10 de fevereiro de 2015

Fazendo o JOGO DA IMITAÇÃO...

No fim de semana assisti um dos filmes de temática LGBT menos gays que já tinha visto - O Jogo da Imitação 
O filme é baseado na biografia de Alan Turing, matemático inglês aceito por todos como o inventor do computador, como bom Nerd eu já conhecia um pouco da história dele, inclusive sobre a questão da homossexualidade e do final da vida dele - que eu não vou contar porque não quero estragar a surpresa. 
Digo que é um dos filmes gays menos gays que já vi porque não tem nenhuma cena de nudez, nem um mísero cara sem camisa, nenhum beijinho... nada... aliás, só se fala do assunto homossexualidade efetivamente no fim do filme... o que deve pegar de surpresa algum homofóbico mais xiita que assista o o filme! Mas acho que o filme, por sua abordagem, transmite uma mensagem incrível e efetiva, de como o preconceito é estupido e injusto.

Na hora que assisti ao filme lembrei um pouco da história do Oscar Wilde no final do século XIX e pensei nas centenas de milhares de histórias anônimas similares... realmente era infinitamente mais difícil ser homossexual num passado bem recente... 

Os computadores foram criados para, de certa forma, nos imitarem, pois mesmo funcionando de uma forma diferente que nosso cérebro, eles imitam as nossas necessidades para chegarem ás soluções que nós precisamos, e faz parte do imaginário de todo mundo imaginar o dia que os autômatos se parecerão conosco e serão até confundidos com pessoas por imitarem até mesmo nossos sentimentos... e sabe de uma coisa?  A maioria de nós gays acaba agindo como os computadores em certo momento da vida, para sermos aceitos passamos a imitar o comportamento hétero... para sermos confundidos com humanos héteros... 
Na infância ás vezes imitamos o gosto dos amigos por futebol, na adolescência imitamos os amigos que acham as "minas" gostosas, na família imitamos bons alunos e filhos educados, alguns vão adiante e imitam maridos ardorosos e se tornam pais aceitos socialmente... imitamos para nos confundirmos, imitamos para sermos aceitos. Cada um de nós  faz o seu JOGO DA IMITAÇÃO, dependendo da época, do meio em que vive, imitamos para sobreviver...
Muitos gays inclusive criticam os gays que querem se casar e ter filhos de estarem "imitando" os héteros, para serem aceitos... 

E você? Já jogou muito o seu "jogo da imitação" particular?








16 comentários:

  1. Discordo que seja um filme de temática LGBT. Até porque esse assunto mal foi tocado, como você disse (embora seja importante, creio eu, pra lançar um pouco mais de luz sobre a personalidade biografada).

    Particularmente, nunca fui extrovertido. Mas nunca fingi gostar de futebol nem de mulher. Já bom aluno, bem... as notas falam por si, rsrs.

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    1. Como eu disse Edu...é o filme gay MENOS GAY que eu já vi! abraços!

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  2. Bem, o filme foi legal para mostrar esta realidade do preconceito ... felizmente, eu me livrei de meu preconceito para comigo mesmo mais ou menos cedo em minha vida [de forma definitiva]. Mesmo assim, antes de me livrar dele, eu nunca tentei e nem precisei imitar machinho e ter namoradinhas, jogar futebol e coisas do gênero ... Claro q como bom gay sempre fui bom aluno, bom flho, bom irmão, bom colega, bom administrador de tudo ... [a tal compenssação eu acho para mascarar a condição e ser aceito]. No meu caso o problema foi me resolver comigo mesmo, pois sou um privilegiado neste campo, pois nem família, nem amigos nem colegas nunca me cobraram nada e nem agiram com preconceito homofóbico contra mmim ...

    Beijão

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    1. Eu tb não enfrentei muito problema Mr Bratz... mas não sei como teria sido minha vida na década de 30 do século XIX.... beijo e obrigado pelo coment!

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    2. sugestões de datas para o café:

      23/24, em princípio ok a partir das 17h
      25 rodízio do carro. Só se for em casa.
      26 não posso
      27 folgo (então posso o dia todo)
      28 a 3 estou nos US and A. rs

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  3. Eu vou levar "o jogo da imitação" para um outro lado... não o lado de fingir gostar de mulher ou não, de futebol ou não, mas o de imitar os outros não para ter uma "passabilidade" hetero, mas para não despertar a atenção para nós mesmos. E esse jogo eu acho que cheguei fazer, e bem, por um bom tempo, eu nunca fiz algo que não gostava (ou julgava ser correto) para me esconder ou passar por quem eu não era, mas confesso que por vezes fiz questão de deixar pistas dúbias para trás a fim de não revelar maiores detalhes sobre mim.

    Em relação ao ser "bom"... só vou dizer que minha irmã sempre falava que eu tinha "cara de menino criado pela avó que toma banho 16h e fica sentadinho no sofá" ... kkkkk

    Eu sou da área de Computação, e o Turing é considerado o "Pai" da Ciência da Computação, mas mesmo entre nós, ele ainda é um nobre desconhecido, muitos desconhecem a importância da sua teoria e da sua vida pessoal...

    No fundo acho que ainda temos muitos Turing "perdidos" por ai...

    Grande abraço.

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    1. Latinha, este jogo de passar desapercebido tem outro nome... mimetismo! RSRS.... que bom que vc já era fã do Turing...então vai gostar do fime, com certeza1

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  4. Assisti o filme ontem e a primeira coisa que pensei foi o mesmo q vc: Oscar Wilde! E me envergonhei de nunca ter lido ou ouvido falar no Turing...

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    1. Sem problema Madi... todo dia descobrimos coisas novas não é? obrigado pelo comentario!

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  5. O filme é uma obra prima!!!

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  6. Bem, acho que todo mundo passa por uma fase de jogar o jogo da imitação, pq somos uma espécie que aprende viver em sociedade se imitando... Os "amigos heteros" das nossas rodinhas de amigos infantis também aprendem a gostar do que gostam por imitação de um modelo...

    Enfim: é por isso que acredito que precisamos de mais diversidade de modelos, tanto vários modelos heterossexuais, como também vários homossexuais, bissexuais, assexuais, demissexuais e quantos mais puderem!

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    1. Imitamos o comportamento dos nossos pais por exemplo mas a imitação nesse filme é imaginar que um dia teríamos que criar um cérebro artificial que pudesse fazer " quase " tudo pelo homem , sociedade. Hoje somos imitadores de tudo praticamente e os computadores nos imitam porque os ensinam a ser como nós mas com uma capacidade altíssima.
      Filme magnífico

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  7. Esse filme é sensacional
    Temática que vai além da homossexualidade , cara brilhante , pensei em Oscar wild , lorca , Assis valente é tantos outros gênios
    Enfim vale a pena ver
    Outra sugestão de filme de Oscar
    Chama Selma
    Hotel Budapeste é uma farsa estilizada ao máximo e muito grotesca ao mesmo tempo instigante.

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  8. Posso ter imitado ou imito comportamentos, mas creio que por um curto tempo, o suficiente para perceber que eu estava/estou indo contra a minha personalidade, criando pontos de tensão desnecessários. Não consigo citar um caso especifico, porque desde muito cedo "fazer e ser o que quero" foram premissas bases da minha personalidade. Fui uma criança e um adolescente muito diferente dos pares da minha idade por essa característica.

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  9. Uau.
    Que texto lindo.
    Vou assistir esse filme hoje.

    Obrigado por essas palavras.

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