21 de maio de 2016

Nossos dois professores...


Patch Adams
Dr. Hunter "Patch" Adams
"Comprimidos aliviam a dor, 
mas só o amor alivia o sofrimento"
Frase creditada ao Dr. Patch Adams (tornado mundialmente famoso pela interpretação de Robin Williams)


Penso que na vida temos dois professores para os nossos sentimentos... um deles é o AMOR, e o outro é a DOR. O amor nos ensina pelo que ele nos dá, e a dor nos ensina pelo que nos tira. 

Falar isto não é novidade, é "chover no molhado". Todo mundo diz que não é possível amar sem sofrer, que não é possível entender o amor se não entendermos a dor. Mas eu, com meu espírito "Polyanna", habitualmente fazendo o "JOGO DO CONTENTE", sempre  preferi pensar na dor, não como um componente para a compreensão do amor, mas o estágio imediatamente anterior do amor, uma passagem apenas, logo superada pelo amor. Na realidade eu tinha uma certa dificuldade de entender que nossos aspectos ditos "negativos" também são importantes no nosso processo de compreensão da realidade. 
Eu até mesmo negava que eu sentia inveja, raiva, depressão, desprezo, antipatia...e outros sentimentos que eu caracterizava como "ruins"... Não havia o claro e o escuro... apenas o claro e o menos claro (fui claro? rsrsrsr). Dualidades me causavam estranheza e eu sempre traçava meus parâmetros de "certo" e  "errado" baseado nisto, tendo sempre em mente que era "óbvio" o que era "certo"... Eu demorei um certo tempo para entender que era bom ver meu lado escuro, e até mesmo aceitá-lo.. demorei a perceber que fazendo isto eu me tornava mais humano, mais normal, mais "ordinary people".

Eu nunca tive dúvidas do poder do amor! Eu sempre acreditei que o amor era capaz de curar qualquer coisa, de resolver qualquer situação, de modificar, de transformar... e era baseado nisto que eu levava minha vida, minha vida louca! 
Eu costumava dizer, para as pessoas que conversavam comigo sobre adoção, e que tinham dúvidas, especialmente com relação ao convívio com a criança, com a adaptação, que o "amor resolvia tudo", que o que aquelas crianças precisavam era  de amor, e que o resto se resolvia com mais amor, o amor era a cura. E eu tinha plea convicção disto.
Hoje eu não faço mais esta afirmação com a mesma veemência...

Não que eu tenha deixado de acreditar no amor, ele ainda é fundamental na minha vida, mas eu aprendi - de maneira empírica - que o amor não consegue curar tudo! Ele pode ajudar, ele pode amenizar, mas ele não pode curar todas as almas doentes, nem todos os corações machucados,... mesmo que eu me dedique, que eu faça tudo que estiver a meu alcance, eu não vou poder ajudar todo mundo, não vou poder resolver o problema de amor daquela pessoa ...

As pessoas não podem se curar? Sim! Podem se curar! Se você quiser curar o dor da pessoa você deve começar com o amor que tem por ela, seja amor fraterno, amor filial, amor carnal, isto é o melhor começo, mas eu tive  que aprender que isto pode não ser o suficiente, que talvez você tenha que lançar mão de outras coisas para ajudar esta cura... pode ser a terapia - sua ou do outro - pode ser alguma medicação... só não pode confiar na sua auto-suficiência o tempo todo... Talvez você tenha que mergulhar tão fundo na pessoa amada que você vai se surpreender, ou se chocar, com os motivos da dor dela...
Mas também você vai ter que aprender a hora de desistir de tentar a cura... aprender que seu amor não seja o melhor para aquela pessoa, o não seja na quantidade que ela precisa, ou do jeito que ela precisa...

E você? Aprende mais com a DOR ou com o AMOR? 


Sim, este post é uma espécie de continuação de um anterior...

19 comentários:

  1. Gosto muito do último parágrafo do teu texto, me parece que essa "desistência ", no final e ao cabo, entra no fluxo natural da vida, onde as vezes o melhor é "let it go"...Belo texto , aliás , parabéns .

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    1. Obrigado Madi! LET IT GO é um excelente comentário! rsrsr

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  2. Pelo Amor encontramos a nós mesmos.
    Pela Dor encontramos a compaixão pelo outro.
    Pela falta dos dois estamos no irremediável vazio da existência.
    O Amor cura tudo, sim, mas precisamos estar abertos para amar e sermos amados. Caso contrário o amor definha e morre.
    A dor ensina muito, mas precisamos estar abertos para a dor ou ela passa e não ensina.
    bjs

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  3. em algum momento tambem achei que o amor poderia curar tudo, mas infelizmente esse sentimento foi acabando de forma muito ruim na minha vida.
    amar eh lindo, mas algumas vezes doi.
    e doi feio.
    e nao cura nada.
    apenas aumenta o incomodo.

    abraco.

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    1. Wagner7:31 PM

      Então não é amor de verdade...

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    2. Poxa Sara, deve ter sofrido realmente muito para deixar de acreditar no amor! sinto muito! um beijão!

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  4. Wagner7:34 PM

    A gente costuma confundir amor com apego. O amor cura e não dói nunca. Já o apego é um transtorno na vida da gente.
    Infelizmente, ainda tenho aprendido mais pela dor... mas estou trabalhando nisso...
    Beijos a todos

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    1. Belo acréscimo Wagner, o apego realmente é muito ruim...mas ser desapegado é tão dificl não é? muito zen budista para mim!

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  5. Até a dor é uma forma de amor. As vezes a maior prova de amor que alguém pode lhe proporcionar, é deixar você sofrer.

    Legal o texto, ainda bem que a gente aprende, não é mesmo !

    Abraço !

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    1. Ta meio dificil aceitar que deixar eu sofrer é amor... mas entendo que o mesmo remedio que cura tb mata, se nao for na dose certa!

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  6. Sempre com dor, até porque a falta de amor causa dor.

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  7. Decidi aprender com a observação. Dá menos trabalho que o amor e dói muito menos.

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  8. Adoreiii!!!!!! Excelente reflexão! Bravo. Acrescentou.

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  9. Amor é algo essencial à vida. A dor é subjacente ao sofrimento e isso é opcional. É verdade que aprendemos mais com as más experiências e com o sofrimento. Mas também não é menos verdade que aqueles que vivem em gratidão, sabem valorizar muito mais a vida e todos os momentos desta. Por isso, venha o Amor, que tem muitas formas e faces! E sejamos infinitamente felizes! ^^

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    1. Concordamos totalmente! que venha o AMOR! sempre!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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