4 de novembro de 2007

a vida sem filhos...

Minha "cria" foi viajar com amigos..., é...está crescendo e já anda em "turminha"!
Acabei num "fim de semana sem filhos", sem hora para chegar, sem hora para comer, sem hora para acordar, sem ter que se preocupar se o lugar em que vai tem banheiro ou é "adequado" para crianças. Eu e o namorido passamos o fim de semana na rua. Aliás, um fim de semana quase 100% gay, com direito a show da Maya na Flex e tudo!
Ai fiquei pensando numa coisa que muita gente me pergunta, quando sabe que sou gay e tenho criança:
- Não perdeu muito a liberdade? Filho não prende muito?
- Não se arrepende? Sua vida não seria diferente? Melhor?
Digo de coração aberto, que não me arrependi nunca, em nenhum momento passou pela minha cabeça em todos estes anos nenhuma sensação de arrependimento, de dúvida, de querer voltar atrás.
A experiência de ter filhos é única, ganhei tanto, me tornei uma pessoa tão melhor do que eu era, que eu jamais vou ter como retribuir isto. Cada dia aprendo mais sobre as pessoas, cada dia tento ser uma pessoa melhor, enisnar o que é certo ou errado para alguém que acredita em tudo o que você fala, que te admira e usa você como referência para tudo, não é fácil, mas nos faz seres muito melhores.
Mas, já que é para falar a verdade, preciso dizer que não é uma coisa fácil, especialmente se você levar a sério seu papel de pai (ou mãe) ao invés de apenas colocar filho no mundo, o que não faz absolutamente ninguém um verdadeiro pai ou mãe na minha opinião.
A "super mãe" Edith Modesto, mãe de 6 e fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais, diz uma frase que eu sempre repito e me diverte muito: "Filho é bom...mas dura muito!"
Filho prende, filho balança o orçamento, filho tira a liberdade, ter filhos nos faz ter esperança e medo do futuro, ter filhos cansa. tudo isto é verdade, mas também é verdade que se estes argumentos são mais fortes do que seu desejo de ter filhos você não está preparado(a).
Sei que quado perguntam isto para mim, querem saber o que um filho muda na vida de um homossexual, povoado no imaginário das pessoas, de festas, futilidades e irresponsabilidades, especialmente sexuais, que não condizem com a vida do pai de familia.
Primeiro que isto tudo é um mito, os gays e lésbicas que vivem deste modo são muitos, mas não reprensentam em absoluto a totalidade dos homossexuais, além do que, heteros também vão a festas, bebem ate cair, fazem as "suas putarias" mas isto não os desabilita á paternidade e á maternidade.
O que mudou na minha vida foi para melhor, eu planejei ser pai, não foi um "acidente" ou uma "pressão da familia" e da sociedade, eu sabia do que ia abrir mão (que nem foi tanto assim) e do que ia ganhar (e ganhei muito mais do que imaginava).
Não imagino mais a minha vida sem ter uma criança como parte dela, não quero uma vida sem filhos! Fico com saudade e quero que volte logo, mas mesmo assim não tenho o maniqueismo de querer criar para mim, para estar perto o tempo todo e muito menos para cuidar de mim quando ficar velhinho, crio para o mundo, para ser uma pessoa que saiba lidar com as frustrações, com a liberdade, com a verdade, com a ética.
Não é fácil, mas eu "recomendo"!

5 comentários:

  1. nos estamos pensar em adotar uma criança em 1 ou 2 anos no maximo...
    e bom leer sua experiencia.
    Eu acho que vai ser um desafio, mais estou pronto para isso...

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  2. Nunca pensei em ter filhos! Até porque minha vida só se acalmou mesmo de uns poucos anos pra cá!

    Admiro que tenha os tido, ou adotado! Acho uma missão e tanto!

    Pelo seu texto, mesmo não sendo pai, dá pra entender como se sente!

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  3. Bom... eu concordo com você. Sou pai, crio meu filho sozinho desde os 7 anos. Hoje ele vai para os onze. Não é fácil. Suas viagens ficam para ele. Seu tempo também. Lá vamos nós esse ano para Orlando, NY e por aí vaí.

    Pai é ser inusitado...

    Parabéns!!

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  4. ah, final de semana sem filho é tudo de bom. o meu já tem 16, então final de semana é sempre aquilo, né? só dá os amigos. é assim, eles crescem criam asas. clichezão mais verdadeiro impossível. bjs!

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  5. gibafoi@bol.com.br1:29 AM

    Sou pai biológico de uma menina de 12 anos e de um menino de 16 anos. Após a explicitação de minha sexualidade gay e o fim de meu casamento, as crianças escolheram viver comigo. Batalha judicial, demência, loucura, acusaão formal de abuso sexual contra meu filho e eis-me aqui, morando há muitos anos com meus filhos, detentor da guarda de ambos. Ferido, me sinto forte, grande, feliz demais. É muito oportuno e importante esse espaço de encontro de gays pais, com diferentes experiências. Parabéns pela iniciativa.

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