19 de agosto de 2005

Este texto, que fala do encontro de amor de um filho com suas mães, foi escrito por uma amiga carioca H. , que junto com sua companheira S. , criaram 3 filhos durante seus 20 anos de união, eu fiquei emocionado, espero que gostem!

Minha família do amor
OI....
Meu nome é Jô...eu sou filho de duas mães. E tenho mais dois irmãos e nós três temos duas mães....
Muita gente não entende...como eu posso ter duas mães.
Minhas professoras não entendem....
Meus amigos ficam só me olhando. Mas a cara é de quem está desconfiado que eu tô falando uma baita mentira. Mas eu tenho duas mães mesmo.
Sabe a minha história é de amor, para começar, eu nasci do coração delas...
Deus me mandou para esse mundo por outra moça. Mas minhas mães já sabiam onde iam me encontrar.
A gente já tinha marcado esse encontro. Acho que foi assim:
Eu, minhas mães e Deus combinamos que mesmo que eu não pudesse sair da barriga delas Ele ia dizer baixinho, no ouvido das duas onde elas poderiam me encontrar.
Mas primeiro elas tinham que se encontrar, não é ?
Elas tinham que ter amor uma pela outra. E minhas mães se encontraram muito tempo antes de eu nascer. E elas logo se gostaram muito, muito muito, tanto que não podiam mais viver uma numa casa e a outra na outra casa.
Elas queriam viver numa casinha só delas. Juntinhas...assim que nem depois ficaram comigo.
Elas queriam viver o amor ente elas e depois ...depois você vai ver o que elas fizeram com esse amor.
E você devia ver que casinha a delas...era pequenininha mesmo.
Tinha um jardim na sala de tanta plantinha que as duas cuidavam. E elas....elas faziam uma coisa muito bonita, elas faziam livrinhos.
É, as duas faziam livrinhos para nós crianças. Olha só como elas gostavam de nós crianças! Até histórinhas para gente gostar! E elas combinavam tanto que cada uma fazia uma coisa. Uma fazia o livro mesmo e a outra achava uma maneira de levar o livro até a criança na escola. Uma fazia a beleza e a outra distribuía.
Era assim que elas se amavam: Uma produzia o bonito e a outra espalhava por aí.
E elas só podiam fazer isso porque tinham bastante amor no coração delas.
Antes de encontrar minhas duas mães... você nem pode saber como era....eu nem sabia fazer nada direito...eu era pequenininho.
Foi preciso três anos para as minhas mães chegarem até onde eu estava.
Eu estava num orfanato...e lá eu conheci aquela que ia ser minha irmazinha também.
É minhas duas mães encontraram ela também. A gente estava lá....esperando...esperando....esperando...
Eu estava tristinho, nem falava, nem brincava, nem comia direito....
Sabe...eu achava que elas não iam mais me encontrar.
Então...um dia....elas chegaram...
Foram lá para conhecer minha irmã e eu fiquei olhando compriiiiido para elas....Vou falar a verdade...eu já estava tão cansado de esperar por elas, que quando elas chegaram eu não reconheci. Ahhhh mas elas me reconheceram.
E todos os dias que ela iam lá visitar a Dê e me apanhavam para brincar também. Mas eu não sabia brincar direito. Sabe, a tristeza no coração faz a gente se esquecer como se brinca!
Mas minhas duas mães, que sabiam muito bem amar, já que elas aprenderam primeiro a se amarem, foram me ensinando uma porção de coisas, inclusive a rir novamente.
Isso era uma outra coisa que eu havia esquecido.
E ....então....um dia....eu fui para a minha casa.
Elas me levaram....Eu e minha irmã Dê.
E sabe o que mais....
eu vi que já tinha outro irmãozinho, o R.....
Engraçado....eu nem me lembrava, mas ele ia sempre com minhas duas mães para me ver.
Mas sabe o que é....é que eu estava tão sozinho, mas tão sozinho, eu tinha tanto medo de ninguém me encontrar, de ninguém gostar de mim, que eu fiquei fechadinho, como se tivesse dentro de uma caixinha.
Mas elas....minhas duas mães....me viram assim mesmo...me levaram para casinha delas....a mim e a meus outros dois irmãos.
E foi elas que me ensinaram que a gente pode encontrar o amor dentro da gente.
É ...sabia que ele não está fora da gente? É....êle fica lá dentro...no quentinho...fazendo bem pra gente.
E porquê a gente resolveu dar a coisa mais bonita que a gente tem dentro para outra pessoa é que todos nós pudemos ser uma família!
Sabia que família é isso? Duas pessoas que se encontram, se amam e depois encontram a gente e cuidam da gente?
E que uma família pode acontecer com qualquer duas mães, ou dois pais ou uma mãe e um pai.
O importante é que tenham amor um pelo outro e depois por nós...crianças que vamos chegando....
Minhas mães me mostraram isso.

3 comentários:

  1. lindo a carta, mas espero que um dia sites como este nao necessitem estar escondendo protagonistas de uma historia de amor por detrás de iniciais como se se tratasse de reportagem de página policial. É para isso que bois de piranha abrem caminhos. que tal metermos a cara e nos expormos um pouco mais? chego a ficar um pouco envergonhado por me identificar sexualmente com pessoas que têm tanto a temer.

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  2. Entre lágrimas de emoção e a satisfação da vida me proporcionar conviver com a autora, trocar olhares, risos, prazeres e idéias e de conhecer os tesouros dos seus filhos, te digo, VALE A PENA
    Eliana

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  3. ERIVAN6:11 PM

    Tenho 34 anos, sou casado a 15 anos com outro homem.
    A dois anos estou pensando em adotar um(a) filho(a).
    Temo o preconceito e preciso estar seguro desta responsabilidade.
    Lendo este texto senti profundamente ainda não ter dado o passo inicial.
    Procurar um orfanato e adotar uma criança.
    Erivan

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