11 de julho de 2005

O USURPADOR, A USURPADORA

Constantemente, em conversas e ouvindo relatos de pais e mães de homossexuais, eu percebo que surge sempre a figura do USURPADOR, ou da USURPADORA...sabe quem é?
Quando os pais descobrem, ou percebem, que seu filho ou sua filha está envolvida com uma pessoa do mesmo sexo, a imagem inicial é que esta pessoa, a USURPADORA, é que "levou" ou "seduziu" sua filha, seu filho, para o mau caminho.
Os pais, a familia, querem entender a homossexualidade de seu filho como uma fase, que só foi detonada pelo surgimento desta pessoa do "mal", sem escrupulos, que desviou seu filho do caminho...
Ontem mesmo, uma amiga estava contando que a irmã de sua companheira de três anos disse: "Se não fosse você..ela ainda estaria no caminho certo..." referindo-se, imagino eu, como caminho certo o casamento heterossexual que a companheira dela vivia antes...

Será que realmente é isto que acontece? Será que as pessoas "viram" homossexuais porque encontram uma pessoa que abala seu caminho "natural"?

Acho que do ponto de vista dos pais, que amam seus filhos e que imaginam que se eles forem homossexuais eles encontrarão muito sofrimento, este é uma argumento bastante válido...e verdadeiro até certo ponto...muitos tiveram que encontrar alguém especial para vivenciarem uma forma de relacionamento diferente da que vivenciavam antes...
Acho que até um pai homossexual, de uma filha heterossexual, vai ter este sentimento de "usurpador" em relação ao primeiro namorado da filha não é?
Pensando assim, dá para imaginar que se meu filho, minha filha, não tivessem encontrado o "fulano" ou a "fulana" eles não teriam ido por este caminho...talvez, mal comparando, imaginar alguma moça que nunca havia namorado um oriental..e que depois de namorar o primeiro oriental se encanta com eles e passa a procurar somente orientais para se relacionar...pode parecer mais ou menos o mesmo caminho...
Mas será que é isto mesmo? Será que alguem que não tem atração nenhuma por pessoas do mesmo sexo poderia ser "levada" a ter um relacionamento, uma paixão, por outra pessoa? Acho que dá para responder que não!
Muitos de nós, eu, você, heteros, homos, paulistanos, hungaros...já mudamos nossas vidas por amor, ou em busca do amor, já mudamos de bairro, de lugar que frequentamos, de amigos, de profissão, de gostos...o amor tem mesmo este poder transformador...o amor nos faz ir comer num restaurante vegetariano porque nossa namorada é vegetariana, o amor nos faz congelar em campos do jordão porque nosso amor adora o frio...mas mudar o seu intimo, sua maneira de perceber o mundo, sua maneira de se realizar afetivamente...acho isto impossível.
Temos que entender que nossos filhos, unidades autonomas, já tem algumas programações feitas, e que estas programações vão começar a serem utilizadas em determinados momentos...e talvez a oreintação sexual seja uma destas programações previas...como o gosto por matematica ou facilidade para escrever...
Então, se você vê a namorada de sua filha com alguem que desviou sua filha do caminho...que seduziu sua filha, procure olhar estamoça, esta mulher, de outra forma...ela também está em busca da felicidade e não busca apenas destruir seu lar..
E se você é o que é chamado de "USURPADOR", que seduziu o filhinho da mamãe...tenha paciencia, entenda também o que se passa no coração desta mãe, deste pai, e recebe as agressões comouma demonstraçao deste amor que tem pelo filho, talvez um amor tão grande quanto o que você sente por ele...
E você, oque acha disto, já vivenciou algum destes papeis?

4 comentários:

  1. Irina3:02 PM

    É isso aí! a paciência é um exercício diário que temos de fazê-lo.

    Valeu, amigo!

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  3. Anônimo5:12 PM

    Eu já fui considerada a usurpadora pela mae de minha amad, mas quando ela ficou doente e veio morar conosco tudo mudou..mas preferia que tivesse sido antes, de outra forma

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  4. Oi Fábio
    Que coincidência; ontem estávamos falando justamente sobre isso. Eu já estive nos dois papéis. É muito louco como vc, se for primeira de alguém, será vista como aquela que levou a filha para o mal caminho...rs. São histórias que se repetem, ouso dizer, na grande maioria das histórias de vida, principalmente com relação a homoafetividade. Mas concordo com vocÊ que é preciso compreender as atitudes dos pais, no entanto, sem deixr que isso se torne uma baita barreira na relação; o que já aconteceu comigo também.
    bjusss
    Drica

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