13 de fevereiro de 2015

50 tons... de Rosa


Mr. Jay estava ansioso para assistir ás peripécias da Anastácia e do Christian desde que anunciaram que transformariam o livro em filme.... posto isto, lá estava eu - á princípio de maneira compulsória - para assistir ao primeiro filme da trilogia 50 TONS DE CINZA... fui com o espirito aberto, com um pouquinho de preconceito posto que não li os livros, disposto a me divertir... mas no final foi uma experiência cheia de surpresas!

A primeira surpresa foi saber que os ingressos da estreia esgotaram - em todas as sessões do cinemark - duas semanas antes! Coisa que normalmente só os blockbusters NERD, tipo STAR WARS, conseguem fazer...A outra surpresa foi o foyer (eu sou fino) e a fila... 90% mulheres... mulheres em grupos, histéricas, falando alto...
Conforme as pessoas foram se acomodando era uma algazarra digna de pre-estréia de filme da Xuxa (já fui em uma com a filha pequena, posso falar), foram produzidos centenas de selfies e com certeza dezenas de posts anunciando a presença "dazamigaz" no cinema... muito divertido... eu confesso que estava me sentindo até meio deslocado na fila com o Mr. Jay, meio sem graça, como se estivesse no lugar errado! 
Apesar de eu ter lido sobre o sucesso dos livros eu comecei a perceber que eu tinha subestimado o alcance deste sucesso... que de fato pode ser chamado de fenômeno...
Quando começaram as primeiras cenas as moçoilas da platéia (algumas nem tão moçoilas) quase surtaram! Gritinhos, piadinhas, risadas nervosas...  em algumas cenas, que devem ser momentos chaves do livro, a comoção era maior...nem preciso dizer que a "patuléia" foi a loucura a primeira vez que ele tirou a roupa e mais ainda numa cena rápida onde se pode ver de relance os pelos pubianos (a.k.a. pentelhos) do protagonista! 
Uma verdadeira experiência antropológica... especialmente com a presença de alguns "desavisados ou não" namorados acompanhados de suas escolhidas (como dia a revista CARAS)

A estória já foi contada outras vezes... a menina pobre que encontra um cara rico (riquissimo) que faz de tudo para conquistar a moça humilde (presentes caros) mas que depois, descobre-se, ele tem um lado "negro" (cinza no caso) e a menina abre mão de tudo por seus "princípios". O princípio no caso, da menina estudante de literatura inglesa, é basicamente o romantismo... ela se guardou (em vários sentidos) para seu romance idealizado... dormir juntinhos, passear de mãos dadas...
... com o upgrade do Helicóptero, do Audi, da super suíte de hotel, das roupas caras...que nenhum  ser romântico desde os tempos de "Pretty Woman" ia recusar não é???? 

De novo vemos o embate do amor, da idealização do amor, com a realidade, no caso uma realidade de abandono, de violência na infância, de abuso na juventude... justificando, de certa forma, as atitudes do protagonista, incapaz de amar e se entregar aos sentimentos... algo como .... só gente muito perturbada pode gostar de dominação e submissão... deixando nas estrelinhas que COM CERTEZA o amor vai mudar e transformar este homem e vai salva-lo deste mundo de perdição...
Eu não sou praticante e nem especialista deste tipo de prática sexual, mas acho preconceituoso e hipócrita colocar este véu moral, de novo tentando NORMALIZAR a sociedade, coisa que nós gays entendemos bem, pois sempre somos chamados a sermos normais não é? Você vai ver que o protagonista reforça isto em alguns momentos, a tal normalidade...

Eu gostei do filme e me diverti com tudo que ele movimentou.  E seria chutar cachorro morto lamentar que tradução MATOU a confusão proposital entre GRAY e GREY...Não é um filmasso... os atores até que tem bons desempenhos, com certeza serão convidados para outras produções onde talvez possam ser mais reconhecidos - sem a camada de preconceito que envolve o filme.

Quando acabou eu disse 
- Nossa acho que é um filme pesado (por conta de algumas cenas) para minha filha assistir... 
ao que o Mr. Jay disse algo como
 - "Hello! acorda Alice! O filme é classificado para 16 anos!"

É.... mais uma situação que me fez perceber que eu estou bem mais para o Rosa do que para o Cinza...

E você? Em que lado do degradê você está? Mais para o Cinza ou mais para o Rosa?




7 comentários:

  1. Aqui também esgotou na estreia. Não estou demasiado interessado em, ver...

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  2. Euli a trilogia e ela me lembrou os velhos tempos qdo A Insustentável Leveza do Ser de Kudera estourou como os 50 Tons ... A maioria classificou de forma preconceituosa como um folhetim barato. O tempo passou e hoje, qualquer resenha q vc acesse sobre o livro e o filme, eles aparecem classificados como pelo menos CULT ...
    Gostei da trilogia. O lado sexual é só um pano de fundo para mim, o lance da menina pobre q seduz e domina o rapaz rico ídem ... para mim o q contou foi o lado da psiqué do Mancebo.
    Aqui a saga dos ingressos foi a mesma coisa ... não arrisquei e esperei. Vou na Terça Feira de Carnaval com igresso adquirido sem atropelos pela internet ...

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  3. Eu me classificaria como "mauve" , um tom de rosa mais escuro e menos idealizado, mas mesmo assim...ROSA!!! rsrs
    Tenho por opinião que o romance foi um sucesso estrondoso, assim como o filme, por estarmos vivendo uma época histórica bastante peculiar...
    Acreditamos que o espírito romântico morreu ( por isso o rosa tornou-se cinza ) , mas desejamos desesperadamente encontrar essa cor perdida de alguma maneira, nem que para isso Rosa vire Cinza e vire Rosa...
    Nessa confusão de cores é mais do que compreensível que o Cinza do Mr. Grey ( poder, dinheiro, dominação sexual ) apareça como um substituto para o rosa...
    Estamos esquecendo que no espectro das cores existe muito mais possibilidades do que o preto, o branco e o cinza!
    bjs

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  4. Uma coisa é inegável, esse best-sellers(jogos vorazes, crepúsculo e esse 50 tons de cinza) rendem roteiros de cinema até interessantes. Agora, qualidade literária estão longe de ter.

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  5. Bem... Sobre a trilogia de livros, eu li um post (cheio de spoliers) que faz uma análise que eu concordo:

    http://www.cemhomens.com/2012/09/cinquenta-tons-de-backlash/

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  6. Eu adorei o chicote. Muito estiloso... to querendo um igual... kkk. Aceito links.

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  7. Nunca me falaram muito bem do livro e sempre disseram que era até apelante demais, então, nunca tive vontade de ler. Talvez, quem sabe um dia não assista o filme? Já que tenho mais do que 16 anos... Rs

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