26 de outubro de 2005

Adoção tardia...o nome do amor!


Muitas pessoas que defendem a adoção por homossexuais usam como argumento de que "é melhor a criança ter um pai ou mãe gay do que viver num abrigo" ou "a adoção por homossexuais pode ajudar muitas crianças abandonadas"...
Eu, particularmente, não gosto destes argumentos, acho que a decisão de ter filhos não deve ser uma atitude de caráter social, uma maneira de "melhorar o mundo".
A decisão de ter filhos não deve ser uma maneira de "fazer caridade", é uma decisão muito mais complexa, uma decisão para sempre.
Por outro lado eu acho que, de uma forma ou de outra, os homossexuais que pretendem adotar filhos, podem ser uma boa alternativa para a quebra de alguns paradimas associados á adoção.
Um destes paradigmas é a adoção TARDIA. Adoção TARDIA é considerada a adoção de crianças mais "velhas", acima de 3 ou 4 anos.
A maioria dos pretendentes á adoção, na sua maioria casais heterossexuais, que lançam mão da adoção por não terem condições biológicas de gerarem os próprios filhos, opta por crianças de até 2 anos de idade, aliás , a maioria procura por bebês, de no máximo 1 ano.
Esta opção vem da falsa idéia, CERTAMENTE falsa idéia, de que crianças maiores são crianças problemáticas, que tem muitos problemas relacionados ao abandono, a vida nos abrigos, e que portanto são dificieis de se adaptar a uma nova vida, crinaçs cheias de "manias" e "maus hábitos", crianças dificeis de reconhecerem os adotantes como pais...e estas pessoas estão tão ansiosas por serem pais que estas dificuldades podem parecer instransponíveis.
Na realidade eu não critico o desejo destas pessoas em terem bebês, não critico o desejo de ver estas crianças crescerem, não critico o desejo destes pais e mães de criarem a criança desde pequena de seu jeito...(como se as pessoas já não nascessem com suas personalidades "encaminhadas").
Mas isto acaba sendo de certa forma perverso!
Ai o que acontece? Nas filas dos foruns existem centenas de pretendentes a adoção cadastrados e milhares de crianças disponíveis para adoção, mas nenhuma adoção acontece!
Porque? Porque o desejo do pretendentes á adoção (bebes, brancos e saudáveis) não "casa" com a lista das crianças disponíveis para adoção (crianças maiores, muitos grupos de irmãos, pardas e negras) .
E dezenas de novas famílias deixam de se formar, dezenas de pessoas, adultos e crianças, deixam de ter novas e felizes vidas! Preconceitos infundados, preconceitos contra o que as pessoas acham que podem controlar, como se nossos maridos, esposas e namorados fossem facilmente moldaveis e controláveis...
E as crianças "inadotáveis" ficam mofando nos abrigos...
Neste aspecto acho que os homossexuais podem ajudar a quebrar alguns paradigmas e abrir novas portas para toda a sociedade, porque eles, que são sempre vitimas de tantos rotulos e ideias pre-concebidas podem ajudar a mostrar a sociedade que estórias de vida e de amor podem surgir independente dos laços de sangue, da idade, e da cor das pessoas envolvidas, as pessoas tem que estar preparadas para o amor, para as novas possibilidades, para o imponderável, para construir algo.
E muitas vezes os homossexuais, que vivem isto diariamente, podem entender melhor!
Para saber mais desta amor, eu recomendo a leitura do Livro do Angelo Pereira, um carioca que adotou um menino mais velho. O livro se chama RETRATO EM PRETO E BRANCO, na lista dos links aqui do lado no blog temum link para a Editora do livro! É um livro emocionante e entusiasmante!

Um comentário:

  1. Não sei exatamente a partir de qual idade a adoçao pode ser considerada tardia, mas conheci meu filho Pedro Paulo no orfanato quando ele tinha um ano e dois meses, e dois meses e meio depois ele ja estava morando comigo. Anos depois, sem pedir sua permissao, resolvi contar nosso prosaico caso de amor nas paginas do meu pequeno Retrato em Branco e Preto. Quem quiser saber os detalhes, esse livro pode ser comprado no site da editora GLS.

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