18 de setembro de 2013

MACHO, MACHO MAN! I don´t wanna be a "machista" man!

Para ler este post você vai precisar exercitar sua EMPATIA! =o)
Exercitar sua capacidade de se colocar no lugar do outro ok?
Então você vai ter que se imaginar Homem, Homossexual e Pai de uma adolescente de 17 anos. Se quiser eu espero um minuto! Respira fundo!  rsrsrsr
Uma coisa que sempre disse para mim era que eu estava criando não minha filha, mas uma pessoa para o mundo!
Eu realmente acredito que, de certa forma, as pessoas nascem prontas, e que Deus coloca as pessoas nas famílias que ele acha importantes para depurar as qualidades destas pessoas e para melhorar as famílias em que são postas, acredito mesmo que os filhos são apenas "emprestados" a seus pais e mães.... E pelo pouco que conheço eu sei que várias religiões e doutrinas - budismo, espiritismo por exemplo - falam algo parecido.
Eu sempre disse, e ainda digo,  que eu queria que minha filha namorasse bastante antes de casar, eu não queria que ela se apaixonasse e casasse com o namoradinho de infância, eu queria que ela vivesse experiências diferentes, que ela pudesse ter condições de fazer escolhas melhores!
Sei que isto pode parecer estranho a pais de meninas, que não querem ver suas filhas "passando de mão em mão" e nem serem "mal faladas". E mais estranho ainda aos que acham que suas filhas devem "se preservar e casar virgens".
Mas é assim que eu penso! Eu acho que a pessoa ter várias experiências, no que quer que seja, garante que ela possa fazer escolhas melhores. E isto não significa que eu quero que minha filha seja uma "piranha" ou "vaca", como diriam outros. Isto é pensar como educador, é preparar nossos filhos para a vida, para tomarem suas decisões e arcarem com as consequências.
Namorar pessoas diferentes, ficar com alguns meninos ao longo da vida, não significa transar com eles, significa saber lidar com eles, e, inclusive, saber dizer não! E também significa entender o machismo inerente aos sapiens sapiens . Lembrando que existem homens e mulheres machistas!
Infelizmente sou obrigado a confessar que eu mesmo tenho muitos traços machistas, sorry amigas! Eu tenho que sempre me treinar e me preocupar em não pensar que as mulheres não tem certas capacidades e habilidades, mesmo quando eu digo "as mulheres são mais exigentes e cumprem melhor as normas" eu estou embutindo uma crença paralela de que "mulheres são menos flexíveis e criativas". Um horror não é? Mas confessar e me preocupar em mudar meu pensamento significa tentar melhorar um pouco isto...  espero!
Mas isto não significa que sou misógino, amo as mulheres, amo muitas das qualidades e dos aparentes defeitos  delas, afinal de contas, nossos "defeitos" também nos definem! Como gay sei que meu lado mulher é bem dominante em muitos aspectos. Amo tanto as mulheres que escolhi ter uma filha mulher!
Eu ser machista, sendo gay, o que parece um paradoxo, serve apenas para corroborar que o machismo não é uma prerrogativa do gênero, e explica porque existem tantas mulheres machistas, que são as mulheres que criam filhos machistas!
Chegar neste pensamento, nesta crença, de que  minha filha deve conhecer melhor os homens, já me parece um trabalho no sentido de combater meu machismo, em que só o homem pode ser "pegador", se bem que na realidade eu não acredito que ser "pegador" seja um elogio....
Mas será que "querer que ela namore bastante" e "antes de casar" não são nuances machistas?
Combater meu machismo significa que eu tenho que acreditar que as mulheres, e especialmente a mini-mulher que eu tenho lá em casa, tem todas as capacidades que os homens tem, que elas podem decidir e fazer o que bem entendem, que elas podem ser e querer qualquer coisa.
Combater meu machismo é aceitar que "querer casar e ter filhos" é um valor tão importante e válido quanto qualquer outro. E que eu não tenho que achar uma "pena" minhas amigas terem decidido não terem carreiras profissionais.
Mas o machismo está tão "instalado" dentro de todos nós que não é uma tarefe fácil!
E você? quanto machista você é?
Para finalizar o post eu sugiro assistir este vídeo! Musica que fala de "coisas de homem", um grande sucesso de uma banda...de gays!
Este post foi inspirado por uma dica que a Maira publicou no blog NOSSA FAMILIA COLORIDA, fazendo referência a um texto de Miguel Rios, publicado no UOL.

11 comentários:

  1. Tá bom...eu te perdoo por este texto. Vá lá reze 100 ave-maria, 100 pai-nosso e 200 salve rainha por ser machista! kkkkkkkkkkkkk

    Agora falando sério, fiquei pensando aqui numa coisa: e se sua filha, nessas experiências se apaixonar por uma mulher e fazer cair por terra toda essa sua busca, para que "ela vivesse experiências diferentes, que ela pudesse ter condições de fazer escolhas melhores, antes de casar!"??

    Eu,sinceramente, não saberia lidar. Ainda bem que você é educador e está preparado para enfrentar "todas" as situações!

    Nisso te admiro e te respeito!

    Grande abraço

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  2. Acho que o que você gostaria que a sua filha aprendesse é saber discriminar! Se ela vai aprender pela prática física ou pela prática da observação ficará a critério dela e do amor e confiança que você certamente deposita nela!
    Como não ser machista se nascemos em uma cultura que valoriza esse machismo?
    Eu tive sorte! O mundo das expressões artísticas me propiciou uma visão bastante flexível dos fatos!
    Acho que desde muito cedo me adaptei ao conceito de humanista para além do machismo ou feminismo!
    Bjs

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  3. Lamentavelmente eu tb tenho fortes nuances machistas mas é como o José Antônio falou ... como não ser?

    Qto à questão de sua filha eu fico daqui pensando ... definitivamente não nasci para ser pai ...

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  4. Meu caro, não tenho filha mulher, e nem homem...rs rs rs, alias, não tenho filhos, mas uma coisa eu digo: concordo com vc.
    Explicando minha afirmativa. Acredito sim que meninas possam escolher seu futuro de acordo com a vontade delas. Experimentar garotos não quer dizer sair por aí dando pra todos eles. Ela pode flertar, ficar ou seja la a forma que eles arrumem pra designar um romance. Vc está dando a ela a oportunidade do acerto. Meninas que não sabem escolher homens dão para todos, pq necessitam de uma atenção e de uma valorização que a menina madura ( talvez a forma deseje que sua filha seja) tem frente a esse universo de opções.
    Também tenho meus machismos. Acho que meninas que fazem sexo com qualquer um estão mais propensas a baixa autoestima do que escolhendo o menino certo. Ainda sou do tempo que mulher precisa se valorizar. O sexo evolui nas gerações, mas ainda há entre nós a alcunha de que meninas “dadeiras” são biscates. Quando ela chegar aos 30 anos e quiser ser dona de si e fazer sexo com quem bem entenda, é uma escolha, mas uma garota de 17 anos precisa se preservar. Experimente, mas com cautela.
    Falando assim eu me senti um avô...
    Ótimo texto.

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  5. Entrei aqui agora para ler seu post e achei super legal ler sua referência ao meu blog! :)
    Fico feliz que meu post tenha feito você refletir um pouco sobre o machismo que ronda nossa sociedade e sobre o que você deseja para a sua filha.

    Sabe, o que concluí nos últimos tempos é que o machismo está tão difundido na nossa sociedade que, muitas vezes, temos atitudes machistas sem refletir muito a respeito. Eu, que sou extremamente feminista, já me surpreendi algumas vezes com alguns pensamentos que vão contra o que defendo! Mas melhorei bastante nos últimos meses! rs! Tudo é um exercício diário de compreensão do que é o machismo, do que é o feminismo, do quanto o machismo é prejudicial para a sociedade em geral e como podemos mudar isso com pequenos gestos no dia a dia.

    Sobre essa questão que você falou, sobre querer que sua filha namore bastante e aproveite a vida antes de casar e ter filhos, eu te pergunto: isso é importante para ela ou para você? Por que curtir a vida precisa ser, necessariamente, namorar e conhecer muitas pessoas e se comprometer apenas quando já se está numa idade mais "avançada"? Não sei se isso chega a ser um pensamento machista, acho que não, mas penso que essa é a sua visão de curtir a vida, e não necessariamente a da sua filha, e é esse ponto que precisa ser revisto!

    Isso é perigoso porque você corre o risco de pressioná-la a ter um estilo de vida que talvez não a atraia! Digo por mim mesma: eu conheci minha alma gêmea aos 16 anos, começamos a namorar aos 17 e estamos juntas até hoje. Somos felizes assim e afirmo que não sinto falta de ter saído com outras pessoas! Meu pai sempre me pressionou para sair, me divertir, coisas que ele achava que eram importantes, mas que eu nem sempre estava a fim! Isso me chateava um pouco, porque passava a sensação de que eu o estava desapontando de alguma forma. Esse é o meu medo de você desejar certas coisas para a sua filha, sabe? Não seria mais fácil, talvez, simplesmente desejar que ela seja feliz, da forma que ela achar melhor?
    Talvez ser feliz, para ela, seja ficar sozinha... talvez seja se divertir com os amigos, ou talvez seja, claro, namorar muitos garotos, ou, quem sabe, muitas garotas?? Talvez ela não queira se casar e nem ter filhos... ou então, talvez ela encontre a alma gêma dela amanhã, e decida que não quer abrir mão disso só para "curtir" com outras pessoas. Afinal, será que faz sentido você abrir mão de uma pessoa que ama de verdade só porque ainda é "jovem demais" para se comprometer?

    Fica a reflexão!

    Mas quero parabenizá-lo por todos esses questionamentos! É esse o caminho! Se todos os pais se questionassem sobre metade disso tudo, o mundo dos "pais e filhos" seria muito mais fácil e agradável de se viver!

    No mais, quero fazer algumas sugestões:

    - Assista esse vídeo mega bacana e esclarecedor sobre feminismo: http://vimeo.com/36051357

    - Acompanhe o blog da Lola, que fala muito sobre feminismo, machismo e assuntos em geral: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/

    Beijão!

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  6. Deliciosa essa discussão! Todos me fizeram refletir. Ainda penso mais quase na linha de Maira. Como pais, mesmo que a gente não queira, existe um desejo no ar, uma expectativa que alimentamos para nossos filhos serem felizes na direção do que nós pais achamos que é felicidade para nós, não para os filhos. Então eu diria que sendo ou não machista, feminista ou algo similar o que mais importa é que nossos filhos sejam capazes de buscar o que for melhor para eles. O caminho não é tão importante, contato que o façam se respeitando e curtindo. Não é a menina que se desrespeita se sair dando para qualquer um mas são os jovens (meninos e meninas) que se desrespeitam quando não estão conscientes do que devem fazer com seus desejos. Então a grande tarefa de ser pai ou mãe é permitir que eles, os filhos, adquiram sua auto confiança sendo quem quer que eles tenham que ser! bjs em todos!

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  7. Gostei bastante do que você disse! Se algum dia tiver filhos, e em especial uma filha, pretendo tentar dar liberdade para que se descubra e faça suas escolhas. Talvez seja o maior erro dos pais querer proteger demais do mundo... E que bom que ela tem um pai que se policia deixá-la experienciar a vida, isso é muito importante! No futuro ela agradecerá!

    Abraços

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  8. A beleza de tudo é que - não importa se você é machista ou não. Ela provavelmente fará suas próprias escolhas, no tempo que lhe for mais conveniente. Sua posição provavelmente será a de dar apoio e sustentabilidade às escolhas dela.
    Forte abraço

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  9. Sinto-me atingido pelas diversas opniões aqui expostas. Sou pai e sempre aconselhei a minha filha a ter tranquilidade na escolha, a ter cuidado no sexo, que ela tinha a opção de realizar seus desejos com quem e quantos ela escolhesse, mas ela sempre receberia o título da galinha e seria desmerecida e o garoto seria o garanhão com fama, mesmo que nunca houvesse tocado nela mas só usado da amizade ingênua. Sempre tomei cuidado para explicar que são coisas possíveis, mas que era ela quem deveria fazer a opção e depois arcar com o ônus e as glórias da escolha. Sempre pedi pra que ela "observasse" muito o que lhe rodeava e que "buscasse ler nas entrelinhas, no que não era dito". Sempre segui esta ideia de que ela não deveria se prender cedo, que deveria estudar e solidificar sua carreira, que um companheiro fosse uma "opção" e não uma "condição" na existência dela.
    Ela fez a escolha da própria carreira, fez a opção de morar comigo (morava com a mãe), fez a escolha dos seus namorados. Fez a opção de se especializar no que gosta, de comprar seu imóvel para fazer a experiência de viver consigo para depois dividir o espaço com alguém especial.
    Sempre conversamos muito, sempre coloco minhas observações quando (ou mesmo não) solicitado e ela as confronta, mas sempre procuro deixar claro que a opção e as consequências das mesmas pertencerão somente a ela.
    Agora, que sempre houve uma dose de machismo e uma projeção dos meus erros para tentar safá-las dos mesmos, tenho certeza que houve. Por mais isento que tenha procurado ser.
    Mas até aí, não sou perfeito e nunca exigi isto dela ou de ninguém,somente o amor, carinho e respeito. Afinal de contas somos frutos de uma cultura milenar machista e preconceituosa mas nada melhor do que aprimorar nosso ser dentro da condição básica do "AMOR, DO CARINHO E DO RESPEITO!"
    Pai é sempre pai, não é?
    E machismo ou feminismo? Acredito que se tratamos "gente como gente" o resto é só o resto e vai pro lixo mesmo.
    Parabéns Fabio!

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  10. Seu texto é muito bom, estimula os nossos questionamentos, tanto que está rendendo longos comentários.

    Bem, eu tenho raiva do machismo, ele foi o que colaborou para estragar a minha vida em muitos sentidos e ainda colabora, eu não posso ser a favor de algo que me prejudica diretamente.

    No todo acho que o machismo é um atraso para a sociedade. Pode ver que os países que estão melhor socialmente são os de cultura menos machista. Os países latinos são um horror total nesse sentido. A machismo aqui no Brasil ainda é tão grande que vejo meninos de 16 anos com o mesmo discurso do meu paí que tem mais de 80. Parece que a coisa não evolui, não anda, e os velhos pensamentos ficam se perpetuando de uma forma que não vejo fim para isso.

    Acho bem interessante essa sua postura. Pelo menos você está aberto para que sua filha tenha várias experiências, já foge do clichêzão dos pais que querem suas filhas castas. Acho que só isso já é um avanço, mesmo que reconheça ser machista em outros pontos.

    O problema não é ser machista, preconceituoso e tal, isso todos nós temos uma dose dentro da gente, o problema está em alimentar isso dentro da gente. E acho que em relação ao machismo a grande maioria não quer nem se dar o trabalho de questionar, todos seguem com velhos pensamentos e ponto.

    E sim, héteros dos dois sexos, e homossexuais dos dois sexos podem ser muito machistas, conheço dezenas de exemplos em todos os casos.

    Beijocas

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  11. Em maior ou menor grau, todos temos !
    E é um exercício diário se monitorar pra ser menos machista, menos intolerante, menos crítico, menos dono da verdade ... e por ai vai ...
    Bom fim de semana !

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