7 de março de 2017

fiquei com 147!*

Com quantos caras você já ficou? Você já contabilizou isso?

* E.T. eu não fiquei com 147... esta frase é do meu afilhado, que quando viajou com a turma do colégio na formatura para Porto Seguro, conta que ficou com 147 meninas ( e algumas não meninas) durante a semana!





24 de fevereiro de 2017

Ser quem você precisa ser...

Minha pergunta:

Você é, para seus amigos, o amigo que eles precisam?
Você é, para seu namorado, seu marido, o cara que ele precisa que você seja?
Você é, para seu filho, sua filha, o pai que ele precisa?
Você é o pai, o irmão, o sobrinho que as pessoas precisam?

Eu sei que quando pergunto isso sua reação pode ser: "Que absurdo eu sou sempre a mesma pessoa, eu sou como eu sou, eu não tenho que ser como as pessoas querem!".
Tá, em princípio eu concordo com isso. Eu não vou ficar me modificando, fingindo ser outra pessoa, só para estar com alguém, mas eu não estou falando disso, eu estou falando de pessoas que você gosta, que você ama, que você quer, de algum forma, ajudar ou ver bem.

Você não tem aquele amigo que você precisa ligar de vez em quando, ou mandar uma mensagem, um oi, para ele não ficar triste, achando que você não lembra dele, que não gosta dele?  Mas também tem aquele dia que você tem que ligar para dar "um puxão de orelhas nele", trazer ele de volta para o planeta Terra não tem?
E para quem você se relaciona, quem você namora, está casado, não tem vezes que você tem que mostrar entusiasmo por uma coisa dele, que ele gosta muito, para deixar ele feliz? E não tem outras vezes que você tem brigar com ele, impor uns limites?
E para os filhos? Tem o dia que você tem que ser super compreensivo e acolhedor, para amortecer as dores do crescimento, mas também tem o dia de dar uma segurada, ser mais rigido e exigente para poder lhes dar o chão que ás vezes perdem não é?
E o mesmo vale para seus pais, seus irmãos, e tantos outros que gostam de você, de quem você gosta, cuja presença "acrescenta valor" uns ás vidas dos outros! Você, além de ser você mesmo, precisa ser um pouco do que as pessoas precisam que você seja não é mesmo?

É claro que algumas vezes "ser o que o outro precisa" não vai deixar o outro feliz, porque ás vezes você precisa fazer uma critica, reclamar da atitude, impor limites, e o outro não vai gostar disso, mas "ser o que o outro precisa" não é um concurso de popularidade. Se o outro percebe que estes momentos de critica também são de apoio, são criticas porque você gosta dele, ai sim está tudo certo, você está realmente sendo quem o outro precisa, no momento certo, do jeito certo.

Acho que isso faz parte do processo de aprender a amar as pessoas, conseguir sair de "você" e ser um pouco "do outro", da maneira que o outro queira te "usar", no  bom sentido, porque você está "se deixando usar". 
Penso que a gente não consegue ser o que outro precisa se um dos dois é muito egoísta, porque não será uma relação de troca, pois o egoísta vai pensar, de alguma forma, que você tem "obrigação" de fazer aquilo e que ele não tem que lhe dar nenhuma retribuição. Veja, eu não estou dizendo que a gente faz porque espera retribuição, mas a gente sabe que em algum momento aquela pessoa vai ter poder nos ajudar... será quem nós precisaremos que ela seja.

"Ser o que o outro precisa" é uma das bases de um bom relacionamento, de qualquer tipo. Mas eu diria que você só consegue ser do jeito que o outro precisa se você estiver bem com você mesmo, com quem você é. Se você não se sente bem sendo "o que o outro precisa", se isso te agride, se você não sente que isso melhora a relação de vocês, ou , pior ainda, se você faz pelo outro apenas para manter o outro preso - ou dependente - de você, então, "ser como o outro precisa" não está adiantando nada, não é bom para nenhum dos dois.

Você concorda? Você sabe ser quem o outro precisa? Ou acha que isso não é importante?






13 de fevereiro de 2017

Muitos! E em todos os lugares! (é textão mas até é divertido)

Semana passada eu vivi um momento que considero sintomático... um sintoma ruim aliás,  em relação aos tempos que estamos vivendo...

Este mês completo 30 anos que me formei como arquiteto e, graças á tecnologia, algumas pessoas nunca perderam contato durante todo esse tempo (eu tenho umas 4 ou 5 amigas nessa condição), e estão organizando um encontro de 30 anos. Para isso começaram a encontrar e chamar outras pessoas. Formou-se um grupo bem grande no WhatsApp, com as pessoas trocando imagens do passado, mostrando filhos e até netos, uma grande fofocaida do bem!
Muitas risadas ao percebermos que todos estavam usando óculos, e espanto em ver que muitas pessoas pouco mudaram, e que alguns de nós estão francamente mais bonitos hoje em dia... cada vez que você abria o grupo tinha 100, 200 mensagens novas (o que pode ser um saco para muitos) eu estava me divertindo ao ver o entusiasmo das pessoas... 

Tudo corria muito bem, com alguns reclamando do excesso de mensagens, até que um dos membros do grupo postou uma imagem super desagradável.. a meu ver: (ao lado)
Eu fiquei esperando a reação das mulheres do grupo, até para entender o "contexto" possível daquela imagem... contei até 10, 20... passados mais de 15 minutos eu vi que ninguém falou nada... mas como sou meio lesado eu queria entender porque raios aquilo apareceu  e ninguem falou nada... então eu postei no grupo:

- Fulano (me dirigindo ao que postou) porque você postou essa imagem? Não entendi o contexto dessa imagem nesse papo de pessoas que estão se encontrando depois de 30 anos...
- De que imagem está falando ? (me pergunta o mesmo fulano)
- Seria bom a gente não perder o foco do grupo (argumentou a amiga que abriu o grupo)
- Estou falando dessa imagem com a mulher "dando pro marido e pro amante"! (disse eu... como se eu acreditasse que ele não sabia do que eu estava falando)
- Que imagem? (insistiu ele, claramente ele queria me intimidar a mudar de assunto... e eu fazendo a Polyanna)
- Fulano, como amigo de muitas mulheres e pai de uma mulher eu queria entender o contexto dessa imagem (dessa vez eu me dei ao trabalho de anexar a referida imagem novamente)
- Ah isso! Hahaha, acho que eu estou precisando de óculos como todos do grupo, acho que postei errado... "mas todos aqui são maiores de idade e não acredito que se acham surpresos com uma imagem sensual" (me respondeu o Fulano)
Contei até 10... 14...16... pensando seriamente em não responder... mas não deu...
- Desculpe Fulano, esta imagem não é sensual... é misógina e sexista...
Ai já apareceu um monte de gente aplaudindo...  ele dizendo, ok, desculpe foi sem querer...mas eu continuei pois já que tinha merda no ventilador...

Disse isso e me retirei do grupo...
 ( no final agora vejo ficou meio confuso... eu queria dizer que eu não concordo com minha avó que dizia - os incomodados que se retirem - eu acho que os incomodados tem o direito de se sentirem incomodados desde que respeitem os outros)
Acabei recebendo várias mensagens em privado, especialmente das amigas, agradecendo meu posicionamento, e ate um colega, que eu não falo há mais de 20 anos, me ligou para dar parabéns e me convidar para um almoço ou happy hour agora na próxima terça.
Por mim o assunto estava encerrado... eu realmente fiquei chateado com a história toda e senti que não dava para ficar lá fingindo que nada aconteceu, e fiquei triste por ver um colega de faculdade, de um curso tão cabeça aberta, ter este tipo de atitude...Mas para o Fulano não estava terminado... e o que se seguiu foi mais ou menos assim:

Uns 20 minutos depois que eu sai do grupo toca o meu celular, um número que não conheço, era o Fulano, e olha a primeira frase do cara:
- Poxa, não entendi seu comentário, se fosse uma mulher criticando o que eu disse até entendia, mas um homem fazendo isso é ridículo...
- Cuma? (nem soube o que responder)
- Eu não gostei que vc me chamou de misógino, eu nem sabia o que era essa palavra, tive que procurar no google para ver o que era, eu me ofendi, eu não sou um cara que odeia mulheres, eu tenho esposa, tenho neta eu me ofendi.
- Quero que você entre lá no grupo e me peça desculpas por ter me ofendido...
- Cuma? (nem lembro se falei algo)
- Eu quero que você entre lá no grupo e me peça desculpas na frente de todos, ficou muito mal para mim...eu me senti ofendido e quero que você resolva isso!
Ai ele parou de falar e eu pude argumentar algo como:
- Fulano, eu não disse nada sobre você, eu disse que a imagem que vc postou era misógina e sexista, um cara que respeita as mulheres jamais sequer teria postado uma imagem daquela, em qq grupo, aliás, nem deveria ter aquilo salvo no telefone, eu não vou voltar para o grupo e não acho que preciso me desculpar com você!
- Se você não fizer isso eu vou ter que tomar providências, se a gente tivesse pessoalmente a história seria diferente (sentiram o cheirinho de ameaça?). Vai ser por sua causa que eu vou ter o quinto infarto! Você foi muito covarde de falar aquilo e sair!
Eu estava com vontade de terminar aquele papo mas tava difícil escutar tanta abobrinha:
- Fulano eu sinto muito que você tenha tido quatro infartos, com certeza não fui eu quem os causou, mas pelo que estamos conversando posso lhe garantir que a sua questão é muito mais psicológica do que cardiológica, seu estado emocional alterado por uma palavra que você nem sabia que existia mostra isso. Se você acha que eu fui covarde, que eu estou errado e que eu tenho que aguentar consequências por favor fique á vontade, tudo que eu disse foi por escrito e você pode usar contra mim.
- Você me ofendeu usando palavras que eu nem conhecia, eu não odeio as mulheres, a imagem era só sensual!
- Se você não conhecia o termo misoginia é porque você não está minimamente envolvido com a defesa das minorias e não entende como o preconceito contra as mulheres tem feito vitimas ao longo dos anos!  respondi eu.
- Você está sendo irônico e sarcástico, você sempre foi muito esquisito na faculdade, (!!!!) eu sempre observei isso - emendou o Fulano...
- Fulano, eu realmente era estranho e esquisito na faculdade ... porque eu era viado, bicha, invertido, boiola, pederasta... e talvez isso fosse estranho para você! (mal sabe ele que sou mais viado e bicha hoje em dia)
- Então você vai entrar lá e se retratar? 
E eu: - Sem chance, se eu entrar lá eu vou acabar usando mais palavras que você não conhece e vai ficar pior,  e tem mais, a sua ligação está me incomodando e eu quero desligar! tá... ai meu nível de ironia e sarcasmo atingiu o ápice!
- Então você admite que me ofendeu e que eu estou certo em pedir retratação.
- Fulano, pense o que você quiser, vou desligar, boa tarde!

Eu mereço? O pior para mim foi ele falando, mais de uma vez  que "se eu fosse homem ele até entendia minha reclamação".. cara, que machismo indecente, nojento! Os preconceituosos estão em todos os lugares e destilam seu veneno de todas as formas...
Olhando de fora eu fiquei pensando que não deveria ter saído do grupo, mas como eu detesto briga, achei melhor sair... e depois no telefone, resolvi encurtar algo que não iria a lugar nenhum... e só ia mesmo causar um infarto no cara... mas fica difícil ficar quieto ás vezes!

E você, nas duas situações como teria agido? Já passou por algo parecido?





8 de fevereiro de 2017

Sentimento zero...

Em alguns dos meus posts eu já tive a oportunidade de falar sobre a "não-relação" que tenho com meu pai... uma coisa que me causou muito sofrimento emocional e que eu só consegui administrar - mais ou menos - há alguns anos atrás, quando algumas coisas ficaram mais claras.

Esta semana ele está internado, com uma infecção (erisipela)  que começou na quarta e foi piorando, e ai me bateu o dilema, visitar ele no hospital ou não? 

Vontade zero... 
Não só por todo o histórico da "não relação", que culminou com ele simplesmente ignorando meu casamento (nem foi e nem presente), mas com todos os recentes agravantes, como o fato de que, no inicio do mês, quando minha filha teve uma crise renal e ficou internada 5 dias ele não teve a dignidade de sequer ligar perguntando como ela estava, se precisava de algo (sabe, como a gente faria se o cachorrinho da amiga estivesse doente) e nem comemorar - nem que fosse no grupo de whatsapp da família - o fato dela ter saído do hospital...

Mas por trás da vontade zero eu tenho sempre o meu lado "conciliador" e "pacifico", que já foi visitar muita gente doente as quais eu não tinha nenhuma relação formal e fico com um pensamento do tipo... "Não custa nada visitar"...  

Hoje em dia as atitudes dele me agridem bem menos, ou pelo menos eu prefiro sentir assim. Mas me parece tão injusto, emocionalmente falando, eu ir visitar ele, dando a entender que eu não ligo para o que ele faz, ou, o que é pior, que eu ligo mas mesmo assim eu perdôo... Me parece ser uma violência que eu posso evitar e mesmo assim "escolho" sofrer. Mais ou menos como querer visitar Chernobyl porque "simpatiza" com os Russos...

Ai também aparece minha mãe buzinando no meu ouvido... que se eu não for visitar e "acontecer algo" eu vou "me sentir culpado" ... e que eu  "não devia guardar rancor por todas as coisas que ele fez" porque eu "sou muito mais humano e melhor que isso"... o que me chateia profundamente...  pois me bate uma coisa do tipo "será que ela não percebe tudo que acontece?", " será que ela não percebe que ele é uma pessoa do mal?"
Eu até entendo a história dela, apesar de estarem separados há muitos anos ela deve guardar algo bom ainda, afinal ele foi o primeiro homem dela (e único ate onde eu sei), é pai dos filhos que ela tanto ama. Mas ela conseguir relevar todos os maus tratos psicológicos que sofreu, as vezes que apanhou dele, as humilhações, as traições... é bem difícil para entender... Eu sei que muito - tudo - que ela aguenta é para nos proteger, nos manter unidos de certa forma...

Eu estou me decidido a não ir, especialmente porque é uma doença SUPER CONTAGIOSA e não tem porque me arriscar...  
mas tem todo um lado meu que fica buzinando que devo ir, que sou melhor que isso, que estou cagando e andando... porque eu sei que eu ir visitar ele não vai mudar nada... e eu sei que sempre vou ficar com aquele esperança idiota que algo mude...

E no meu lugar o que você faria? Colocaria a "veste da boa vontade" e iria visitar ou apertaria o botão FODA-SE?

3 de fevereiro de 2017

Os prazeres da normalidade...

Esta semana, um amigo, que foi casado com uma mulher, teve dois filhos, e há alguns anos entendeu que precisava viver a sua orientação sexual de forma plena, estava comemorando uma vitória significativa...
Pela primeira vez estavam jantando juntos ele, os filhos, a mãe dos filhos, o namorado da mãe dos filhos e o namorado dele, que também estava acompanhado da filha dele e da ex-esposa.. uma verdadeira festa dos "meus, seus e nossos"...
Pelo que eu sei, em casais que se separam, já é considerado uma PUTA vitória quando o casal consegue ficar amigo... quando entram novos companheiros é mais difícil ainda... porque por mais que as coisas estejam "resolvidas" acho que permanece um certo sentimento de posse e ciumes... 
Agora imagina colocar nessa equação da relação com o ex, o fato do ex ter "saído do armário" e assumido sua condição homossexual... 

Com certeza ele tem motivos de sobra para comemorar!

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Ás vezes pode parecer bem "estranho" comemorar algo que deveria ser "normal" (?) Mas no caso da homossexualidade, em que os parâmetros da "normalidade" são diferentes, isso é bem significativo. Eu mesmo passei recentemente por um desses momentos de "doce normalidade" uns dias atrás...

Foi aniversário de um ano, e batizado, das filhas do meu cunhado (as quais o Mr. Jay é padrinho) e eles fizeram um festão de três dias aqui  no interior de SP ... mas o que me marcou foi o jeito como fui tratado... Eu fiquei super feliz com o tratamento que recebi da família da esposa do meu cunhado... fui tratado o tempo todo, e apresentado, como TIO das meninas...
Agora vc deve ter dado aquela parada e se perguntado:
-DÃÃÃÃ, vc é o tio das crianças o que tem isso de importante? como vc deveria ser tratado?

Se você pensou isso são duas as probabilidades...a primeira é que vc é heterossexual, e não tem ideia do que é não ser aceito... a segunda probabilidade é que vc nunca tenha tido um relacionamento longo qe lhe confrontasse com essas questões de "ser apresentado" á família... ou sempre é apresentado como "amigo"... 
Ser aceito plenamente, dentro da tal normalidade, ser apresentado como quem vc realmente é, poder estar do lado do cara que vc ama de maneira plena, não é algo tão simples e normal para quem é gay... não mesmo!
É uma sensação muito boa e libertadora... e até mesmo divertida... pela sensação de liberdade...

Tenho que acrescentar que meu cunhado, único irmão de meu marido, "apesar" (kkkk) de ser hétero é muito gente boa... e a esposa dele também... eles foram padrinhos do casamento e nem hesitaram em vir mesmo com as filhas com pouco mais de oito meses, ou seja, um casal dez, que com certeza vão criar filhos para este mundo melhor que precisamos... especialmente com o TRUMP dando ordens...

E você, já passou por essas situações de se sentir "normal"?

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30 de janeiro de 2017

CORAGEM DE SER!


Existe uma máxima que diz que para sermos realizados na vida precisamos: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro - não necessariamente nessa ordem imagino eu... 

Então, por esse critério acabo de atingir a tal "vida plena" ... como se existisse uma fórmula para isso! Meu primeiro livro está saindo do "prelo" nos próximos meses (provavelmente maio). Sexta feira aprovamos a capa! 
Eu já tinha falado um pouco do projeto no ano passado, quando entregamos os originais lembram? No final foram selecionados 15 depoimentos de homens que foram casados com mulheres e depois entenderam melhor sua orientação homoafetiva, depoimentos que mostram diversos aspectos desses processos de descoberta: 

Um depoimento que me emocionou muito, foi quando um deles descreve como, quando criança, conseguiu mudar de escola - para fugir da perseguição da outra escola por ser muito afeminado - e passou, na escola nova a "imitar" os outros meninos, o jeito de sentar, de coçar o saco, de falar sobre mulheres... para ser aceito e menos perseguido... uma atitude que muitos de nós tentamos em diferentes momentos de nossas vidas não é mesmo?

Outro é o de um homem que quando vê sua noiva entrando na igreja começou a chorar e pensou algo como "pronto, agora eu vou casar e ter filhos, e não vou ser mais gay, não vou mais pensar nisso" o que mostra o stress psíquico que estes homens vivenciaram...

Chega de spoiler!

São muitas histórias de vida, de amor, de luta e de coragem... o nome do livro? CORAGEM DE SER!

E você será que conhece um pouco da vida desse homens gays que foram casados com mulheres?



13 de dezembro de 2016

A "minha" música!

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Um amigo me mostrou um site onde você descobre qual era a música número 1 das rádios (americanas) no dia em que você nasceu!

No meu caso era a música Dominique, escrita e interpretada pela freira belga Jeanine Deckers, mundialmente conhecida pela alcunha de " the singing nun" - a freira cantora.
A música conta a História de Domingos de Gusmão - depois São Domingos - Fundador da Ordem dos Pregadores no século XIII, mas que ficou conhecida pelo nome do seu fundador - Ordem dos Dominicanos.
É uma musiquinha bem "chiclete", que se você ouviu uma vez na vida não esqueceu mais... Abaixo a versão da música interpretada por Debbie Reynolds no filme de 1966 que contou a história da "Freira Sorriso" (como ficou conhecida na década de 60 no Brasil) - História parcial diga-se de passagem, pois a Jeanine só morreu em 1985, e ainda continuava a se apresentar com estas e outras músicas dela que também ficaram famosas (como "Brother John")

Porque escolhi esta versão? Porque Debbie Reynolds é muito gay não acham?



Quer saber qual era a música no seu dia? clique AQUI

E então? Qual era a música número 1 das rádios no dia que você nasceu?

6 de dezembro de 2016

Você gosta de brigar?

Resultado de imagem para fight gay gifEu detesto brigar... sério! 
Eu d e t e s t o brigar!  
Detesto ir a "vias de fato"!
Detesto bate-boca, grosseria, detesto dedos em riste, detesto destemperança. 
Detesto o sensação que toma conta da gente depois que perdemos a calma, o arrependimento muitas vezes do excesso.
As poucas vezes que briguei de verdade eu me arrependi, me comiserei depois e em várias situações eu me ferrei com as consequências.
Sair no tapa então, nem pensar... acho que a ultima vez que eu sai no tapa foi com meu irmão, quando ele tinha uns 10 anos de idade (e eu 13)

E por não gostar de brigar eu aprendi a me controlar, a contar até dez, a adiar conversas e, o que é muito pior na visão do meu afilhado, a brigar de forma irônica, que além de falar as "verdades" que quero dizer ainda faz com que a pessoa se sinta uma idiota! O tal passivo-agressivo, que também não é legal...

Mr. Jay acha que muitas vezes eu sou meio "educado demais", que eu devia "brigar" e ser mais contundente quando sou mal atendido ou quando algum fornecedor está em falta comigo, ele é do tipo que se sente tão indignado nessas situações que acredita que o "barraco" acaba sendo a unica alternativa - e eu concordo que muita vezes parece que a gente só vai ser bem atendido se "rodar a baiana".
Resultado de imagem para rodar a baiana.gifNormalmente eu sou educado, explico meticulosamente o que quero, coleciono argumentos e exemplos, e sou insistente, sem levantar tom de voz, mas trazendo novos elementos a cada momento que a discussão se alongue e não consigo o que acho justo conseguir. Normalmente o meu método, que ele chama de "conversinha" acaba surtindo os efeitos necessários!

Mas... apesar de eu detestar brigar ... eu tenho brigado muito com minha filha...  e os meus métodos de contar até dez, adiar conversar e tentar trazer a pessoa a reflexão tem dado poucos resultados. As brigas são pelos motivos tradicionais entre pais e filhos: ideias diferentes, limites, cobranças por parte dos pais, inércia por parte dos filhos...

O auge da minha briga recente com ela foi há umas duas semanas atrás... ela acabou indo parar no hospital por conta de uma pielonefrite, ficou internada 4 dias de tão grave era o estado dela...(porque não toma agua em quantidade suficiente e não gosta de ir no banheiro lá na loja que trabalha).
 No segundo dia eu tive que ir resolver uns assuntos de trabalho e deixei ela sozinha (pois apesar da gravidade da infecção ela estava bem) e não é que eu chego no hospital por volta das 22 horas e encontro o jantar dela intocado? A pessoa doente, hospitalizada, não comeu porque "achou a comida ruim!"
Nossa eu explodi! "Porque não me avisou e eu ligava aqui e providenciava outra comida? Porque não ligou vc mesma e reclamou? Porque não ligou para mim para eu trazer algo? " - fiquei muito estressado... a pessoa tem 20 anos e ainda tenho que me preocupar que não está comendo, mesmo doente?
Como diz a Edith Modesto... "filho é bom, mas dura muito!"
Eu admito que comida de hospital não é exatamente prova do masterchef, mas ela não tomar a iniciativa de comer algo me estressou muito! O pior é que depois eu demoro um certo tempo para des-estressar... normalmente no outro dia estou tipo "num fale comigo por favor"... porque de certa forma não quero ficar repisando o episódio, muitas vezes com vergonha da minha reação como disse,... ser pai é uma coisa que dá 99% de prazer para mim, mas este 1% que sobra...

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Foda-se a Calma
e Vamos Brigar
Com o Mr. Jay os entreveros são poucos, primeiro porque eu não sou pai dele, e depois porque somos em geral bem tranquilos... ele é um pouco mais "crica" e fica bravinho rápido demais com besteira, mas tb tem uma alta resiliência e rapidinho resolvemos as coisas... a regra básica - entre casais especialmente - que eu defendo e pratico é "não pode dormir brigado", tem que resolver as coisas juntos e dormir juntinho, acho que se tivéssemos uma briga e ele fosse dormir em outro quarto, ou um dos dois na "sala", eu ia ficar bem "maus"..... mas eu sei que alguns casais guardam ressentimentos por dias a fio... tem uma amiga dele que outro dia contou que estava há mais de uma semana sem falar com o marido... sem dar bom dia, sem dar tchau quando sai  de casa, sem dar oi e beijinho quando chega... uau, isso sim é stress!
Mas tem gente que acha esta regrinha "não pode dormir brigado" uma coisa infantil, posto que os conflitos fazem parte do relacionamento de seres humanos! Eu concordo! Acho que conflitos fazem parte do relacionamento entre pais e filhos, entre casais, entre amigos... mas a resolução de conflitos tb fazem parte, resolver os conflitos tem que ser parte dos relacionamentos, se o outro não toma iniciativa vc tem que tomar, (ao invés de bloquear no facebook a pessoa que pensa politicamente diferente de vc), e num certo prazo, antes que o conflito vire ressentimento, vire amargor e raiva.

E você? Gosta de Brigar? Acha que casal pode dormir brigado? E como vc é em relação a resolver conflitos, toma a atitude ou fica esperando?






2 de dezembro de 2016

sorodiscordantes

Ontem, dia 1 de dezembro, foi o dia mundial de combate e prevenção á AIDS. Eu já publiquei muitos artigos falando sobre este assuntosobre, muitos aspectos envolvidos. (clique AQUI

É interessante perceber que quando um assunto vem a tona na mídia, na sociedade, aprendemos coisas novas... esta semana estou aprendendo sobre PANE SECA e sobre procedimentos de segurança em aeronaves e aeroportos (e um pouco sobre milagres já que tivemos 6 sobreviventes)... já aprendi sobre TSUNAMIS, sobre PEDALADAS FISCAIS, e sobre muitas outras coisas... nada suficiente para me tornar especialista, nem ter grandes opiniões sobre estes assuntos, mas o suficiente para me tirar da ignorância "basal".
Resultado de imagem para mixede status relationship gayComo eu sou um mocinho da época "pré-HIV" eu também tive que aprender sobre o vírus e sobre a doença. E uma das coisas que tive que aprender foi sobre "sorodiscordantes". Para quem não conhece o termo, sorodiscordantes se refere a pessoas que se relacionam - sexualmente - e tem seu status sorológico discordante, enquanto um é soropositivo o outro é soronegativo (1).

Existem diversas doenças, e não somente o HIV, em que o parceiro pode não ser portador da doença e ser contaminado, incluindo prosaicos resfriados. A questão do HIV é o fato da cura não ter sido encontrada ainda e a eventual letalidade envolvida com a contaminação. com a TRANSMISSÃO HORIZONTAL DIRETA (este eu também aprendi).

Eu penso que relacionar-se, com alguém soropositivo não é uma questão simples, e envolve vários fatores:
1. Primeiro é o quanto vc gosta daquela pessoa, pois mesmo que esteja num começo de um relacionamento, e ela te conta algo que vc não esperava, esta ou outras questões (2), vc já consegue medir, de certa forma, se vale a pena ter aquela questão entre vocês e se vale a pena ir em frente.
2. Segundo é o quanto vc conhece sobre o assunto, se vc conhece algo sobre a transmissão do HIV, sobre termos como "carga viral zero", sobre os medicamentos, expectativa de vida, sintomas e tudo o mais. E também, no caso da AIDS, sobre o preconceito. Acho que uma pessoa que não conheça nada sobre o HIV tem menos chance de superar o seu preconcieto interno com relação a isso.
3. Uma terceira coisa está relacionada ao segredo... em que ponto aquela pessoa te conta ? Em que momento do relacionamento ela abre o jogo com vc e te conta que é soropositiva? Eu penso que se isso for feito logo no começo vc já tem um ponto a favor da pessoa, a honestidade, a sinceridade e uma maneira direta de encarar a vida. Acho que se ela esperar vc "se envolver" para contar ela vai estragar a confiança que você tem nela...

Resultado de imagem para differencesMas, se a pessoa não-soropositiva não tiver abertura para um relacionamento pautado pelas diferenças, nem tendo estes tres pontos em mente ela vai conseguir superar isso. Pois temos que lembrar que para um relacionamento "frutificar" temos que lidar com dezenas de outras "discordâncias" , desde hábitos, hobbies, gostos, comidas, diferenças profissionais, de idade, de etnia...etc etc...
Eu não recrimino quem acha que não daria conta disso, ou quem já passou por essa situaçao e não deu conta, eu mesmo não tenho certeza de qual seria minha reação em várias situações. Acho que tudo faz parte de um aprendizado, de uma vivência.

Lembrando que as pessoas soropositivas também tem aprender a lidar com isso. Tenho um amigo, que se descobriu portador do HIV há mais de 15 anos, que lida da seguinte forma: -"eu conto para quem precisa contar! Eu estou com carga viral negativa, uso preservativos sempre, se eu vou sair com um cara mas já sei que não vai dar em relacionamento eu nem conto, ele não precisa daquela informação e eu sei que não vou fazer mal  a ele, se ele me transmitir um resfriado forte pode ser pior para mim, pois mesmo em tratamento o meu sistema imunológico ainda é mais fraco."

E você, o que acha do relacionamento entre pessoas sorodiscordantes? Acha que encararia de boa?  Ou pensa que isso poderia atrapalhar seu relacionamento?  Você faria como meu amigo e não contaria se não achasse importante?



(1) a Revista FORUM fez uma matéria interessante sobre o assunto, leia AQUI
(2) por exemplo : se a pessoa tem filhos, se ela foi presa, se ela foi garoto de programa, e milhares de outras questões, sem fazer aqui juizo de valores ou comparações, apenas questoes com que vc vai ter que lidar no relacionamento

23 de novembro de 2016

LIMITES...

Rondonópolis - MS (vista a partir do topo do Hotel Confort)
No final de semana eu viajei até Rondonópolis, no interior de Mato Grosso, onde mora o irmão do Mr. Jay. 
ROO(1) é uma cidade de 140 mil habitantes, com uma boa qualidade de vida - se você tiver um bom ar-condicionado no carro, em casa e no trabalho😤 - mas o que me chamou a atenção foi o fato da cidade ter um "limite",  a cidade ter um fim bem nítido!

Do topo do hotel em que estávamos hospedados dava para ver o fim da cidade de todos os lados... O que é uma situação bem inusitada para alguém que mora em São Paulo, ou em outras cidades grandes, que na prática não tem limites, pois são tão conectadas ás suas cidades vizinhas que não se pode perceber claramente onde começa uma cidade e onde termina outra...(2) 
Me parece que ser paulistano, ou morar em São Paulo,  nos faz perder um pouco essa sensação de limites, a gente tem acesso a muita coisa, manifestações culturais de todos os tipos, coisas gratuitas e coisas vip caríssimas, uma cidade que funciona em grande parte 24 horas, tudo superlativo como bem sabemos... acho que acabamos adquirindo uma certa sensação - ou certeza - de que tudo é possível, tudo está ao alcance!

Ver os limites de Rondonópolis me fez pensar nos nossos limites. Nos limites que nos impomos, nos limites que nos são impostos... Nos limites que como pai tive, e tenho, que impor... e isso é bem complicado ás vezes...
Como pai eu sempre me preocupei em mostrar à minha filha que ela não deveria se impor limites, que deveria acreditar que ela pode tudo, e que não deveria se deixar abalar com a ideia da sociedade (machista) de que tem coisas que ela "não pode" ou não "consegue" por ser mulher. Desde muito pequena eu ensinei ela a tomar suas decisões (dentro do limite de cada idade) e arcar com as responsabilidades, deixando sempre ela dar umas "cabeçadas", pelo menos sempre que estas cabeçadas não ofereciam perigo real. Me parece que deu resultado pois vejo que hoje ela é uma jovem bastante independente (até demais na opinião do Mr. Jay 😃) e capaz de saber o que quer, o que é melhor para ela.
Resultado de imagem para limitesMas isso não me libera das "atribuições" do "cargo" de pai. Ainda tenho que impor alguns limites, alguns parâmetros, especialmente quando antevejo que sua integridade física pode estar em risco. Acho que ela, por ser uma "menina da cidade grande", e estar um pouco imbuída nesta sensação da "falta de limites" que as metrópoles nos concedem, ás vezes não percebe que os limites que ela aprendeu a não se impor ás vezes podem trazer riscos (coisas como planejar ir a shows em estádios sozinha, ou não prestar atenção que em certos horários certas regiões podem ser perigosas... e até mesmo não se alimentar com a atenção que seu corpo franzino - e agora vegetariano -merece)

Do mesmo jeito ainda estou aprendendo a lidar com os meus limites, com os limites que imponho a mim mesmo em especial, coisas que ás vezes me pego pensando 
eu não "consigo" isso, 
não "posso" fazer isso na minha idade, 
o que as pessoas vão "achar" se eu fizer isso?
Blame on me! Isto é um aprendizado constante, um vigilância e um treino permanentes, para não cair nessas armadilhas do que "acreditamos" que não podemos!

E você, é uma cidade sem limites? Ou vive brigando com os limites que você mesmo se impõe?




(1) ROO é o código do aeroporto da cidade
(2) Eu conheço outras cidades com limites, aliás várias, mas estar no topo do prédio, e ver estes limites tão claramente, é que despertou essa minha reflexão.