Em diversas ocasiões eu escrevi sobre meu pai, e do nosso relacionamento difícil, nulo. Eu sei que isso não é um "privilégio" meu, muitos amigos já compartilharam os seus problemas e distanciamentos de seus pais. Eu também já entendi, de certa forma, que o fato de eu ser homossexual não é o único cerne da questão, quando conversei com minha mãe...e eu achei que já tinha aprendido a lidar com isso
Mas, no meu casamento, mais uma vez eu cometi o erro de esperar dele uma atitude diferente, uma atitude melhor, uma atitude de pai, e mais uma vez eu cai do cavalo - melhor seria dizer que cai do castelinho de cartas que criei nas nuvens.
Meu pai não foi ao meu casamento...
Eu fiz o protocolo direitinho, entreguei o convite em mãos algumas semanas antes, até disse que ele quizesse levar alguém (uma das piriguetes que babam o ovo dele porque ele tem grana, e que ele chama de amigas) era só me avisar. Depois, uma semana antes, liguei para perguntar se ele ia e se queria levar alguém, ao que ele respondeu - "não consigo resolver isso agora". Também conversei com minha irmã e pedi que ela falasse com ele, explicasse que o pai do Mr. Jay iria.
Um dia antes do casamento eu fiz um almoço em casa, para a família do Mr. Jay, e minha irmã também veio. Numa determinada hora ela me puxou num canto e me disse que meu pai não iria, que disse que "preferia não ir". E ela tentando melhorar a situação ainda tentou me convencer que "eu nem fazia questão mesmo" e "que ele era de outra época e eu devia entender" e que "seria até melhor assim para não criar nenhum constrangimento".

Na hora eu concordei, e fiz um ar de "melhor assim", mas no fundo eu imaginava ainda que ele apareceria de última hora, para causar um certo frisson e chamar atenção, como é típico de uma personalidade mitômona como a do meu pai. OLHA AI! Eu tenho vontade me dar um tapa na cara por ter tido este pensamento, esperança boba, pois é óbvio que ele não iria... mania de sempre esperar o melhor das pessoas...
Meu pai não foi ao meu casamento...
Eu fiz o protocolo direitinho, entreguei o convite em mãos algumas semanas antes, até disse que ele quizesse levar alguém (uma das piriguetes que babam o ovo dele porque ele tem grana, e que ele chama de amigas) era só me avisar. Depois, uma semana antes, liguei para perguntar se ele ia e se queria levar alguém, ao que ele respondeu - "não consigo resolver isso agora". Também conversei com minha irmã e pedi que ela falasse com ele, explicasse que o pai do Mr. Jay iria.
Um dia antes do casamento eu fiz um almoço em casa, para a família do Mr. Jay, e minha irmã também veio. Numa determinada hora ela me puxou num canto e me disse que meu pai não iria, que disse que "preferia não ir". E ela tentando melhorar a situação ainda tentou me convencer que "eu nem fazia questão mesmo" e "que ele era de outra época e eu devia entender" e que "seria até melhor assim para não criar nenhum constrangimento".

Na hora eu concordei, e fiz um ar de "melhor assim", mas no fundo eu imaginava ainda que ele apareceria de última hora, para causar um certo frisson e chamar atenção, como é típico de uma personalidade mitômona como a do meu pai. OLHA AI! Eu tenho vontade me dar um tapa na cara por ter tido este pensamento, esperança boba, pois é óbvio que ele não iria... mania de sempre esperar o melhor das pessoas...
Pois ele não foi... é claro!
Confesso uma parte minha achou bom ele não ir, ele é como uma "nuvem negra" sempre que está presente (a não ser que esteja com os amigos que babam o ovo dele). Ele provavelmente ia constranger um monte de gente. Mas tem uma parte minha que dizia que eu merecia, que seria justo para mim ele estar lá, eu queria passar por uma sensação como o novo comercial do Jetta.
Mas obviamente a vida não é um comercial de automóvel, e nem de margarina..
Ele não foi.
Ele não foi e também não deu presente... e olha que eu tinha uma lista de presente "em dinheiro" como é comum hoje em dia... pois esperar um presente pessoal seria "tooooo much".
E o calhorda ainda me passou uma mensagem no dia "desculpe surgiram compromissos não poderei ir"
Os meus sentimentos no dia, e nos dias seguintes, foram mistos. Na hora da festa me senti humilhado pois muita gente perguntou "seu pai não veio?" E cada vez que me perguntavam eu lembrava do assunto e dava uma resposta diferente. Me senti humilhado por saber que muita gente estava comentando o assunto mesmo sem ter falado comigo. Foi uma fofoquinha que pairou no ar... que bosta!
Me senti indigno pois o covarde nunca teve nenhuma conversa direta comigo, nunca, nunca, aliás sobre nenhuma assunto, nem sobre carreira, nem sobre sexo, nem sobre futebol, nem sobre nada... nem mesmo quando arranjou manobras para tentar me tirar da sociedade da empresa teve coragem de falar diretamente comigo sobre o assunto, mando o advogado entregar um documento para eu assinar... e quando eu ameacei reagir voltou atrás rapidamente...
Como eu avisei o Mr Jay antes da festa que ele não iria, eu consegui sublimar maravilhosamente os sentimentos no dia.... Mesmo sendo muito complicado vc se sentir o "cocô da mosca do cavalo assistente do bandido do western italiano nível B". O sentimento era de ter sido agredido, pois ao fazer isso, ao não me prestigiar, ele estava, diretamente, me agredindo, agredindo Mr, Jay, minha filha, minha mãe... tentando tirar o brilho da minha união, lascar a minha dignidade e me humilhar perante outros - e eu não duvido que ele tenha pensado algo assim...
No segundo dia depois do casamento foi quando eu verdadeiramente "registrei o baque", não tanto pelo fato, que eu já tinha deglutido, mas por não saber o que fazer com aquela "informação". Passei o dia choroso, e com raiva de deixar um idiota como meu pai turvar toda a felicidade que eu tinha passado e ainda sentia naquele momento... eu me comiserava por me sentir assim, por me deixar atingir...mas sem saber o que fazer.
Meu marido foi maravilhoso, esteve ao meu lado e me ajudou como pode, deixando que eu falasse e chorasse...
Mas eu acabei ligando para meu terapeuta e pedindo um HELP... dois dias antes da minha lua de mel eu me preocupava de não conseguir elaborar o que fazer com tudo que estava sentindo e estragar minha viagem.. Conversamos bastante pois ele me conhece há muitos anos... e também estava lá no casamento, e também percebeu a ausência do infeliz...
A principio parece bem simples olhando de fora, ele é um bosta que não me ama, nunca amou, eu tenho que parar de me enganar e aceitar a realidade, parar de achar que as coisas são de um jeito que elas não são, tratar ele com a distancia que ele merece, porém sem ser idiota de abrir mão do que é meu de direito, tratar ele como se trata um chefe, um governador, um prefeito, alguém que vc sabe que tem autoridade mas que não respeita.. e pronto...
O que é bem mais fácil falar do que fazer!
E ai meus amigos, tem um jeito mais fácil de lidar com esta situação?
