7 de junho de 2014

Homofobia na Livraria

Na semana passada fui com o Mr. Jay até a Saraiva do Shopping Morumbi para ele retirar o Macbook dele que estava na garantia mas tinha apresentado um problema na tela. Dentro da Saraiva funciona um balcão da Apple justamente para manutenção e ele tinha deixado a máquina lá antes de viajarmos.
Muita gente esperando para ser atendida... o que por si só já eh estafante.
Só que o casal que estava sendo atendido antes do Mr. Jay estava demorando muito tempo para ser atendido e ele foi lá ver o que estava acontecendo... chegando lá ele percebeu que a demora era porque o proprietário do Iphone não sabia o usuário e a senha dele do Itunes (ou do Icloud) e estava tentando, sucessivas vezes, "adivinhar" a senha...
Mr. Jay, que é um consumidor bem ciente de seus direitos, reclamou para o atendente, disse que o balcão dele era para retirada de equipamentos e que se a pessoa não sabia a senha ela tinha que ir em outro lugar para tentar descobrir...o atendente respondeu:
- ele chegou na sua frente e também é um cliente que esperou, agora o senhor tem que esperar...
Mr. Jay não se conformou com a resposta e saiu no encalço do gerente da livraria:
- fica aqui e se eles acabarem me chama - pediu.
Passados alguns minutos o atendente virou para o infeliz que estava ainda tentando adivinhar a senha e disse:
- senhor, eu vou ter que dar razão ao outro cliente (no caso o Mr. Jay), se o senhor não sabe a senha eu preciso atender outra pessoa.
O rapaz concordou, mas a mulher que o acompanhava disse:
- deixa o viadinho esperando, eu só saio daqui depois de conseguir!
Como eu tive certeza que ela disse isto para eu ouvir eu tinha duas alternativas: ou eu ficava quieto e ela ficava com a sensação que eu tinha vergonha de ser gay por isto não ia retrucar, ou ...cheguei perto dela e falei calmamente:
- ei, escuta aqui, ele é meu namorado, se ele é o viadinho eu sou o viadão, e se você repetir isto de novo você vai passar a noite na delegacia se explicando!
Ela me olhou com uma cara que misturava "ele não parece viado" com "oops! acho que vou me ferrar!".
O atendente, percebendo que o clima ia esquentar, pediu desculpas e pediu para o rapaz verificar na casa dele e voltar outro dia... nisso o Mr. Jay chegou e o atendente o chamou. Quando eu contei para ele o ocorrido (péssima ideia agora eu sei) ele, tomado de ira, berrou no meio da livraria, em direção á tal mocinha
- vem aqui me chamar de viado sua vaca! (Mr. Jay irritado = barraqueiro)
O namorado dela então voltou e veio tomar satisfações com o Mr. Jay, enfiando o dedo na cara dele (só que foi engraçado porque o cara era quase 1 palmo mais baixo que o Mr. Jay), eu, para evitar que o caldo esquentasse, dei um passo e encostei no cara (dois palmos mais baixo que eu!) o que deve ter intimidado ele um pouco que saiu ameaçando:
- vou te esperar lá na saída, você não sabe com que está mexendo! (não ouvia isto desde os tempos de colégio) , o que era uma bravata em se tratando de um shopping com umas 30 saídas diferentes...
E eu ainda ironicamente acrescentei, quando o cara foi saindo, puxado pela namorada:
- só volta aqui quando você souber a senha, porque nós sabemos a nossa!

Na Saraiva ficou o maior "climão", mas eu vi que as pessoas que estavam esperando de certa forma apoiaram o que aconteceu, especialmente porque tiramos aqueles dois que estavam atrasando todo o atendimento porque não sabiam a senha do telefone!
Da minha parte ficou uma sensaçao de "missão cumprida", porque eu me lembro de várias vezes, no passado, que eu me fiz de surdo e nada respondi, sinal que estou melhorando ou que estou ficando mais barraqueiro!

E você? já pasou por situações assim? Como reagiu?

18 comentários:

  1. Atitude incrivelmente invejável, partindo da situação que foi posta aqui. Queria eu ter esse “carão” e fazer o mesmo, já passei por uma situação parecida com essa, mas não soube o que fazer e simplesmente baixei a cabeça e fiquei quieto, no meu canto me retirando da loja. No começo desse ano, fiquei sabendo que passaria por uma prova, para entrar em uma escola de dança muito conhecida fora do País, pra isso precisaria, dançar 3 musicas em cima de um salto 15, fui em uma das lojas mais conhecidas da minha cidade atrás de um calçado assim, e a atendente quando questionada por mim, sobre o calçado, soltou: Não vendemos esse tipo de calçado para ‘viadinhos’. Na hora, minha amiga ficou irada com a atendente, mas como eu nunca tinha passado por algo do tipo, não soube como reagir, e simplesmente fiquei quieto, no meu canto, e me retirei da loja, da qual não quero mais voltar. Enfim, vivendo e aprendendo. Quando eu crescer quero ser que nem você :P hehehe Abraços Queridão!

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  2. Ih, milhões de vezes que me aconteceram coisas do género. Acho que depende muito do dia em que acordo. Quando tou sem vontade pra brigar ignoro, já quando acordo meio esquentado saio respondendo na hora. cada vez tenho mais tendência a responder na hora, pensando nisso xD

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  3. Um dia eu precisei ter minha honra defendida pelo companheiro mas ele não o fez. Me senti defendido por tabela, por você, agora. Mesmo o motivo não tendo sido homofobia, te agradeço!

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  4. Então, eu não sei... eu nunca passei diretamente por uma situação assim, mas eu acho que tenho "tendências" a querer dar uma voadora na cara de um... Via de regra, eu sou sempre o comedido e conciliador, mas tem coisas que meu sangue ferve.

    Olha, parabéns para a atitude de vocês, por mais que eu pense que sua reação é mais adequada e evita que no final acabemos perdendo a razão. Um barraco vez por outra não mata ninguém e os errados (tudo errado por sinal) eram eles.

    Com certeza, principalmente a "nobre ruminante" lá, vai pensar duas vezes antes de sair falando o que lhe vier na cabeça.

    Obrigado pela lição, nela e em mim mesmo... ;-) Abração para vocês.

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  5. Oi querido, td bem? Maravilhosa atitude de vocês é bom não esperar calado mesmo, passei por situações assim muitas vezes, tanto de homofobia, quanto de racismo, mais de racismo, eu demorei para saber que era racismo, ou homofobia, mas quando descobri comecei a fazer barraco mesmo.

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  6. Que sensação boa que eu tive agora, lendo esse post!
    Só queria estar lá no exato momento para aplaudir!

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  7. Não estava lá, que pena ... ia ajudar a aumentar o barraco ... a situação inicial em si já me deixaria possesso, ainda deparando com uma "vaca" e um "machão" destes, a situação fica mais animada, do jeito q o Bratz "barraqueiro" gosta.

    Parabéns aos dois ... temos q nos afirmar e não afinar nunca ...

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  8. Meu herói!
    A gente tem que ser barraqueiro mesmo! Se eles são mal educados a ponto de nos tratar mal, temos que responder na linguagem que eles entendem...

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  9. Anônimo9:57 AM

    Parabéns, essa é a atitude que todos temos que tomar.

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  10. Uma vez, na academia, a recepcionista conversando comigo, em tom de brincadeira, me disse "mas é uma bicha mesmo, né?" E eu respondi, sem pestanejar: "e vc é a Mãe Diná". Depois do silêncio perturbador, rimos juntos. Ela pediu desculpas. Eu aceitei.

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  11. Passo por isso sempre com meus alunos. Já cansei de parar aulas na metade pra dar esporro, tirar de sala, dar advertência, e etc. Ou então transformar a aula de o que quer que seja numa aula de diversidade, pra ver se alguma coisa entra na cabeça deles.

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  12. R. Ui adorei a parte do viadinho é tão provocante hahahah. Se ja fez o que devia com a boca só ela o sabe lol eu sei o que faço com a minha HAHAHAH.

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  13. Vc foi muito elegante e ponderado,poderia ter perdido a cabeça com a grosseria da tal moça(essa,sim,uma ignorante e preconceituosa)mas conseguiu passar pelo incidente desagradável e evitou uma confusão maior...Infelizmente,ainda existe gente como ela,que ataca verbalmente os outros qdo.está acompanhada pelo brucutuzinho do marido/namorado...se estivesse sozinha,queria ver se ela diria isso...

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    Ufa....que lamentável história. Comigo ou chamava a polícia por desrespeito e preconceito homofóbico, ou dava um valente chapa e curtir a dor para casa.
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  15. Eu não sou a pessoa mais masculina do mundo, nem barraqueiro, mas de vez em quando é realmente bom esfregar na cara dos desavisados que eles não tem nada a ver se a gente é viadinho ou viadão. Ir à forra pode ter seu preço, mas o alívio na consciência é impagável. Abraço!

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  16. Nunca passei por isso e lamento por vocês. Acredito que a postura de vocês foi quase correta. Não precisava xingar a moça por mais que merecia (troglodita do Karai). Mas no calor da ofensa sorte não ter quebrado a cara dela.

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  17. Gabriel V.4:11 PM

    Excelente atitude! Tem gente que acha melhor ficar quieto, mas a quietude é a o pior caminho, pois só nos faz carregar mágoas. Você mostrou ao casal que eles devem se colocar em seus respectivos lugares.

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  18. Anônimo8:19 AM

    Passo por essa situação quase todo dia, mas a maioria das vezes os xingamentos ñ são direcionados a mim, mas aos gays em geral, se for mulher eu retruco e discuto, mas se for homem eu fico calado, ñ quero apanhar!

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