20 de julho de 2015

Nem sempre podemos fazer como Sofia...


Ontem a noite  me aconteceu um episódio interessante...  Uma pessoa que conheci lá pelos idos de 97/98 me re-encontrou... na realidade eu já tinha re-encontrado ele uns três anos atrás, bem depois que eu tinha me separado... .. ele tinha meu contato e me mandou uma mensagem...
Ele foi um cara pelo qual me interessei lá no século passado, um professor, uns 10 anos mais novo que eu, bom de papo, que parecia alma boa. Saímos "um par" de vezes, mas ele não quis engatar nada comigo... #rejeitado! 
Pelo que me lembre (lembrar não é o meu forte) ele tinha uma situação não resolvida com um relacionamento anterior, com idas e vindas, e não tinha espaço para algo novo, no caso eu... Nem tivemos nada mais sério, mal trocamos uns beijos...
Ele entrou em contato porque tinha encontrado uma carta e um cartão que eu tinha dado para ele no meio de uns guardados (eu até tenho medo de fuçar nos meus  guardados!). Na época eu dei de presente para ele a biografia da Clarice Lispector, que tinha sido recém lançada e  que ele curtia.
Conversamos um pouco por mensagem, com a clássica promessa "vamos marcar um café"...

O episódio, com cara de "deja vu", me deu um pequeno "insight" sobre esta questão das escolhas, e eu até comentei com ele... - Imagina como nossas vidas seriam diferentes se tivéssemos feito outras escolhas anos atrás... (se bem que eu estava "alfinetando" o fato que ele não me "escolheu" na época! rsrsrs)
Ele argumentou, e eu concordei, algo como não existirem "escolhas certas e escolhas erradas, pois o importante é o que se aprende com elas" ... foi uma conversa boa e divertida... com ele concluindo que a "vida é como um paciente do CAPS, sempre sendo internada e recebendo alta"

Para mim todo dia exercemos nosso poder de escolha, quase a todo minuto, acordar, sair da cama, comer, comer o que, comprar... mas principalmente precisamos escolher AMAR e NOS DEIXAR SERMOS AMADOS... e isto não só falando de amor entre uma dupla, amor de casal (ou trio ou outra configuração) mas todo dia, a todo momento, escolhemos AMAR e NOS DEIXAR SERMOS AMADOS pelos amigos, por algum colega de trabalho, por nossos pais, filhos e irmãos. E eu penso que AMAR alguém talvez seja mais espontâneo, mas deixar SER AMADO requer um pouco mais de trabalho... e talvez assuste mais...

Talvez assuste porque você sempre ouve Saint Exuperry sussurrando no seu ouvido quando percebe que está, por pouco que seja, impactando a vida de alguém. Talvez assuste porque ás vezes você não pode - ou não quer - retribuir. Talvez assuste porque não nos achamos merecedores daquela forma de amor.
Eu demorei muito para aceitar, ou entender, que eu era uma pessoal "legal", que tinha gente que gostava de mim apenas pelo que eu era, e não pelo que eu fazia pela pessoa, eu demorei para me permitir SER AMADO... mas acho que demorei principalmente porque AMAR é uma coisa muito presente em minha vida, e talvez eu fosse mesquinho em achar que "só eu sabia amar"...
A primeira coisa que começou a me ensinar a ser amado foi a paternidade, mas mesmo assim eu demorei para acreditar que não era um amor só baseado no "cuidado" e "no que eu fazia", demorei a entender que era o mesmo amor que eu sentia... eu me deixei SER AMADO e me tornei um melhor pai.
Resultado de imagem para sophie's choice
Meryl Streep - maravilhosa sempre -
ficou, durante anos, com fama de
"chorona" por causa deste filme!
Mas quem colocou uma "pá de cal" foi mesmo o Mr. Jay, que me ensinou que alguém pode me amar mais do que eu amo a pessoa... como ele sempre faz questão de me dizer, e me provar... Com ele eu aprendi a ME DEIXAR SER AMADO.

Sofia teve que fazer a que pode ser considerada a mais difícil das escolhas, tanto que o nome da personagem virou sinônimo de escolhas difíceis, mas talvez a escolha de SE DEIXAR SER AMADO seja a mais difícil...

E você? Já aprendeu a SE DEIXAR SER AMADO? Ou acha que isto não é uma escolha?


16 comentários:

  1. Sábias palavras e sábios conselhos. Eu ainda tenho muito a aprender... :)

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  2. Meu amigo,

    Eu juro li o post três vezes e continuo com a mesma sensação que não entendi absolutamente nada. Você bem sabe que esse tema do amor é algo muito importante para mim.
    Não entendi onde você quer chegar quando fala da relação do amar e ser amado com escolha de Sofia ( que na verdade não é uma escolha e sim uma imposição brutal ). Fiquei mais confuso ainda quando você escreve sobre agora sentir-se "legal" o suficiente para ser amado...
    Nossa, realmente fiquei confuso...
    Me ajuda a entender, por favor....

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    1. Perdão meu amigo se não me fiz claro... não se acerta em todos os textos não é? Que bom que você comentou, assim tenho chance de explicar melhor o que não fiz claro...
      SIM, eu sei que o tema AMOR lhe é caro, carissimo! E vocÊ saber que eu também acredito, e aposto, sempre no amor!
      Usei a analogia da escolha de Sofia como uma figura de escolha dificil, nem tanto como escolha imposta. Acho que escolher SE DEIXAR AMAR é uma questão dificil, acho que as pessoas tem medo, se retraem. Meu pai, por exemplo, escolheu não fazer isto, escolheu não ser amado, não dar chance para isto acontecer. ficou claro a questão da escolha? Não sei se é uma questão de EGO, ou outra coisa, mas me parece um tipo de escolha que a pessoa prefere não fazer...
      Quanto ao fato de me sentir LEGAL para ser amado, eu quis dizer que só conseguimos permitir SERMOS AMADOS quando amamos a nós mesmos, conhecemos a nós mesmos, respeitamos nossos limites e sabemos quem somos...
      E agora, continuei na confusão? Ou ié hora do FEBEAPA?

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    2. Querido amigo....Obrigado pelo carinho em responder minhas dúvidas! Acredito que foi mais a sua escolha pela Sofia que me deixou confuso ( tenho uma visão diferente desse filme e acabei pecando por não levar em consideração a sua interpretação do filme e da utilização de um significado diferente do meu! Perdão! ).
      Entendo o seu ponto de vista sobre o amor e principalmente sei que você acredita no amor mais do que muita gente que conheci.
      Não acredito que amar e ser amado ( ou não ser ) seja um problema do EGO ( implicaria em uma escolha consciente)! Muitas vezes "escolhemos" a falta de amor porque fomos abandonados pelo amor algumas vezes. O medo que o amor , mesmo se apresentando para nós uma segunda ou terceira vez, seja uma aparição enganadora ( uma ilusão ) nos faz temer aceitá-lo!
      Toda pessoa que se afasta do amor provavelmente sofreu o afastamento do amor em primeiro lugar! Nada surge do nada! E do amor que se afastou brota o sentimento do medo! Por isso encontramos tantos amendrontados do amor! Um paradoxo: precisamos do amor, mas fugimos dele!
      Bjs

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    3. Acho que hoje eu acordei mais inteligente! Acho que finalmente entendi o que vc sempre fala, e escreve no teu blog sobre a vivência - e não vivência - do amor. Quem não vivenciou, ou sofreu, tem mêdo... entendi! Obrigado!

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  4. Adorei este texto. A sério. Revi-me tanto nele. Na questão da rejeição e no encontrar mais tarde um rapaz que me rejeitou no passado e falar disso mesmo "nas escolhas". Curiosamente muitos se arrependem e também aprendi (como você) que não temos que andar a provar nada a ninguém para que gostem de nós. As pessoas têm de gostar como somos, com as nossas qualidades e defeitos.

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    1. Que bom namorado que um pequeno texto te ajudou a pensar! me senti lisonjeado! um abraço

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  5. Hum.,, talvez nunca tenha deixado ser amado mesmo...

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    1. Este é um aprendizado TRESEGOS... um aprendizado...mas talvez a partir daqui vc possa pensar nisto e dar mais chance...

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  6. Olha... confesso que eu li umas três vezes seu texto, mas foi por ter entendido tudo de primeira... foi um texto que disse muito a mim e me tocou bastante... Muito legal mesmo!

    Como eu não vou saber comentar sem me enrolar deveras, ... vou só dizer que eu adorei!!!

    Abração!

    PS > Só acho que em algum momento somos tocados por alguma forma maior e começamos a perseguir esse objetivo, ainda que seja no "água mole em pedra dura"... ou apenas seja uma questão de amadurecimento.

    Abraços.

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    1. TIM MAN, que legal seu depoimento, me senti lisonjeado por ter lhe tocado! não desista do amor não! as outras vezes que não funcionou não devem te fazer ter medo dele! vc me parece ser um cara dez e merece se deixar amar!

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  7. Acho que tô aprendendo a me deixar ser amado... Maridão tá indo bem nesses quase 6 anos... hahahaha

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    1. acho que entao ja da para cantar LET IT GO! rsrsr

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  8. Então... Reencontrar alguém que me rejeitou no passado é sempre conflitante, porque imediatamente é acionado em mim um dispositivo para não entrar no jogo de ressentimentos, o que mostra que se esse dispositivo foi necessário... tem gato nessa tuba.

    Não sei se aprendi a me deixar amar, porque não tenho certeza se encontrei muitas pessoas dispostas a amar (daí entramos naquela discussão sobre oque é amor, blá blá blá). Mas creio que aprendi a receber o que de bom as pessoas tiverem para me oferecer, seja carinho, atenção, amizade, sexo com parceria.
    Já com filhos teu texto me pôs uma questão: se já parei para simplesmente amar, sem estar ansioso por provar (traduzindo em cuidados) o amor por minha filha. Essa vai ficar decantando na minha mente e no meu coração, por um tempo.
    Abração.

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    1. Obrigado por teu post! obrigado por ter me contado que o que escrevi lhe sensibilizou... não desista do amor... e não desista de escrever em seu blog! o que vc compartilha tb é amor! abraços!

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