20 de novembro de 2013

ás vezes eu acho um saco ser gay!


No mês de outubro eu fui com o Mr. Jay num casamento de uma amiga dele. Na realidade tanto a noiva quanto o noivo são amigos dele de longa data, pessoas que se conhecem desde o tempo de colégio!
Fiquei realmente emocionado em ver como ele é querido por estes amigos - que moram na cidade dele e que ele vê raramente - as pessoas se emocionavam quando encontravam ele e as conversas eram fluidas e animadas. Ele foi inclusive padrinho de casamento do lado da noiva.
São amigos que sabem que ele é gay e que também me receberam muito bem, a quem fui devidamente apresentado como "namorado", e que parecem aceitar tudo com muita naturalidade e zero preconceito.
Mas, de certa forma, o preconceito social e a homofobia internalizada estão sempre por ali! Ou seria "por aqui"?
Num determinado momento estávamos sentados numa mesa eu, ao lado do meu namorado, um outro amigo dele - também gay - e três casais de amigos deles, e eu estava super feliz e me deu uma vontade danada de dar um beijão nele, da mesma forma que vários casais fazem nestas situações...
Mas eu não dei...
Não dei o beijo porque eu sabia que era o local inadequado para isto, não dei em "respeito" ao ambiente, não dei porque achei que podia constranger ele, não dei para não criar polêmica e não chocar. Eu não dei o beijo que eu queria dar. Eu não dei aquele beijo única e exclusivamente porque eu sou gay!
E isto não é "culpa" do Mr Jay ou porque estava no ambiente da cidade dele, eu não dei aquele beijo que queria dar porque também não daria se fosse um casamento de amigos meus, ou da minha família, eu não dei porque apesar de tudo, e de todo o caminho, eu até hoje não beijo meu companheiro em qualquer lugar, a qualquer hora que eu queira, eu não beijo porque eu sou gay!
E eu até que sou bem desencanado com isto, beijo ele com bastante frequência em lugares públicos, mas sempre em momentos que eu acho que "não vai dar problema", e eu tenho que prestar atenção nisto apenas porque eu sou gay!
Aliás, eu até gosto de dar uma "chocada" de vez em quando, roubando um beijo no meio do shopping eu num lugar em que isto não é esperado, até como medida "pedagógica" para marcarmos território, uma militância meio bobinha... mas eu sempre sei que são lugares que eu, de certa forma, posso controlar a situação...mas tudo isto só porque eu sou gay!
E isto está em todos nós, mesmo o Mr. Jay fica meio embaraçado em nos beijarmos na frente da minha filha - barreira esta que já transpus há muitos anos!.
Gays são aceitáveis como na novela, seres assexuadas e sem emoções, seres "respeitosos" e que "sabem se comportar".
E eu acho isto um saco! Tem vezes que eu acho um saco ser gay!
 
E você? Como lida com estas situações?
 

13 comentários:

  1. Passo por isso constantemente, em querer ter um afeto, uma aproximação com meu boyfriend, porém as situações não são propicias...
    Nos contemos na maioria das vezes, e em ambientes propícios, aproveitamos cada segundo juntos...
    Infelizmente não é fácil, costumo dizer que vivo pela metade, por esconder uma parte de quem sou eu...

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  2. Por mais que estejamos em pleno seculo XXI essa questão da homofobia internalizada é algo que sempre me preocupou! É inegável, e tolo daquele tenta negar, que ela existe e habita dentro de nós muitas vezes em grau superior do que a homofobia em si! Somos definidos desde muito cedo com adjetivos bastante pejorativos que acabam por criar um medo interno até em situações onde não haveria necessidade dele existir! Somos o que somos pela definição que nos é dada pela sociedade e somos o que somos por acreditar nessa definição que baseia-se em um único nome: "contravenção"!
    Essa contravenção que nos define ( e que muitas vezes é reforçada pelo próprio comportamento gay agressivo )gera um medo justificável quando os ambientes são voltados para a chamada heteronormatividade! É uma situação delicada! Se por um lado o beijo não dado ao Mr.Jay é prova de um conformismo e um medo do constragimento tanto para ele como para vc e para os demais convidados, a realização desse beijo deixa nas entrelinhas uma pergunta: beijei para expressar o meu afeto genuíno por ele ou para me afirmar como gay e mais uma vez me colocar na figura de um pedagogo da "contravenção" ? Esse pensamento circular que parece não ter começo nem fim, nasce de uma certeza que tenho ao longo dos meus 48 anos, sendo 21 deles em um casamento com outro homem: O estar a vontade para expressar a afetividade física por outro homem deveria ser aprendida como uma expressividade desvinculada do conceito de "educação pedagógica" ou de ativismo. Ser apenas uma expressão de afeto genuína! É impressionante como esse carater de ser genuíno consegue ser recebido com bastante tranquilidade por qualquer gênero ! E para que isso aconteça a militancia e a pedagogia motivadas por esse pequeno demonio chamado homofobia internalizada tem de ser abandonado! Nada comove mais do que simplesmente a espontaneidade do amor, ainda que em um singelo "selinho" ! Exatamente como acontece quando vc está genuinamente a vontade na frente de sua filha!
    Bjs

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  3. Eu acho que justamente essa sensação que me deixa um pouco mais orgulhoso de ser gay, sabe?

    A sensação de estar transgredindo normas é bastante gratificante pra mim. Acho que se eu fosse hétero, seria um grande fazedor de merda, pra compensar.

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  4. Sei bem como é isso!
    Eu tenho um problema sério em manifestar carinho pela minha esposa em público! Nunca nos beijamos nessas situações, eu me sinto "acuada" e, para ser sincera, às vezes sinto medo! Sempre penso que pode ter algum homofóbico maluco no lugar e que resolva nos seguir e tentar nos machucar. Será que sou muito neurótica? rs.

    É, ser lésbica algumas vezes é mesmo um saco!

    Beijos!

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  5. infelizmente este é um dos problemas internos q não consegui superar em minha vida ... o medo internalizado de manifestar publicamente meu afeto homoafetivo ... neste contexto eu concordo com vc ... um saco ser gay ... mas isto é um problema meu e aó eu posso resolver ...

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  6. Vez que outra a gente dá (ui) uma transgredida básica e liga o f*da-se... hehe! Mas #superteentendo e concordo: tem vezes que acho um saco ser gay!!! #FATO! Hugzão, meu caro!

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  7. Acho que estamos no meio de um processo e o comportamento condizendo fazem parte da evolução. Claro que a evolução as vezes dá um salto e um beijo meio roubado na fila do cinema serve sim pra dizer que existimos e tb amamos. Mas esse cuidado faz parte e não é um saco a gt ser o que é. Negros eram constrangidos a pegar ônibus de brancos. Mulheres de calça eram um escandalo. Hj um gay beijar seu parceiro em publico ainda choca alguns. Vai chegar a hora que passear no shopping de mão dadas vai ser até "demodê". Acredito estarmos no meio do caminho e saber entender isso, pelo menos pra mim, trouxe respeito, aceitação e admiração.

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  8. Eu já dei beijo na porta da Igreja Universal no centro do Rio (ok, era carnaval, mas a igreja tava funcionando).

    E depois repeti o feito na porta da IURD que fica em Hollywood Boulevard, em frente ao Kodak Theater (sim, tem uma lá!)

    Nem que precise de uns bons drink, NÃO SE REPRIMA!

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  9. Eu também não consigo isso. Ainda fico pensando no ambiente, no constrangimento de outras pessoas ou de quem está comigo...mas como disse o Bratz, esse é um problema que só eu ou você pode resolver. Ninguém mais. Abração.

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  10. Eu só evitaria se houvessem problemas de segurança no local. Ou um lugar com gente sem instrução, em que é mais fácil acontecer alguma reação mais exagerada. Dizem que pobre de verdade, nao implica. Nem os ricos. A merda toda é a maldita classe media, que fede.

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  11. Tu acabou de descrever todo meu sentimento.
    é um saco tudo isso sim! O "respeitoso" e "sabe se comportar" é algo que me acompanha sempre.
    Sem falar que pra muitos, principalmente amigos héteros, somos como bibelôs.
    Minhas amigas falam que me aceitam e acham lindo eu pensar em casar, mas todas falam pra mim "ai não quero ver você beijando homem nenhum.". oi?!
    Isso cansa! Dou valor pros caras pintosos, bichinhas, afeminados, eles são felizes e sabem se impor. Certas horas eu sinto vontade de chocar também, mas acabo percebendo que tenho preconceito comigo mesmo. Creio que isso é algo que todos nós sentimos...

    PS: sobre o livro, ano que vem no primeiro semestre será lançado a primeira tiragem do SEXO COM TODAS AS LETRAS.

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  12. Rapaz, sou casado com o Eduardo faz 26 anos. Fomos padrinhos de casamento de uma querida amiga, e entramos de mãos dadas no altar. Mas manifestações de afeto são suprimidas em público até hoje...nunca escondi- desde cedo - minha homossexualidade, pois cavei meu espaço sócio-profissional pautado pela integridade.mas a liberdade irrestrita até hoje não rola mesmo.'.e isto é um saco.

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  13. As demonstrações de afeto e desejo sempre foram alvo de controle e repressão (ou de tentativas de ).Lembro de ter lido, no início dos anos 90, depoimentos de casais heterossexuais que foram repreendidos em shopping centers de algumas capitais brasileiras por estarem se beijando demais. Há algumas décadas, beijar-se em público era também uma atitude de afirmação para jovens casais heteros, não rolava assim tão "naturalmente", haviam locais em que isso não teria consequências desagradáveis, e outros onde tais casais estariam expostos a agressões verbais ou mesmo físicas.Se agora esse dilema é enfrentado por nós, é porque houve movimento.. um movimento que não para aqui, que seguirá em alguma direção. Há algumas décadas, um gay não vivenciaria esse conflito interno, pelo simples fato que que nem cogitaria ter direito a beijar seu namorado em público. Agora chegamos ao refinamento dessa questões, como nos trazem o autor do blog (e o José Antonio,no seu comentário). Que bom que já encontramos condições para nos incomodarmos com isso, para almejarmos naturalidade na expressão de nosso afeto, para questionarmos até que ponto estamos apenas nos expressando naturalmente, ate´que ponto estamos fazendo militância. E termos consciência de que determinadas situações, meios e ou locais apresentam condições de maior segurança ou (ao contrário, condições que propiciariam agressões de algum tipo) e nos darmos o direito de não nos expormos a isso (afinal, não ser comodista ou covarde não significa que tenhamos de ser kamikazes)também é importante. Nesse sentido, Maíra, não sei se vc é neurótica: talvez apenas tenha clareza em perceber que certo ambientes apresentam maior risco.

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