1 de janeiro de 2014

PAI - aujourd'hui

post final (será?) sobre minha relação com meu PAI, para ler desde o início clique aqui


Cada idioma tem suas palavras especiais na minha opinião, algumas pelo siginificado, outras pela sonoridade...Eu não sou um grande conhecedor do idioma de Flaubert, falo o suficiente apenas para não passar fome, mas aujourd´hui (lê-se ujurduí) tem uma sonoridade muito especial, e significa algo como "nos dias de hoje".
 
Minha relação com meu Pai, aujourd'hui, é totalmente diferente do que era até eu saber o motivo pelo qual ele sempre me rejeitou. A partir do momento em que entendi, que meus esforços em querer me aproximar não teriam efeitos, meu sofrimento cessou!
Com esta mudança eu pude enxergá-lo como uma pessoa, com seus defeitos e suas qualidades (e qualidades ele tem muitas, como provedor, como homem, como empreendedor), e parei de imaginar como deveria ser, como DEVERIA ter sido... e passei a ver como é na realidade!
Se antes eu tentava agradar a qualquer custo e me frutrava, e depois eu precisava agredir a todo custo e me frustrava, agora eu tenho muito mais paciência e dou de ombros com muito mais facilidade. Se antes eu me sentia agredido com o que ele falava, hoje eu fico triste, mas não fico magoado.
Também aprendi a ser um pouco mais estratégico, um pouco mais consciente dos caminhos que precisam ser trilhados para atingir alguns objetivos, a manter-me por perto para preservar alguns direitos. Percebi que eu não preciso falar tudo que eu devia, ou queria, porque não falar também é um tipo de controle que me faz bem. Neste aspecto acho que aprendi a ser um pouco mais paciente e resiliente, talvez até menos "mimado", achando que as coisas só tem um CERTO e um ERRADO.

Mas isto tudo não quer dizer que eu não gostaria que fosse diferente, mas sei que isto é uma fantasia que eu não preciso, não posso e não devo, alimentar... E não é a toa que a estória do Luke Skywalker e do seu Pai Darth Vader, guarda tantas semelhanças com tantas outras estórias!

E você meu amigo? Como é seu relacionamento com seu pai? Me conta!



8 comentários:

  1. Uma relação quase nula. Gosto dele, porque o aceitei como ele é, e apenas como é. Andei atormentado durante anos com a nossa relação, com as coisas que ele me dizia e da forma que ele me tratava, e depois, das coisas que dizia. Cheguei a dizer em tempos na adolescência, "com tantos homens no mundo para serem o meu pai, tinhas que me calhar tu". Isso provocou mágoa e até me deixou de falar durante dias. E as coisas que ele me fez/faz também me magoa. Se calhar não foi talhado para ser pai, mas é. Portanto é uma relação dura, mas actualmente, compreendida por mim, porque vejo as coisas de maneira diferente. Também porque tive ajuda de uma profissional que me ajudou a ver isso. E temos esta relação, sem ele saber que sou gay. Portanto imagino como será quando souber. Veremos o que acontecerá.

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  2. A minha é tipo motorista de ônibus : FALE SOMENTE O INDISPENSÁVEL.

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  3. Meu pai é uma pessoa que acha que é a única pessoa que está certa no mundo e que ele é um modelo de comportamento para todos, ninguém é tão om ou tão correto quanto ele, mas isso tudo é mentira. Sabe como é? Ele é do tipo que fala mal, por ex, de motoristas no trânsito, mas é o primeiro a furar um sinal vermelo e trancar um cruzamento se ele ganhar algo com isso. Um modelo de homem, de como não ser.

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  4. Meu pai foi a pessoa mais idealizada da minha vida, por isso minha decepção com ele foi muito grande (grandes expectativas acompanham grandes frustrações). Não cheguei ao ponto bem resolvido de muitos e ainda não o compreendo, quase não o aceito. Ele não é um homem impositivo, é muito pacato, neutro, tão neutro que dá vontade de surrar, para ver se ele reage, mas nunca reage, e não por ser sábio, mas porque é indiferente ao mundo. Tem uma depressão profunda não tratada e isso afetou toda a família. Não busca ajuda, apesar de eu já ter falado nisso. Prefere curtir a fossa eterna e condenar todos nós à culpa pela vida que ele considera fracassada. Claro que eu gostaria que isso fosse diferente.

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  5. Caro HHP,

    Acompanhei até o ponto final, ainda que de final sabemos que pouco existe nessa vida.
    Confesso que não sou um grande fã da psicanálise e nem da psicologia analítica ( Freud e Jung ), mas entendo que ambas as teorias possuem respostas sobre o conflito Pai x Filho.
    Se Cronos foi destronado por Zeus, cabe lembrar que Zeus tornou-se um Rei tão cruel quanto Cronos, seu pai. Cronos literalmente devorava seus filhos na hora em que nasciam para que não houvesse perigo de ser destronado. Zeus fez exatamente a mesma coisa com Métis, cujo o oráculo profetizava que geraria um filho que destronaria Zeus, ou seja: Repete-se aquilo que se viveu e aprendeu!
    Independente da sexualidade, todo pai é a primeira figura masculina que um menino deposita o seu afeto. Se esse afeto não for vivificado naquilo que eu chamo de um saudável "jogo de bolas"(confiança) existe uma grande chance de uma sequência de desafetos se perpetuar por toda uma vida pela simples razão de que : se você , pai, não me amou, eu não amarei nem a você e nem os demais homens que surgirem em minha vida. Cabe sempre lembrar que amar é compartilhar e não destronar, tirar o poder do outro, mas investir o outro com o seu próprio poder ( Você vai entender que aí reside a gênese da homofobia internalizada). Nessa procura do amor masculino que nos foi negado procuramos até por algo que seja semelhante aquilo que nos rejeitou ( parece-me que seu ex-companheiro possuía algumas características semelhantes ao seu pai, como o afastamento e a dificuldade em expressar aquilo que realmente desejava e sentia).
    Tal como Zeus, podemos destronar nossos Cronos, mas cabe a nós, e somente a nós, destronar a nossa própria raiva do pai, aprendida e nutrida por anos para não repetirmos uma história similar a deles.
    Somos o que somos pela graça e desgraça do que nos é dado. Você soube perceber a graça! E isso é trabalho para poucos!
    Feliz 2014

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  6. Não conheci meu pai, sou filho de mãe solteira e criado pela avó. Não tenho vontade de conhecê-lo pois ele sempre soube onde eu vivi. Mas digo que fez falta e muita, não tive uma figura masculina em minha vida nem a figura materna, mesmo esta estando perto, acho que por sempre ter ficado tão sozinho senti falta de um pai durante a infância e adolescência. Sorte que a vida fez com que conhecesse pessoas especiais que tanto me ensinou e me lapidou par que eu me tornasse o homem que hoje eu sou,

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  7. Meu relacionamento com meu pai, ainda está em desenvolvimento, faz pouco tempo que ele passou a fazer parte da minha vida, mas ainda de forma tímida. Ainda não o conheço bem, nunca convivemos. Me esforço pra que isso de certo, porque realmente senti falta de um pai, de verdade.

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  8. Olá H. H & P! tudo bom?

    Cara, minha relação com meu pai sempre foi afetivamente distante. Ele foi muito devotado ao trabalho e etc..
    Quando minha vó e mãe faleceram, acabamos ficando apenas nós, dois estranhos sob o mesmo teto. Foi um período difícil e ainda é as vezes. Ainda guardo algumas mágoas de sua indiferença, mas conseguimos nos aproximar da melhor maneira possível. Ele tem um bom temperamento, é uma boa pessoa, mas ainda não conseguimos manter um diálogo franco tampouco somos capaz de alguma demonstração de afeto ou contato físico um com o outro, e obviamente, ele nem imagina que sou gay e creio que essa verdade estremecerá nossa relação algum dia. Só espero que até lá já tenhamos conseguido consolidar uma relação com raízes mais profundas do que as que temos hoje, por que talvez essas não sejam suficientes para nos manter juntos. (ou não)
    Abraço,

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