
Eu me encantei por ele, um cara alegre, sorridente, gente boa, entusiasmado, inteligente, com nome de poeta, que lia e conhecia coisas, ele era praticamente um teen, mesmo sendo maior de idade, e eu um pouco mais velho que ele...
e ai ia começar uma nova fase... (continue clicando AQUI)

12 de setembro de 2013

MOON (Explicit)


Não conhecia este THIAGO PETHIT, a musica não me emocionou muito, mas o clip é para lá de quente!
Fotografia em preto e branco, cortes muito bem feitos... legal mesmo!

11 de setembro de 2013

ciumes que te separa dos amigos...

Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... aquela percepção que a pessoa - que você ama - tem que você não está com ela por inteiro, que você mesmo namorando, casado, está sempre á espreita, em busca, de um novo amigo,  de um beijo roubado de alguém,  de uma transa fortuita...
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... eu sou aquele cara que fica com o outro por inteiro, que se dedica, que quer construir algo, eu sou daqueles que ficam juntos por um ideal, e que está junto porque quer, não porque é obrigado!
Eu tenho um pouco de dificuldade de entender o ciúmes... mas eu sei bem o que sente alguém preso pelo ciúmes...
 


No começo você acha bonitinho, fofinho, uma graça. Ele tem ciúmes, ele quer você só para ele, ele quer ficar com você o tempo todo...
Depois você, já que está apaixonado e que ama, vai cedendo um pouco - começa a dar explicações sobre o tempo que demorou para chegar, sobre com quem estava no telefone que estava ocupado, sobre quem é aquela pessoa com quem estava conversando no evento da empresa que VOCÊ trabalha, mas que convidou ele para ir junto!
 
Ai você começa a avisar todos os lugares que vai, e com quem vai, você entende o ciúmes dele e não acha nada demais você falar estas coisas para deixar ele mais tranquilo, afinal de contas você não tem nada a esconder tem?
E você nem percebe que ele sempre te liga quando você não está com ele, e que ele, meio que sem querer, quer confirmar as informações do lugar que você está, ás vezes até falar com seu amigo "para dar um oi".
E você nem percebe, na realidade percebe, mas nem liga muito, para o extenso questionário quando você chega, e nem percebe que ele está "checando" as informações, para ver se você não cai em contradição.
E você até acha bonitinho ele te ligar e te inquerir tantas vezes por dia, de saudade, afinal de contas você não sente aquele ciúmes, você não percebe que está sendo vítima de algo. Você é adulto, sabe se virar não sabe?
E além do que...você não quer arranjar encrenca, não quer brigar por algo que você não vê motivo.
 
Ai você começa a se afastar dos seus amigos, começa a não fazer nada sozinho - o cinema que você gosta, ou a exposição que ele não quer levantar cedo - para não ter que dar muito explicação, e, afinal de contas, vc gosta de ficar com ele não gosta?
 
Ai você se afasta dos amigos, porque ele não gosta muito de seus amigos que são muito cabeça e ele gosta de gente mais divertida, e você não quer ir sozinho e ter que ficar se explicando, e se afasta das baladinhas porque ele acha  que tem cara que dá em cima de você (me poupe! rsrsrsr) , mesmo você querendo ir só se divertir e espairecer...
 
E quando você se chateia e fala algo, o argumento "se você não está fazendo nada errado porque não pode me contar?" acaba te vencendo...

E quando o casamento acaba você está longe de seus amigos e nem sabe fazer nada sozinho... Mas isto é culpa minha tá certo? Eu mesmo que deixei isto acontecer, eu que concordei que não tinha "nada a dever" e então não tinha motivo para não me explicar....
 
Mal sabia eu que aquele ciúmes todo não era amor, era apenas a projeção de coisas que ele fazia e também me achava capaz de fazer!
Mas esta lição eu aprendi, e tomei consciência. Isto não vai mais acontecer! Vc pode sentir ciúmes de mim, mas tem que confiar em mim! Se quiser ficar comigo!


Já passou por isto? Já teve um ciumento na sua vida?


9 de setembro de 2013

crie bacon...


"não crie expectativas, crie porcos, ao menos você terá certeza de ter bacon no final" *
 
A frase, por mais engraçada que seja, remete a uma dura realidade! Eu realmente costumo criar muitas expectativas em relação ás pessoas! Eu sempre acho que as pessoas vão ser isto, vão fazer aquilo, vão se comportar desta ou daquela maneira.
O bom é que eu sou um otimista incorrigível, e ao contrário de muitos que sempre vêem o pior das pessoas, eu sempre crio expectativas do MELHOR das pessoas, sempre acredito no potencial de trabalho e de amor das pessoas, e mesmo quando eu me decepciono, eu sempre acho que "a pessoa fez o melhor dela, fez o que podia, e sabia, fazer".
Se para quem trabalha administrando e treinando pessoas isto é bom, porque você está sempre em busca do potencial da pessoa para atingir suas metas e modificar procedimentos, quando se está em busca de um relacionamento isto pode ser uma "merda".
Eu tenho um amigo que exagera neste aspecto, no dia seguinte de um encontro já esta fazendo planos, já pensa no nome de casado que vai usar, já prepara jantar romântico para o "bofe". E é claro que isto assusta um pouco os caras! Fazer a Glenn Close ( em atração fatal)
Para mim é difícil sair para conversar alguém e não esperar o melhor, para mim não é difícil tentar! enxergar aspectos positivos na pessoa mesmo estando claríssimo que não vai rolar!

PAUSA! Perai!  Rebobina a fita!

Não ERA difícil ver só o lado positivo !
Neste último ano eu consegui entender melhor meus sentimentos, ver o que é carência, o que é projeção, o que é idealização! Eu continuo procurando ver o melhor das pessoas, mas consigo perceber quando este" melhor" vai demorar muito a aflorar, ou que aquele "melhor" não é o que eu quero!
Eu crio expectativas sim! Faço planos sim! Gostaria de encontrar o cara "ideal" para mim sim! Mas eu estou aprendendo a não depositar minha felicidade na atitude e comportamento do outro, aprendendo a perceber o quão "porquinho" é a pessoa, para garantir o meu bacon! Criando menos expectativas!
E definitivamente não estou mais disposto a fazer "de um tudo" para que o relacionamento funcione, apenas porque tenho este ideal de ser uma coisa legal
Porque não tenho garantia de nada, e sabendo disto a vida é tão mais tranquila.
 
É claro que posso, e devo, ter meus planos e meus sonhos, mas tenho que separar o que dá para lutar e o  que me faz bem, daquilo que não depende só de mim! E acho que dei sorte, porque meu namorado atual tb pensa nisto.
E você cria PORCOS? Ou expectativas?
 
 
* Ouvi esta "pérola" da auto-ajuda de minha filha! Eu mereço?
 
 

7 de setembro de 2013

A defesa do casamento gay por quem antes não concordava.

Encontrei o link deste vídeo no blog  MUQUE DE PEÃO, e como não consegui compartilhar direto do blog dele eu estou copiando o post inteiro dele! Ou seja, os direitos autorais são dele! rsrsrsr

"A boa notícia desta semana vem da Austrália, onde o candidato à re-eleição como primeiro ministro Kevin Rudd fez uma defesa muito digna, embasada e segura do casamento igualitário durante um debate em rede de televisão. Um dos participantes, que se identificou como pastor e representante de uma rádio cristã e que apresentou os surrados argumentos religiosos sobre a homossexualidade não ser natural e ser condenada pela bíblia, foi contra-argumentado por Kevin Rudd de forma tão segura, direta e apropriada que fez o pastor praticamente perder o rumo. Kevin Rudd foi bastante aplaudido.
É inspirador quando um político importante e heterossexual defende o casamento igualitário com tanta convicção. É um sonho ainda distante para nós brasileiros, que temos na maioria de nossos políticos o interesse único pelo voto e pela manutenção do mandato. Muitos de nossos políticos importantes até têm visões liberais da sociedade, mas vivem pisando em ovos com muito medo de melindrar evangélicos ou a igreja, e com isso mantêm em público opiniões que seriam mais apropriadas na Idade Média."

vejam o link! bem adequado ao "dia da independência" que comemoramos hoje!

http://www.youtube.com/watch?v=TzV1r5SCc8U#t=88

6 de setembro de 2013

You´ve Got Mail!

O processo pelo qual cada um passa até chegar ao ponto de dizer , ao menos para si mesmo: "-eu sou homossexual" é bastante diferente de pessoa para pessoa.
Cada um vai se percebendo - e se negando - de uma forma diferente, e acho até que isto é diferente de geração para geração.
Meu namorado fala que tem gente que "recebe o email e demora para abrir". Quando ele vê alguém que percebemos que ainda está no armário, ele diz -" este deve estar com a caixa postal cheia de e-mails para abrir!"
Mas o mais interessante é que, depois de um tempo, você consegue ter uma "visão histórica" do que aconteceu com você.
Eu sempre fui gay! Posso afirmar isto hoje,  mas durante muitos anos eu me sentia apenas estranho. Eu ia nos bailinhos, dançava com as meninas, tomava fora, insistia, dançava com a vassoura... nos longínquos anos 70 da minha infância não existia a figura de FICAR, dar uns beijos e depois sumir... o que eu acho bem interessante hoje em dia, mesmo achando que banaliza um pouco o beijo.
Mas eu já era "fresco" (que era um outro sinônimo de "viado" na época). Quando brincava com meu irmão e minha irmã, de casinha, eu era o MORDOMO da casa...quer coisa mais gay que isto? E era muito esmerado na decoração da casinha! RSRSRSRS!
Tive minha namorada de praia, tive algumas paixonites de longe... e naturalmente fui apaixonado pela professora da 1a. série, a  D. Aparecida (naquele século ninguém chamava professora de TIA), uma loirona platinada com um sorriso lindo!
Quando fui ficando adolescente eu perdi o entusiasmo para sair caçando, sair com amigos para "pegar mina" nunca fiz, eu saia de turma, turma grande, para ficar camuflado na turma, sempre conversando mais com amigas que amigos.
Eu sempre gostei da figura masculina. Na casa do meu tio sempre tinha revistas Playboy e ELE ELA no banheiro, e eu me lembro de me interessar muito mais pelas propagandas de cuecas do que pelos posters... Naquela época não tinha email...então eu não ia receber um!
Eu não sou efeminado, embora ache que dou pinta eventualmente, mas na época eu era apenas um garoto muito arrumado - que ia na balada até de gravata de crochê (um must na época), um garoto muito educado, que gostava de conversar com gente mais velha, que curtia musica clássica. Muitos anos eu descobri que eu era um "dândi" (!!!!)
Na faculdade eu era assexuado, ou ainda era muito inocente, ou estava negando com todas as minhas forças, mas eu passei batido em termos de pegadas, de namoros - mesmo tendo sido eleito pelas colegas o "mister bundinha" em dois anos seguidos!
Mas ao mesmo tempo, desde os 17, eu trabalhava, tinha meu dinheirinho, e comprei minha primeira revista gay e depois várias, Jornal Lampião, Sui Generis, Alone, alguns estrangeiras como Mandate, Honcho, cuidadosamente escondidas em casa, dentro de um envelope, dentro de um outro envelope, dentro de uma pasta, dentro duma gaveta com coisas da faculdade, (eu fico lembrando e rindo sozinho aqui)
E comecei a alugar filmes eróticos, primeiro filmes bissex para "disfarçar" na locadora. Mas era um "trampo" para assistir, só um vídeo cassete na casa...rsrsrss...o medo de ser pego era um frisson a mais!
Lembrem que estou falando de uma época pré-internet, nada se falava de homossexualidade na televisão, ou melhor, começaram a falar, mas para falar do "câncer gay", a SIDA, a AIDS. Os guetos, as saunas, os hábitos promíscuos dos gays foram parar na imprensa, para justificar porque aqueles seres "abjetos" de hábitos promíscuos estavam sendo contaminados...
Não tinha chat, grupos, gay era o cabelereiro da sua mãe, ou o Clóvis Bornay no carnaval... Nossa e eu adorava ver as fantasias de carnaval, os desfiles daquelas figuras meio andróginas, cheio de brilho e ousadia. Sim eu com certeza já era gay!
   
dica: MENSAGEM PARA VOCÊ (You´ve Got Mail) é um filme delicioso! Já assistiu? You´ve Got Mail!

3 de setembro de 2013

a morte de um professor...


Uma parada nas recordações e atualizações...
 
Semana passada minha filha foi surpreendida com a noticia da morte de um professor, ele teve um ataque do coração fulminante durante a noite. Ela tinha tido aula com ele durante o  mesmo dia
Um pouco antes de ir para a escola no dia seguinte ela soube da noticia.
Ao que parece era um professor bastante querido, que ressoava bastante no coração dos adolescentes, se declarava comunista, ateu, não tinha televisão em casa, usava uma boina estilo Che Guevara, e ainda era professor de história, que pontuava bastante as mazelas da sociedade e do capitalismo...Só que ele era muito obeso, fumava desbragadamente, não era casado nem tinha filhos, e aos 52 anos morreu.
O ídolo perfeito para adolescentes, e mais perfeito ainda porque não será questionado mais... me lembrei muito do Tancredo Neves, que foi sem nunca ter sido!
  
Ela, e todas as amigas e amigos ficaram verdadeiramente abalados, pela surpresa, por se depararem de certa forma com a finitude e o imponderável da vida, ela chorou bastante, e dizia que nunca tinha tido oportunidade, e coragem, de dizer para ele o quanto ele tinha sido importante para ela, e  quanto gostava dele.
Como pai eu fiquei ao lado, tentando acalma-la, tentando passar um pouco de empatia, deixei que ela fosse ao enterro, e parece que um grande numero de professores e alunos foram.
É sempre difícil para um pai e uma mãe falar destes "grandes temas" (morte, sexo, perdão, ética) mas se a gente souber aproveitar o que acontece no dia a dia fica mais fácil. Dá uma chance de conversarmos...
 
Quando eu estava na faculdade, no final da década de 80, tive vários professores meus que morreram, vítimas da AIDS, que aquela época ainda não podia ser combatida pelos coquetéis atuais, e eu me lembro de ter ficado consternado também, em especial pelo FLAVIO IMPÉRIO, que tinha a idade que tenho hoje,  quando morreu. Aliás, foi uma década pesada neste sentido, com muita gente adoecendo rápido demais e morrendo mais rápido ainda.
 
No final ainda teve um momento bonitinho dela, que, quando fui buscar ela após o enterro,  preocupada me perguntou - Pai vc tb está gordinho, quando vai fazer seus exames do cardiologista? (que coincidentemente já estavam  marcados para a segunda semana de setembro)

E vc? como enfrenta a morte? como fala dela?
 
 

1 de setembro de 2013

22 + 27 = 49

(segunda parte de 49 - 22 = 27)

Eu prometi pensar no que ele tinha me dito: uma amizade colorida, sem compromisso, sem maiores perspectivas...
Então eu conversei com meu terapeuta, e com dois amigos que tem amigos em situações parecidas. Todos tiveram os mesmos argumentos, para eu não ser tão rigoroso e "certinho" comigo mesmo, que eu não estaria fazendo nada errado pois eu não estava me aproveitando do cara, que ele estudava, trabalhava, que tinha condições de tomar decisões, que ele (e eu) poderia sair da estória quando quisesse...

Mas foram unânimes em me alertar, que eu devia ficar atento para não me encantar demais, que podia ser um tipo de aproveitador, uma pessoa interesseira, que poderia de alguma forma usar de seus encantos de forma não legal (mas eles foram bem delicados em falar isto)
Até minha filha, quando eu disse que estava saindo com um rapaz mais novo que eu (sem dizer quanto), falou o mesmo: Pai, cuidado que pode ser um cara interesseiro ... você se envolve muito fácil.(!!!) 

Interessante as pessoas pensarem assim, eu acho que sou realmente um pouco inocente por não dar tanta importância a isto. Não é que eu estava iludido e não tinha sequer pensado nisto, mas talvez por eu ter um bom julgamento das pessoas e já ter conhecido o rapaz eu realmente acreditava que ele não tinha isto em mente. O que se confirmou, porque em momento nenhum ele se mostrou interesseiro, aliás, se mostrava verdadeiramente constrangido quando eu pagava algo, e nunca, nenhuma vez, me pediu algo. 

Então eu resolvi ver onde aquilo ia dar, a tal da "amizade colorida", saímos algumas vezes, e eu propus a mim mesmo mostrar para ele algumas coisas, que em função de grana ou até mesmo de não ter esta vivência por não ser paulistano, ele nunca tinha visto. Bons restaurantes, algumas peças de teatro, um concerto, um musical, algumas exposições, alguns cafés, uma ou duas baladas... E ele parecia sorver tudo com real interesse, interesse de aprender, de conhecer, de ler mais, de se instruir e sofisticar. Para mim tb era legal sair com alguém que se interessava pelas coisas, aquela coisa do pupilo (meio doido não é)
E acabamos transando algumas vezes, o que ele parecia curtir também, e também eu curti, depois que eu venci a minha encanação de ser apenas o segundo cara com quem ele tinha transado, e também da forte impressão de estar com um cara que podia ser meu filho! 
Eu se todo mundo me dizia que podia ser divertido...que seria legal para ambos...quem era eu para discordar.

Mas, em algum ponto eu percebi, logo no começo, que eu não conseguiria engatar um relacionamento com ele. Ser retroalimentado pela sua jovialidade era legal, mas não era suficiente, eu precisava de alguém mais "pronto", com mais certezas, que tivesse mais experiências e mais condições de fazer suas escolhas. que foi mais ou menos o que pensei quando adotei uma criança um pouco mais velha. Mas deixei rolando, a tal da amizade colorida.
Até que, num momento de chamego, pouco antes de completarmos um mês que estávamos nos vendo, ele disse que me amava (sic), que eu era um cara incrível e que ele queria ter algo mais sério comigo! Que me amava! 
Na hora pensei: Que bosta! Cara, vc não tinha dito que não ia se envolver? mas é claro que não falei isto... Imaginem minha situação
Parei o que estávamos fazendo e eu, com a maior delicadeza possível, expliquei que eu realmente não podia dizer a mesma coisa, que ele era uma pessoa muito legal ( e é mesmo), mas que eu não podia assumir um relacionamento naquele momento, que eu tinha duvidado no lance da amizade colorida mas tinha aceitado porque ele disse que dava para fazer aquilo... e conversei, conversei....
Eu até pensei, mas não disse, que ele provavelmente estava confundindo o fato de achar legal ficar comigo e as coisas que fazíamos juntos com amor, mas eu não deixei me envolver, então não tinha como!

E eu, então , decidi dar um fim nesta estória. Levei ele em casa, nos despedimos, conversamos algumas vezes mais no telefone, eu me esquivei por vários dias de novos contatos pessoais, trocamos mensagens. Alguns dias depois eu chamei ele para conversar e expliquei que iriamos parar de nos ver por um tempo, que eu já estava fazendo ele sofrer e que eu não ia prorrogar aquilo, ele insistiu um pouco, argumentou que ele foi precipitado, que poderíamos retomar a "amizade colorida"...
Mas eu fui bem firme na minha decisão, ele chorou, eu me desculpei muitas vezes, e prometi ser seu amigo, confidente e conselheiro se precisasse, alguém para trocar ideias e dar palpites na vida profissional, levei ele em casa novamente.
Desde então não nos vimos mais, e fazem alguns meses que nem nos falamos mais, o que para mim sinaliza que ele superou o assunto e passou adiante...

Me senti um calhorda, por fazer aquele garoto sofrer, me senti um covarde, por não tentar levar adiante aquilo, me senti um cafajeste, por ter encantado e depois abandonado o cara. Podre

E você, já se sentiu assim? Me conta!