27 de setembro de 2016

É impossível ser feliz sozinho...

A música Wave, do Tom Jobim, eternizada pelo João Gilberto, é um standard na minha "vitrola"
Toca o play e lê o texto!




"Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho" é quase um resumo de minha vida!

Eu sei que a gente não deve basear a nossa vida nos outros... 
Eu sei que temos que aprender a viver por nós mesmos... temos que nos "bastar"
Eu sei que não devemos debitar nossa felicidade em estar acompanhado... em outras pessoas...
Eu sei de tudo isso, já aprendi tudo isso... já trabalhei esta questão em terapia, já evolui, já meditei, já exercitei minha solidão e meu auto-conhecimento, mas... eu adoro estar acompanhado!

Eu adoro estar próximo da família para ela dar palpite na minha vida, eu adoro ter uma filha que me ama e briga comigo, e, PRINCIPALMENTE, eu adoro me enamorar... e estou adorando estar casado...
Eu, confesso, não sou muito bom em fazer amigos, mas eu adoro não ser sozinho! Para mim seria impossível ser feliz sozinho!

Sei que é até "politicamente incorreto" falar mal da solidão, das pessoas solitárias, mas eu não gosto de ser sozinho, de estar sozinho! E PRONTO! Não é uma crítica nem uma desvalorização de quem prefere isso! Que graça ia ter se todo mundo fosse "igual que nem que"!
Mas... sinto que nunca vou acreditar que ser sozinho é "legal"! Nem que é melhor ser solitário como decisão de vida! Achar que as pessoas "Não tem jeito e não vale a pena", por isso optar em ser só. Isto não quer dizer que não é legal sermos sozinhos por uns períodos durante nossa vida, mas desistir das pessoas... isso não é legal!
Eu não consigo "disfarçar" que eu acho isso fundamental, vivo me "metendo" na vida dos amigos que estão sozinhos, dando palpites de como deveriam fazer para arranjar namorado, onde deveriam ir... mesmo que não tenham me pedido opinião! Uma puta falta de respeito eu sei! Mas se eu acredito que isso é um dos pilares da felicidade como eu vou dizer o contrário?

Resultado de imagem para hard workAcho que de certa forma "não ser sozinho" é bem mais trabalhoso que ser sozinho. Namorar, ser próximo da família, participar de grupos, é tudo muito trabalhoso... tem que fazer concessões, tem que aguentar chatices, organizar horários, avisar onde está e que horas volta, pensar em agradar... uma canseira!
Mas uma canseira boa porque as pessoas também fazem isso com você!
Para não ser sozinho você tem que ter o coração e a mente abertos para isso, para o novo, o diferente, o discordante...  não dá para ter preguiça para querer estar com alguém! É uma construção trabalhosa, e, como todas as coisas boas, uns 90% de ação e uns 10% de prazer... mas este 10% valem muito a pena na minha humilde opinião!
Eu sei que já me envolvi com pessoas que hoje, olhando para trás, não tem nada a ver comigo. Uns podem achar que foi "desespero" de não ficar sozinho, outros que foi falta de critério, outros que foi "excesso de otimismo"! E tudo isso é verdade! Para quem não gosta de estar sozinho, para quem gosta de se envolver, de se enamorar, as pessoas são pequenos universos a serem descobertos, são oportunidades, são possibilidades... e também são "erros" retumbantes! Mas eu sempre preferi errar, para aprender a acertar mais na próxima!

E você? Como é sua relação com a solidão? Acha que É impossível ser feliz sozinho?


23 de setembro de 2016

BOA NOTICIA! Cús e Vaginas agora são iguais! (*)

da série "noticias que deixam pastores evangélicos de cabelo em pé"

e também da série "tem muita gente tomando conta do cú dos outros"

Resultado de imagem para two teen boyfriends cartoonEsta semana o governo de Queensland - um dos estados australianos - aprovou uma lei que igualou a idade do sexo vaginal consensual ao sexo anal consensual. Ambos passam a ser 16 anos, antes a lei só não se criminalizava o sexo anal a partir dos 18 anos! A lei também substituiu o termo "sodomia" por "intercurso anal".

Pode parece uma mudança sutil, mas ela tem alguns efeitos bem significativos. Primeiro na questão do preconceito, ao promover a igualdade de jovens de qualquer gênero. A segunda é por garantir o acesso a políticas públicas de saúde para os jovens - todos - a partir de 16 anos, especialmente na prevenção de dst´s, uma vez que não se podia distribuir camisinhas - ou dar palestras, ou fazer campanhas, sobre o sexo anal em escolas por exemplo...ou atender nos hospitais públicos... Para ver a notícia original clique AQUI

O primeiro comentário nosso poderia ser - nossa! antes tarde do que nunca! que povo atrasado este da Austrália!. Mas eu prefiro ver os sempre presentes sinais de mudanças e de progresso do ser humano, da humanidade, especialmente por saber que este estado australiano é o último a equalizar a lei, os outros já fizeram!

No Brasil a idade para sexo consensual é de 14 anos desde que os envoldidos no ato tenham entre 14 e 18 anos. Quando um dos envolvidos é maior de idade, ou tem uma superioridade - hierárquica por exemplo - a lei entende que o sexo foi, de certa forma, forçado. Abaixo de 14 anos se considera que a criança não tem "maturidade para consentir".


E você? Se fosse legislador qual seria a idade legal que você defenderia? Que outras barreiras legais ainda precisam ser transpostas?




(*)Sabe aquele estagiário do UOL que faz as chamadas das manchetes para ganhar mais likes? 
Então, o título deste post é inspirado no trabalho dele! kkk

19 de setembro de 2016

Suficientemente Gay!

Semana passada eu estava no shopping com minha filha, estávamos andando abraçados, conversando, quando eu reparei que uma mulher numa loja ficou olhando... ai eu virei para minha filha e disse:
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Hugh Hefner, fundador da Playboy, 86 anos
e sua esposa  Crystal, 26 anos
(60 anos de diferença)


- Como a gente não é parecido (1) as pessoas que nos vem juntos devem pensar "olha lá aquele velho babão que pegou a garotinha nova" 


E minha filha disse:
- Isto é "culpa sua" que não parece homossexual!(3)

Ao que eu respondi:
- Ué, ser casado com um homem (4) não é gay o bastante? (5)


(1) para os recém-chegados informo que minha filha é adotiva
(2) como tenho um marido 20 anos mais novo é óbvio que não tenho este preconceito, mas eu sei que as pessoas tem!
(3) aqui está embutido o famoso preconceito contra os homossexuais ditos "efeminados", ou, de certa forma, menos homens por conta disso, por parecerem gays.
(4) como não deu para encontrar uma aliança com as cores do arco-iris, e nem uso crachá com isso, a informação permanece "no armário" grande parte do tempo.
(5) acho que o curso de História está me deixando com mania de notas de rodapé! para me explicar melhor! kkkk


E você, já foi confundido com "não gay"? Ou é gay o "suficiente"?


13 de setembro de 2016

Nós queremos ser NORMAIS?

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"Mãe, o que é "normal"
" É só um ciclo da secadora querida"
Até que ponto somos NORMAIS, ou queremos parecer NORMAIS?

Neste final de semana eu descobri a série THE NEW NORMAL na netflix. Pelo que eu li a série é de 2103, então muita gente deve ter assistido...

Mas para quem não conhece vai um pequeno resumo: Um casal gay de Los Angeles, bem sucedido e rico,  resolve ter um filho e optam pela barriga de aluguel. Eles acolhem na casa deles a moça que vai gestar o filho, junto com a filha de 8 anos dela, mas tem que aturar a avó dela que é extremamente homofóbica (uma interiorana de Ohio) e contra o fato que da neta gestar o filho de um casal de homossexuais.  O enredo gira em torno do casal, as preocupações dos futuros pais com a gestação,  da sua relação com a família e com a sociedade.
A série faz um esforço sincero de mostrar o casal gay e suas relações familiares como algo NORMAL, não no sentido que eles são iguais aos outros, mas que eles são diferentes, mas as pessoas podem aprender a encara sua família com naturalidade.

Das séries de temática LGBT dos últimos tempos essa foi a que mais me agradou. Ela mostra conflitos que parecem bem reais, bem sintomáticos, desde a recusa do Padre em oficializar o casamento deles até um deles ser expulso dos "boy scouts" por outro pai considerar que ele tinha um comportamento que podia influenciar o filho - a "normalidade" do casal assustou. Além de outras pequenas histórias paralelas.

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Pessoas normais
me assustam!
Enquanto eu assistia eu pensava, naturalmente,  na questão de ser NORMAL... De praxe a palavra NORMAL é encarada pelos LGBT como algo pejorativo, nós não queremos ser aceitos como NORMAIS, posto que não nos consideramos ANORMAIS. 
Mas o NORMAL está sempre rondando...Outro dia uma pessoa perguntou para minha mãe: "como é ter um filho gay" e ela respondeu normal, é como ter um filho qualquer"...

Uns dizem que os LGBTs querem simular uma "normalidade" para serem aceitos como iguais, outros que não é preciso pedir isso, porque não existe nada NORMAL, todos são diferentes (e iguais) ao mesmo tempo. Tem gente que diz que os LGBTs querem casar e ter filhos para mimetizar a heterossexualidade, outros que amar, querer ter família, é natural do ser humano, independente de seu gênero, da sua orientação sexual.
Até que meu casamento foi uma busca de "normalidade" eu já ouvi...

Na maioria das vezes é muito mais confortável para nós ter um conceito de normalidade estabelecido, a normatização das coisas é boa. Criar "standards" para podermos comparar é muito bom, pois podemos fazer escolhas... a questão é que no caso das pessoas não existem padrões, não existem normas perfeitas. Pessoas são "anormais" porque cada uma delas encerra um pequeno universo, mas todos sabemos que o normal não existe...
Eu não quero ser visto, aceito, como NORMAL, eu quero ser apenas EU e pronto, com minhas qualidades, meus defeitos, aceito com naturalidade, com carinho, com respeito!

O interessante é que a palavra NORMAL é um adjetivo de dois gêneros, sem existir masculino (normalo!!) ou feminino (normala!!) ou seja, a não distinção de gêneros é absolutamente NORMAL! 


E você? tem problemas com a palavra NORMAL? Ou busca ser NORMAL?


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8 de setembro de 2016

Você é dos que sabe ou dos que desconfia?

Como você conta para os outros que é gay? Se não quiser usar a palavra CONTAR, vc pode dizer revelar, mostrar ou outra coisas parecida...
No meu caso, dependendo da situação eu acabo agindo de uma maneira... Se é uma pessoa que eu não vejo há muitos anos e me pergunta: Está casado? Está solteiro? eu me divirto dizendo "você é dos que sabe ou dos que desconfia?... Porque as pessoas do seu passado sempre ouviram algo, ou elas querem confirmar ou elas estão constrangidas.
Em outra situação eu faço quase automaticamente. Outro dia cumprimentei uma colega lá do curso de historia e ela disse: Que cheiroso este perfume!  E eu tasquei: "acqua de gió , foi meu namorado que comprou" numa tacado só, sem nem esperar uma reação


O Mr Jay tem uma brincadeira, quando o cara parece muito gay e diz que não é que diz que o fulano só não é gay porque ainda "não abriu o email".. já recebeu mas não abriu!
E você? como conta para os outros que é gay?


(*)A minha pergunta está relacionada com o pequeno "desafio" que vou fazer aos amigos que acompanham o blog no dia 10 de outubro



31 de agosto de 2016

O futuro pertence a ela!

continuação de O futuro pertence a quem?


Nesta questão do futuro dos filhos acho que a maioria dos pais (e mães) sempre oscila entre duas possibilidades:
Resultado de imagem para happiness balanceTem um lado nosso que quer que os filhos aprendam suas próprias lições, façam suas próprias escolhas e desfrutem de seus acertos (e aprendam com seus erros). Queremos mostrar que confiamos nos filhos, que apoiamos suas decisões. Sabemos que é assim que se constrói o caráter de uma pessoa, que é assim que as "personas" são construídas.
Mas temos um outro lado! Não queremos ver nossos filhos e filhas sofrerem! Queremos diminuir as dores de crescimento de nossos filhos, temos medo que eles sofram, temos medo que deem muitas cabeçadas e se percam numa certa infelicidade. Queremos dividir com eles a nossa experiência, o nosso aprendizado, para que eles possam usar o passe "fast track" onde já ficamos na fila! Para que as coisas sejam mais fáceis para eles, e, porque não dizer, para que eles sejam mais bem felizes e bem sucedidos em suas escolhas que os pais. Todo pai sonha com isso, que seu filho seja mais e melhor que ele mesmo! A não ser que você seja CRONOS

Se deixarmos a balança pesar  de um lado, delegando aos nossos filhos o controle absoluto e sem interferências de suas decisões estaremos agindo certo, mas se exagerarmos na dosagem podemos estar "delargando" ao invés de delegando, pois todo mundo, em todos os momentos, se beneficia de ter apoio na tomada de decisões. Quando transferimos responsabilidade sobre algo também devemos estar preparados para dar o apoio necessário e para ajudar a pessoa a completar seus objetivos se for necessário! Mas tem pais que dizem "não quer seguir meus conselhos? então  vire-se!"
Já, se a balança pesar muito de outro lado, podemos estar criando seres humanos que terão muitas dificuldades de tomarem suas próprias decisões e que serão - muito provavelmente - muito inseguros. Pessoas que não terão nunca certeza dos seus objetivos e do que fazer para alcançá-los, pessoas muito frágeis para lidarem com insucessos e com as voltas que a vida dá!

Resultado de imagem para rocks balance gifTalvez a alternativa para esta "doce" dicotomia esteja no meio termo, a resposta parece sempre estar no meio termo não é mesmo? Nem "delargar", nem decidir tudo pelos filhos...
Minha filha está tão aflita com as decisões acadêmicas e profissionais que tem que tomar que até levantou a hipótese de "trancar a faculdade e ir trabalhar em qualquer coisa", "ir viver um tempo numa comunidade alternativa em Paraty" ou até mesmo "ir trabalhar numa plantação de morangos na Austrália por dois anos, conseguindo então a cidadania australiana, como meu amigo (nota do pai: amigo de família podre de rica) está fazendo"
Alternativas que eu acho válidas como experiência de vida - tudo que fazemos na vida é experiência não é? - mas que nesse momento me parecem ser a maneira errada para lidar com o dilema que se apresenta... ao invés de um projeto de vida, parecem muito mais uma fuga do stress de ter que resolver.

Eu penso que filho é para sempre! Não tem essa de "cresceu agora se vira pois não é problema meu"! Eu não vou deixar de ter responsabilidade e querer ajudar nunca! Nunca! Ou, como diz a querida Edith Modesto: "filho é bom e dura muito!"

Conversei muito com ela e deixei bem claro que qualquer decisão dela vai ter meu apoio, e faço isso de coração, pois não tenho nenhum tipo de sonho de ter uma filha "doutora" ou "famosa" ou "rica". Minha "tarefa" é ajudar ela a ser uma mulher plena, bem consigo mesma, centrada e que possa de alguma forma, melhora um pouquinho do mundo a nossa volta...
...a minha (quase) única regra, é que ela não desista de concluir um curso de graduação neste momento, seja qual for, em que faculdade for, mesmo que comece um novo agora!  De agronomia a turismo, de engenharia a culinária, qualquer faculdade!
Resultado de imagem para happiness balanceEsta minha "regra" é porque para mim a EDUCAÇÃO é um valor indiscutível! - E eu não estou em campanha eleitoral!  Eu acredito piamente que a experiência da faculdade é importante nesta idade, mesmo que não seja algo que você siga uma profissão para sempre (eu já dei pelo menos duas "guinadas" na minha vida e ela sabe bem porque já contei), fazer a faculdade mais velho lhe tira a possibilidade de vivências que considero importantes na formação da pessoa, o ambiente universitário, de discussão inclusive política e social - que imagino não terá na plantação de morangos ou como caixa numa loja - são imprescindíveis a meu ver para a formação da pessoa, coisas que a família, o trabalho, não podem oferecer. Desistir da faculdade neste momento, sem um plano B coerente não é um alternativa que vai contar com meu apoio. 
Em casa mesmo, com o Mr Jay retomando a faculdade anos depois, vemos como o processo é difícil...

No meio tempo ela terá todo meu apoio para  passar férias na comunidade de Paraty, para trabalhar em algo que lhe permita fazer a faculdade ou até mesmo viajar para colher morangos(!!!).  E inclusive ela poderá passar pela experiência, no futuro, de fazer a faculdade mais velha, como eu estou fazendo nos últimos dois anos! 

E você? O que acha da minha "regra"? Acha que estou sendo "careta" e tolhendo a liberdade dela? Ou acha que, como pai, eu tenho que, neste momento ainda, traçar alguns limites e exigir algumas coisas?



24 de agosto de 2016

O futuro pertence a quem?

Ser pai é uma aventura incrível! Eu já disse isso muitas vezes não é? Ser pai te faz crescer, te faz querer ser uma pessoa melhor, um ser humano mais pleno, e também exercita muito sua empatia, sua capacidade de se colocar no lugar do outro.
Mas é claro que ser pai, solteiro, te faz passar por muitos momentos tensos, preocupantes, situações em que você não sabe realmente o que fazer, qual o melhor caminho a ser tomado! Estas situações variam em função da idade, da maturidade do seu filho ou filha, mas mais cedo ou mais tarde vão aparecer!
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Aqui em casa estamos passando por um momento destes. Minha filha está bastante perdida em relação a seu futuro, em relação a carreira, a ganhar dinheiro... 
Um pequeno resumo: Desde os 15/16 ela tem dúvidas sobre que faculdade fazer, pensou em medicina, depois biologia, pensou em fazer direito, fez teste vocacional, pensou em Adm, em Economia... ela sempre pensando em algo que pudesse lhe garantir uma boa renda, recursos no futuro para cuidar bem de seus filhos (ela fala muito isso) Em 2015, após um ano de cursinho, ela entrou na FEA/USP no curso de Contabilidade.
Mas ela já odiou o curso logo de cara! Não conseguiu se animar,  ir nas aulas com a frequência desejada. Realmente isso era o esperado, ela não tem muito "amor" pela área de exatas e o curso de contabilidade, pelo que sei, é bastante "árido"... Ela ainda fez aulas nos cursos de Economia e Adm da FEA, para onde poderia pedir transferência mas ela também não se interessou... principalmente com o tipo de perspectiva de trabalho.
Ela chegou ao final de 2015 muito fragilizada, depressiva, sem saber que rumos tomar, porque "perdeu" o ano todo neste movimento de tentar se entusiasmar com "razonetes", o que é bem difícil... Tão perdida que nem "lembrou" de se inscrever na FUVEST (nem adianta eu falar em outras faculdades, ela "se recusa" a pagar faculdade).
Conversamos bastante, e como eu sei que pai e mãe nem sempre dão os melhores conselhos para ouvidos de filhos, eu sugeri que ela fizesse terapia, que ela tivesse mais espaço de conversar... o que ela aceitou.
Resultado de imagem para futuroNeste primeiro semestre de 2016 ela se matriculou em algumas disciplinas de Ciências Sociais na FFLCH, e parece que ai sim encontrou um curso mais interessante para sua alma ( e eu concordo que é bem mais "a cara" dela). Neste segundo semestre decidiu trancar a contabilidade e começou a fazer cursinho, para prestar vestibular novamente no fim do ano. Mas esta semana, que começam as inscrições na FUVEST, ela entrou em nova crise, sem ter certeza mesmo que ela quer fazer sociologia, se sociologia lhe daria chance de um bom emprego, se ela teria dinheiro no futuro para se bancar e cuidar de seus filhos sendo "cientista social"...

E ai? Quem passou por essas crises? Como saíram delas? O que devo fazer como pai?


17 de agosto de 2016

O "empoderamento" ou " A Bicha Abusada"

Eu nunca fui muito de me esconder... de esconder o fato de ser homossexual... eu tenho consciência que muitas vezes eu preferi ser "discreto"...mas agora eu tenho percebido que eu estou ficando meio "abusado"! E acho que isso tem muito a ver com meu casamento...
Eu falo que sou casado com um homem com a maior naturalidade e ás vezes até forço a situação para poder falar... eu me divirto falando "o meu marido"... e adoro ver a reação das pessoas...

É bem divertido a pessoa olhar para a aliança no dedo da mão esquerda e perguntar... a sua esposa trabalha no que? e vc corrigir... eu não tenho esposa, tenho marido! E isso também acontece com Mr. Jay

Ontem estávamos na delegacia - infelizmente roubaram o carro dele,  acharam umas duas horas depois todo detonado mas ai tivemos que fazer boletim de ocorrência - estávamos preenchendo as papeladas necessárias...quando ele saiu e foi para outra sala...  o policial me perguntou... "vocês são parentes?" (nossa! como ele deveria estar curioso!) 
E eu respondi com a maior naturalidade: "nós somos casados"
Eu percebi que ele ficou meio sem graça com a resposta natural minha... talvez o mais comum ainda seja o pessoal dizer "ele é meu amigo"... ele até me pediu meu documento para anotar que eu era o acompanhante... mas acho que ele queria mesmo era conferir os sobrenomes...
Ai a escrevente, preenchendo os documentos, perguntou se ele não tinha RG de São Paulo, e ele disse: "eu casei agora e meu rg novo não ficou pronto ainda" e ela "ah estou vendo a aliança brilhante de vocês, quando estiverem casados há 17 anos como eu ela vai ficar assim riscada como a minha" (mostrando a aliança) e ela ainda fez piada, dizendo que a minha estava menos brilhante porque provavelmente era eu que lavava mais louça em casa... #sqn!

Acho que este empoderamento veio, sem dúvida, do fato de eu ter um documento, oficial, dizendo que sou casado com um cara... documento que não pode ser contestado por nenhuma religião, que tem que ser aceito em todos os lugares... afinal de contas eu nunca tive uma carteirinha dizendo que eu sou gay, apesar de ser "gay de carteirinha". 

Acho até que seria interessante isso, ter um documento que fala que vc é gay... ai a gente não precisaria ficar falando, vc entrega o documento, ou preenche o cadastro, e ninguém fica querendo te empurrar a amiga solteirona ou perguntando "como chama sua namorada"...e nem fazendo piadas com  bucetas na sua frente... se bem que se a gente fosse ficar preenchendo tudo "que a gente é" ia ficar um cadastro gigantesco... porque eu sou muito mais apenas do que ser Homem, Homossexual e Pai... melhor ficar só nome e sobrenome né?
Mas sem dúvida ter um documento oficial que de certa forma mostrasse que não queremos esconder isso podia ajudar É por isso que os transgêneros lutam tanto para terem documentos que combinem com as identidades de gênero que assumem! Eu imagino a humilhação de uma mulher, linda, bem vestida, ter que viajar com o documento de João Pedro...
Acho que a atitude de alguns amigos, que o pessoal categoriza como "afeminados" ou "pintosas" já funciona um pouco como este RGgay, logo de cara você já sabe, eles deixam tudo bem claro de antemão... Mas a verdade é que em muitos ambientes ainda é perigoso parecer ou se declarar gay, pois muitos ainda estão sendo mortos só por isso!

E vc? Quer ter carteirinha? Ou como está tá bom?





4 de agosto de 2016

e o TAL não foi

Em diversas ocasiões eu escrevi sobre meu pai, e do nosso relacionamento difícil, nulo. Eu sei que isso não é um "privilégio" meu, muitos amigos já compartilharam os seus problemas e distanciamentos de seus pais. Eu também já entendi, de certa forma, que o fato de eu ser homossexual não é o único cerne da questão, quando conversei com minha mãe...e eu achei que já tinha aprendido a lidar com isso

Mas, no meu casamento, mais uma vez eu cometi o erro de esperar dele uma atitude diferente, uma atitude melhor, uma atitude de pai, e mais uma vez eu cai do cavalo - melhor seria dizer que cai do castelinho de cartas que criei nas nuvens.

Meu pai não foi ao meu casamento...

Eu fiz o protocolo direitinho, entreguei o convite em mãos algumas semanas antes, até disse que ele quizesse levar alguém (uma das piriguetes que babam o ovo dele porque ele tem grana, e que ele chama de amigas)  era só me avisar. Depois, uma semana antes, liguei para perguntar se ele ia e se queria levar alguém, ao que ele respondeu - "não consigo resolver isso agora". Também conversei com minha irmã e pedi que ela falasse com ele, explicasse que o pai do Mr. Jay iria.

Um dia antes do casamento eu fiz um almoço em casa, para a família do Mr. Jay, e minha irmã também veio. Numa determinada hora ela me puxou num canto e me disse que meu pai não iria, que disse que "preferia não ir". E ela tentando melhorar a situação ainda tentou me convencer que "eu nem fazia questão mesmo" e "que ele era de outra época e eu devia entender" e que "seria até melhor assim para não criar nenhum constrangimento".

Na hora eu concordei, e fiz um ar de "melhor assim", mas no fundo eu imaginava ainda que ele apareceria de última hora, para causar um certo frisson e chamar atenção, como é típico de uma personalidade mitômona como a do meu pai. OLHA AI! Eu tenho vontade me dar um tapa na cara por ter tido este pensamento, esperança boba, pois é óbvio que ele não iria... mania de sempre esperar o melhor das pessoas...

Pois ele não foi... é claro!

Confesso uma parte minha achou bom ele não ir, ele é como uma "nuvem negra" sempre que está presente (a não ser que esteja com os amigos que babam o ovo dele). Ele provavelmente ia constranger um monte de gente. Mas tem uma parte minha que dizia que eu merecia, que seria justo para mim ele estar lá, eu queria passar por uma sensação como o novo comercial do Jetta.

Mas obviamente a vida não é um comercial de automóvel, e nem de margarina..
Ele não foi.
Ele não foi e também não deu presente... e olha que eu tinha uma lista de presente "em dinheiro" como é comum hoje em dia... pois esperar um presente pessoal seria "tooooo much".
E o calhorda ainda me passou uma mensagem no dia "desculpe surgiram compromissos não poderei ir"

Os meus sentimentos no dia, e nos dias seguintes, foram mistos. Na hora da festa me senti humilhado  pois muita gente perguntou "seu pai não veio?" E cada vez que me perguntavam eu lembrava do assunto e dava uma resposta diferente. Me senti humilhado por saber que muita gente estava comentando o assunto mesmo sem ter falado comigo. Foi uma fofoquinha que pairou no ar... que bosta!
Me senti indigno pois o covarde nunca teve nenhuma conversa direta comigo, nunca, nunca, aliás sobre nenhuma assunto, nem sobre carreira, nem sobre sexo, nem sobre futebol, nem sobre nada... nem mesmo quando arranjou manobras para tentar me tirar da sociedade da empresa teve coragem de falar diretamente comigo sobre o assunto, mando o advogado entregar um documento para eu assinar... e quando eu ameacei reagir voltou atrás rapidamente...

Como eu avisei o Mr Jay antes da festa que ele não iria,  eu consegui sublimar maravilhosamente os sentimentos no dia.... Mesmo sendo  muito complicado vc se sentir o "cocô da mosca do cavalo assistente do bandido do western italiano nível B".  O sentimento era de ter sido agredido, pois ao fazer isso, ao não me prestigiar, ele estava, diretamente, me agredindo, agredindo Mr, Jay, minha filha, minha mãe... tentando tirar o brilho da minha união, lascar a minha dignidade e me humilhar perante outros - e eu não duvido que ele tenha pensado algo assim...

No segundo dia depois do casamento foi quando eu verdadeiramente "registrei o baque", não tanto pelo fato, que eu já tinha deglutido, mas por não saber o que fazer com aquela "informação".  Passei o dia choroso, e com raiva de deixar um idiota como meu pai turvar toda a felicidade que eu tinha passado e ainda sentia naquele momento... eu me comiserava por me sentir assim, por me deixar atingir...mas sem saber o que fazer.
Meu marido foi maravilhoso, esteve ao meu lado e me ajudou como pode, deixando que eu falasse e chorasse...
Mas eu acabei ligando para meu terapeuta e pedindo um HELP... dois dias antes da minha lua de mel eu me preocupava de não conseguir elaborar o que fazer com tudo que estava sentindo e estragar minha viagem.. Conversamos bastante pois ele me conhece há muitos anos... e também estava lá no casamento, e também percebeu a ausência do infeliz...
A principio  parece bem simples olhando de fora, ele é um bosta que não me ama, nunca amou, eu tenho que parar de me enganar e aceitar a realidade, parar de achar que as coisas são de um jeito que elas não são, tratar ele com a distancia que ele merece, porém sem ser idiota de abrir mão do que é meu de direito, tratar ele como se trata um chefe, um governador, um prefeito, alguém que vc sabe que tem autoridade mas que não respeita.. e pronto...

O que é bem mais fácil falar do que fazer!

E ai meus amigos, tem um jeito mais fácil de lidar com esta situação?

26 de julho de 2016

Dormindo com homem casado...

Com meu casamento eu fiz uma constatação bem simbólica, ou no mínimo divertida: O Mr. Jay é o primeiro homem casado com quem eu transei na minha vida...
.. ou pelo menos é o primeiro homem que eu sabia que era casado com quem eu transei na minha vida...
Mas... se eu considerar que o homem casado com quem eu estou "saindo" é casado comigo.... eu continuo no 0 x 0 !

Acho que isso tem uma explicação bem simples, e não tem nada a ver com a ideia que "eu não saio com caras casados porque eu não quero ser o pivô da destruição de um casamento" como já vi alguns conhecidos argumentarem.
Eu nunca topei sair com caras que eu sabia que estavam casados (seja com homem ou mulher) porque eu sempre procurei algo sério para mim, sempre buscava um relacionamento, e logo de cara, quando me aproximava de alguém e recebia a informação de que a pessoa estava "num relacionamento", já disparava um pequenino alarme. 
Eu já tinha aquela certeza de que aquele cara não poderia querer algo sério sem finalizar o processo emocional que estava vivendo... e eu nunca aceitei o argumento "estou me separando" para aceitar engatar algo com aquela pessoa... ser o amante secreto de um cara comprometido não era minha ideia de relacionamento...
E aqui não repousa nenhum tipo de juízo de valores em relação a quem aceita isso, não recrimino quem topa sair, ou se envolver com caras comprometidos. 
Já com relação aos caras comprometidos que buscam relacionamentos fora do casamento eu tenho alguma restrição... talvez porque eu seja um cara que acredita em relacionamentos monogâmicos, ou por eu saber que a verdade sempre é um prato que merece ser servido a todos, ou porque eu saiba o quanto é necessário de dedicação para a manutenção de uma relação... eu simplesmente não conseguiria confiar num cara que eu soubesse que estivesse traindo e enganando alguém... 
Acho que eu até não vejo nenhum problema em uma "boa troca de fluídos", desde que os dois saibam que será só isso e consintam, mas um cara comprometido procurar outra relação sem ter finalizado aquela outra  que não lhe satisfaz mais... fica difícil de entender... de aceitar... desculpe a caretice.

Eu até me lembro, coisa de uns 15 anos atrás, em que eu assumi que o cara por quem eu estava interessado, por ser novo, não estava envolvido com ninguém, até que, uma semana depois que estávamos saindo, e nem tínhamos transado ainda, ele me contou a verdade... e foi ali mesmo que eu deixei de sair com ele, pois, mesmo ele sendo um cara interessante, a confiança estava perdida..

Se bem que agora eu já decidi! De agora em diante só homem casado! Desde que seja o que está casado comigo! kkkk

E você ? Já se envolveu com homem casado? O que pensa disso?